O Inferno de Britney
No dia 12 de janeiro de 1880, a pianista brasileira Chiquinha Gonzaga publicava em um jornal do Rio de Janeiro um anúncio se oferecendo para dar aulas de piano. Recém separada de um casamento arranjado pela família, a pequena notinha no jornal caiu como uma bomba da sociedade carioca, pois naquele século 19, uma mulher se meter na música era uma ousadia desmedida. Quinze anos depois, o poeta Oscar Wilde era condenado por manter uma relação homossexual com o filho de um poderoso cidadão londrino. Após cumprir alguns anos de prisão (na época homossexualismo era crime, em alguns locais da Europa), Wilde foi viver na moderna Paris, onde morreu em 1900.
Corte brusco no tempo, e chegamos a esse recém inaugurado ano de 2008. Nos Estados Unidos, a cantora Britney Spears é flagrada fazendo sexo em um provador de loja de departamento, menos de uma semana após dar um escândalo (na frente de milhares de Paparazzos) por perder o direito de ficar com filhos de seu fracassado casamento.
Não é novidade para ninguém que os escândalos sempre acompanharam a vida particular de grandes artistas, e muitas vezes o destemperamento social acabou por influir na produção artística de vários gênios na história da arte, seja nas crises maníacos depressivas de Vicent Van Gogh ou na capacidade de arranjar encrenca de um Tim Maia.
Por esse ângulo, nada mudou na arte e Britney é só a bola da vez, a Chiquinha Gonzaga do nosso tempo. Mas infelizmente as coisas não são bem assim e o fator que muda tudo isso se chama industria da celebridade, que nos dias que correm sobrepõem tudo a sua volta na ânsia de arrecadar leitores, telespectadores e novos candidatos a novos astros.
Resumindo: Houve um tempo, que a vida pessoal desregrada era um tempero para aquilo que acontecia no mundo da arte. Enquanto atualmente, as coisas estão invertidas. Isso acaba por gerar celebridade à lá Big Brothers, que são famosas por serem famosas, não por produzirem algo.
Mesmo Madonna (a mãe da geração Britney), conseguia ganhar atenção para seu trabalho via polêmicas, enquanto seus clones apenas chamam atenção para o vazio de suas existências à espera do novo golpe de marketing.
Mas não pensem que Britney é um mostro por isso. Ela apenas dança conforme a maré dos conglomerados fonográficos, editoriais e televisivos. Pobre menina, que logo será engolida por uma nova geração, provavelmente ainda mais vazia de significados e arte. E pobre de nós.











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