10.01.2007

Ver ou não ver, eis a questão

Na capa do caderno L da edição desta terça-feira do LIBERAL, assino uma matéria sobre a venda de DVDs piratas do filme “Tropa de Elite”, em barracas de camelôs da região. Percorri várias delas na tarde da última segunda-feira e ouvi depoimentos interessantes sobre as opiniões dos compradores acerca da aquisição do filme em cópias piratas, antes de seu lançamento oficial nos cinemas, que deve acontecer no dia 12 de outubro (foi antecipada em função do vazamento da obra).
Pelo que percebi, a discussão ética, do “não posso ter em casa um produto pirata, pois contribuo com uma contravenção” inexiste, pois a compra de tais cópias tornou-se lugar comum na sociedade.
Protagonizado por Wagner Moura, a obra é vendida (sem legendas e créditos, o que denuncia que alguém da pós-produção passou a cópia para os camelôs) até para policiais em Americana, segundo me disse um vendedor ilegal.
O problema da pirataria não é uma novidade para ninguém, tanto que nas páginas do LIBERAL, ele já foi discutido várias vezes. Mas desta vez, entrou em pauta a questão da ética sobre o produto não autorizado. O ator José Wilker ofendeu-se quando um jornalista da revista Época perguntou a ele se já havia visto o filme. “Eu tenho ética, não vou consumir um produto fruto de crime”, bradou Wilker.
O problema é que a maioria dos meios de comunicações discutem o filme, o que indica que nos jornais, revistas e emissoras de TV, ele está sendo consumido através de cópias piratas.
Eu mesmo estou em um dilema: Quero ver o filme, mas me questiono se é certo pagar R$ 5,00 na cópia pirata, para comentá-lo aqui, com vocês leitores. Alguém já tem opinião formada sobre isso?

5 Comentários:

Anônimo disse...

Piratariaaaaa, ecaaaa, sai dessa Luciano nao compensa pagar R$5,00 para comentar em seu blog, pega um cinema, com um bom audio, coma uma boa pipoca isso sim é diversão....

2 de Outubro de 2007 08:39  
Guy Fawkes disse...

Caro Luciano,

Uma cópia do filme em questão caiu no meu colo recentemente. Confesso que ignorava completamente que o mesmo estava sendo produzido.

A obra anterior do mesmo cineasta (ônibus 174) me impressionou consideravelmente, levando-me a considerá-la um dos melhores trabalhos jornalísticos realizados sobre a violência urbana no Brasil.

Me interei sobre a produção do filme, sobre a polêmica da pirataria (parece que esta cópia que está circulando por aí corresponde a segunda montagem do filme. O produto final, que irá estrear dia 12 próximo já passou da décima sexta montagem), e acabei assistindo a malfadada cópia.

Esta cópia apresenta problemas de som, mas do resto parece uma obra suficientemente acabada.

O conteúdo é explosivo. O realizador consegue expor aquilo que pretende: cada engrenagem deste sistema violento tem seu grau de culpa no processo. Se a versão oficial manter o mesmo grau de exposição, ótimo. O filme tem seus problemas, principalmente no quesito dramaturgia. Há momentos fortes e outros risíveis. Mas não há porque comentar mais do que isso aqui. A discussão é outra.

Pirataria. Pirataria, pirataria...

O que fazer?

A discussão sobre direito autoral, posse intelectual, e novas formas de comercialização de conteúdo ainda vai longe. Mas, convenhamos: se você vai realizar uma obra, gasta os tufos, rala muito, e depois não tem retorno porque a obra está sendo distribuída gratuitamente sem o seu concentimento, algo está errado!

Vou citar um exemplo: O Teatro Mágico.

A banda propala um discurso favorável aos downloads e ganha dinheiro fazendo shows, a preços bem acessíveis. Não estou defendendo o estilo musical deles, só cito aqui a forma de gerenciamento financeiro. Me parece justo. Não faz sentido alguém sem talento algum, que grava seus albuns em estúdio, receber rios de dinheiro cantando em playback e ganhar discos de ouro.

Mas, o que fazer com outras formas de mídia?

Há o discurso sobre o preço exorbitante dos produtos originais.
Quem ganha um ou dois salários mínimos não consegue ir ao cinema, comprar cds, revistas ou livros. Mas consegue comprar o filminho pirata.

O combate à pirataria acaba punindo mais os pobres do que os ricos. E pobres que querem ter acesso à cultura.

3 de Outubro de 2007 13:40  
Rodrigo Chiara disse...

Esta postagem foi removida pelo administrador do blog.

3 de Outubro de 2007 13:58  
Luciano Assis disse...

Primoroso comentário,Guy. Concordo com cada palavra e reforço afirmando que passamos por uma verdadeira revolução na forma de consumir Cultura. O caso do Teatro Mágico é sintomático: O Cd serve apenas como um "cartão de visitas" para o verdadeiro meio de sustento do artista, que hoje são os shows. Uma regra que serve tanto para a Ivete Sangalo quanto para uma mais alternativa do sertão do Piauí.

3 de Outubro de 2007 14:14  
Cristian Eduardo disse...

Também considero um problema sério o "preço" da cultura no Brasil. A pirataria, infelizmente, é o meio encontrado pela classe baixa para se abastecer de diversão e cultura - embora a clientela dos camelôs e dos sites que permitem downloads não seja, exclusivamente, de quem não tem dinheiro. Para piorar, basta lembrar que o pior exemplo vem de cima. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assistiu a "Dois filhos de Francisco" em uma cópia pirata durante uma de suas várias viagens aéreas. Fazer o quê então?

5 de Outubro de 2007 17:43  

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Luciano Assis, 29, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
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