Uma confusão supostamente provocada por falta de atendimento adequado no Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, em Americana, está sendo investigada pela Polícia Civil. O caso ocorreu terça-feira (24) quando, segundo a ajudante de cozinha J.F.C., de 28 anos, aguardava para ser atendida por um cardiologista da unidade de saúde, depois de ser medicada.
A mulher contou ontem à reportagem que sofreu uma elevação da pressão arterial e sentia dores no peito, na noite anterior.
"Passei a noite lá. E, quando fui perguntar do médico a uma enfermeira, ela fez pouco caso", contou.
Segundo ela, seu marido, o auxiliar de montagem L.H.P.S, 22, irritou-se e agrediu um funcionário do hospital a tapas e chutou uma porta do pronto-socorro.
"Meu marido ficou desesperado com o mau atendimento. Fui humilhada", relatou Juliana.
Após a agressão, soldados da Guarda Municipal imobilizaram L.H. Mesmo com uma agulha aplicada em um dos braços, para aplicação de soro, a mulher conseguiu derrubar um soldados e um policial militar.
"Nem percebi isso na ocasião. Estava muito nervosa", disse. A Prefeitura afirmou que o rapaz foi "contido" pelos policiais.
"Aquilo parece mais a zoonoses", disparou Juliana, comparando o hospital ao Centro de Controle de Zoonoses da cidade.
J.F. afirmou que pretende acionar a Prefeitura judicialmente. "Já estou com um advogado e vou à Justiça. Eles não podem tratar as pessoas desse jeito", sentenciou.
Repercussão
A confusão ficou ganhou repercussão com a postagem de um vídeo no site Youtube. Na gravação - feita por um paciente que estava no hospital -, um homem aparece imobilizado por guardas, depois de agredir funcionários da unidade.
As imagens também mostram a mulher agredindo policiais. O vídeo também foi postado em outros sites e reproduzido por emissoras de televisão. No final da tarde de ontem, o vídeo já contava com mais de 1.300 acessos.
"Nem sabia que haviam gravado o caso. Mas é triste isso. As pessoas estão sofrendo naquele hospital", disse a mulher.
Prefeitura diz que marido ficou 'exaltado'
A Prefeitura de Americana informou, em nota oficial distribuída ontem à tarde, que a ajudante de cozinha J.F.C. estava em atendimento no pronto-socorro quando ficou exaltada.
A Administração afirma ainda que o rapaz agrediu fisicamente um funcionário, fato que foi confirmado por ele em depoimento à Polícia Civil.
"Na terça-feira, dia 24 de abril, o marido de uma paciente que estava em atendimento no pronto-socorro Dr. Waldemar Tebaldi se exaltou dentro do pronto-socorro porque a esposa (que já havia sido atendida pelo clínico, realizado exame, reavaliada pelo clínico e encaminhada para avaliação médica do especialista) segundo ele, teria sido desrespeitada por uma enfermeira. O marido ofendeu verbalmente uma assistente social do hospital e agrediu fisicamente outro servidor público e foi retirado do pronto-socorro", diz a nota.
Ainda segundo a Prefeitura, o marido da paciente insistiu em entrar numa sala e chutou a porta. O nome dos servidores que teriam sido agredidos não foi revelado pela Prefeitura.
Caso faz auxiliar perder o emprego
O auxiliar de montagem L.H.P.S. sofreu consequências da confusão em que se meteu no Hospital Municipal, no início da semana. Um dia após o episódio ele foi demitido da empresa em que trabalhava.
Segundo sua esposa, J.F.C., ao saber da repercussão do caso na Internet, a direção da empresa decidiu pela demissão. O nome da empresa não foi revelado pela mulher.
"Infelizmente isso também aconteceu. Ele foi demitido no dia seguinte à confusão. Foi tentar me defender, acelerar o atendimento e deu nisso. Além de ser humilhado, agora está desempregado", lamentou.
Segundo ela, o marido ainda corre o risco de responder a um processo na Justiça por agressão, danos morais contra servidor público e danos materiais.
"Buscamos nosso direito e é isso que acontece", acrescentou.
Durante uma entrevista da mulher, na sexta-feira (27) à tarde, o marido não se encontrava em casa.
No vídeo, ele é visto sendo imobilizado por pelo menos cinco soldados da Guarda Municipal após agredir funcionários da unidade de saúde.