Poucos atores tiveram uma carreira tão uniforme quanto Paul Newman, que faleceu agora à pouco, aos 83 anos, nos Estados Unidos após uma longa batalha contra o câncer. Dono de famosos olhos azuis Newman encarnou os mais diversos personagens sempre escolhendo a dedo cada papel, o que o fez ficar os últimos anos longe da telas do cinema. Vê-lo em cena em filmes como "Butch Cassidy" (1969)ou "A Cor do Dinheiro" (1986)seria um bela recompensa e uma homenagem a essa estrela dos aúreos tempos de Hollywood.
Abaixo uma cena clássica do ator ao som de "Raindrops Keep Falling On my Head", de B.J. Thomaz (Não consegui achar a cena com legendas, mas acho que ela não perde sua beleza mesmo assim):
No ano passado falei muito bem de um dos livros que mais me impressionaram dos que eu li em 2007: “O Filho Eterno”, do escritor Cristóvão Tezza. Por isso mesmo não é surpresa que tenha ficado muito feliz com a conquista do Prêmio Jabuti pela obra, nesta terça-feira. Mistura de romance com autobiografia, o livro conta os sentimentos de mesquinharia, frustração e desespero de um pai que descobre que o filho tem síndrome de down, uma experiência sentida na pele pelo próprio Tezza. Um tema desse poderia ganhar contornos de piedade ou até (deus nos livre!) auto ajuda nas mãos de outro autor, mas é exatamente da expurgação de sentimentos mesquinhos e culpa sem redenção que mora a força do romance.
O filho recebido como castigo
“E o pai se entrega à autopiedade, desenhando um quadro em que ele, bom menino, recebe de Deus um filho errado(...). Mais um dos testes medonhos do Velho Testamento, em que um deus sádico extrai de suas vítimas até a última gota de alma. Seria bom se fosse simples assim, ele suspira: uma explicação. O problema é justamente o contrário: não há explicação alguma. Você está aqui por soma errática de acasos e de escolhas”
O primeiro sentimento de amor pelo filho
O mundo dos afetos é o talento dessa criança. Felipe abraça como alguém que se larga ao mundo de olhos fechados”.
Em nenhum momento ficamos sabendo o nome do pai do tal Felipe, o que dá um certo distanciamento do homem de “sentimentos ruins” dos leitores e do próprio filho.
Esse louco aqui embaixo fez uma promessa em 2006: Só cortaria a barba quando o Metallica lançasse um novo disco. Pois esse mês a banda colocou no mercado "Death Magnetic" e finalmente o fã pôde se librar dessa barba enorme. Como eu já disse aqui, o mundo é realmente um lugar divertido... Ah, aproveito e indico o tal "Death Magnetic", que faz lembrar o Metallica de 20 anos atrás.
Acabei de receber uma ótima notícia da Secretaria de Cultura de Santa Bárbara d´Oeste. Dêem só uma olhada:
"Ferreira Gullar vem à Santa Bárbara d’Oeste em outubro
Santa Bárbara d’Oeste recebe em outubro o poeta e cronista Ferreira Gullar, num bate-papo aberto ao público na Biblioteca “Maria Aparecida de Almeida Nogueira” (Central). O evento será realizado pelo projeto “Viagem Literária”, da Secretaria de Estado da Cultura, numa quarta-feira (22/10), a partir das 19h30".
Aliás, deixei de comentar aqui que esse projeto é uma dádiva para quem gosta de literatura aqui na região, pois coloca o escritor frente a frente com seus leitores. Na semana tivemos na mesma biblioteca o escritor Luiz Ruffato, autor do ótimo "Eles eram Muitos Cavalos". Em outubro levarei meu exemplar do "Poema Sujo" para o Ferreira Gullar autografar. Até lá.
Morreu nos Estados Unidos o compositor Norman Whitfield, que no auge da gravadora Motown compôs grandes clássicos como "Papa was a Rolling Stone", "War", "Just My Imagination (Running Away With Me)" e "I Heard It Through the Grapevine", que foram gravados por grupos como Creedence Clearwater Revival e cantores como Marvin Gaye.
Abaixo uma dessas músicas interpretadas pelo grupo Temptations:
O pianista e tecladista Richard Wright morreu na tarde desta segunda-feira como viveu: discretamente. O único londrino dos integrantes do Pink Floyd tinha na banda o status de "terceiro homem", como George Harrison nos Beatles, John Paul Jones no Led Zappelin, ou John Entwistle, no The Who. E assim como esse três, Wright foi fundamental para a criação do som da banda que integrava e da qual foi um dos fundadores. Ao contrário de outros dinossauros progressivos os teclados dele nunca soaram abstrutivos ou vazios em sua grandiloquencia. Mesmo após a criação dos potentes EM Vc53 (que deu asas para muitas cobras do progressivo) ele nunca deixou de lados seu piano acústico, que deu beleza as criações dos companheiros Roger Waters e David Gilmour (as passagens de "Us and Them" não me deixam mentir). A obra mais famosa do Pink Floyd, "The Dark Side of the Moon" (1973), existiria com ou sem a presença dele, mas com certeza as labirintosas tramas e climas do álbum perderiam muito sem os teclados que fazem a cama para as letras socialistas de Waters e a guitarra magistral de Gilmour brilharem. Para os fãs a morte de Richard Wright significa o fim do sonho de um dia ver o Pink Floyd novamente sobre um palco. Para a música, foi-se um dos nomes fundamentais de uma era...
Abaixo uma homenagem prestada a ele pelo fã club oficial do Pink Floyd:
O lider do grupo inglês Oasis, Noel Gallagher, foi agredido durante um show no último final de semana na cidade de Toronto no Canadá. Como em tempos de Internet todos estão sempre sendo filmados, alguém capturou a cena da platéia.
Saiu agora à pouco a programação completa do Tim Festival, que acontece na segunda quinzena de outubro nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória. Como sempre as especulações falavam de nomes como Radiohead, Leonard Cohen e outros grandes, e a lista final ficou bem abaixo das expectativas. Mesmo assim, vale a pena conferir os shows de Paul Weller, Klaxons e, acima de todos, do mestre maior Sonny Rollins (fotos), uma das últimas lendas vivas do jazz que volta ao Brasil após 23 anos, em plena forma aos 77 anos. Abaixo está a programação completa:
São Paulo
Auditório Ibirapuera
21/10 - Sonny Rollins 22/10 - Carla Bley, Stacey Kent, Esperanza Spalding 23/10 - Marcelo Camelo, Paul Weller 24/10 - Bill Frisell, Tomasz Stanko, Enrico Pieranunzi 25/10 - Rosa Passos Arena de eventos do Parque Ibirapuera 22/10 - Kanye West 23/10 - The Gossip, Klaxons, Neon Neon 24/10 (Tim Festa): Dan Deacon; DJ Yoda; Sany Pitbull; Música Magneta; Junior Boys; Gogol Bordello; Switch; Leandro HBL Video Artista; e Database 25/10 - Cérebro Eletrônico, MGMT, The National Auditório Ibirapuera - ao ar livre 25/10 - Sonny Rollins
Rio de Janeiro
Marina da Glória
23/10 - Rosa Passos 23/10 - Sonny Rollins 24/10 - Carla Bley, Stacey Kent, Esperanza Spalding 24/10 - Kanye West 24/10 - The National, MGMT 25/10 - Instituto apresenta "Tim Maia Racional" 25/10 - Bill Frisell , Tomasz Stanko, Enrico Pieranunzi 25/10 - The Gossip, Klaxons, Neon Neon 25/10 - Marcelo Camelo, Paul Weller 26/10 - Tim Festa: Dan Deacon; DJ Yoda; Sany Pitbull; Música Magneta; Junior Boys; Gogol Bordello; Switch; Leandro HBL Video Artista; e Database.
Quais os limites do humor? Essa é uma boa pergunta para se fazer aos produtores e representantes de minorias dos Estados Unidos, que nas últimas semanas estão travando longas batalhas contra filmes de humor. Alguns grupos hindus protestaram contra "O guru do amor", e defensores dos deficientes mentais fizeram objeções à maneira como a palavra "retardado" é usada em "Trovão Tropical" (foto), que na próxima semana ganha as telas brasileiras. Um outro filme chamado "Towelhead" ("turbante", em português) também foi alvo de vários piquetes mesmo não fazendo nenhum alusão aos muçulmanos. Os politicamente corretos chegaram ao cúmulo de atacar os produtores de outro filme, "Disaster Movie", pelo simples fato desse ser lançado no mesmo dia em que se completa três anos do furação Katrina. Das duas uma: ou esse extremismo do “politicamente correto” vai transformar o mundo em um lugar mais consciente ou no lugar mais chato do mundo, onde uma simples frase mal colocada vira sinônimo de preconceito e acusações.
Olhar para o próprio passado tem sido uma saída usada por bandas atuais para escapar do certeiro impasse artistico que os muitos anos de carreira lhes impõem. Após o U2 e o REM fazer isso agora é a vez do Metallica, que lança essa semana o disco "Death Magnetic", quase que uma homenagem ao seu próprio passado oitentista quando a banda de James Hatfield e Lars Ullrich deram as bases - ao lado do Slayer - para o metal ultraveloz de tendencias como o speed metal e o trash metal. Abaixo um trecho do primeiro show do grupo com o novo repertório, no festival de Leeds, na Inglaterra, no último final de semana. A música se chama "The Day That Never Comes".
Luciano Assis, 29, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.