2.07.2008

O lado político de Rambo

Há pelo menos uns três anos acompanho a chamada redescoberta da dita década perdida entre o escárnio e o interesse velado, porém nostálgico. Fui criança e pré-adolescente nos anos 80, e guardo até boas recordações daquela década de inflação alta, de grupos como Menudos, do Sarney e desenhos animados muito bons.
Mas nesse mês chega aos cinemas brasileiros o novo Rambo, dirigido e "atuado" por pelo ator (!) Sylvester Stallone. Socorro! Isso já é demais.
Nascido no auge do governo de Ronald Reagan, Rambo foi a melhor encarnação do pensamento reacionário americano da época. O dito herói que foi ex-combatente do Vietnã, saía matando tudo quanto é ser de olhos puxados que via pela frente para defender os interesses de sua nação, colocando qualquer bípede que morasse fora das fronteiras americanas como inimigo. Mas como qualquer tipo de arte não existe sem contexto, é interessante pensar os porquês que levaram um estúdio a investir milhões num filme como esse.
Como já comentei, Rambo é o representante maior da Era Reagan, que foi sucedida por Bush pai. Ou seja, dois políticos de limitada visão global, e patriotismo burro.
Nada diferente do modus operante de Bush filho, que vê o planeta como um grande Iraque, cheio de potenciais pontos de ataque.
Aliás, o conjunto de filmes de uma determinada época dá uma visão panorâmica da época em que foram produzidos. Talvez os momentos mais angustiantes da Guerra Fria, travada entre Estados Unidos e União Soviética, tenha acontecido também nos 80, como mostram desenhos como He-Man, cujos inimigos tinham em sua maioria nomes que remetiam ao idioma russo (Modulok, Tri-kops, Zodak). O mesmo Stallone, que recentemente ressuscitou seu Rocky em um sexto filme também planeja refilmar a série "Desejo de Matar", lançada em 1974 pelo ator já falecido Charles Bronson. Para quem não lembra o personagem tinha uma visão social de dar nós no estomago de qualquer estudante de Ciências Sociais, pois seu lema para resolver o problema de violência no mundo era descer bala no primeiro que usasse cabelo moicano ou black power.
O tempo passa, o tempo voa. E a gente não sai do lugar. Triste.
Editor
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PerfilLuciano Assis
Luciano Assis, 29, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
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O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.

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