07/08/2012 10:19

/ Última Atualização 07/08/2012 11:22

Luciano Assis

Caetano: discreto aos 70 anos

Caetano Veloso completa sete décadas de vida como um dos nomes mais respeitados e influentes da música brasileira

Caetano Veloso nunca foi famoso por sua aversão aos holofotes. Pelo contrário, o baiano nascido em 7 de agosto de 1942 na cidade de Santo Amaro da Purificação nunca fugiu de uma polêmica ou de emitir sua opinião sobre o que quer que fosse. No entanto, nesses dias que precedem seus 70 anos de idade completados hoje, ele optou pelo silêncio e não concedeu nenhuma entrevista a grandes órgãos de imprensa sobre a data.

Caetano Veloso_Portal liberal.com.br

Aos 70 anos, Caetano é um dos gigantes da música brasileira

Divulgação

Mas isso não vai impedir que jornais e outras mídias relembrem sua trajetória musical iniciada como compositor em 1965, e que ganhou grande destaque após sua apresentação no Festival da Record, dois anos depois, com a música "Alegria, Alegria", uma marcha rancho costurada por guitarras, uma heresia à música brasileira na época. A música ficou em quarto lugar na competição, mas até hoje é a mais simbólica do evento, como concordava o recém-falecido Chico Anysio, que era jurado do Festival e votou em "Alegria, Alegria", como confessou no documentário "Uma Noite em 67", de Renato Terra e Ricardo.

"O tempo mostrou quem foi vencedor. Ninguém é capaz de cantar 'Ponteio' hoje em dia. Nem o autor", brinca o humorista, em depoimento ao filme, citando a primeira colocada da competição.

O auge do Tropicalismo coincidiu com o AI-5 (Ato Institucional), que fechou o Congresso Nacional e acabou exilando vários artistas, entre eles Caetano e Gil, que foram viver em Londres por mais de dois anos.

Neste período, o baiano gravou três álbuns mesclando as línguas inglesa e portuguesa e, segundo alguns críticos, atingiu seu auge criativo no último trabalho dessa leva, "Transa" (1972), lançado quando ele já estava de volta ao país.

Esse disco acaba de ser relançado pela gravadora Polysom, pela primeira vez com seu projeto gráfico original assinado por Álvaro Guimarães e Aldo Luiz.

Dois anos após seu retorno do exílio, o cantor veio pela primeira e única vez a Americana, onde se apresentou no antigo Teatro de Arena. A apresentação foi recebida com críticas por alguns moradores, que se escandalizaram pelas roupas femininas usadas pelo artista na apresentação. No entanto, a coluna "Som Dando", publicada semanalmente pelo LIBERAL na década de 70, defendeu o artista e ainda indicou aos leitores o compacto da música "Qualquer Coisa", lançado no ano seguinte. "Sensacional o novo lançamento de Caetano. Esperamos com ansiedade pelo resto do trabalho", exalta a coluna publicada no dia 26 de julho de 1975.

Site
Para esta efeméride o site de Caetano Veloso foi completamente reformulado, com a inclusão de fotos raras, partituras, textos e gravações inéditas.
No final do ano ainda há a expectativa do início das gravações de seu novo disco, em companhia da banda Cê, formada apenas por músicos da nova geração da música brasileira.

Enquanto isso a história de Caetano já é o suficiente para colocá-lo definitivamente entre os gigantes da música brasileira em todos os tempos, mas pelo andar da carruagem ele pensa mais no futuro que no passado.

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