Marco Antonio Alves Jorge (PDT), vereador da oposição, comenta participação da Delta nas obras da Avenida Brasil
A empreiteira Delta Construções, da qual o senador Demóstenes Torres (ex-DEM/GO) é apontado como "sócio oculto", é uma das responsáveis pelas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Drenagem, desenvolvidas em Americana.
Com a Construtora Estrutural, a Delta integra o Consórcio Parque, que saiu vitorioso na licitação feita pela Prefeitura da cidade em 2010. O fato acrescenta fatos à polêmica revitalização da Avenida Brasil, que é investigada por uma comissão na Câmara.
Para as obras, empresa mantém frota na cidade
Clayton Damasceno/O Liberal
Investigações da Polícia Federal e do MPF (Ministério Público Federal) apontam que a Delta teria recebido favorecimentos para fechar contratos milionários de obras financiadas pelo PAC. O contrato da obra de Americana deverá chegar a R$ 75 milhões.
Através de escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, a empreiteira aparece envolvida nas denúncias em que também são citados o senador e o bicheiro Carlos Cachoeira, que está preso.
Em entrevista à revista Veja no ano passado, o diretor da Delta, Fernando Cavendish, fez afirmações polêmicas sobre as negociações com o poder público.
"Se eu botar 30 milhões de reais na mão de políticos, sou convidado para coisas. Pode ter certeza disso! Com alguns milhões, seria possível até comprar um senador para conseguir um bom contrato com o governo", declarou.
Em Americana, as obras do PAC da Drenagem são envolvidas em mistérios. A comissão formada na Câmara, em 2011, deveria acompanhar as obras, mas a Prefeitura negou informações pedidas pelos vereadores através de requerimentos e também não forneceu cópia do projeto.
Os documentos foram conseguidos pela Câmara há menos de um mês, através de cópias fornecidas pelo MPF, que instaurou inquérito para investigar as obras.
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social) suspendeu repasses do PAC depois que a Prefeitura alterou o projeto civil sem autorização legislativa e do Ministério das Cidades.
As obras da avenida já chegaram a um custo 70% maior do que o previsto. Enquanto isso, as outras obras previstas pelo programa, como as intervenções no Córrego Pylles e no Ribeirão Quilombo, ainda não saíram do papel.
Através de nota, a Prefeitura de Americana manifestou que o envolvimento da Delta nas denúncias não tem nada a ver com as obras em Americana. A informação é que o consórcio venceu uma licitação que seguiu a legislação.
A Prefeitura ainda sustentou que a Lei de Licitações não permite que o poder público vede a participação de qualquer concorrente que atenda as condições previstas no edital da licitação. Já a Delta, através da assessoria de imprensa, manifestou que "reafirma a lisura de todos os contratos. Eles foram conquistados por meio de licitações e pregões".