Pavarotti popularizou e vulgarizou a ópera
O biógrafo Robert Levine, um dos maiores especialistas do mundo na vida da soprano Maria Callas, escreveu certa vez que de todas as cantoras de óperas, ela era a única capaz de popularizar o estilo, pois parecia ser a primeira que fazia sexo.Algo parecido pode ser dito sobre o tenor italiano Luciano Pavarotti, falecido nesta madrugada, aos 71 anos, na Itália. Longe do esnobismo que muitas vezes atinge certos setores da música erudita, Pavarotti gostava de ser amado pelo povo e por toda sua carreira, dedicou-se como nenhum outro a levar o canto lírico às massas. Não foi o único a tentar, mas foi o primeiro a conseguir: Que outros nomes da ópera têm seus Cds vendidos por camelôs nos calçadões?
Na ânsia de chegar aonde nenhum outro jamais esteve, acabou por dando grandes tropeços, vulgarizando peças clássicas ou soando alienígena em gravações pop, como “Pavarotti And Friends” e “Os Três Tenores”, dois maiores passos em falsos do cantor.
Mas isso logo ficará para trás, pois no inferno das boas intenções Pavarotti merece sacada de frente para mar. De preferência um mar como o da Itália, que ele tanto amava.











3 Comentários:
A indústria cultural, como propõe Adorno, talvez tenha sido o motivo dessa vulgarização. De certa forma, tem seu lado positivo: ajudou a divulgar esse estilo musical.
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Concordo com Juliano. Tive a felicidade (ou infelicidade, já que o final foi péssimo) de namorar um cara que amava ópera (isso bem antes de "Os Três Tenores"). Com isso aprendi quem era Pavarotti, Placido Domingo, Jose Carreras e outros mais. Lendo a biografia de Maria Callas (espetacular, por sinal), entendi o verdadeiro significado da ópera, e que todos deviam ter acesso a ela. Pavarotti errou? Talvez, mas pelo menos hoje muita gente sabe o que a ópera significa para o mundo. E que ele descanse em paz, a paz que só aqueles que democratizaram algo tão elitista poderão um dia alcançar.
Póetico seu cometário.. Andréa
gostei
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