"A 'Tropa de Elite' era a gente mesmo, uma espécie de hino para os nossos shows. Até eu me surpreendo com a coincidência"
Há quatro anos sem lançar um novo CD ou DVD no mercado, a banda Tihuana toca neste sábado no Clube do Vinil, relembrando sucessos da carreira e antecipando composições do esperado novo trabalho, que só deve chegar às lojas no próximo mês de setembro.
Se um hiato desses poderia ser prejudicial a muitos artistas, no caso do Tihuana isso só reforça a relação de estreita fidelidade do quinteto formado pelos músicos Egypsio (vocal), Román (Baixo), Léo (Guitarra), Baía (Percussão) e PG (bateria) com seus fãs, que nunca deixam de acompanhá-los.
Em contrapartida, a banda não esconde as músicas que chegarão às lojas daqui a dois meses, e no show deste final de semana na região promete não economizar nas novidades. "Aos poucos fomos colocando essas músicas nos shows e recebendo retorno positivo. Não vejo porque ficar segurando música, só para forçar o pessoal a comprar o disco", explica o cantor Egypsio, em conversa via telefone com a reportagem do LIBERAL.
Em 15 anos de carreira essa, nas palavras do próprio cantor, saudável "despretensão" sempre deu a tônica aos passos dados pelo Tihuana na estrada da música pop brasileira. Quando lançaram seu primeiro CD, em 1999, eles estouraram nas rádios com os hits "Que Vês", "Pula" e "Eu Vi Gnomos", gravadas sob as mãos do produtor Rick Bonadio.
Foram quase dois anos de grande rotatividade nas rádios FMs e shows pelo Brasil, compondo uma nova cena de artistas que mesclavam pop, com rock pesado, levadas reggae e rap sem preconceito. Mas, nos anos seguintes esse sucesso foi diminuindo, e o quinteto foi se afastando da mídia. No entanto, os shows sempre foram intensos para a banda. "Tinha gente que achou que o grupo tinha acabado, mas os fãs continuaram a nos acompanhar e nunca deixamos de ter shows para fazer", afirma Egypsio.
Sucesso
A reviravolta veio em 2007, quando um "sub-hit" do primeiro disco foi parar na trilha do fenômeno "Tropa de Elite", do diretor José Padilha. "O Padilha pediu a música e cedemos, não tínhamos nem ideia de que o longa-metragem iria se tornar esse sucesso todo", conta o cantor.
Uma curiosidade explicada pelo vocalista é que a música não fazia nenhuma referência ao Bope (Batalhão de Operações Especiais), cuja história é contada no filme. "A 'Tropa de Elite' era a gente mesmo, uma espécie de hino para os nossos shows. Até eu me surpreendo com a coincidência", brinca.
No auge do retorno do hit "Tropa de Elite" nas rádios, eles gravaram um DVD ao vivo, que permanece como o último trabalho fonográfico do grupo.
No momento, eles estão em estúdio autoproduzindo novas músicas e as testando em público. "Estamos muitos felizes com o resultado e, pelo jeito, os fãs também estão gostando, já que o retorno tem sido legal. Vamos ver se o pessoal daí também gosta", especula Egypsio.
Mas não é só de novidades que se fará o show deles em Americana. Durante as cerca de duas horas de show nenhum sucesso deve ficar de fora, do primeiro hit "Praia Nudista" ao cover "Clandestino" (Manu Chao) e a semi-balada "Renata".
ACONTECE: A banda Tihuana se apresenta neste sábado a partir das 22h. Os ingressos custam entre R$ 20 (antecipado) a R$ 35 (3º lote vendido na hora). O Clube do Vinil fica na Avenida Carioba, 2.001, Carioba. Informações pelos telefones (19) 9183-3302 e (11) 2825-2475.