Essa é a capa e contracapa do disco "Zii e Zie", que Caetano Veloso coloca nas lojas nas próximas semanas. Ele acabou de postar as imagens do blog dele (www.obraemprogresso.com.br).
A Igreja Católica já avisou que vai protestar e boicotar o lançamento do filme "Anjos e Demônios", mas os fãs do escritor Dan Brown já estão eufóricos para o novo filme inspirado na obra do mesmo escritor de "O Código Da Vinci". O trailer do novo filme caiu nesta sexta-feira na Internet e quem já viu afirma que é melhor que o filme anterior.
Tudo bem que o Radiohead é uma das bandas mais importantes dos últimos tempos e que fez uma baita show em São Paulo no último domingo. Mas isso não é desculpa para a imprensa brasileira estar ignorando as apresentações que o bluesman Buddy Guy faz pelo Brasil nesta semana. Trata-se de uns dos últimos grandes do estilo ainda vivo. Me corrijam se eu estiver enganado, mas não vi uma linha sobre os espetáculos em nenhum jornal.
O livro não é muito novo, mas eu demorei a iniciar a leitura. E quando comecei demorei a deslanchar no calhamaço de mais de 800 páginas. Tenho a teoria de que quando um livro não engrena logo de cara, é melhor desistir, mas como toda regra tem sua exceção, “Os Bin Laden – Uma Família Árabe no Século Norte-americano” (Editora Globo), do jornalista Steve Coll veio para enterrar minha pobre teoria literária. Ao terminar a leitura dessa detalhadíssima obra sobre a família de Osama Bin Laden, o questionamento que fica na cabeça é: porque nunca ninguém levantou a idéia de filmar a vida dessa gente? Oliver Stone seria o diretor perfeito para a empreitada. A explicação pode estar ainda no trauma que a sociedade americana ainda carrega do episódio de 11 de setembro de 2001. Seria difícil alguém tratar da família do mentor intelectual dos ataques sem recorrer para o preconceito alá Rambo de resumir as coisa em bons (vítimas americanas) e maus (muçulmanos fanáticos). Aliás, a visão que muitas vezes carregamos dos mulçumanos é a primeira que cai por terra assim que terminamos o segundo capitulo da obra. A idéia de Osama como um fanático morador das cavernas é violentamente ultrapassada quando nos depararmos com a vida de seu pai, Mohamed, um miserável morador do interior da Arábia Saudita que se torna bilionário iniciando uma carreira como pedreiro e chegando ao principal construtor árabe do oriente médio, entre os anos de 1940, 50 e 60. Pai de dezenas de filhos com mais de duas dúzias de mulheres – Osama nasceu em janeiro 1948, sendo o sétimo homem da família – Bin Laden pai deve grande parte de sua fortuna a investimento americano na árabe, além de ser amigo de vários empresários do petróleo dos Estados Unidos, entre eles, os da família de George W. Bush. Mas o que mais impressiona na obra de Coll (que ganhou o prêmio Puttzer, de jornalismo pelo livro) é seu mergulho de maneira profunda na história dessa família. Cada detalhe de negócios, cada contrato assinado com conglomerados europeus, e truques de bastidores empresariais são colocados ao leitor. Na época do lançamento desse livro, o crítico de um jornal europeu (Le Monde) chegou a apontar que se os nomes árabes fossem trocados por um sobrenome de origem italiana, irlandesa ou inglesa cairia perfeitamente em um épico daqueles de ganhar vários oscars se bem dirigido. Ainda tenho esperança de ver essa história contada no cinema, sem a obstrução de nenhuma informação, como a de que um irmão de Osama Bin Laden estava negociando contratos de negócios dentro do Pentágono quando um dos aviões se espatifou contra uma das paredes do local. Os roteiristas não teriam nem trabalho em amarrar a historia, que por si só já é maravilhosa.
Hoje a mais importante banda do nosso tempo inicia sua turnê brasileira, que ainda passa por São Paulo no domingo. Estar nessa apresentação é como ver os Beatles no final da década de 60, presenciar de perto a história sendo escrita/traduzida em forma de música. Exagero? Pior é que não. Poucos artista souberam tão bem entender o mundo ao redor quanto a turma de Tom Yorke, dialogando com a Internet e as neuras do século 21 em discos preciosos como "Kid A", "In Rainbows" e, claro, "Ok Computer". Abaixo o set list do show do México, realizado no meio da semana e o último antes do desembarque em solo verde amarelo.
1- "15 Step" 2- "There There" 3- "The National Anthem" 4- "All I Need" 5- "Kid A" 6- "Karma Police" 7- "Nude" 8- "Weird Fishes/Arpeggi" 9- "The Gloaming" 10- "Talk Show Host" 11- "Videotape" 12- "You And Whose Army?" 13- "Jigsaw Falling Into Place" 14- "Idioteque" 15- "Climbing Up The Walls" 16- "Exit Music (For a Film)" 17- "Bodysnatchers"
Primeiro bis: 18- "How To Disappear Completely" 19- "Paranoid Android" 20- "Dollars And Cents" 21- "The Bends" 22- "Everything In Its Right Place"
Segundo bis: 23- "Like Spinning Plates" 24- "Reckoner" 25- "Creep"
Imperdível e importantíssima a eleição que o jornal Folha de SP publicou nesta segunda-feira, rankiando as melhores canções caipiras da história. Já reclamei aqui várias vezes que o estilo é muitas vezes vítima de preconceito entre as elites culturais, que não sabem separar o joio do trigo, ou melhor, os “Tônicos e Tinocos” dos “Vitors e Léos” da vida. Abaixo está a lista das dez músicas mais votadas (no site da Folha de SP estão as 76 composições votadas). Particularmente eu faria algumas pequenas mudanças. Por exemplo, acho tanto “Chico Mineiro” (Tonico e Francisco Ribeiro) – 3º Lugar - quanto “Cabocla Tereza” (Raul Torres e Florêncio) – 4º Lugar - melhores que “O Menino da Porteira” (Luizinho e Teddy Vieira) – 2º lugar. Também não vejo porque “É o Amor”, de Zezé Di Camargo e Luciano estar na lista, na 15ª posição. Também senti falta entre os 10 primeiros votados de “Cio da Terra” (Chico Buarque) na versão de Pena Branca e Xavantinho e de “Cuitelinho”, canção folclórica do região amazônica nas vozes da mesma dupla mineira. Mas aí é opinião pessoal.
1. "Tristeza do Jeca" (Angelino de Oliveira) 2. "O Menino da Porteira" (Luizinho e Teddy Vieira) 3. "Chico Mineiro" (Tonico e Francisco Ribeiro) 4. "Chalana" (Mário Zan e Arlindo Pinto) 5. "Cabocla Tereza" (Raul Torres e João Pacífico) 6. "A Moda da Mula Preta" (Raul Torres) 7. "Luar do Sertão" (João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense) 8. "Rio de Lágrimas" (Piracy, Lourival dos Santos e Tião Carreiro) 9. "Pagode em Brasília" (Teddy Vieira e Lourival dos Santos) 10. "Moda da Pinga" (Ochelsis Laureano e Raul Torres)
E aos poucos a versão, pelo jeito definitiva, de "Alice no País das Maravilhas" vai tomando forma nas mãos do diretor Tim Burton. Essa é uma das primeiras imagens do filme divulgada nesta sexta-feira.
Algumas notícias nos supreendem. Por exemplo: Hoje fiquei sabendo que foi encontrado o único retrato do genial dramaturgo inglês William Shakespeare (1564-1616), e que até então todas as imagens que a gente conhecia dele eram feitas em "ideias aproximadas" de sua verdadeira imagem. A raridade estava na coleção de um desses milionário colecionadores de arte e foi pintada por volta de 1610, seis anos antes da morte do criador de Hamlet, Romeu e Julieta e Rei Lear. Então fixe essa imagem acima na cabeça, que ela é a do verdadeiro William Shakespeare.
A exposição "The British are Coming!", que entrou em cartaz em Nova Iorque nesta semana traz fotos inéditas dos Beatles e dos Rolling Stones entre os anos de 1964 e 1966, clicados em momentos de palco e camarins pelo fotógrafo Bob Bonis. Como eu e você não moramos em Londres a Internet nos fornece várias dessas fotos.
É possível refazer o retrato de uma época através do cinema. A chamada retomada da sétima arte brasileira se deu no início do Plano Real, quando o País passou a crer em uma economia forte. Já o final dos anos 60, nos Estados Unidos, foi marcado por uma revolução social e de costumes, mostrados em filmes como “A Primeira Noite de um Homem” e “Hair”. No Brasil assistimos muitas obras mostrarem o cotidiano mais popular de gente do Nordeste (“Deus é Brasileiro”) e do interior da região sudeste e Centro Oeste (“Dois Filhos de Francisco”, “O Menino da Porteira”). E por vai... Nesta semana chegou aos cinemas uma regravação (não gosto da palavra remake) do terror “Sexta-Feira 13”, que fez um enorme sucesso na década de 1980, entre os governos de Ronald Reagan e de George Bush. O projeto do novo longa metragem do vilão Jason nasceu e se desenvolveu durante os anos de Bush filho, o que faz dele um produto extremamente republicano (de extrema direita para usar uma expressão mais européia). Foi uma época de moralismo e radicalismo cristão, que é refletido em cada minuto do filme, tanto dos anteriores quanto do novo. Na história um grupo de jovens se reúne em uma cada no lago para passar um final de semana e se divertir. Essa diversão inclui sexo, bebidas e outras formas de badalação longe da visão dos pais. O plano daria certo se não fosse o vilão Jason aparecer e acabar com a graça de todo mundo. É como se o filme todo passasse uma mensagem cifrada a seu espectador: Se você fizer algo errado, sexo por exemplo, o monstro aparece e lhe parte ao meio com uma tesoura quando vocês menos esperar. Aliás, em todo filme de terror dos anos Bush (tanto o do pai quanto o do filho) se repetem cenas em que jovens são atacas nas “preliminares” por um ser bestial. Tem cenas assim em “A Hora do Pesadelo”, “Pânico” e em todos os “Sextas-Feiras 13”. Só se salvam o casal mais comportado da turma, que terminam o filme como o mocinho e a mocinha da carnificina. Além da ressurreição de Jason nos cinemas, nos últimos anos também está sendo produzido uma nova versão de “A Hora do Pesadelo”, protagonizado por outro vilão não muito chegado a uma diversão alheia, Freddy Krugger. Nele, o assassino ataca as pessoas nos sonhos, transformando-os em pesadelos . Ou seja, nem em pensamento os “impuros” estão salvos. No mundo dos filmes de terror dos Estados Unidos ninguém é livre para nada.
Luciano Assis, 29, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.