Começa hoje em Porto Alegre a turnê "Death Magnetic", do Matallica, que no sábado e domingo passa por São Paulo. Não irei aos shows, mas fui nos de 1993 e 1999. Para fã de metal, é concerto obrigatório. O video acima foi gravado no passado e é o que quem for ao estádio do Morumbi irá presenciar.
Pelo oitavo ano consecutivo o Brasil está parando diante da TV para assistir a mais uma edição de Big Brother Brasil, o programa mais assistido, comentado e criticado do Brasil de uma década para cá. O formato é o mesmo: Um bando de gente não muito interessante para se conversar numa mesa de bar, mas sobrando saúde física, fica trancada dentro de uma casa com câmeras filmando cada movimento, intriga, briga, flerte e incitações sexuais que não passam muito do que é tolerável pela “família brasileira”. Aliás, penso que o segredo do sucesso do BBB está em dois pontos que equilibrados fazem o sucesso do programa e de seus clones (tipo “A Fazenda”, da Record): Uma pornografia leve, feita para toda a família adornada por uma trama “real” que reforça conceitos já arraigados. No programa está a gostosa burra, a gostosa meiga, o fortão gente boa, o fortão metido a besta, o homossexual afetado. Porque no mundo BBB o gay é melhor personalizado pelo Village People do que pelo poeta Oscar Wilde. Não quero defender aqui que o BBB é o pior programa da TV brasileira e que ele é o ápice da queda de qualidade da nossa TV. Já tivemos muitos momentos constrangedores na nossa telinha e um BBB a mais ou a menor não vai fazer diferença. Eu mesmo assisti a um bom trecho do primeiro programa e confesso que até dei lá minhas risadas em alguns momentos – não me pergunte em quais momentos, pois esses programas têm o poder de apagar qualquer rastro de memória. Em 1949, quando o escritor George Orwell escreveu “1984” popularizando o termo Big Brother como um ditador robô que nos observava de maneira onipresente em busca de “erros” para nos punir diante da sociedade, ele falava não de um futuro profético, como muitos pensam. O Big Brother era uma crítica aos poderes totalitários daquele período específico da história. Talvez se estivesse vivo nos dias de hoje, Orwell ficaria assustado em ver como nós, sociedade, é que tomamos para nós o posto de Big Brother, nos alegrando quando vimos conceitos prontos sendo reforçados por um bando de gente presas numa casa paradisíaca nos cafundós de uma grande emissora de TV. Somos entorpecidos pela simples visão de comida, festas e sexo. Isso não é pior do que o mundo contado por Orwell, mas com certeza não é o mundo que ele sonhou como ideal.
Quem é vivo sempre aparece. E quem dá as caras após algumas semanas de descanso é o Radiola. Neste primeiro programa de 2010 começo a fazer um balanço dos melhores trabalhos dos últimos dez anos. Nesta edição, só artistas brasileiros. Os gringos estarão na próximo edição, que entra no ar neste sexta-feira. Enquanto isso, o set list e o link desta edição:
Marcelo Nova - "Um Passo prá Frente, Dois prá Trás" (O Galope do Tempo - 2006) Lenine - "Lavadeira do Rio" (Falange Canibal - 2002) Cidade Instigado - "O Nada" (Uhuu - 2009) Fernanda Takai - "Odeon" (Onde Brilham os Olhos Seus - 2007) Nasi - "Onde os Anjos não ousam Pisar" (Onde os Anjos não Ousam Pisar - 2007) Racionais MC - "Sou mais Você" (Nada como um Dia Após o Outro - 2001) Chico Buarque - "Imagina" (Carioca - 2005) Vanguart - "Cachaça" (Vanguart - 2007) Los Hermanos - "Cara Estranho" (Ventura - 2003) Cordel do Fogo Encantado - "Preta" (Transfiguração - 2007) Los Hermanos - "Casa Pré-Fabricada" (Bloco do Eu Sozinho - 2001)
Morreu nesta segunda-feira a cantora e compositora canadense Kate McGarrigle, uma das mais lindas vozes de sua geração. Ela tinha 63 anos e sofria de câncer. Neste video ela se apresenta ao lado de seu filho, Rufus Wainwright, um artista que também merece ser conhecido.
O sul da França é uma das melhores regiões do mundo para se viver quando o objetivo é o sossego e a paz. As cidades são bonitas e bucólicas, museus, livrarias e cafés estão por toda parte e as pessoas são tão absorvidas em suas próprias vidas que mesmo celebridades mundialmente conhecidas passam despercebidas pelas ruas. Talvez por todos esses motivos, o desenhista americano Robert Crumb, de 67 anos, tenha escolhido a região para passar o resto de sua vida. Considerado o pai da contracultura, ele é uma espécie de ídolo maior de toda uma geração de artistas que fizeram carreira naquilo que os americanos e ingleses chamam de underground, a arte feita longe dos olhos comerciais e sem objetivos de ganhos materiais. Ainda na década de 1950, Crumb criou personagens emblemáticos e histórias em quadrinhos que provocavam horror a moralistas defensores do sonho americano e da felicidade material conseguida através do temor Divino, se tornando ao mesmo tempo um herói para as novas gerações que desembocariam no movimento hippie da década seguinte e motivo de ódio a quem defendia velhos conceitos morais. Completamente alheio ao sucesso, Crumb fugiu de seu próprio país quando anos depois seu trabalho começou a ganhar status de obra de arte visionária, e foi se esconder no interior da França, onde podia sair para comprar pão como um cidadão qualquer. Por todos esses precedentes, quando alguns jornais americanos e franceses noticiaram que Crumb estaria trabalhando em sua própria versão do livro de “Gênesis”, o mais emblemático da Bíblia, as sensações foram de estranhamento e medo antecipado. O que um artista tão anárquico quanto Robert Crumb poderia produzir debruçado sobre o livro base do ocidente? O resultado acaba de chegar às livrarias brasileiras em uma edição de luxo, lançada pela editora Conrad. O texto Bíblico é mantido na integra, palavra por palavra. O trabalho de Crumb dá as caras nos delírios de como ele interpreta as cenas narradas em todos os versículos da obra. “Me abstive de ser indulgente nessa ‘criatividade’ e, por vezes, mantive sua intrincada vagueza em vez de balburdiar um texto tão venerável”, explicou Crumb no prefácio do livro, a única explicação dada por ele aos seus leitores, já que entrevistas é algo que definitivamente ele nunca aceita dar, seja ao The New York Times, ao Le Monde ou a qualquer outro jornalista aventureiro.
Inspirado?
Adão, Eva, Caim, Moisés, Abraão, Sodoma e Gomorra. Personagens e locais são transformados em imagens são colocadas no papel com o artista usando muito mais da dramaticidade dos fatos do que dos aspectos teológicos nelas contido. “Eu, ironicamente não acredito que a Bíblia é a palavra de Deus ou inspirada por Deus. Acredito que é a palavra de homens. É, no entanto, um texto poderoso, com camadas de significados que mergulham fundo em nossa consciência coletiva, ou consciência histórica, se preferir”, reforça o americano em outro trecho do prefácio. Considerado por muitos maiores artistas gráficos vivo, Roberto Crumb não pretende lançar outras similares sobre outros livros Bíblicos, pois as narrativas de “Gênesis” é, antes de tudo, uma paixão antiga do artista.
O eterno trapalhão Renato Aragão completa 75 anos nesta quarta-feira. Se hoje ele não é nem sombra do artista que foi um dia, nos sobra cenas como essa, tirada do filme "O Cangaceiro Trapalhão", de 1983. O mestre do humor canta "Lagartixa", canção de Rita Lee e Roberto de Carvalho. Em cena, além de Renato, estão as atrizes Bruna Lombardi e Regina Duarte. Do fundo do baú.
Quando era garoto assistia aos filmes de Sherlock Holmes nas "Sessões da Tarde" da vida com bastante entusiasmo. Menino, gostava de filmes de ação, agéis, sem muita conversa ou trama. Só pancadaria. Mas isso não me impedia de adorar aquele jeitão calmo do detetive inglês cheio de fleuma, inteligencia. Uma visão inglesa da vida, a vitória do cérebro sobre os músculos. Por isso, foi com uma certa amargura que sai do cinema após a sessão do "Sherlock Holmes", do Guy Ritchie. Não que o filme seja ruim, longe disso. É muito bom e até merece uma sequência. Mas foi difícil ver o mais cerebral dos investigadores saindo no braço num desafio de luta livre ou ele correndo feito um desesperado durante todo o filme, suando debaixo de seus sobretudos. Conan Doyle, o escritor que criou o personagem provavelmente ficaria puto com o filme. Os mais jovens talvez dispensassem as cenas de racionalismo do herói. Eu fiquei olhando ambos os lados sem entender muito bem esses novos tempos.
Deve ser muito bom estar na pele de James Cameron, o diretor de “Avatar”, filme que até este momento é o segundo mais visto da história do cinema. Sabe qual é o primeiro? “Titanic” (1997), do mesmo Cameron. Sabe o que ele fez nesses quase 13 anos entre um e outro? Nada. Ficou burilando a ideia de “Avatar”, que aos poucos caminha para se tornar um fenômeno no estilo “Jornada nas Estrelas”, “Guerra nas Estralas” ou “Matrix”. São obras que não possuem admiradores, mas fanáticos, seguidores. A fama de Cameron como grande diretor de mega sucessos é tanta que a gente acaba esquecendo que ele também já dirigiu filmes como “Piranhas 2” – provavelmente um dos piores filmes já feitos – e “True Lies” – uma mega produção oca. Mas são os grandes filmes desse americano formado em Física pela universidade da Califórnia é que importa. O primeiro deles foi “O Exterminador do Futuro” (1984). Como todos os melhores filmes dele, a obra foi recebida com desconfiança e pouca atenção da crítica, se tornando uma febre com o passar dos anos. O mesmo aconteceu com “Titanic”, que mesmo enchendo cinemas, era pouco valorizado pelos fãs de cinema de arte. Hoje, a obra é referência para qualquer diretor que queira gastar milhões de dólares. “Avatar” deve seguir caminho similar. Filmado já pensando em salas de 3D, ele popularizar o formato já que muita gente (inclusive eu) foi pela primeira vez a uma sala de 3D para vê-lo. Sua produção custou US$ 300 milhões, o dobro de “Titanic”. Mas é na história que “Avatar” derrapa. O roteiro não traz nenhuma grande novidade. Fala de uma tribo que precisa de conectar mentalmente com clones artificiais, os avatares. A tecnologia usada em todo o filme acaba sendo mais interessante do que o roteiro, que pede mais substancia aos longos de três horas de duração. Um fã de James Cameron poderia defendê-lo dizendo que foi assim durante toda sua carreira. Seus filmes sempre foram criticados quando lançados e depois exaltados. Cameron seria uma espécie de visionário. Eu prefiro a ideia de que ditar tendências não significa visualizar um futuro antes do resto. Pelo contrário, o diretor fabrica tais tendências e o resto o segue. E enquanto nós ficamos aqui nesse debate que nos leva a lugar algum, James Cameron faturas mais alguns milhões na quase meia hora que eu demorei para escrever este texto. Realmente deve ser muito bom ser James Cameron.
Elvis Presley, que caso tivesse sobrevidido aos seus excessos e neuros estaria completando 75 anos, era um caipirão americano típico, com todos os seus defeitos (nacionalismo burro, desconhecimento do que acontece fora de seu país e alguns preconceitos arraigados). Não tinha a lírica verbal de um Bob Dylan ou a sede renovadora de admiradores famosos como John Lennon e Paul McCartney. Também veio depois de vários outros músicos que poderiam facilmente exigir para si a invenção do rock: Ike Turner, Chuck Barry, Little Richard, Bill Halley, etc. Mas nenhum outro artista provocou a revolução social que Elvis foi capaz de desencadear quando apareceu artisticamente ao mundo unindo o blues negro e o country branco, pincelando-os com tintas gospel. Nos Estados Unidos da década de 50 a segregação racial era uma prática quase que natural – apesar de proibida por lei - na sociedade americana, com negros e brancos nunca coabitando o mesmo espaço, sob o risco de morte – geralmente dos negros. De maneira consciente ou não Elvis Presley uniu essas duas raças “inimigas” e ainda acrescentou o sagrado gospel em um rebolado profano, anti-cristão aos olhos dos mais moralistas. Ele não foi o primeiro a fazer a mistura, mas foi o primeiro que era branco e lembrava um galã de cinema, um Marlon Brando com voz de negro bluseiro. A combinação foi irresistível. E é ainda hoje.
Três dos filmes mais esperados de 2010 tiveram seus trailer oficiais divulgados nesta primeira semana do ano. São eles a primeira parte de "Harry Potter The Deathly Hallows", "Chico Xavier", de Daniel Filho e "Alice no País das Maravilhas", do genial Tim Burton.
Mário Bortolotto está de volta! O dramaturgo que levou cinco tiros em dezembro do ano passado durante uma tentativa de assalto e passou várias semanas em estado gravissimo na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) não só saiu do hospital como já voltou a fazer posts em seu blog. Famoso por sua lingua felina e textos ácidos ele parece não ter se acalmado com o ocorrido. Separei logo abaixo dois comentários deles sobre o assalto que ele sofreu que foram postados nesta semana. No último ele é mais ele do que nunca:
"Muita gente me pergunta quais são meus sentimentos em relação aos caras que dispararam 4 tiros em mim. Eu queria mesmo era querer que esses filhos das putas se fodessem, mas eu sinceramente não consigo pensar nisso. Não consigo cultivar sentimentos de ódio ou vingança. Não consigo nem pensar nisso. E não é bom mocismo não. É natural. Eu só quero me recuperar logo, ficar sem essa dor filho da puta no braço, voltar a mexer os dedos com desenvoltura (os da mão esquerda estão atrofiados) e voltar a escrever que é o q mais me faz falta. Afinal é muito ironico, né? Levo tres tiros ( o cara disparou 4, mas só acertou tres, o quarto pegou de raspão) e eu tô aqui me fodendo por causa do braço quebrado. Se tivessem sido só os tiros, já tinha corrido na São Silvestre ontem. Um bom começo de ano pra todos vcs. Tô ouvindo Stones com a minha irmã e agora vou tomar aquele banho de tres horas com uma mão só. Reinaldo Moraes veio me visitar e acabou de sair daqui. Queria agradecer a imensa solidariedade dos amigos que fazem até rodizio pra ficar aqui comigo. Não tinha noção. Não tinha mesmo. Os amigos me emocionam".
"Muito carola entrou nesse blog reclamando que não agradeci à Deus por minha recuperação. Vamos deixar uma coisa bem clara. Sou católico, fui seminarista por cinco anos, acredito em Deus do jeito mais simples possível. Sou grato à Ele por ter me ajudado a sobreviver, mas não vou transformar esse blog num veículo de propagação evangélica. Meu lance com Deus eu acerto com Ele e com mais ninguém. Ou voces se esqueceram do segundo mandamento? Não usar o santo nome de Deus em vão. Rezem suas orações, exibam sua fé com essa gritaria sem propósito que só perturba o merecido sono de Deus, mas não venham me encher o saco com a carolice hipócrita de voces. Que eu saiba, Deus não nomeou nenhum de voces pra puxar a minha orelha. Falo isso porque depois do incidente, caiu muito paraquedista nesse blog, gente que não faz a menor idéia pra quem estão escrevendo e tentando se comunicar. Gente que nunca leu um texto meu, nunca viu uma peça minha e entra aqui pra falar besteira, dar conselhos e lições de moral. Já deu no saco, falou? Vão ler algum livro do paulo coelho e me deixem em paz. Voces já viveram muito tempo sem saber da minha existência. Continuem me ignorando. Nós não temos nada a ver um com o outro".
Um dos meus artistas prediletos em todos os tempos, o cantor, artista plástico e fotógrafo Michael Stipe, do grupo americano REM, completa hoje 50 anos de idade.
A morte de Erasmo Dias não tem nem muito o que ser comemorada. Ele faleceu hoje, aos 85 anos vítima de câncer. Nunca foi punido pelos crimes que cometeu, e foram muitos. Pior, foram crimes apoiados pelo governo da época. Pior ainda: Acabou sendo eleito deputador e vereador após o fim da ditadura, numa prova que muitas vezes é dificil entender esse país continental. Abaixo tem uma matéria feita pela revista Adusp que colheu depoimentos da invasão que Erasmo Dias comandou na Puc de São Paulo em 1977. Alguns dos estudantes acabaram ficando famosos depois, como o ator Edson Celulari e o jornalista da rede Globo, Alberto Gaspar. O episódio acabou em dezenas de feridos, dezenas de presos e muitos gravemente queimados pelas bombas soltas pela Polícia do Seu Erasmo, que até antes de morrer defendia que quem era contra o governo tinha mesmo era que "levar pau".
Alguém com muita paciência nos fez o favor de reunir em um mesmo trailer todos os principais filmes lançados em 2009. É uma retrospectiva bem legal e ágil...
Luciano Assis, 29, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.