Capital inicial
Resenha que fiz do novo Cd do Capital Inicial em uma capa do Caderno L, aqui do LIBERAL.
Sinceridade é o melhor do CD
Na década de 1980, o Capital Inicial era um grupo da segunda divisão do rock nacional, obscurecido por bandas muito mais consistentes do ponto de vista artístico (Legião Urbana, Titãs, Ira!). Mas o tempo foi derrubando a linha de frente do chamado Brock e o grupo de Dinho Ouro Preto, Flávio Fê Lemos e Yves Passarel foi angariando espaço a ponto de sobreviver da extinção e se tornar o único dinossauro daquela época ainda capaz de fazer sucesso entre as novas gerações sem recorrer somente a cavalos de batalhas (sucessos de 20 anos atrás).
O novo disco do grupo, o primeiro ao vivo da carreira dos brasilienses, é, antes de tudo, um atestado de sinceridade, pois mesmo nascido em pleno fomento do pós-punk inglês, e dizendo beber nas fontes de respeitados grupos como Gang of Four e PIL, é nos populistas Aerosmith e Kiss que a banda encontra melhor reflexo mundial atualmente. E dá-lhe refrões pegajosos, letras falando do dia a dia molecada e “poses roqueiras” para as câmeras.
Para aqueles que cobram seriedade artística e aspirações maiores na música, “Multishow ao Vivo” não deve agradar, mas o Capital Inicial é uma ótima banda, dentro daquilo que se propõe a fazer. E até nisso eles são sinceros, pois não prometem nada de muito duradouro ou espetacular aos fãs.











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