4.25.2008

Rita Lee desconhecida cai na rede

Na vida um pequeno detalhe escondido no passado pode nos ajudar a entender vários fatos futuros. Um exemplo é o disco “Cilibrinas do Éden”, gravado em 1973 por Rita Lee e nunca lançado.
A história oficial conta quem em 1972 Rita saiu dos Mutantes em função das aspirações dos irmãos Baptista pelo rock progressivo, que ela, com cautela, desprezava.
“Cilibrinas do Éden” desmente tudo isso, mostrando uma Rita bem diferente da feminista dos anos 70 e da roqueira zombeteira dos 80 em diante. Faixas como “Paixão da Minha Existência”, “Festival Divino” e “Voltar o Principio Porque Lá está o Fim” e “Bad Trip” expõem uma cantora triste, dividida, duvidosa de seu futuro e atenta tanto ao som glitter de David Bowie fase Ziggy Stardust, quanto às viagens sonoras do Pink Floyd e do Yes.
O clima funesto paira por todo o álbum que foi recusado pela gravadora Phillips, causando uma das histórias clássicas da MPB: Quando ficou sabendo do engavetamento do disco, ela foi até a gravadora falar com André Midani, todo poderoso homem da música brasileira na época. Chegando lá ela não encontrou Midani, mas encontrou Tim Maia, que também tinha ido reclamar pela negativa de ter seu disco “Racional” lançado. Os dois quebraram toda a sala do chefe, numa antológica cena de vandalismo e inconseqüência.
Por décadas o trabalho permaneceu escondido sobre uma sobra de mistério até cair na web recentemente para a alegria dos fãs da cantora. Nesta semana, a própria cantora lamentou o fato da disponibilização do disco, dizendo que ele é muito ruim e que Midani estava certo em não lançá-lo. Jogo de cena de titia Rita. O álbum é bom sim. Diferente dos outros trabalhos lançados posteriormente tanto com o roqueiro Tutti Frutti quanto com acessível Roberto de Carvalho. Talvez seja a pedra que faltava para montar o mosaico da artista daquele período pós Mutantes.





























4.23.2008

Verdade ou ficção?

Nunca o cinema brasileiro produziu tantos documentários. Um exemplo foi o festival “É Tudo Verdade” que aconteceu há duas semanas em São Paulo e pela primeira vez contou com mais filmes brasileiros que estrangeiros.
O que é um documentário? Bom, a pergunta parece meio besta, pois é fácil responder que se trata de um filme produzido para o cinema sem a intromissão de elementos fictícios. Mas será que documentários não se utilizam de nenhuma manipulação da realidade feita pelo diretor ou roteirista da obra para parecer mais atrativo ao espectador? Evidente que sim, e é aí que entra na discussão uma suposta ética do documentário, que por sinal esteve em debate numa mesa redonda do já citado “É Tudo Verdade”.
Nesta semana pensei muito nisso acompanhando o caso da menina Isabela, morta (assassinada?) ao cair do quarto andar de um prédio em Guarulhos. A cobertura de alguns programas mais sensacionalistas trataram o caso como a um filme, com bandidos, mocinhos e explicações das mais mirabolantes. Mas um exemplo ainda mais claro desse tipo de manipulação da realidade é o Big Brother, onde a edição do programa cria uma novela diária que prende o espectador como se este estivesse vendo um filme cheio de personagens caricatos (o fortão burro, o intelectual discreto, a mocinha desejada por todos, o louco perigoso, o manipulador, o engraçado gente boa).
É interessante notar que justamente os documentários que mais manipulam informações são àqueles que obtém maior destaque na mídia, como é o caso de todos os produzidos e dirigidos pelo norte-americano Michael Moore. Gosto de Moore, mas sempre me indago sobre até onde iria sua ética pessoal quando ele quer mostrar sua visão de mundo. Por exemplo: o ator Charlton Heston, falecido no início do mês protagonizou algumas cenas marcantes da história do cinema, em filmes como “Os Dez Mandamentos” e “Ben Hur”, mas sua última aparição foi sendo enganado por Moore, em seu documentário “Tiros em Columbine”. Defensor do uso de armas, Heston aceitou dar uma entrevista para Moore, que se fingiu de um jornalista que apóia o uso de armas de fogo para conseguir uma entrevista. Quando abre as portas de sua mansão, Heston é encurralado pelo cineasta. A imagem dele velho e doente sendo colocado como um reacionário defensor do uso de armas é de uma força impressionante e representa o ápice do filme. Discussões e opiniões à parte, fico pensando: Moore agiu certo manipulando uma situação para conseguir provar sua posição perante o espectador? O filme lhe valeu um Oscar e uma baita queda na imagem do Helston, influindo assim na realidade. É aí que fica questão, um documentarista deve influir na realidade ou apenas passá-la ao espectador?

4.22.2008

Tem gênio prá tudo

22/04/2008 - 11h56

Empresa lança papel higiênico literário na Espanha

ANELISE INFANTE

da BBC Brasil

O velho hábito de ler no banheiro ganhou um componente moderno: o papel higiênico literário. A empresa espanhola Empreendedores lançou rolos de papel especial nos quais aparecem impressos clássicos da literatura mundial para que o usuário vá lendo enquanto permanecer no banheiro.
O produto inclui trechos de literatura clássica, teatro, poesia e até textos da Bíblia e do budismo.
"Hemingway dizia que clássico é aquele livro que todo mundo respeita, mas ninguém lê. O que estamos fazendo é levar os livros aos banheiros, aproximando a literatura do homem", disse o dono da empresa, Raúl Camarero.
"E surge aí um conflito interessante: limpar o traseiro com uma bela obra e o dilema moral que isso representa", disse Camarero.
Da Bíblia foram escolhidos trechos do Apocalipse, do Cântico dos Cânticos e dos Provérbios.
Os textos sagrados budistas são "O Sutra do Loto" e o "Livro Tibetano dos Mortos". (Retirado da BBC Brasil)

4.16.2008

Renata Fronzi

A atriz Renata Fronzi faleceu nesta terça-feira aos 83 anos, de falencia múltipla dos órgãos. Filha de artistas de circo italianos ela foi vedete e integrou vários programas de humor na TV durante os anos de 1960, 70 e 80, sumindo de cena pelos anos seguintes. Sua última aparição foi no filme "Copacabana", de Carla Camurati, em 2001. Mas sua memória será para sempre lembrada pela participação no humoristico "Família Trapo", onde atuou ao lado de Jô Soares, Renato Corte Real e o mitológico Ronald Golias. Abaixo separei um episódio do programa com a participação de Pelé, que foi ao ar em 1967.

4.14.2008

Wilson Simonal

No último final de semana fui conferir o “É Tudo Verdade”, festival de documentários que há mais de uma década traz os melhores trabalhos do segmento ao Brasil todo começo de ano. Aliás, ando impressionado com a quantidade e diversidade de filmes documentários lançados e tendo destaque nos últimos anos, mas depois eu falo mais sobre isso.
A principio me desloquei até São Paulo para ver uma das sessões de “Joy Division”, do inglês Grant Gee que acompanha e detalha a história do mitológico grupo punk inglês Joy Division. Mas como todas as sessões estavam lotadas acabei partindo para minha segunda opção, o documentário “Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei”, dos diretores Claudio Manoel (do Casseta & Planeta), Micael Langer e Calvito Leal.
No final, fiquei feliz com o imprevisto. A obra é uma devassa na carreira de glória e queda do cantor Wilson Simonal, que em seu auge só perdia em sucesso para Roberto Carlos e após o ano de 1972 caiu em desgraça em função de um único ato mal pensado. É exatamente esse ato, explicado em detalhes no filme, que faz todo o documentário valer a pena.
Filho de um Pedreiro e de uma empregada doméstica Wilson Simonal nasceu em 1939 e tinha de tudo para não ser nada na vida. Mas por um dessas ironias do destino era um talento talhado para o sucesso. Ótimo cantor cheio de ginga dava vida a canções como “Mamãe Passou Açúcar em Mim”, “Balanço Zona Sul”, “Aos Pés da Santa Cruz” e “A Tonga da Milonga do Kabuletê”. Seus shows enchiam ginásios e as rádios tocavam seus discos a toda hora entre o final dos anos 60 e começo dos 70.
O sucesso tornou o negro pobre Simonal numa estrela e diferente da maioria dos artistas com a sua cor de pele que baixavam a cabeça com os desmandos de empresários brancos espertalhões, ele era abusado e exibia seus carrões e namoradas loiras pelas festas da alta sociedade. Era um Roberto Carlos mais malandro, vivido, exibido e explosivo.
Mas quis o destino que tudo isso fosse por terra e em 1971. Ao descobrir (ou desconfiar) que estava sendo roubado por um contador contratou dois agentes torturadores do Regime Militar para dar uma surra no suposto ladrão. Inocente e sem escolaridade para ponderar a leviandade de seu ato e até contando vantagem aos amigos, o fato caiu nos ouvidos de toda classe artística que não agüentava mais aqueles anos vividos sob as botas do exército.
E o mundo de Simonal caiu. Aos poucos ele foi sendo deixado de lado por todos e as histórias de que era um delator de artistas para o militares piorou a situação.
O filme mostra como foi a vida do cantor pelos anos seguintes: Alcoolismo, depressão e desesperadas tentativas de limpar sua barra e voltar ao que era antes. Mas não deu certo e Simonal faleceu em 2000 como pé de página na história da música brasileira. “Para ele não houve anistia”, resumiu Cláudio Manoel. Talvez “Ninguém Sabe o Duro...”, seja um consolo póstumo a esse grande artista, que de certa forma também foi vítima daqueles terríveis anos de ditadura militar.

4.11.2008

FHC por Angeli



O cartunista Angeli está com uma sessão especial em seu site (www.uol.com.br/angeli) que disponibiliza 300 charges feitas por ele cobrindo os oito anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no poder. Só charges fantasticas como essa aqui em cima.

4.10.2008

Bela, gravida e nua



A revista Rolling Stone de abril traz a modelo, atriz e apresentadora Fernanda Lima, nua e gravida. Fotografar celebridade gravidas já é um clichê em revistas de celebridades americanas, mas aqui ainda é uma novidade. Pelo menos a foto ficou mais bonita que a da Contigo da semana passada, que trouxe a apresentadora Maria Paula, também nua e o surreal titulo: "Maria Paula quer ter o bebê de Cócoras".

4.09.2008

Tropa imunda

Procuro ler quase todas as resenhas publicadas sobre o filme “Tropa de Elite”, pois acho curioso o modo como a percepção ao filme muda quando o longa metragem de José Padilha é retirado da realidade brasileira.
Muitos críticos estrangeiros (europeus principalmente) desceram o sarrafo numa, segundo eles entenderam, apologia à tortura a que o filme faz.
No último sábado chegou às bancas francesas a edição de abril da revista Cahiers du Cinéma, considerada uma verdadeira Bíblia para os fãs da sétima arte. Foram nas páginas do Cahiers Du Cinéma (Cadernos de Cinema, em português) que nasceram alguns dos mais importantes movimentos cinematográficos dos últimos 50 anos.
Nesta nova edição, dois dos mais prestigiados jornalistas da revista, Jean-Michel Frodon e Antoine Thirion, contaram em detalhes como foram os bastidores do último Festival de Berlim, que consagrou o brasileiro “Tropa de Elite”, como grande vencedor.
Ambos os jornalistas se mostraram incomodados com a vitória do mega sucesso verde e amarelo e na resenha sobre o filme, Frodon, ataca: “Esqueçamos o imundo ‘Tropa de Elite’, ganhador de um Urso de Ouro vergonhoso”.

Caracas!

Em pleno século 21 ainda somos obrigados a conviver com governantes que acham que podem decidir o que é melhor aos nossos filhos.

TV venezuelana tira 'Os Simpsons' do ar após pressão do governo
Publicada em 09/04/2008 às 09h17m

O Globo Online/Reuters

CARACAS - Um canal privado de televisão venezuelano tirou do ar o desenho americano "Os Simpsons" após pressão do governo Chávez. O órgão responsável pela fiscalização das telecomunicações na Venezuela abriu um procedimento admnistrativo contra a TV Televen por considerar o programa uma má influência para as crianças. (Do Site Globo On Line)

4.08.2008

Cada coisa.....

Olha só essa notícia que estava ontem no site Terra. Sem comentários.


Garota é suspeita de matar a mãe para ver Calypso

Cyneida Correia
Direto de Boa Vista

Uma adolescente de 17 anos é suspeita de matar a mãe com 27 facadas no bairro Cauamé, em Boa Vista, em Roraima. A vítima, a professora Maria Junia Batista, 38 anos, teria negado o carro para a filha ir a um show da banda Calypso com amigas, na noite de sábado, o que teria motivado a briga e posteriormente o homicídio. Após o crime, a adolescente foi à festa. (Do site Terra)

Homem de visão

O Trailer de "Blindness", novo filme do diretor brasileiro Fernando Meirelles ("Cidade de Deus") vazou nesta terça-feira na Internet. O longa metragem que deve estrear no meio do ano é baseado no livro "Ensaio Sobre a Cegueira", de José Saramago e tem em seu elenco astros como Juliete Moore. Sou suspeito para falar, pois sou fã de Meirelles desde que vi "Cidade..." pela primeira vez. Abaixo o tal trailer:

4.07.2008

Um ator épico

Poucos atores encarnaram papéis épicos como Charlton Heston, que morreu neste domingo aos 84 anos de vida acumulando mais de 60 de carreira. Sua estréia, em 1952, com “O Maior Espetáculo da Terra” dirigido por Cecil B. DeMille já demonstrava o talento do ator, que depois ainda protagonizaria “El Cid” (1961), “Os Dez Mandamentos” (1956) e, o filme que lhe fez entrar definitivamente para a história, “Ben Hur” (1959), que com seus 11 (incluindo o de melhor ator) Oscar continua atual até os dias de hoje.
Do lado pessoal Heston era dono de opiniões e atitudes nada louváveis. Defensor da absurda idéia de que todo americano deveria possuir uma arma de foto “para se defender dos espúrias da nação”, fez campanha para a maioria dos presidente ultra direitistas e defendia com unhas e dentes à pena de morte.
Mas é por sua arte que ele para sempre será lembrado. Sua imagem de homem duro foi a marca dos anos 50 e sua geração foi uma das mais prolíficas da sétima arte.

Abaixo o trailer de “Ben Hur”.

4.02.2008

Show antecipado

O cantor Emmerson Nogueira faz show neste sábado em Americana e os ingressos já estão esgotados, provando que ele tem mesmo um público cativo no Brasil, apesar dos narizes torcidos da crítica especializada. Aqui separei um trecho de um show da turnê que será apresentada em Americana. Ouçam e me contem o que acham. Eu opino depois:

Santa Bárbara em Cena

Um dos eventos teatrais que mais vem ganhando força nos últimos anos é o "Santa Bárbara em Cena", que nesta quarta-feira teve sua data e programação divulgada pela Secretaria de Cultura de SB. Nos anos passados acompanhei as apresentações apenas fazendo reportagens e assistindo a uma das peças. Esse ano prometo me redimir.

Aqui está a programação:

09 de maio
6ª feira
Cia de Teatro Ello d´Arte
“Cinderela”

10 de maio
sábado
Grupo Di Atus
"O Anel de Magalão”

15 de maio
5ª feira
Grupo de Teatro PédeCana
“Recruta Zero”

16 de maio
6ª feira
Associação Cultural Via Crucis
“As Mentiras Que os Homens Contam”

Todas as peças começa a partir das 20h no Teatro Municipal Manoel Lyra

Ingressos: de R$ 3,00 (antecipado) a R$ 5,00 (no dia da apresentação)
Editor
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PerfilLuciano Assis
Luciano Assis, 29, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
Perfíl do Blog
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O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.

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Bravo Online
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