O novo levante ateísta
A Física diz que para toda ação existe uma reação, e isso pode ser observado no crescente levante ateísta que vem tomando conta das livrarias dos Estados Unidos e Europa.Essa onda teve início com o sucesso do livro “Deus, um Delírio”, do biólogo Richard Dawkins, que quebra uma “feliz passividade” entre criacionistas (que defendem Deus como supremo criador) e evolucionistas (os crentes da ciência) para atacar de forma firme todas as crenças existentes no mundo como infundadas e sem propósito para os dias atuais. A argumentação de Dawkins encontra estofo numa suposta racionalidade que os religiosos põem abaixo através de dogmas superficiais e sem propósito.
Outro exemplar que vem vendendo bem e ganhando elogiosos comentários no exterior é a coletânea de textos “Portable Atheist” (Ateísta Portátil), reunida por Christopher Hitchens. Através de ensaios de diversas épocas de escritores e filósofos confessadamente ateus, a obra traz nomes como Bertrand Russel, Albert Einstein (que não era ateu), Charles Darwin e Anatole France.
De época em época o ateísmo ganha força através da literatura e da filosofia, sempre impulsionada por acontecimentos bem terrenos. A mais forte delas, se deu nos anos 50 e 60, quando toda uma geração de intelectuais beberam na fonte existencialista de escritores como Jean Paul Sartre e Albert Camus que centravam suas obras no ser humano como único responsável pelos seus atos.
Pelos anos seguintes, novas gerações foram chegando e muitos cientistas e intelectuais passaram a aderir à tese que Deus poderia sim existir, e que isso não anulava e nem devia conter os avanços da ciência. Mais: as pesquisas poderiam ajudar a melhor compreender a complexidade de Deus.
Então porque essa nova leva ateísta? As explicações podem estar no crescente embate político/ religioso que tomou conta do mundo, após os acontecimentos de 11 de setembro de 2001. Também corre por fora o reacionarismo de personalidades como o Papa Bento 16, que parece excluir a igreja católica do mundo atual ou os ataques absolutistas às pesquisas com células-tronco, num ataque global contra a racionalidade e aos valores iluministas. Que Deus ou o acaso nos perdoem.











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