O presidente da associação que mantém o projeto do basquete feminino em Americana, Ricardo Molina, criticou recentemente, por meio de seu perfil numa rede social, a postura do que denominou como "agentes" ligados a CBB (Confederação Brasileira de Baquete) em relação ao assédio sobre as atletas do município que defendem as seleções brasileiras de base e adulta.
Karla, jogadora da equipe de basquete da Unimed Americana
De acordo com o dirigente, os profissionais vêm fazendo uma verdadeira lavagem cerebral nas jogadoras com contrato para que deixem Americana e vistam a camisa de outros times de fora do Estado de São Paulo - isso porque os agentes têm acesso às atletas durante as competições.
Numa das postagens, Molina descreveu: "Tenham respeito aos clubes, as atletas e particularmente a parcela de contribuição que Americana dá ao basquete brasileiro".
Atualmente cinco esportistas das categorias de base da Unimed/Americana se encontram nas seleções Sub-17 e Sub-18 para as disputas do Mundial e Copa América: Izabella Frederico Sangalli, Camila Pereira da Silva, Monique Teresa Soares Pereira, Maria Carolina Ferreira de Oliveira, e Ana Carolina Calixto Demori.
Além delas, três jogadoras adultas - Karla Costa, Tássia e Clarissa - defenderam recentemente o país nas Olímpiadas de Londres.
"Estou tornando a falta de respeito intermediada pela CBB pública. A situação acontece a todo o momento, mas não vou citar nomes. Parece que querem destruir nosso projeto, um trabalho reconhecido nacionalmente", disse Molina.
Segundo o dirigente, os agentes trabalham sugerindo que os possíveis novos clubes pagarão as multas das esportistas relativas ao vínculo com Americana, e ainda oferecem salários altos.
"Eu não posso fazer nada, mas já orientei o Zanon (Luiz Augusto, técnico do conjunto principal) que se alguém quiser sair, é só pagar a multa. Não causarei mal estar e tenho confiança nas nossas meninas, entretanto, devemos nos proteger para que a cidade continue sendo um celeiro de talentos", concluiu Molina.
Procurado, Zanon também comentou o episódio. "Formamos muitas garotas, e pode ser inveja do nosso trabalho que vem culminando com a conquista de vários títulos. A CBB deveria apoiar o que fazemos aqui, mas parece ser o contrário", disparou.
Só em 2012 o grupo adulto de Americana venceu a LBF (Liga de Basquete Feminino), Sul-americano, Jogos Abertos Brasileiros e os Jogos Regionais.
Silêncio
A reportagem do LIBERAL manteve contato com a CBB durante uma semana. Três e-mails foram enviados a assessoria de imprensa da confederação detalhando o assunto, além de diversas ligações. O retorno do assessor Juarez Araújo era de que a resposta do presidente Carlos Nunes viria, contudo, até o fechamento desta edição a entidade não se manifestou.