Após dois programas focados em retrospectivas, o Radiola retorna já de olho no melhor que a música nos dá em 2010. Logo de cara, o novo álbum do inglês Peter Gabriel (foto), que lança neste mês um disco só de covers, acompanhado por uma orquestra. Além dele, o Radiola ainda apresenta músicas de Carlos Santana, Sharon Jones and the Dap-Kings, Arnaldo Baptista, Beck, Chico Pinheiro e muito mais.
Clássico da semana: Carlos Santana - "Oye Como Vá" (1970)
Bloco 1 (Cantoras negras americanas) 1 - Sharon Jones and the Dap-Kings - "Tell Me" 2 - The BellRays - "Have a Little Faith in Me" 3 - Ike and Tine Turner - "A Fool in Love"
Bloco 2 (discos tristes) 1 - Arnaldo Baptista - "Navegar de Novo" 2 - Big Star - "For You" 3 - Beck - "Los Cause"
Lançamentos 1 1 - Chico Pinheiro - "Desde o Primeiro Dia" (Disco: Meia Noite, Meio Dia) 2 - Gilberto Gil - "Lamento Sertanejo" (Disco: BandaDois)
Lançamento 2 Peter Gabriel - "Philadelphia" (Versão de Neil Young) -Disco: Scratch my Back
BGs - Homenagem à Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.
Link para download http://www.liberal.com.br/cadernos/podcast_ver.asp?c=02F0C950455
Beyonce é a estrela do momento. O furacão que passou pelo Brasil neste final de semana e ficou sob os flashs de toda a mídia. Há dois pontos sobre a americana que devem ser destacados, um positivo e um negativo. O positivo é que Beyonce descende de uma linhagem de cantoras negras/explosivas americanas que vem desde a década de 50, e que tem como matriarca Tina Turner. Tina, ao lado de seu marido, Ike Turner, eram uma maravilha, entre os anos de 1959 e 1966, mais ou menos. Depois vieram Diane Ross, Donna Summer e começou a cair em qualidade a partir de Whitney Houston, já nos anos 80. Beyonce traz no gene um pouco de todas essas citadas, com um adendo: pertence à era da imagem. Ninguém quer saber se sua música vele alguma coisa ( e ela até é uma cantora mediana!), importanta sua pose de diva/sexy/poderosa/gostosa/não tô nem aí prá você macho que quer me pegar. Sinais dos tempos, de um tempo onde uma imagem vale mais que mil palavras.
Nove. Esse é o número de estatuetas do Oscar a que concorre o filme "Avatar", de James Cameron. São apenas duas a menos que "Ben-Hur" e "Titanic", os maiores vencedores da história do prêmio. Tá certo que a Academia de Cinema de Hollywood é, antes de tudo, uma trena para se medir o impacto comercial de cada filme americano. Mas vamos e venhamos que "Avatar" é só um filme mediano de ficção cientifica. Uma obra história, mas por meios tortos, já que seu grande mérito está sendo popularizar o 3D. Mas fora isso, não tem nada de mais. O próprio Cameron tem filmes melhores no curriculo. Por isso, penso que em março, durante a cerimônia do Oscar, os verdadeiros fãs de cinema devem criar uma torcida para que "Avatar" recebe o menor número de estatuetas possíveis. Umas três ou quatro por categorias técnicas estão ótimas. Eu particularmente chorarei muito (de raiva) se ele levar (e parece que vai) os prêmios de melhor filme ou melhor diretor. Comparar as cenas de "Avatar" dirigidas por Cameron às cenas de "Bastardos Inglórios" de Tarantino é piada. E das mais sem graças. Deus proteja a sétima arte dos burocrátas do cinema americano.
Segunda e última parte do nosso especial de "Melhores da década", que iniciei na semana passada. Em razão de várias obras que julguei fundamental mostrar, acabei transformando essa edição de número 45 na mais longa já feita. Mais de 90 minutos de músicas. E olha que só após ouvir o programa pronto lembrei de grandes trabalhos que não mereciam estar de fora (LCD Soundsystem, por exemplo). Mas de uma maneira geral, achei a lista bem equilibrada e representativa. Espero que concordem (ou não, claro).
Bloco 1 Paul McCartney - "Jenny Ween" Johnny Cash - "We´ll Meet Again" Bob Dylan - "Thunder on the Mountain"
Uma das figuras mais pouco lembradas da música brasileira, ganha esse belo documentário dirigido por Lírio Ferreira ("Baile Perfumado"). Autor, junto à Luiz Gonzaga, de "Asa Branca", o hino Nacional do Sertão, Humberto Teixeira era um "dotô" com poesia afiada e popular, e um sujeito de personalidade profunda, como o triler do documentário "O Homem que Engarrafava Nuvens" já demonstra. Gosto muito da descrição que o pernambucano Otto faz dele, comparando Humberto com a polvorá e Gonzagão com um canhão.
Na última quinta-feira morreu o escritor J.D. Salinger. Tinha 91 anos, e uma lenda que o precedia. Não era para menos: Desde o início dos anos 60 ele não aparecia em público, não dava entrevistas, não lançava livros. Odiava qualquer contato com pessoas, principalmente jornalistas. Em tempos de hiper-exposição e de escritores multimilionário que seguem a cartilha do mercado, como J.K. Rowling (“Harry Potter”), Stephenie Meyer (“Crepúsculo”) e Dan Brown (“O Código Da Vinci”) isso era uma afronta. No meio literário corria boatos de que Salinger enlouquecera, que não comida alimentos sólidos, de que bebia urina, que não via a luz do sol. Fatos nunca provados e que provavelmente continuarão no território das lendas com sua morte. O mito cresceu ainda mais quando em 1980, um jovem perturbado chamado Mark Chapman disparou cinco tiros contra John Lennon, eleito o “Homem da década” por revistas americanas. Após o assassinato, Chapman sentou na calçada, abriu um exemplar do “O Apanhador no Campo de Centeio” (1951), de J.D. Salinger, e começou a lê-lo. Na polícia, perguntado sobre os motivos que o levaram ao criem, disse apenas que a obra falava por ele. Mas lendas à parte o mais importante é o legado – pequeno – de Salinger como escritor. A única questão duvidosa em relação a isso é se ele era melhor contista ou romancista. Mais que precisão com frases, o mestre inventou algo que hoje parece algo inerente à sociedade: a juventude. Se hoje, todo o mercado da moda, da música, da TV, do cinema e da própria literatura giram em torno do público adolescente consumidor, na década de 1940 o ser humano passava da infância à idade adulta. Num dia eles brincavam, no outro ia trabalhar. Evidente, que a vitória dos Estados Unidos e seu enriquecimento após a Segundo Guerra foi o principal fator para esse desabrochar juvenil, já que os jovens passaram poder curtir a idade entre os 13 e os 18 anos com namorados, carros do pai e rock. Mas isso só veio a partir do meio da década de 50. Mas antes disso, “O Apanhador no Campo e Centeio” já expunha todas as angustias dessa idade tão estranha. Quando lançado, o livro chegou a ser censurado. Pudera, nunca ninguém tinha usado linguagem tão vulgar, gírias tão diretas. Holden Caulfield era um jovem que adiava a escola, a família, os professores e largava tudo para cair no mundo. Isso 20 anos antes dos hippies! O titulo original do livro “The Catcher in the Rye” (algo como “o sentinela do vale”) era uma passagem do final do livro, quando Caulfield contava a sua irmã menor sobre um pesadelo que tivera. Nele, o garoto falava que ele ficava na beira de um abismo, evitando que crianças saltassem morro abaixo. Era a melhor metáfora para o salto de todos nós rumo à idade adulta. Para alguns estudiosos da obra de Salinger um dos motivos para sua saída definitiva de cena era que ele se incomodava de ser carimbado como um escritor “para jovens”, já que é fato que sua obra mais famosa perde o impacto quando lida após a adolescência. A verdade nunca ninguém vai saber. Ou talvez a melhor explicação tenha sido dada um século antes pelo poeta francês Arthur Rimbaud, que ao publicar o livro “Iluminações”, aos 19 anos, saiu de cena porque achou que jamais poderia superar àquilo que acabava de lançar. Na quinta-feira morreu o homem Salinger, porque o escritor já tinha esgotado suas possibilidades há quase meio século. E ele sabia disso.
Começa hoje em Porto Alegre a turnê "Death Magnetic", do Matallica, que no sábado e domingo passa por São Paulo. Não irei aos shows, mas fui nos de 1993 e 1999. Para fã de metal, é concerto obrigatório. O video acima foi gravado no passado e é o que quem for ao estádio do Morumbi irá presenciar.
Luciano Assis, 29, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.