Paulo Pasquini, advogado do sindicato dos têxteis, fala sobre como os trabalhadores vão receber a indenização
O acordo firmado entre a Neotextil Indústria, Comércio, Importação e Exportação e os cerca de 100 empregados demitidos no ano passado para o pagamento de direitos trabalhistas será feito com a venda de 36 teares da empresa.
Dívida da Neotextil será paga com a venda de teares
O procedimento está previsto na sentença do juiz Daniel Carnio Costa, da 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de São Paulo, que homologou o plano de recuperação da Neotextil, e também foi confirmada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Têxtil de Americana.
O valor a ser arrecado com os equipamentos, porém, não foi estimado.
"Tendo em vista que a venda já está contemplada no plano de recuperação judicial, bem como a anuência do administrador judicial, defiro a venda dos 36 teares", diz o texto da sentença da homologação.
O advogado do sindicato, Paulo Pasquini, disse ontem que não há prazo para realização da venda. Ele esteve reunido com representantes da empresa nesta semana.
Pasquini acrescentou que a empresa precisa prestar contas à Justiça sobre os equipamentos comercializados. A entidade que representa os trabalhadores promete fiscalizar o andamento das vendas, mas acrescentou que, até o momento, não houve descumprimento do que estava previsto.
"Se o valor da máquina, por exemplo, for vendida por R$ 15 quando vale R$ 25, nós temos condições de pedir a impugnação", explicou o advogado.
Além do intermédio do sindicato, o LIBERAL apurou que os funcionários que não foram demitidos reivindicam esclarecimentos por parte da Neotextil e pretendem realizar uma reunião com a diretoria.
A homologação do plano de recuperação judicial, que permite o cumprimento de acordos firmados com ex-funcionários e credores da empresa, foi proferida pela Justiça no dia 13. Em setembro do ano passado, o grupo dos demitidos aceitou o acordo proposto para o pagamento de direitos trabalhistas e já receberam três parcelas de R$ 500.
Restam três parcelas de R$ 750, duas de R$ 1 mil e uma entre R$ 1,8 mil, o restante do crédito e as multas pela rescisão dos contratos de trabalho.
Já os credores (fornecedores, prestadores de serviços e instituições bancárias) devem receber R$ 67,3 milhões em débitos em 13 anos e seis meses. O plano foi aprovado com 53% dos votos da assembleia, realizada no início de março.
A Neotextil foi procurada pelo LIBERAL para comentar a homologação do plano de recuperação judicial. Porém, por meio da assessoria de imprensa, afirmou que "a diretoria da empresa não se pronunciará no momento".