27/04/2012

22:23

Anderson Barbosa

Mau atendimento no HM de Americana chega ao Youtube

Uma confusão supostamente provocada por falta de atendimento adequado no Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, em Americana, está sendo investigada pela Polícia Civil. O caso ocorreu terça-feira (24) quando, segundo a ajudante de cozinha J.F.C., de 28 anos, aguardava para ser atendida por um cardiologista da unidade de saúde, depois de ser medicada.

A mulher contou ontem à reportagem que sofreu uma elevação da pressão arterial e sentia dores no peito, na noite anterior.

"Passei a noite lá. E, quando fui perguntar do médico a uma enfermeira, ela fez pouco caso", contou.

Segundo ela, seu marido, o auxiliar de montagem L.H.P.S, 22, irritou-se e agrediu um funcionário do hospital a tapas e chutou uma porta do pronto-socorro.

"Meu marido ficou desesperado com o mau atendimento. Fui humilhada", relatou Juliana.

Após a agressão, soldados da Guarda Municipal imobilizaram L.H. Mesmo com uma agulha aplicada em um dos braços, para aplicação de soro, a mulher conseguiu derrubar um soldados e um policial militar.

"Nem percebi isso na ocasião. Estava muito nervosa", disse. A Prefeitura afirmou que o rapaz foi "contido" pelos policiais.

"Aquilo parece mais a zoonoses", disparou Juliana, comparando o hospital ao Centro de Controle de Zoonoses da cidade.

J.F. afirmou que pretende acionar a Prefeitura judicialmente. "Já estou com um advogado e vou à Justiça. Eles não podem tratar as pessoas desse jeito", sentenciou.

Repercussão

A confusão ficou ganhou repercussão com a postagem de um vídeo no site Youtube. Na gravação - feita por um paciente que estava no hospital -, um homem aparece imobilizado por guardas, depois de agredir funcionários da unidade.

As imagens também mostram a mulher agredindo policiais. O vídeo também foi postado em outros sites e reproduzido por emissoras de televisão. No final da tarde de ontem, o vídeo já contava com mais de 1.300 acessos.

"Nem sabia que haviam gravado o caso. Mas é triste isso. As pessoas estão sofrendo naquele hospital", disse a mulher.

Prefeitura diz que marido ficou 'exaltado'

A Prefeitura de Americana informou, em nota oficial distribuída ontem à tarde, que a ajudante de cozinha J.F.C. estava em atendimento no pronto-socorro quando ficou exaltada.

A Administração afirma ainda que o rapaz agrediu fisicamente um funcionário, fato que foi confirmado por ele em depoimento à Polícia Civil.

"Na terça-feira, dia 24 de abril, o marido de uma paciente que estava em atendimento no pronto-socorro Dr. Waldemar Tebaldi se exaltou dentro do pronto-socorro porque a esposa (que já havia sido atendida pelo clínico, realizado exame, reavaliada pelo clínico e encaminhada para avaliação médica do especialista) segundo ele, teria sido desrespeitada por uma enfermeira. O marido ofendeu verbalmente uma assistente social do hospital e agrediu fisicamente outro servidor público e foi retirado do pronto-socorro", diz a nota.

Ainda segundo a Prefeitura, o marido da paciente insistiu em entrar numa sala e chutou a porta. O nome dos servidores que teriam sido agredidos não foi revelado pela Prefeitura.

Caso faz auxiliar perder o emprego

O auxiliar de montagem L.H.P.S. sofreu consequências da confusão em que se meteu no Hospital Municipal, no início da semana. Um dia após o episódio ele foi demitido da empresa em que trabalhava.

Segundo sua esposa, J.F.C., ao saber da repercussão do caso na Internet, a direção da empresa decidiu pela demissão. O nome da empresa não foi revelado pela mulher.

"Infelizmente isso também aconteceu. Ele foi demitido no dia seguinte à confusão. Foi tentar me defender, acelerar o atendimento e deu nisso. Além de ser humilhado, agora está desempregado", lamentou.

Segundo ela, o marido ainda corre o risco de responder a um processo na Justiça por agressão, danos morais contra servidor público e danos materiais.

"Buscamos nosso direito e é isso que acontece", acrescentou.

Durante uma entrevista da mulher, na sexta-feira (27) à tarde, o marido não se encontrava em casa.

No vídeo, ele é visto sendo imobilizado por pelo menos cinco soldados da Guarda Municipal após agredir funcionários da unidade de saúde.


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