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| 15.10.2006 - 11:41 |
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| Qual imprensa? Imparcial ou honestamente parcial? |
| Marcos Brogna |
O sociólogo Wilson Fraga Alegretti me fez uma inquietante pergunta esta semana no Blogna (www.liberal.com.br/blogs/blogna), na postagem "Jornalismo in memorian - 7". Reproduzo: "O que é melhor: uma imprensa cuja busca deva ser a imparcialidade editorial ou uma imprensa cujo objetivo deva ser a parcialidade honesta e transparente, posição assumida e pública?"
A questão é pertinente sempre, mas muito mais em vésperas de eleições, quando vários órgãos de imprensa chegam ao limite do fingimento da tal "imparcialidade editorial". Nesta semana, a "Veja", que em 1988 colocou Collor na capa chamando-o de "Caçador de Marajás", estampou Alckmin chamando-o de "O desafiante".
Não contente, a revista dos Civita espalhou outdoors por toda São Paulo, numa pretensa propaganda da edição, que tinha foto estourada do candidato tucano. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) obrigou a Editora Abril a retirar a publicidade, porque ela fazia propaganda eleitoral disfarçada. Nem um pouco disfarçada, diga-se
Voltando à inteligente pergunta do Wilson: o que é melhor? Uma imprensa verdadeiramente imparcial ou uma imprensa que toma partido mas é transparente com o leitor sobre sua posição? Comecemos a resposta pelo que é pior -e o caso da "Veja" serve para ilustrar. O pior, sempre, é a falta de transparência sobre intenções que possa haver por trás das informações veiculadas.
A imprensa verdadeiramente imparcial contribui para o crescimento de uma sociedade, pois se mantém distante da interpretação dos fatos, deixando ao leitor explanações equilibradas para que ele forme a sua opinião com liberdade. Porém, também são plausíveis órgãos de imprensa que tomam posição, desde a assumam diante do leitor e não fujam da verdade factual. Esta imprensa é muito comum em países europeus e, em um contexto de vários veículos com tendências também variadas, facilita a democratização da opinião e o direito de escolha do leitor.
O que não se pode admitir é a esculhambação que a imprensa brasileira tem feito com seu conteúdo em épocas eleitorais. Collor foi eleito com ajuda triunfal da mídia (depois, derrubado pela mesma). FHC teve -e ainda tem- grande simpatia dos veículos, que não são críticos ao seu legado quanto deveriam. Agora, é Alckmin, cortejado em duas capas de revistas, além das de jornais na semana que passou.
A sociedade merece que os veículos de imprensa assumam suas intenções e as justifiquem. Fingir que se está veiculando material apartidário é covardia e talvez explique, em parte, por que tantas pessoas vão deixando de lado o hábito de ler justamente tais veículos. Arthur Müller disse que "Um bom jornal é uma nação conversando consigo mesma". Ninguém gosta de conversar com enganadores, gosta?
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