Empregados afastados pediram desligamento amigável da empresa
A pressão feita por funcionários da unidade de Americana da Neotextil Indústria, Comércio, Importação e Exportação no último dia 20, quando pediram para serem demitidos pela empresa, não surtiu efeito.
Agora, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Têxtil do município tomou a frente das negociações, já que os trabalhadores estão insatisfeitos com a paralisação da produção e pretendem arrumar uma nova colocação profissional.
O pedido foi feito pelo presidente da entidade, Antônio Martins, à gerência de RH (Recursos Humanos) da empresa anteontem e a categoria espera por uma nova resposta.
Depois da reunião realizada na semana passada, quando os funcionários foram recebidos por integrantes da diretoria da Neotextil e já haviam demonstrado interesse pela dispensa, estava marcado novo encontro para esta semana.
A pessoa indicada pela empresa para se posicionar diante dos cerca de 60 trabalhadores informou que não havia mudança em relação ao que foi apresentado no dia 20.
Por conta disso, Martins reforçou o pedido de dispensa dos interessados, segundo a assessoria do sindicato.
A intenção dos funcionários interessados na demissão é conseguir baixa na carteira de trabalho para liberação do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e sejam abertas novas oportunidades no mercado de trabalho.
A tentativa de receber os direitos trabalhistas, neste caso, seria buscada posteriormente pela Justiça.
Por conta da falta de matéria-prima, a Neotextil deu férias coletivas aos funcionários da produção. Eles reclamam ainda de atraso no pagamento dos salários de março, que deveriam ter sido pagos no início deste mês, e do adiantamento de abril, previsto para o último dia 20.
Quanto a isso, o representante da empresa afirmou que estão buscando recursos para quitar os valores devidos, ainda de acordo com a assessoria do sindicato.
Os empregados da Neotextil voltam a se reunir na quarta-feira (2), às 9h30, na sede do sindicato da categoria, à espera de uma nova posição por parte da empresa.
Cerca de 100 pessoas foram demitidas em 2011 e aguardam pela sequência do cumprimento do acordo firmado para o pagamento de acertos trabalhistas.
Recuperação
A empresa pretende acertar as contas junto aos credores depois da homologação do plano de recuperação judicial, autorizada pelo juiz Daniel Carnio Costa, da 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de São Paulo, neste mês.
Com os funcionários demitidos no ano passado, restam três parcelas de R$ 750, duas de R$ 1 mil e uma entre R$ 1,8 mil, além do restante do crédito.
Há ainda R$ 67,3 milhões em débitos com fornecedores, prestadores de serviços e instituições bancárias para pagamento em 13 anos e seis meses.
Diante da crise, a Prefeitura de Americana descartou, também este mês, a reabertura das ruas Ferrúcio Astorri e Orozimbo Machado, fechadas em 2009 para expansão da Neotextil.