8.27.2008

Dinheiro voador

Passei a manhã desta quarta-feira no CCL de Americana ouvindo os debates organizados dentro do Fórum Cultural da RMC e adianto que foi bem produtivo. Mas uma informação do Secretário adjunto de cultura da Secretaria de Estado da Cultura, Ronaldo Biachi, me deixou bastante perplexo. Segundo ele, cerca de 40% dos financiamentos destinados para a Cultura não saem dos cofres do Estado por falta de cumprimentos burocráticos das secretarias, ou seja, o dinheiro está lá, mas faltam pessoas bem preparadas nas secretarias para cumprir toda meta exigida. Das duas uma: ou o estado deve desburocratizar seus projetos ou as administrações devem contratar pessoas melhores preparadas.

8.25.2008

Marcas da arte



O artistas plástico americano Nic Hess está expondo no Museu de Arte Contemporânea da Suíça uma série de obras inspiradas em grande marcas da industria ocidental. Um dos trabalhos é esse aqui de cima. É, no minimo, criativo.

8.20.2008

Último segundo

Acabou de chegar aqui no jornal que a Secretaria de Cultura de Americana fechou uma apresentação da peça "Um Certo Van Gogh", para o dia 11 de setembro no Teatro Municipal Lulu Benencase. O espetáculo tem o ator Bruno Gagliasso como protagonista, vivendo o mitico pintor Van Gogh.
O texto inédito é assinado por Daniela Pereira de Carvalho e a Direção é de João Fonseca. No elenco, além de Gagliasso estão os atores Marcelo Valle, Larissa Bracher e Pedro Garcia Netto. Todos os atores interpretam mais de um personagem em um jogo de duplos entre as duas épocas. Com certeza um ótima notícia.

8.12.2008

Queen

Li hoje que a vida de Fred Mercury vai realmente virar filme com previsão de lançamento para 2011. Cinebiografias é como cabeça de juiz, é impossivel prever o resultado, mas enquanto esperamos, separei esse meu texto antigo, de 2005, que escrevi em razão do relançamento luxuoso de 30 anos do disco "At Night the Opera" (1975). Na época a banda estava em plena turnê de "volta" tendo à frente um vacalista bem suspeito.


Tá aqui:


Por reflexo condicionado, tornou-se comum a velha afirmação que, nos anos 70, o punk rock serviu para combater a megalomania dos super grupos da era progressiva e das bandas de arena.
De certa forma é verdade. Os integrantes do Queen estavam entre os músicos que se achavam maiores que a vida e que os outros 5 bilhões de pessoas no mundo. Brian May, Roger Taylor, John Deacon e, principalmente, Freddie Mercury adoravam andar de limousines, quebrar hotéis e dar pitis quando a quantidade de gelo no whisky não estava como fora ordenado ao garçom.
No entanto, toda essa frescura, ao menos em algumas situações encontrava atenuantes na obra do grupo. O momento em que eles mais mereceram serem tratados como faraós foi em 1975, quando lançaram “A Night At The Opera”, que no ano passado ganhou edição comemorativa pela EMI pelos seus 30 anos e que neste mês de janeiro está chegando às lojas brasileiras em embalagem de luxo, DVD com imagens raras e tratamento de som muitíssimo superior aos lançados anteriormente.
“A Night At The Opera” é o auge do grupo, que vinha em evolução crescente desde o ano de 1973, quando lançou seu trabalho de estréia, deslumbrado pelos grupos progressivos daquele começo de década. No ano seguinte eles lançaram “Queen II” já trazendo características que se tornariam marcas registradas do grupo, como a grandiloqüência operísticas de Freddie Mercury. A boa fase continuou com “Sheer Heart Attack”, do mesmo ano, de onde saíram os clássicos “Killer Queen” e “Stone Cold Crazy”.
Mas foi com o trabalho seguinte que eles ganharam tudo aquilo que uma banda da época sonhava: dinheiro, sucesso, respeito, devoção. Em pouco mais de 43 minutos, o quarteto condensa tudo aquilo que eles haviam feito até então e o que fariam pelos 16 anos seguintes. O compacto “Bohemian Rhapsody” já deixava claro que o disco que viria não seria um lançamento qualquer. Em seus vários movimentos diferentes, a banda homenageia/parodia os acessos hiperbólicos instrumentais e vocais do canto lírico.
“Bohemian Rhapsody” sintetiza todo o resto do álbum, mas ainda havia espaço para outras nuances que não couberam nesta música. Em “Your´re My Best Friend”, o pop desenvolto composto Roger Taylor mostra o nível de despreocupação da banda para com os fãs mais cricris; “39” dá um acento Country por conta de Brain May; e Freddie Mercury dá sua visão de música de Cabaré em “Seaside Rendezvous”.
Todo o lado A do vinil serve de treinamento para a segunda parte do disco, que retorna com os mesmos elementos de maneira menos leve e desencanada. Logo de cara, May constrói com “The Prophet´s Song” um épico de mais de oito minutos de circunvoluções que abre espaço para silêncios, solos, orquestração e finais falsos. Numa cara de pau sem limites, Mercury vem logo em seguida, numa das mais lindas canções bregas compostas na língua de Shakespeare. De letra derramada e expansiva, o cantor emociona até metaleiros mais radicais com “Love Of My Life”.
“Bohemian Rhapsody”, vem antes do final do trabalho:

"No, no, no, no, no, no
Mamma Mia, Mamma Mia, Mamma Mia let Me Go
Beelzebu Has a Devil Put Aside For Me, For me, For Me"

Só mesmo uma banda com completa segurança seria capaz de cantar isso com vibratos líricos sem parecer ridículo.
A inspiração que impulsionou “A Night The Opera” ainda renderia mais dois grandes discos nos anos seguintes, dentro dos mesmos moldes (“A Day At The Races” e “News Of The World”). Depois, essa força criativa foi secando aos poucos até o começo dos anos 90 quando a Aids terminou de vez com o grupo ao levar Freddie Mercury.
Se você é fã do Queen, mas não conhece muito da banda, concentre-se neste disco, pois todo o segredo desses ingleses está nestas 12 faixas. Agora, se você é fã mesmo, compre junto de “A Night At The Opera” o também recém lançado “Return Of The Champions”, onde May, Taylor e Deacon se juntam ao ex-vocalista do Free, Paul Rodgers para “ressuscitar” o Queen. Só não esqueça de quebrá-lo bem quebrado quando chegar em casa. A alma de Freddie Mercury vai descansar mais feliz.

8.07.2008

Parabéns a Andy Warhol



Caso ainda estivesse vivo, o pintor e agitador cultural Andy Warhol estaria completando 80 anos no dia de hoje. O maior nome da pop art ajudou a quebrar os muros erguidos que separavam a arte dos museus do dia a dia das ruas, e ainda de forma profética previu que "no futuro todos seriam famosos por 15 minutos". Fica aqui minha lembrança ao velho Warhol e uma dica: vejam o filme "Basquiat", que apesar de ser a cinebiografia de outro pintor, Jean Michael Basquiat, retrata bem quem foi Warhol.

8.05.2008

O Big Brother somos nós

O personagem Big Brother, que depois inspirou o nome do programa que fez sucesso em todo o mundo, foi criado em 1949 pelo escritor George Orwell no livro “1984”. Diferente do que muitos até hoje pensam, o escritor inglês não projetava um futuro onde as ações individuais de cada cidadão seriam cerceadas por forças externas. Na obra, Orwell falava da anulação da identidade individual naquele momento de nascente Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética. Era a anulação da identidade individual de cada individuo contemporâneo.
O cinema, o teatro, a música e todas as outras formas de arte usaram e abusaram do tema, criando obras futuristas que colocavam grandes corporações, governantes e impérios como controladores da vida dos cidadãos.
No século 21 continuamos a viver num Big Brother diário, mas o lado triste é que não podemos nem culpar aos governos. Somos nós os responsáveis pela anulação das ações individuais em prol de uma ordem que nós mesmos não sabemos qual é.
Pensei sobre isso nas últimas semanas em razão das várias fotos que vi do jogador Ronaldo passando férias em uma ilha da Espanha. As notícias destacavam a barriga saliente do ex-atleta, com direito a maldades quase infantis. Outros artistas, como Britney Spears, Amy Winehouse e Lindsay Lohan também foram alvos de excessivos comentários de suas vidas particulares em detrimento daquilo que deveria ser notícia: o lançamento de um CD, um show, um filme.
É evidente que algumas celebridades também se aproveitam disso para se manterem na mídia. Michael Jackson, por exemplo, já está há mais de 15 anos sem lançar nada e ainda é perseguido por jornais do mundo inteiro que querem saber de suas extravagâncias, sempre sob um prisma punitivo e moralista. Em outras eras, ele sumiria no esquecimento naturalmente, e de uma hora para outra ficaríamos sabendo que ele morreu no esquecimento.
Em 1975, John Lennon, o homem mais famoso do mundo na época, parou de gravar e fazer shows, sob a alegação de que iria se dedicar apenas à família (Yoko Ono e seu filho Sean). E assim ele permaneceu por cinco anos. Não tinha fotógrafos, flash, fofocas, nada que incomodasse sua tranqüilidade em plena cidade de Nova Iorque. Quando resolveu voltar, em 1980, encontrou uma imprensa ávida por seu novo disco, não por sua vida particular entre quatro paredes.
Mas a pior coisa de toda essa história é que essa perseguição chega a ser quase ditatorial do ponto de vista comportamental. Posso até achar que Ronaldo deveria se cuidar mais já que ele afirma que gostaria de voltar a jogar, mas a vida é dele. A única coisa que podemos fazer é criticar seu futebol quando estiver dentro de campo. Amy Winehouse pode se entupir de drogas, desde que continue gravando bons discos. Sua família é que deveria se preocupar com a saúde dela, não nós.
Vivemos em um contra senso curioso, porque enquanto o mundo explode a nossa volta, passamos os dias cobrando com o dedo em riste para nossos artistas, exigindo deles uma vida politicamente correta, feito uma máquina manipuladora (o Big Brother de Orwell, talvez).

7.31.2008

A nova Alice

Essa é a atriz australiana Mia Wasikowka, a escolhida do diretor Tim Burton para ser a Alice na adaptação que ele está dirigindo do clássico da literatura "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carrol. Pouco conhecida, Mia tem um a dificil missão pela frente, dar vida a uma dos mais ricas personagens da literatura mundial. Assim como Burton é o cara certo para dirigir um filme desses, pelo seu histórico de criar fábulas sombrias modernas, o elenco ainda traz o onipresente Johnny Deep como o chapeleiro maluco, uma espécie de conscincia sinistra de Alice na história. É esperar para ver...
Editor
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PerfilLuciano Assis
Luciano Assis, 29, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
Perfíl do Blog
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O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.

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