O balé russo Kirov, de São Petersburgo, deu adeus a uma de suas “bailarinas” mais famosas, a mula Monika, de 21 anos.
O animal foi aposentado depois de carregar, durante 19 anos, o personagem Sancho Panza, do clássico balé Dom Quixote. Uma das bailarinas do espetáculo, Anastásia Kolegova, lamentou a aposentadoria da colega de palco, mas disse que “como se sabe, bailarinas se aposentam cedo”. Kolegova disse que por muitas vezes Monika foi o centro das atenções da platéia. “Ela sempre cumpriu bem o seu papel e parecia curtir a vida no palco”, disse. Uma porta-voz do zoológico de São Petersburgo, onde Monika vive, disse que a mula sempre soube a hora de entrar no palco e nunca precisou de um “empurrãozinho”. Na sua festa de despedida, Monika se vestiu de balairina e comeu bolo de cenoura. A mula será substituída por outra, chamada Alina. (Fonte: BBC Brasil)
Apesar do atraso estou colocando aqui o set list do Radiola 15, onde eu e o Ricardo Pieralini tocamos as recentementes descobertas gravações feitas nos anos 70 por Tim Maia, durante sua fase racional. Também relembramos os 20 anos do lançamento do disco "The Joshua Tree" , do U2, e os novos lançamentos de Nick Cave and The Bad Seeds ("Dig, Lazarus, Dig!") e Portishead ("Third"), que só chega às lojas em meados de abril.
Clássico
U2 - "Bullet the Blue Sky"
Bloco 1
Tim Maia - "Brasil Racional" Tim Maia - "Universo em Desencanto Disco"
Bloco 2
Tim Maia - "Escrituração Racional" Tim Maia - "You Gotta Be Rational"
Não ouvir
Danny Carlos e Abba
Lançamentos
Nick Cave and the Bad Seeds - "Dig, Lazarus, Dig!" Portishead - "Hunter".
Apesar de não ser muito fã do filme "O Paciente Inglês", ganhador de nove prêmios Oscar em 2006, eu era um grande admirador do diretor inglês Antony Minghella, que morreu agora há pouco em Londres, aos 54 anos. Tanto em "O Talentoso Ripley" quando em "Cold Mountain" ele conseguia aquelas tomadas amplas e longos diálogos reflexivos sem perder de foco a história que estava contando. Uma triste perda de alguém que tinha ainda muito a contruibuir ao cinema.
Bem ousada essa capa do novo disco de Madonna, "Hard Candy", que tem lançamento previsto para o mês que vem. Aos 49 anos (50 no próximo mês de agosto) ela anda dando caldo em muita Britney por aí...
O assunto musical da semana foi o encontro de um tesouro perdido há quase 30 anos e que finalmente viu a luz do dia via blogs e sites de Internet. Trata-se do terceiro disco da fase Racional do cantor Tim Maia. São quatro músicas circulando via downloads, mas dizem que outras três devem aparecer pelos próximos dias. Para quem não conhece a história, é o seguinte: Em 1974, no auge do sucesso, Tim Maia se converteu a uma seita chamada de Universo Racional. Uma coisa maluca que pregava que o homem fora trazido a terra por extraterrestres e que a salvação estava num livro escrito por um pastor chamado Manoel Jacinto. Completamente envolto nessa crença, Tim, que sempre foi louco de pedra largou todos os tipo de drogas que consumia em doses cavalares, parou de beber e quebrou o contrato milionário que tinha com a gravadora Phillips, quando esta não aceitou lançar nenhuma música falando sobre as benesses do Universo Racional. Com a conta cheia de dinheiro da venda dos discos anteriores, Tim bancou sozinho a gravação do vinil lançado de forma independente (o primeiro disco independente da história do Brasil), onde passa o tempo todo exaltando o pastor Manoel e sua seita de lunáticos. Apesar das letras sem sentido, o fim do período de bebedeira e drogas limpou o vozeirão de Tim, que desfilava macia sobre as bases funkeadas de sua banda Vitória Régia, composto por mais de dez integrantes (todos usando branco, por determinação de Tim). Uma obra prima musical que quase não foi ouvida na época de seu lançamento (1975). Passado alguns meses, Tim descobriu que tudo aquilo era uma grande enganação (o pastor além de ter comprado várias casas na baixada fluminense com o dinheiro dos fiéis, vivia sendo acusado de molestar meninas menores de idade) e largou tudo, voltando à vida de excessos e “músicas profana”. O disco Racional acabou sendo renegado e o cantor se recusou a falar sobre o assunto até sua morte, em 1998. Mas os fãs tinham nos discos Racionais de Tim Maia uma bíblia de suingue e boa música, e cópias piratas passaram a circular por sebos brasileiros. Um vinil original do álbum chegou a valer uma fortuna durante os anos 80 e 90. Com o advento da Internet, o culto cresceu ainda mais e a gravadora Trama chegou a lançar o primeiro volume (eram dois) em 2005, em edição especial. Mas enquanto muitos aguardavam a chegada às lojas de forma oficial do volume 2 do Racional, eis que agora descobre-se essas faixas extras, gravadas não se sabe quando nem em que ocasião. A principio o arqueólogo da descoberta foi o DJ carioca Dudu Marote, que fez amizade com o filho de um ex dono de estúdio do Rio de Janeiro, que guardava ainda hoje o tapes gravados por Tim no local. Tim apareceu lá, gravou, pagou e nunca mais voltou para pegar as fitas. São quatro músicas (“Escrituração Racional - em dois takes diferentes, “You Gotta Be Rational”, “Universo Em Desencanto Disco” e “Brasil Racional” - onde Tim literalmente lê o livro sobre uma base funk). A qualidade das gravações não é a mesma dos álbuns lançados, mas a voz de Tim continua perfeita, um verdadeiro tesouro nacional. O produtor Kassin (Los Hermanos) divulgou que detêm mais três faixas cujos timbres e estado das gravações devem remeter a essa mesma sessão, o que aumenta uma possível chance de Tim Maia Racional 3 ser lançado oficialmente. A maior viagem de Tim Maia não tem fim.
Bob Dylan está entre nós e abre hoje sua (pequena) turnê brasileira, a última de sua carreira como andam dizendo. Dos pilares fundamentais da música do século 20 (Stravinsky, Beatles, John Cage, Miles Davis, James Brown, João Gilberto) Dylan é um dos que menos permite intimidade com sua obra, tamanho o número de referências em suas letras que acabam ficando fechadas para quem não domina (inteiramente) o idioma inglês. Mas uma revisada na trajetória tumultuada e rica de Dylan nos oferece uma pista de sua importância e influência no meio musical. Nascido no interior dos Estados Unidos, Dylan chegou a Nova Iorque no final dos anos 50 para tentar a carreira de cantor na noite, influenciado tanto por cantores de blues e country das décadas de 30 e 40, quanto por artistas comunistas como Woody Guthrie, um menestrel que foi perseguido pelo governo americano e morreu à míngua, tendo como único amigo o próprio (e ainda desconhecido) Dylan, que foi visitá-lo em seu leito de morte, quando soube de seu estado de saúde. A subida de Dylan ao estrelato foi vertiginosa. Aos 21 anos, o cantor já era um herói do meio universitário e suas letras eram hinos entoados pelas massas de jovens politizados. Mas se tivesse parado por aí, hoje Dylan seria um pé de página na história da música americana e não a lenda que desembarca no Brasil. Sua grande sacada como artista veio em 1965, quando eletrificou seu som e acompanhado por uma banda barulhetissima que provocou calafrios no mesmo público que o louvava. Jogado na vala dos artistas vendidos, ele enxergou na ”moda” do rock and roll o futuro da música e embarcou na onda não para ser mais um, mas para influenciá-lo. Após ele, todo um grupo de pessoas descobriu que dava para ser popular e substancioso ao mesmo tempo. E mais: assim como Glauber Rocha dizia que para fazer cinema bastava uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Dylan passava a mensagem velada que não era necessários muitos atributos técnicos (voz, domínio do instrumento, formação em conservatório) para fazer uma obra importante. E foi ouvido por gente de todo o mundo como Belchior, Fagner, Tom Zé, Caetano Veloso, Raul Seixas, Renato Russo. Décadas depois também provou outra coisa. Que dava para envelhecer fazendo rock and roll, que se na antiguidade exaltava o orgulho de ser jovem, agora podia falar dos dilemas da velhice e da morte, como nos mostrou no monumental álbum “Times Out Of Mind”, de 1997. Estarei no show do canto no Rio de Janeiro e acredito que não verei um dos melhores shows da minha vida, porque muitos críticos já adiantaram que essa turnê do disco “Modern Times” exibe um Dylan cansado e sentindo o peso da idade. Mas não importa, pois naquele momento o que conta é a história (que será devidamente contada aos netos). A performance vem como brinde.
Algumas pessoas vêm pedindo o set list das músicas e bandas que são tocadas no Radiola, programa de Internet apresentado por mim e o Ricardo Pieralini aqui no site do LIBERAL (quem ainda não conhece vá ao nosso link de Podcasts). Então, a partir de hoje vou postando as músicas aqui. Para começar nosso programa que atualmente está no ar, o de número 13, com um bloco em homenagem a Bob Dylan com versões de artistas brasileiros, e outro com músicas do novo projeto dos irmãos Max e Iggor Cavalera. Ainda temos a nova música do Supergrass, que abre o novo disco da banda que chega às lojas em abril.
Clássico: Bob Dylan - "One More Cup of Coffe"
Bloco de versões de Bob Dylan:
Gal Costa - "Negro Amor" (versão de "It´s All Over Now, Baby Blue") Marcelo Nova - "Ainda não Está Escuro" (versão de "Not Dark yet") Renato Russo - "If You See Him, Say Hello"
O teórico cultural Steven Johnson esteve no Brasil no final do mês de fevereiro para participar do evento multimídia Campus Party, que discutiu os novos paradigmas da tecnologia e do mundo virtual. Em uma de suas entrevista, o autor de celebres “bíblias” do mundo moderno como "Emergência - A Dinâmica em Rede em Formigas, Cérebros, Cidades e Softwares", afirmou que o próximo desafio virtual do planeta é aprofundar-se sobre a metafísica e o espiritual, já que nas outras áreas do conhecimento o mundo conectado já havia se apoderado e até mudado conceitos anteriormente arraigados. Caso falasse português e estivesse no show que o cantor Gilberto Gil fez no Sesc de Piracicaba no último sábado, Johnson provavelmente ficaria surpreso com a desenvoltura do tropicalista baiano em conectar mundos virtuais e espirituais no repertório de sua nova turnê, apropriadamente chamada de “Banda Larga”. Resgatando músicas de várias épocas que tecem visões distintas (ora pessimistas, ora reverentes) sobre o avanço cientifico, Gil botou todo mundo para dançar num Sesc lotado e devotado ao compositor. Espantosamente entrosada após uma rápida turnê européia no final do ano passado, a banda segurou os grooves afros de canções como “Toda Menina Baiana”, “Palco” e “Aquele Abraço”, que costurava a coluna vertebral do espetáculo que ia do transcendental (“Não tenho medo da morte/ Mas de morrer” ou “Drão, o amor da gente é como um grão/ Uma semente de ilusão/ tem que morrer para germinar”) ao mundano via web (“Um barco que veleje nesse infomar/ Que aproveite a vazante da infomaré/ Que leve meu e-mail até Calcutá/ Depois de um hot-link/ Num site de Helsinque/ Para abastecer”). Apesar do conceito fechado do show (espírito e tecnologia se complementando) em nenhum momento Gil se distanciou de sua reverente platéia, que foi brindada com um desfile de sucesso (“Não Chores Mais”, “Esperando na Janela” e “This is Love”, de Bob Marley), para que as idéias complexas e conceituais fossem injetadas sem que isso prejudicasse o remelexo das cadeiras de meninos e meninas dos 15 aos 70 anos. De sua iluminada geração Gil não é o que anda em melhor forma como criador (e olha que o nível anda bem baixo!), mas ao vivo ele é soberano, um pajé moderno que mais de 40 anos após ter gravado o primeiro disco ainda comunga dos conceitos de deglutir o novo (a tecnologia) para explicar o eterno (a vida).
Luciano Assis, 29, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.