29/08/2012 11:20

Luciano Assis

De volta para o futuro

A música popular brasileira da década de 1970 vira referência para a nova geração da música nacional

O site da rádio Eldorado FM, em conjunto com o jornal "O Estado de S. Paulo", vem promovendo nas últimas semanas uma enquete entre seus leitores para escolher o mais importante disco da música brasileira de todo os tempos. Através de uma lista pré-selecionada por especialistas, 30 álbuns ficam à disposição dos eleitores.

Dessas três dezenas, metade foi gravada e lançada entre os anos de 1970 e 1979, dando uma amostra da força do período no imaginário artístico nacional.

Mas há outras formas de medir a influência da MPB (música popular brasileira) daquela época na atual cena brasileira. Talvez a mais eficiente seja conhecendo de perto alguns nomes da nova safra de artistas que deve despontar para o cenário nacional muito em breve.

De volta para o futuro

A cantora brasiliense Ive

Divulgação

A cantora brasiliense Ive, por exemplo, acaba de lançar o CD "Sem Moldura", seu segundo disco. Com participações de nomes como Ivan Lins e Jorge Vercilo, a artista diz não se preocupar com rótulos, mas confessa ter o agora amigo Ivan Lins como uma de suas principais inspirações. "Tenho muitas influências, mas a música brasileira sempre norteou muito do que faço", explica ela, que já tem uma boa base de fãs no Rio de Janeiro e agora se prepara para estrear em São Paulo.

Um dos destaques de "Sem Moldura" é uma regravação de "Descobridor dos Sete Mares", de Tim Maia, um dos maiores sucessos do inventor da soul music com sotaque brasileiro, que expôs seu vozeirão nas rádios brasileiras nos primeiros meses do ano de 1970.

De volta para o futuro

O carioca Mauricio Pessoa

Divulgação

Outro novo nome que se inspira na MPB setentista é Mauricio Pessoa, que coloca no mercado neste mês seu segundo disco, "Habitat", com influências de Tom Jobim, Chico Buarque e Paulinho da Viola.

"São os três nomes que mais tiveram grande força sobre minha formação como músico e pessoa", confessa. O carioca acha natural que a MPB de quatro décadas atrás tenha toda essa força sobre a música brasileira contemporânea, mas acha importante que isso não seja apenas uma mimetização do passado.

"Cada artista tem que ter sua originalidade, sua marca. Procuro ter a música desses nomes que citei como base e inspiração, mas com um discurso moderno, compatível com os dias atuais", avisa Pessoa. A maior parte de "Habitat" foi gravado nos Estados Unidos, com músicos norte-americanos. E, para eles, a música brasileira é sinônimo de qualidade e ousadia.

Regravação
Após longo período de preparação, finalmente será lançado o primeiro álbum do Los Sebosos Postizos, projeto de Jorge Du Peixe, Lucio Maia, Pupillo e Dengue, integrantes da Nação Zumbi. O Los Sebosos Postizos foi criado há mais de dez anos junto com o show "Noite do Ben", no qual os músicos tocam ao vivo o repertório de Jorge Ben Jor, principalmente as composições de seu período de samba rock, entre 1970 e 1976. Gravado no estúdio YB, em São Paulo, e produzido por Mario Caldato Jr. (Beastie Boys), "Los Sebosos Postizos interpretam Jorge Ben Jor" será lançado pela Deck em CD e pela Polysom em vinil, no mês de setembro. O primeiro single, "O Homem da Gravata Florida", já pode ser ouvido no Youtube.

E por falar em vinil, a mesma Polysom que investe nessa estreia do Los Sebosos Postizos também está dedicando parte de seu catálogo em reedições de álbuns clássicos do passado. Dos últimos lançamentos e projetos previstos, muitos são desses dez anos "mágicos". A estreia de Jards Macalé e "Transa", de Caetano Veloso, ambos de 1972, chegaram ao mercado recentemente, e até o final do ano, "Expresso 2222", do mesmo ano, deve ganhar as lojas em comemoração aos 70 anos de idade de Gilberto Gil.

Em pleno 2012, para entender a música brasileira, é preciso retornar 40 anos no tempo.

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