12/07/2012 09:22

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Ambiente familiar

Para chegarem a um retrato fiel da realidade, novelas investem em cenografia com riqueza de detalhes

Portal liberal.com.br

Para retratar o cotidiano das cidades brasileiras, novela tenta ser o mais coerente possível com a realidade

Afonso Carlos / Carta Z Notícias

Na tentativa de retratar o cotidiano das cidades brasileiras, folhetins de tons naturalistas assumem o compromisso de serem o mais coerente possível com a realidade. Geralmente, a estética desse tipo de trama se distancia de eventuais exageros, principalmente no que diz respeito aos cenários. De acordo com a ambientação da novela, a cidade cenográfica passa a respeitar o local de referência e o conhecimento do público. "O primeiro passo para se construir um cenário a partir de uma cidade ou região existente é pesquisar, fotografar e catalogar todas as informações do local. É um trabalho minucioso, difícil e importante para dar formato à novela", ressalta o cenógrafo Mário Monteiro. Na Globo há mais de 30 anos, Mário trabalhou em clássicos como "Gabriela", de 1975, e "Dancin' Days", de 1978. Inclusive, ele também é responsável pela representação de Ilhéus na nova versão de "Gabriela", que está no ar atualmente.

Por falta de registro, o trabalho da equipe de cenografia em tramas de época é carregado de licenças poéticas. Para reconstruir a Ilhéus do início do século 20 na produção de 2012, Mário recorreu ao acervo fotográfico de historiadores locais, analisou as transformações da cidade ao longo dos anos e pescou referências das construções de outras cidades baianas na época, principalmente da capital, Salvador. Pelo mesmo caminho histórico, mas de forma mais intensa, segue Daniel Clabunde, principal cenógrafo da Record. Responsável pelos suntuosos cenários de minisséries bíblicas como "Sansão e Dalila" e "Rei Davi" - onde as histórias se passam em lugares do Oriente Médio, cerca de mil anos antes de Cristo -, Daniel e sua equipe trabalham com inspirações em livros - incluindo a Bíblia - e filmes que retratam o período. "Restaram apenas ruínas da Jerusalém daquela época. É só memória e nada muito bem registrado. Por isso, é necessário criar de forma mais livre", explica Daniel.

No caso de tramas contemporâneas, o que conta mesmo é o realismo e a riqueza de detalhes na representação dos lugares. Principalmente, se a novela é ambientada em cidades famosas como Rio de Janeiro ou São Paulo e utiliza de pontos turísticos clássicos das duas metrópoles. "É diferente quando o público também conhece e frequenta o local. Existe uma intimidade ao ver a cidade retratada na novela. Isso exige empenho para não decepcionar. Em 'Paraíso Tropical', a gente queria mesmo mostrar a Copacabana que os moradores e turistas conhecem", exemplifica o cenógrafo Fábio Rangel, que na novela de 2007 utilizou a fachada do Hotel Pestana, localizado na orla do bairro, para o fictício Hotel Duvivier. Além disso, a equipe do folhetim recriou boa parte da Rua Prado Junior, incluindo construções e comércios, em uma área de 6,5 mil m² do Projac - Central Globo de Produção, localizada na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Rangel também foi o responsável pela elogiada cenografia de "Tempos Modernos", de 2010, ao reproduzir o Centro de São Paulo, em especial a Galeria do Rock. De forma mais ampla, vários pontos da capital paulista foram recriados na cidade cenográfica de "Ti-Ti-Ti", exibida no mesmo ano. Sob a responsabilidade de José Claudio Ferreira, a equipe recriou trechos do bairro periférico Belenzinho, detalhes do luxuoso centro comercial dos Jardins, e uma parte da Zona Leste da cidade, representada pelo bairro Jardim Anália Franco. Atualmente, o cenógrafo volta a trabalhar em uma nova cidade baseada em trechos de São Paulo com o remake de "Guerra dos Sexos", que tem previsão de estreia para outubro.

Auxílio tecnológico
O avanço dos efeitos visuais foi de fundamental importância para o desenvolvimento de cidades cenográficas mais realistas e arrojadas. A Copacabana do seriado "Tapas e Beijos", por exemplo, é fiel aos detalhes arquitetônicos dos bares, calçadas, cores e toda a gama de informações do multifacetado bairro. Porém, é amplamente auxiliada pelo "Virtual Backlot", tecnologia que possibilita estender digitalmente as imagens de um determinado local. O trabalho começa pela captação de imagens cotidianas do bairro, que na pós-produção são somadas às paisagens da cidade cenográfica. "Para dar maior veracidade às imagens, aspectos de cor, brilho e iluminação são corrigidos e equiparados para que não haja nenhum elemento destoante e estranho no resultado final", explica a cenógrafa Luciane Nicolino.

O trabalho em conjunto da equipe de efeitos visuais com a cenografia é uma realidade. Usados há muitos anos em filmes e séries do exterior, softwares que mesclam imagens virtuais e reais, como Backlot, Maya, Inferno e 3D Max, apareceram na tevê brasileira de forma tímida em 2007, na finalização de algumas cenas de "Paraíso Tropical". Em pouco menos de cinco anos, a tecnologia domina cenas abertas e paisagens de produções como "Caminho das Índias" e "Gabriela", da Globo, e "Caminhos do Coração" e "Rei Davi", da Record, as duas emissoras que mais investem em teledramaturgia no país. "O custo de filmar em locações no exterior é altíssimo. Refazer cenários em programas 3D surge como uma boa, mas trabalhosa, solução. O segredo é achar o equilíbrio entre o que pode ser cenográfico e o que a gente pode amplificar com a tecnologia", analisa Gustavo Dominguez, supervisor de efeitos visuais da Record. Geraldo Bessa / TV Press

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