Numa incrível coincidência, a Europa perdeu em um prazo de poucas horas dois de seus mais importantes cineastas. De manhã, morreu o sueco Ingmar Bergmar, aos 89 anos, e à noite o italiano Michelangelo Antonioni, aos 94. Se Bergmar sempre foi um cineasta de estilo europeu, sem concessões, Antonioni circulou por várias linguagens cinematográficas apesar de ter puxado a escola neo-realista, um dos orgulhos do cinema europeu. Em “Blow Up” (1966), Antonioni exibe pela primeira vez na grande tela temas que desembocariam em movimentos como o da contracultura e "maio de 68". É desse filme minha cena favorita do italiano, quando o protagonista circula por um clube londrino onde a banda Yardbirds se apresenta (Numa das raras imagens dos guitarristas Jeff Beck e Jimi Page - esse futuro líder do Led Zeppelin – tocando juntos). No meio da apresentação Beck irrita-se com os amplificadores, jogando a guitarra contra eles.
A profundidade existencialista na obra de Ingmar Bergman, que morreu nesta segunda-feira aos 89 anos, estava diretamente ligada à naturalidade com que ele lidava com temas como morte, desespero e desajuste social/sexual. Aí está a diferença do grande mestre em relação a sua legião de admiradores/ imitadores: como todo gênio, seu desconforto com a vida brotava de um perfeito equilíbrio entre o exercício intelectual e as entranhas corroídas pela vida humanamente miserável da infância. Os exemplos estão em clássicos regidos pela dor, como "Morangos Silvestres" (1957), "O Sétimo Selo" (1957), "Gritos e Sussurros" (1972), "A Flauta Mágica" (1975), "O Ovo da Serpente" (1978) e "Fanny e Alexander" (1982). Abaixo você confere aquela que, talvez, seja sua mais clássica cena entre suas muitas clássicas cenas: o duelo de xadrez entre Max Von Sydow e a morte, em “O Sétimo Selo
Na sua opinião, qual o pior verso ou estrofe já escritos em uma letra de música brasileira? Fiz uma seleção das minhas "pérolas" preferidas e queria que você também fizesse a sua, para juntos montarmos um painel dos horrores contra nossa tão amada Língua Portuguesa.
“Cruzei uma doida/ investi até o sol comê/ Não consigo mais parar sou viciado em comê, comê, comê!”, Charles Brown JR., em “Cruzei com uma Doida”
“Porque roupa de menino não cabe em homem não/ Vou catar uns popozão ô meu amigo, é guaraná!”, Tihuana, em “É Guaraná”
“Tudo o que Deus criou/ Pensando em você/ Fez a via-láctea/ Fez os dinossauros” – Djavan em “Eu Te Devoro”
“O que é imortal não morre no final” - Sandy e Junior, em “Imortal”.
No começo dos anos 80, o cantor, músico e artista plástico Aguilar ganhou destaque na mídia por suas performances que uniam música, pintura, nudismo e poesia nos palcos paulistanos. Aguilar era o cérebro e motor da Banda Performática, que em sua história teve entre seus integrantes figuras como Arnaldo Antunes e Paulo Miklos, que depois formariam os Titãs, e o lendário Lanny Gordin, estilista da guitarra nos antológicos discos de Gal Costa, Jards Macalé e Caetano Veloso, do período tropicalista. Em sua quarta formação, a banda Performática lançou o disco “Anti-herói”, tendo entre seus músicos os barbarenses Marcos, Marcelo e César Maluf, que há pouco mais de dez anos ganharam destaque no meio alternativo nacional com a banda Concreteness, que casava rock e música eletrônica. O trio barbarense está trabalhando com Aguilar desde 2001 em apresentações pelo país, mas apenas no ano passado resolveram trabalhar na gravação do Cd que vem recebendo elogios da crítica. “Apenas ser músico é insuficiente para trabalhar com o Aguilar. Ele quer que sejamos artistas de uma forma mais global”, explica César Maluf, responsável pelos teclados do grupo, que conta ainda com o guitarrista Giba, o percussionista Loop B, as cantoras Daniela e Gabi, além dos já citados Marcelo (voz, bateria) e Marcos (baixo). Aqui está a faixa título do disco, que ironiza o papel do herói em nossa sociedade: Clique abaixo para ouvir a música;
Em 1987 o diretor Brian de Palma resolveu fazer uma homenagem ao russo Sergei Eisenstein, o gênio que ajudou a criar a linguagem cinematográfica com filmes como “A Grave” (1924) e “Outubro” (1927). A homenagem está no filme “Os Intocáveis” (1987) em que o cineasta americano reproduz com reverencia a clássica cena da escadaria de Odessa, do filme “O Encouraçado Potemkin” (1925), com direito até ao simbólico de carrinho de bebê. Veja e compare abaixo as duas cenas:
Uma reivindicação com direito a abaixo assinado deveria ser feita aqui na região pela vinda imediata da coletânea da revista "Antologia Chiclete com Banana", do cartunista Angeli, para as bancas do interior. A nova série traz 16 edições mensais, com 48 páginas cada uma com o melhor da revista em quadrinhos que revolucionou o humor brasileiro nos anos 80. O primeiro volume da série saiu no dia 15 de junho custando R$ 5,90.A "Antologia", traz os melhores trabalhos da revista, publicada pela Circo Editorial entre 1985 e 1990, em 24 números que chegavam ao mercado de dois em dois meses. As editoras responsáveis pelas reedições (Devir e Nova Sampa) informaram que por aqui as bancas só devem receber os volumes a partir de agosto ou setembro.
O mais importante diferencial da Internet é que nela não existe o muro que separava o consumidor de informação ativo do passivo. No mundo virtual da Web, todos nós podemos reivindicar, teorizar, expor idéias, indicar aquilo que nos agrada. Ou seja, influir na história sem depender da visão de uma mídia oficial. Se a Internet existisse no início dos anos 60, por exemplo, dificilmente teríamos vivido dias de trevas, como o Golpe Militar de 1964 ou o AI-5 de alguns anos depois, que consistia exatamente no controle de informações pelo Estado tirano e manipulador. Informação é arma poderosa, e torna-se ainda mais forte quando pode ser contradita por um simples cidadão sentado em seu computador, no aconchego de seu lar. E essa é a razão desse blog de Cultura existir: ele está inserido no site do jornal O LIBERAL, é editado por mim, mas está aberto a qualquer um que tenha interesse em cinema, música, teatro, literatura ou qualquer outra forma de arte disposta a explicar ou complicar nossa tão complexa existência. E aqui não existe verdades ou vacas sagradas. Eu, você e nossos ídolos seremos contraditos, espinafrados, amados e consumidos. Então vamos deixar de papo e começar a aventura...
Luciano Assis, 29, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.