25.6.09

Racismo que se repete na Libertadores

O novo episódio de racismo registrado quarta-feira (dia 24), no Mineirão, mais uma vez expõe o delicado tema que, por mais que se combata, insiste em permanecer enraizado no principal esporte do país. Talvez um sinal de que tal aberração que é a discriminação - seja ela racial, religiosa etc - que se maqueia na sociedade brasileira não consiga ficar contida sob grande pressão. Elicarlos, meia brasileiro do Cruzeiro, diz que Máxi Lopes, atacante argentino do Grêmio, o teria chamado de "macaco". Máxi nega. E o caso agora fica com a polícia.

Já na madrugada de quinta-feira (25), ouvi o técnico Paulo Autuori, do Grêmio, dizer que havia coisas mais sérias a serem tratadas no país. Foi logo que deixou a sala que abriga a delegacia de polícia do Mineirão. Espero que sua declaração tenha sido motivada pelo impulso emocional que o jogo proporcionou. Não quero acreditar que uma pessoa de bom nível cultural como ele trate racismo como algo que não seja sério. Ou então quer dizer que porque há corrupção no Brasil, porque a bandidagem anda a solta e porque estamos abarrotados de políticos que traem nossos votos, devemos ignorar o racismo por considerá-lo "algo de menor relevância"?

Depois, o meia Alex resolveu dizer que a reclamação era "frescura". Que já foi ofendido e ofendeu dentro de campo. E que tudo morreu ali. Mas até que ponto vamos continuar aceitando tal situação. Ou será que dentro de campo vale mesmo tudo? Até cometer o crime de injúria.

Mas enquanto assistia as entrevistas, foi inevitável lembrar de outro episódio, ocorrido também numa Libertadores, e envolvendo um personagem brasileiro e outro argentino. Na época, Leandro Desabato ofendeu Grafitte, então atacante do São Paulo. O argentino foi preso e o caso ganhou repercursão mundial. Mas daí, quando todos esperavam que Grafitte levasse o caso até o fim e, quem sabe, fizesse história no combate ao racismo, o atacante recuou. Desabato saiu ileso da situação. E, talvez, tal episódio seja uma espécie de motivação para que outros imbecis continuem se achando mais humanos que outros porque têm cor de pele diferente. Até quando?

Marcadores: , , , ,