Queen
Li hoje que a vida de Fred Mercury vai realmente virar filme com previsão de lançamento para 2011. Cinebiografias é como cabeça de juiz, é impossivel prever o resultado, mas enquanto esperamos, separei esse meu texto antigo, de 2005, que escrevi em razão do relançamento luxuoso de 30 anos do disco "At Night the Opera" (1975). Na época a banda estava em plena turnê de "volta" tendo à frente um vacalista bem suspeito. Tá aqui:
Por reflexo condicionado, tornou-se comum a velha afirmação que, nos anos 70, o punk rock serviu para combater a megalomania dos super grupos da era progressiva e das bandas de arena.
De certa forma é verdade. Os integrantes do Queen estavam entre os músicos que se achavam maiores que a vida e que os outros 5 bilhões de pessoas no mundo. Brian May, Roger Taylor, John Deacon e, principalmente, Freddie Mercury adoravam andar de limousines, quebrar hotéis e dar pitis quando a quantidade de gelo no whisky não estava como fora ordenado ao garçom.
No entanto, toda essa frescura, ao menos em algumas situações encontrava atenuantes na obra do grupo. O momento em que eles mais mereceram serem tratados como faraós foi em 1975, quando lançaram “A Night At The Opera”, que no ano passado ganhou edição comemorativa pela EMI pelos seus 30 anos e que neste mês de janeiro está chegando às lojas brasileiras em embalagem de luxo, DVD com imagens raras e tratamento de som muitíssimo superior aos lançados anteriormente.
“A Night At The Opera” é o auge do grupo, que vinha em evolução crescente desde o ano de 1973, quando lançou seu trabalho de estréia, deslumbrado pelos grupos progressivos daquele começo de década. No ano seguinte eles lançaram “Queen II” já trazendo características que se tornariam marcas registradas do grupo, como a grandiloqüência operísticas de Freddie Mercury. A boa fase continuou com “Sheer Heart Attack”, do mesmo ano, de onde saíram os clássicos “Killer Queen” e “Stone Cold Crazy”.
Mas foi com o trabalho seguinte que eles ganharam tudo aquilo que uma banda da época sonhava: dinheiro, sucesso, respeito, devoção. Em pouco mais de 43 minutos, o quarteto condensa tudo aquilo que eles haviam feito até então e o que fariam pelos 16 anos seguintes. O compacto “Bohemian Rhapsody” já deixava claro que o disco que viria não seria um lançamento qualquer. Em seus vários movimentos diferentes, a banda homenageia/parodia os acessos hiperbólicos instrumentais e vocais do canto lírico.
“Bohemian Rhapsody” sintetiza todo o resto do álbum, mas ainda havia espaço para outras nuances que não couberam nesta música. Em “Your´re My Best Friend”, o pop desenvolto composto Roger Taylor mostra o nível de despreocupação da banda para com os fãs mais cricris; “39” dá um acento Country por conta de Brain May; e Freddie Mercury dá sua visão de música de Cabaré em “Seaside Rendezvous”.
Todo o lado A do vinil serve de treinamento para a segunda parte do disco, que retorna com os mesmos elementos de maneira menos leve e desencanada. Logo de cara, May constrói com “The Prophet´s Song” um épico de mais de oito minutos de circunvoluções que abre espaço para silêncios, solos, orquestração e finais falsos. Numa cara de pau sem limites, Mercury vem logo em seguida, numa das mais lindas canções bregas compostas na língua de Shakespeare. De letra derramada e expansiva, o cantor emociona até metaleiros mais radicais com “Love Of My Life”.
“Bohemian Rhapsody”, vem antes do final do trabalho:
"No, no, no, no, no, no
Mamma Mia, Mamma Mia, Mamma Mia let Me Go
Beelzebu Has a Devil Put Aside For Me, For me, For Me"
Só mesmo uma banda com completa segurança seria capaz de cantar isso com vibratos líricos sem parecer ridículo.
A inspiração que impulsionou “A Night The Opera” ainda renderia mais dois grandes discos nos anos seguintes, dentro dos mesmos moldes (“A Day At The Races” e “News Of The World”). Depois, essa força criativa foi secando aos poucos até o começo dos anos 90 quando a Aids terminou de vez com o grupo ao levar Freddie Mercury.
Se você é fã do Queen, mas não conhece muito da banda, concentre-se neste disco, pois todo o segredo desses ingleses está nestas 12 faixas. Agora, se você é fã mesmo, compre junto de “A Night At The Opera” o também recém lançado “Return Of The Champions”, onde May, Taylor e Deacon se juntam ao ex-vocalista do Free, Paul Rodgers para “ressuscitar” o Queen. Só não esqueça de quebrá-lo bem quebrado quando chegar em casa. A alma de Freddie Mercury vai descansar mais feliz.











1 Comentários:
Concordo contigo. "A Night at the Opera" é classicaço. E o Queen é um dos poucos que manteve a qualidade de discos estilo "Greatest Hits" em alguns álbuns. Alguns artistas/grupos chegam ao auge com álbuns estupendos, como M.Jackson com Thriller (ok, Of the Wall também é ótimo, tão ou quanto ele)-como Dire Straits com "Brothers in Arms" - e depois decaem mais rapidamente. Meio off-topic, gosto também do álbum "Music for the masses", do Depeche Mode, uma obra prima, de capa a rabo. Sou fâ de todos eles.
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