12/04/2012 10:11

Agência Estado

Sol faz um irresistível convite à vida ao ar livre

Sol faz um irresistível convite à vida ao ar livre Por Olívia Fraga Interlaken, 12 (AE) - "Quanto falta para chegar lá embaixo?", pergunta o repórter que nos acompanha na descida do Eiger, uma das principais montanhas dos Alpes, na Suíça. Ante a impertinência da pergunta, qualquer suíço ergue as pestanas, em sinal de surpresa. "Uns dois quilômetros. Vamos andando", sentencia a guia, polida e irritada ao mesmo tempo. O cansaço do grupo ganha um divertido contraponto: por nós já passaram, subindo e sorrindo, casais de meia-idade, crianças correndo e colhendo flores, jovens animados com a visão da trinca de montanhas que nos escolta. São elas que obrigam o grupo a dar as costas e tornar a mirá-las, muitas vezes. O país do relógio e da precisão vai se irritar com quem tem pressa. A Suíça pede calma. Por isso, caminhar é profissão de fé de quem vive ali. O país não cansa de se olhar, tranquila e folgadamente. O narcisismo suíço encontra sua epítome em Oberland, as Highlands suíças, no cantão de Berna, a capital. Interlaken, seu destino principal, é o perfeito clichê dos cartões-postais e folhinhas de calendário: cravada no vale entre os lagos Thun e Brienz, está ainda cercada de montanhas geladas e colinas verdes. Cada olhar comprime paisagens rurais de uma beleza nada sutil. Toda paisagem suíça é linda, ponto. O que se pode fazer? A região foi importante estação de inverno dos endinheirados no fim do século 19. "Se você não conhece Interlaken, você não conhece a Suíça", escreveu certa vez o compositor alemão Felix Mendelssohn. Lord Byron e Goethe também passaram - e se inspiraram - por ali. Talvez por isso, a cidadezinha de 15 mil habitantes guarde ainda a aura belle époque de então, com seus hotéis de fachada neoclássica, nomes pomposos e uma estreita conexão com exploradores ingleses da era vitoriana - os primeiros desbravadores das montanhas Eiger, Mönch e Jungfrau, que estão entre as mais altas da Europa. Visitada por milhões de turistas, Interlaken é a cidade que tem melhor infraestrutura e clima que não assusta o turista, mesmo durante o inverno. Mas há joias cravadas nos sopés das montanhas, como Grindelwald, Wengen, Lauterbrunnen. Mürren, com (caras) opções de hospedagem e boa gastronomia. De lá, partem excursões para a prática de esportes no gelo. Na estrada. De uns tempos para cá, a Suíça, frequentemente associada ao turismo nos meses de inverno, viu explodir o interesse pelas caminhadas, algo que já estava ali, na alma dos nativos. Ela é, hoje, um país de trilhos e de trilhas, pronta para agradar tanto a quem quer o conforto dos trens quanto aos que preferem chegar a pé. Por isso, o cantão de Berna vale ser visitado também durante o verão, quando os campos estão floridos e as temperaturas são mais amenas. Você não se sentirá sozinho nem perdido: a região tem cerca de 10 mil quilômetros de trilhas demarcadas no chão - as amarelas, para serem percorridas o ano todo, e as cor-de-rosa, acessíveis apenas no inverno, com ajuda de equipamento adequado. E, onde não se chega a pé, os suíços dão um jeito: há funiculares, trens, teleféricos. Prepare as botas de trekking: na Suíça, há sempre um novo caminho para ser explorado.

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