A falta de pessoal verificada na Polícia Civil atinge também a Polícia Científica de São Paulo. O número de peritos criminais está longe do ideal em todo o Estado e não é diferente na área atendida pela Delegacia Seccional de Americana, que compreende nove municípios e uma população aproximada de 1,2 milhão de habitantes.
Corpo nas margens de rodovia à espera do IC
João Carlos Nascimento/O Liberal
A situação é das mais graves porque atinge diretamente vítimas, elaboração de ocorrências e atrasa o trabalho das polícias Militar, Civil e das guardas municipais.
Atualmente, 12 peritos atuam no Instituto de Criminalística de Americana, número 66% menor que o ideal, segundo o chefe do IC, Edivaldo Messias de Barros.
Por esse motivo, vítimas ficam expostas por horas nos locais do acidente. Foi o que aconteceu com a atriz Laura Kiehl Lucci, de 41 anos, vítima de um acidente fatal ocorrido no último dia 5 na Rodovia dos Bandeirantes, em Sumaré.
Ela morreu no local e o seu corpo permaneceu por cerca de cinco horas sobre a pista até a chegada da perícia, que atendia outra ocorrência em Monte Mor.
A falta de peritos também tira policiais e guardas municipais das ruas. Dia 10 de abril, a Guarda Municipal de Santa Bárbara d'Oeste descobriu, por volta de 10h, uma plantação de maconha em uma fazenda próxima à represa Cillo.
A perícia só conseguiu chegar ao local no começo da noite e a ocorrência foi registrada às 20h05, de acordo com o boletim de ocorrência.
O chefe do IC admitiu a demora no atendimento às ocorrências, mas explica que a situação chegou a esse ponto pela falta de profissionais.
"Com esse pessoal que eu tenho, além de fazer a equipe de plantão, eu tenho que manter um perito para fazer a parte de laboratório, diariamente, tenho que separar outro funcionário para perícia de documentos e outro que cuida da parte de exames de veículos. Então a gente acaba dividindo a equipe e fica um perito só por dia para o atendimento direto nos locais (das ocorrências graves)", disse.
Dessa maneira, as nove cidades atendidas pelo IC de Americana contam com apenas com um perito externo por dia.
O problema se agrava nos finais de semana e feriados, quando não há expediente na sede do instituto. Nesses dias, a equipe fica desguarnecida e não há um funcionário para fazer a comunicação entre polícias e peritos. "Eu acabo fazendo a ponte da minha casa, que vira uma central de controle", explica Barros.
Além da falta de pessoal, o trabalho da perícia é atrapalhado também pela falta de equipamentos. O radiocomunicador do IC não funciona bem e não tem acesso à frequência da Polícia Militar que, por sua vez, não tem acesso à frequência da Polícia Civil.
Isso significa que, quando a PM atende a um caso de homicídio, o contato é feito por telefone com os policiais civis, que acionam o IC, também por telefone. Esse procedimento atrasa ainda mais o serviço.