As portas da percepção
Em 2002 eu morava em Paris e para ir trabalhar costumava passar por dentro do cemitério Pére Lachaise como forma de cortar caminho para a labuta diária. O Pére Lachaise é um dos maiores cemitérios da Europa, e ponto turístico obrigatório para quem visita a cidade por sua coleção de túmulos de grandes personalidades. Estão lá, além de muitos reis e rainhas, o escritor Oscar Wilde, o músico Frederic Chopin, espírita Alan Kardec e mais uma constelação de túmulos de gigantes da arte que já partiram. A grandiosidade das sepulturas também impressionava, pois ficava pensando nas vantagens de passar eternidade em um túmulo maior que o quarto onde eu dormia.Mas nada daquilo era tão fascinante quanto um pequeno túmulo escondido a alguns metros da entrada do portão principal do cemitério. Todos os dias, via dezenas de jovens de cabelos vermelhos, velhos hippies perdidos no tempo e senhoras nostálgicas olhando emocionadas para uma pequena caixa de areia, simples, suja e maltratada, com uma placa escrita “James Douglas Morrison 1943 – 1971”. Lá fica o corpo do líder de uma das maiores bandas da história, o muito provavelmente um dos cinco mais carismáticos nomes da história do rock.
Lembrei-me desse período porque em comemoração aos 40 anos do lançamento do primeiro disco do The Doors está chegando às lojas os seis discos do grupo, todos caprichadamente remasterizados e com gravações raras como bônus. Poderia falar da importância da banda para a música dos anos seguintes ou descrever em detalhes os seis (perfeitos) discos lançados por eles (The Doors, Strange Days, Waiting For The Sun, The Soft Parade, Morrison Hotel, LA. Woman), mas uso uma frase do crítico Tim Robbins, que em 1967 descreveu o grupo como “canibais em uma época de vegetarianos”. Perfeito.
Separei uma raridade para vocês: Uma gravação de 1965, da música “Hello, I Love You”. Essa gravação saiu de um dos primeiros ensaios, poucos meses após formarem o grupo (o primeiro disco sairia apenas em 1967). Inspirada pelo grupo inglês The Kinks, a canção só seria conhecida pelo público três anos depois, quando abriria o terceiro disco da banda, “Waiting For The Sun”.
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2 Comentários:
Passei por este cemitério e fiquei alguns minutos ali pensando nas letras de Jim Morrison. Doors são muito bons mesmo.
Bacana o blog, Luciano. O Juliano Schiavo Sussi foi quem recomendou.
Abraço.
Seja bem vindo, Fábio, meu colega de passeios por cemitérios. Abraço
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