Rita Lee desconhecida cai na rede
Na vida um pequeno detalhe escondido no passado pode nos ajudar a entender vários fatos futuros. Um exemplo é o disco “Cilibrinas do Éden”, gravado em 1973 por Rita Lee e nunca lançado.
A história oficial conta quem em 1972 Rita saiu dos Mutantes em função das aspirações dos irmãos Baptista pelo rock progressivo, que ela, com cautela, desprezava.
“Cilibrinas do Éden” desmente tudo isso, mostrando uma Rita bem diferente da feminista dos anos 70 e da roqueira zombeteira dos 80 em diante. Faixas como “Paixão da Minha Existência”, “Festival Divino” e “Voltar o Principio Porque Lá está o Fim” e “Bad Trip” expõem uma cantora triste, dividida, duvidosa de seu futuro e atenta tanto ao som glitter de David Bowie fase Ziggy Stardust, quanto às viagens sonoras do Pink Floyd e do Yes.
O clima funesto paira por todo o álbum que foi recusado pela gravadora Phillips, causando uma das histórias clássicas da MPB: Quando ficou sabendo do engavetamento do disco, ela foi até a gravadora falar com André Midani, todo poderoso homem da música brasileira na época. Chegando lá ela não encontrou Midani, mas encontrou Tim Maia, que também tinha ido reclamar pela negativa de ter seu disco “Racional” lançado. Os dois quebraram toda a sala do chefe, numa antológica cena de vandalismo e inconseqüência.
Por décadas o trabalho permaneceu escondido sobre uma sobra de mistério até cair na web recentemente para a alegria dos fãs da cantora. Nesta semana, a própria cantora lamentou o fato da disponibilização do disco, dizendo que ele é muito ruim e que Midani estava certo em não lançá-lo. Jogo de cena de titia Rita. O álbum é bom sim. Diferente dos outros trabalhos lançados posteriormente tanto com o roqueiro Tutti Frutti quanto com acessível Roberto de Carvalho. Talvez seja a pedra que faltava para montar o mosaico da artista daquele período pós Mutantes.











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