01/07/2012 10:07

Ana Carolina Leal

Entrevistas e fotos resgatam história

O Projel é resultado de uma parceria da DRE (Diretoria Regional de Ensino) e o jornal O LIBERAL

Portal liberal.com.br

Laura trabalhou 30 anos no colégio e vive há 48 no Jardim Alvorada

Divulgação

A Escola Estadual Maestro Germano Benencase, no Jardim Alvorada, em Americana, foi além ao colocar em prática o Projel (Programa Jornal na Escola). O colégio aproveitou o mês de São João, o Programa Escola da Família e promoveu no último dia 23 um grande evento com direito a brincadeiras juninas e quadrilha.

Além de cumprir a proposta do Projel, que é entrevistar moradores para resgatar um pouco da história do bairro, os alunos fizeram um mural com fotos, por meio do qual mostraram os pontos positivos e negativos do Jardim Alvorada; e desenvolveram uma charge baseada nos três pilares da Rio+20: economia verde, redução da pobreza e envolvimento social.

O Projel é resultado de uma parceria da DRE (Diretoria Regional de Ensino) e o jornal O LIBERAL. Já o Programa Escola da Família é uma iniciativa social do Governo do Estado de São Paulo.

"Os temas discutidos no bimestre foram ao encontro do Projel: direitos humanos, metas do milênio e sustentabilidade (Rio+20), trabalhando-se o local e global", afirmou a professora de geografia, Joana D'Arc Tonussi Tomé.

Orientados pela docente, a comunidade foi questionada para que os alunos pudessem conhecer melhor o seu bairro: a atuação dos moradores, das empresas e dos comerciantes. Uma das moradoras mais antigas do Jardim Alvorada, por exemplo, Laura Tomazelle - ela reside no bairro há 48 anos - destacou que o problema de saneamento básico deu lugar para a segurança pública. "O primeiro foi resolvido e o segundo ainda deixa a desejar".

Sob o comando do professor de biologia, Diogo de Oliveira, os alunos se mostraram surpresos com a falta de cuidado e preservação dos terrenos baldios e áreas de lazer. Um dos locais retratados é uma praça local. Por conta da sujeira e má conservação, o espaço acaba acumulando restos de lixo orgânicos e materiais.

Os estudantes também chamam a atenção para um terreno particular no cruzamento das Ruas Via Láctea e Mercúrio. O local está abandonado e virou um dos muitos pontos de depósito de lixo no Jardim Alvorada. "Gostaríamos que fossem tomadas as medidas necessárias para que esse descaso não se banalize", afirmou Oliveira. Ainda nesta página você confere os principais trechos de um bate-papo entre cinco estudantes e o aposentado Manoel Frederico de Freitas, 62 anos.

*Bate-papo com morador

1 - Alunos: Onde o senhor morava antes de fixar residência no Jardim Alvorada?
Freitas: No interior de São Paulo, perto de Tupi Paulista.

2 - Alunos: O senhor gosta de morar aqui?
Freitas: Eu já me adaptei, faz 36 anos que eu moro aqui. Fiz muitos amigos.

3 - Alunos: Quando o senhor chegou ao Jardim Alvorada como era o bairro?
Freitas: Era antigo, sem estrutura. A água era trazida por um caminhão pipa, não tinha asfalto, comércio, centro comunitário nem posto médico. Era um bairro desprovido. A energia também era muito precária.

4 - Alunos: Quais eram as principais dificuldades da época?
Freitas: Era o transporte. Por não ter asfalto, havia muito barro e o ônibus não entrava no bairro. As pessoas tinham que ir até a SP-304 para pegar o ônibus.

5 - Alunos: Como era a escola?
Freitas: A escola era simples, não tinha todo esse benefício que tem hoje, como a sala de informática, por exemplo.

6 - Alunos: Qual prefeito trouxe mais melhorias para o bairro?
Freitas: Waldemar Tebaldi e Carroll Meneghel.

*A entrevista foi realizada por Alana Chinelato, Beatriz de Freitas, Giovanna Polizeli, Marcio Barbosa e Vitória Duarte

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