“Oh! O meu Tigrão voltou, o meu Tigrão voltou, o meu Tigrão voltou”. O grito da torcida do Rio Branco ainda ecoa nos meus ouvidos. De lá, da arquibancada, pude ver o Tigre voltar à elite do futebol paulista. De onde os erros do passado fizeram o clube sair, mas para onde um grupo de guerreiros o levou de volta.
O Estádio Décio Vitta teve um domingo para entrar para a história. Foram dois anos de sofrimento para o torcedor riobranquense, mas, enfim, o martírio acabou. Em 2010, a elite do futebol paulista terá novamente o Tigre da Paulista. Que os erros cometidos nos anos anteriores sirvam de lição e que, a partir do ano que vem, os momentos de tristeza sejam apenas meras lembranças.
Mas o desafio ainda não terminou. Ainda restam dois jogos contra o Monte Azul para que o Tigre possa voltar a erguer uma taça. E com a garra e determinação desse grupo de guerreiros, tudo é possível. Vencer é possível. Ser campeão é possível. Basta acreditar. Força, Tigre!
Robinho está insatisfeito. De novo. Negociado por 30 milhões de dólares, com o Real Madrid, o então garoto das “pedaladas” nunca emplacou no futebol espanhol. No time galáctico foi sempre coadjuvante. Cansado e insatisfeito, pediu e foi negociado com o Manchester City (por 40 milhões de euros), que prometia ser o emergente da vez no futebol europeu. Promessa não cumprida, time sem expressão e Robinho, mais uma vez, está insatisfeito.
Agora, quer voltar ao Brasil. De preferência no Santos. Sua inspiração vem do exemplo de Ronaldo, que mesmo no humilde Brasileirão (em comparação aos grandes campeonatos europeus) consegue muito mais manchetes pelo mundo do que muitos que jogam no Velho Continente.
Fred foi o primeiro a embarcar na onda – por sinal, negócio do qual tenho a impressão de que a diretoria do Fluminense chora de arrependimento todos os dias. Depois, veio Adriano e o “drible” (para não dizer outra coisa) na Internazionale de Milão. Robinho não é Fred, claro. E nem acredito que chegue ao extremo do Imperador para forçar a barra e deixar o City.
E, até por isso, acho que tem mais chances de ser um Vagner Love da vida. Daqueles que ficam falando em voltar, dizendo que estão cansados da Europa, do frio, da distância da família e dos amigos, mas, no fim das contas, não conseguem porque estão acorrentados a contratos milionários – que assinaram por livre e espontânea vontade – e dos quais usufruem dos benefícios. Sendo assim, aos amigos santistas, sugiro que não se empolguem muito. Robinho no Brasil é um sonho bem distante.
Quem é que nunca ouviu falar de marcação por zona? E da individual? Pois bem, quem achava que essas eram as únicas formas de marcar o adversário se surpreendeu na noite desta quinta-feira (dia 28) com o empreendedorismo da zaga do Palmeiras. De uma vez só, e diante de um grande público, Marcão, Danilo e Maurício Ramos estrearam a "marcação a olho".
O Palmeiras poderia ter saído com o resultado favorável do Palestra Itália, no primeiro jogo das quartas de final contra o uruguaio Nacional, não fosse - mais uma vez - um vacilo do seu sistema defensivo. No gol de empate do time do Uruguai (depois de um golaço de Diego Souza), os zagueiros palmeirenses deram total liberdade ao camisa 20 Garcia, que sem marcação igualou o marcador e calou o Palestra.
Bem feito para Vanderlei Luxemburgo que, com o time vencendo por 1 a 0, sacou o atacante Keirrison para a entrada do volante Jumar. Como é mesmo que ele diz? O medo de perder tira a vontade de ganhar. Foi isso.
O Cruzeiro até venceu o São Paulo na quarta-feira (dia 27) no Mineirão. Mas, sinceramente, acho que perdeu uma oportunidade de ouro de liquidar a fatura na disputa por uma vaga nas semifinais da Copa Libertadores. O Tricolor de Muricy Ramalho jogou muito mal a maior parte do tempo, nem de longe lembrou o competitivo time de 2008. A defesa vacilou várias vezes. E a Raposa mineira não soube tirar proveito disso.
Para piorar, quase viu a vitória escapar quando o técnico Adilson Baptista (para mim, o calcanhar de Aquiles cruzeirense em razão da inexperiência) errou ao substituir Thiago Ribeiro por Athirson no intervalo. Não que Athirson não devesse ter entrado. Ao contrário, no meu time ele até seria titular. Mas Thiago é quem não deveria ter saído. A mudança enfraqueceu o setor ofensivo do Cruzeiro, tanto que logo após sofrer o gol de empate o treinador teve de corrigir a besteira e lançou Zé Carlos no time.
E acabou salvo pela estrela que todo treinador que planeja o sucesso precisa ter. Mas, é bom deixar claro que só estrela não bastará no jogo de volta. Se continuar mexendo mal no time e tiver pela frente o São Paulo numa noite inspirada, acho que a vantagem do empate no jogo de volta vai ficar pequena, bem pequena. Até porque não acredito que o Tricolor vai repetir uma atuação tão apagada na partida decisiva, diante de sua torcida.
Mais uma vez cenas lamentáveis envolvendo torcidas organizadas no Brasil. Desta vez foi a do Fluminense que deu vexame. No treino da tarde de terça-feira (dia 26), 30 integrantes de uma facção organizada da torcida tricolor resolveram "cobrar" os jogadores pelo desempenho fraco na temporada e um mais exaltado teve "piti" quando intimou o volante Diguinho e recebeu uma daquelas respostas atravessadas do tipo "eu cuido da minha vida, você da sua".
Aí, o cidadão se julgou no direito de agredir o jogador do Fluminense, deu início a um grande tumulto que teve até tiros para o alto. O pior é que essa situação vai continuar enquanto os clubes continuarem reféns das tais organizadas. No caso específico, como se explicar que esses 30 cidadãos estavam numa tarde de terça-feira de papo para o ar ao ponto de ir assistir treino de time de futebol? É muita falta de ter o que fazer. E não é só no Flu que isso acontece, não.
O Palmeiras realmente é capaz de coisas que não dá para acreditar. Depois de perder seu principal jogador da temporada 2008 - o atacante Kléber, que hoje faz sucesso com a camisa do Cruzeiro - a diretoria do clube de Palestra Itália anuncia Obina (aquele que um dia foi tido pela torcida do Flamengo como melhor do que Eto'o) como reforço (?) para o ataque. Só pode ser brincadeira com o torcedor palestrino.
No mesmo nível que a diretoria do Corinthians fez com seu torcedor com a contratação de Souza. E a piada maior ainda estava por vir. Kleber Leite, vice-presidente de futebol do Mengão, emprestou Obina de graça até dezembro, mas fixou o preço do passe. Obina vale, na opinião dele, R$ 4 milhões.
Um segundo é pouco? Que nada. Como ele mesmo diz, para LeBron James um segundo é uma eternidade. De forma espetacular, o MVP da temporada 2008/2009 da NBA levou a torcida do Cleveland Cavaliers, que lotou o Quicken Loans Arena, ao delírio já no começo da madrugada deste sábado (dia 23). LeBron decidiu a segunda partida do playoff final da Conferência Leste, contra o Orlando Magic, no segundo final (sem exagero nenhum) com um arremesso preciso da linha de 3. Placar final, 96 a 95.
Foi o troco no time de Dwight Howard que, dois dias antes, tinha calado o mesmo ginásio com uma vitória nos segundos finais por 107 a 106. LeBron teve a frieza dos fora de série para marcar a cesta final. O cronômetro apontava um segundo para o fim e o placar anotava 95 a 93 para o Magic. Seria a segunda derrota seguida do Cleveland em casa nas finais do Leste. Mas, daí, LeBron chamou para si a responsabilidade. E mostrou porque foi escolhido, com justiça, o jogador mais valioso da Liga na atual temporada. Paa quem não viu, está aí o lance decisivo do jogo.
Foi pressão do começo ao fim. Especialmente no segundo tempo, com muito mais jogadores ofensivos do que defensivos em campo. Mas, numa noite em que Riquelme não brilhou, a estrela do Boca Juniors se apagou na Copa Libertadores da América. Em pleno La Bombonera, o time xeneize viu acabarem prematuramente suas chances na principal competição sul-americana.
O Boca sucumbiu diante do uruguaio Defensor pela contagem mínima - gol de Diego de Souza, ainda no primeiro tempo. Desde o gol e até o fim do tempo regulamentar foram 63 minutos só de tempo regulamentar do time argentino na área adversária - sempre sujeito a perigosos contra-ataques, é claro - e nada do gol de empate. Que, por sinal, garantiria a vaga ao Boca. Aliás, 0x0 e 1x1 eram placares favoráveis aos argentinos.
Agora, o Defensor avança e vai pegar outro argentino, o Estudiantes de la Plata. Os confrontos de quartas-de-final, então, são esses:
Grêmio x Caracas (Venezuela) Cruzeiro x São Paulo Nacional (Uruguai) x Palmeiras Estudiantes x Defensor
Dunga já avisou aos chorões de plantão: não vai liberar ninguém para jogo decisivo nenhum. Seja de Copa do Brasil ou de Libertadores da América. O recado foi direto para Internacional de Porto Alegre, Grêmio, Cruzeiro e Corinthians. Os quatro são os únicos clubes brasileiros que tiveram jogadores convocados para dois jogos das Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo de 2010 - contra Uruguai (dia 6 de junho, em Montevidéu), Paraguai (dia 10 de junho, em Recife) - e, por consequência, para a Copa das Confederações, que acontece de 14 a 28 de junho, na África do Sul.
O Corinthians, que vai ficar sem André Santos, garantiu que não vai reclamar. Grêmio, que perde o goleiro Victor, e Cruzeiro, que não poderá contar com Ramires, por enquanto, estão calados. Quem mais se espera que esperneie é o Internacional. O Colorado vai ficar sem Kleber e Nilmar. Nem tanto pelo lateral, mas muito pelo atacante que vive uma grande fase, os gaúchos vão chiar à beça.
Mas, desta vez, a culpa nem é do Dunga. Sejamos justos. A responsabilidade pelo choque de datas – especialmente no que diz respeito a Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil – é da CBF que, acreditem, não é capaz de elaborar um calendário prevendo tais competições da Seleção Brasileira. Seria tão mais simples se tivessem organizado tanto o Brasileirão como a Copa do Brasil pensando numa intertemporada enquanto a seleção estivesse jogando partidas oficiais. Mas daí não seria a CBF, não é? Seria uma entidade bem mais organizada.
Aí está a lista de Dunga:
Goleiros Júlio César (Inter de Milão-ITA) Gomes (Tottenham-ING) Victor (Grêmio)
Laterais Maicon (Inter de Milão) Daniel Alves (Barcelona-ESP) Kléber (Internacional-RS) André Santos (Corinthians)
Zagueiros Lúcio (Bayern de Munique-ALE) Juan (Roma) Alex (Chelsea) Luisão (Benfica-POR)
Volantes Gilberto Silva (Panathinaikos-GRE) Josué (Wolfsburg-ALE) Felipe Melo (Fiorentina-ITA) Anderson (Manchester United-ING)
Meias Kaká (Milan-ITA) Ramires (Cruzeiro) Julio Baptista (Roma) Elano (Manchester City-ING)
Que jogo! Já na madrugada desta quinta-feira (dia 21), assisti a vitória fenomenal do Orlando Magic sobre o Cleveland Cavaliers, na Quicken Loans Arena (a casa do Cleveland), por incríveis 107 a 106. Um jogo de alto nível, digno das finais da Conferência Leste do melhor basquete do mundo, o da NBA.
LeBron James, o MVP (jogador mais valioso, na sigla em inglês) da temporada foi um monstro em quadra. Fez 49 pontos, quase a metade de todo o desempenho ofensivo do Cleveland. Mas todo esforço foi inútil diante do gigante Dwight Howard e seus companheiros do Orlando. Por sinal, o Magic fez algo que, até agora, era exclusividade de apenas dois times na temporada: Los Angeles Lakers (101x91) e Philadelphia 76ers (111x110).
Fora essas duas derrotas (a segunda com o atenuante de ter em quadra na maior parte do tempo seus reservas), o Cleveland foi soberano em seus domínios até aqui na temporada. Tanto na fase regular como nos playoffs. Inclusive, fechou os de quartas-de-final e semifinal com dois 4 a 0, sem dar chances a Detroit Pistons e Atlanta Hawks.
Mas, na madrugada desta quinta-feira (pelo horário de Brasília), o Magic estava impossível. Depois de virar o primeiro tempo perdendo por 16 pontos, mostrou todo um poder de reação que assombrou o ginásio do Cavaliers na metade final da partida. E, embora Howard seja o grande líder do time, a noite foi de festa para o Orlando também graças à mão certeira de Rashard Lewis.
Faltando 25 segundos para o final da partida, com o Cleveland vencendo por dois pontos de vantagem e Howard eliminado por faltas, Lewis mostrou personalidade e arremessou da linha de três para virar o marcador. Delonte West ainda teve a chance de garantir a vitória do time da casa, mas errou o arremesso. Assim, Orlando e Lakers – que também venceu a primeira contra o Denver – largaram em vantagem rumo à grande final da temporada 2008/2009. E com um detalhe especial: em mais de 70% das vezes, quem venceu o primeiro jogo da série final das conferências ficou com a vaga na decisão.
Sabe aqueles caras de quem todo mundo - ou quase todo mundo, já que toda unanimidade é burra, diria Nelson Rodrigues - gosta. Então, esse é o caso de Marcos, ou melhor, São Marcos. Dia desses ainda brinquei com um amigo dizendo que o Marcos e o Ronaldo, pelo histórico de lesões e de lições de superação, são os típicos "Jason" do mundo da bola. Mal comparando, assim como o mítico personagem do clássico (até porque gosto muito desse estilo de filme) "Sexta-Feira 13", ambos já foram dados como acabados em várias oportunidades e, do nada, conseguem ressurgir.
Marcos, na terça-feira, mais uma vez fez valer o apelido que ganhou da torcida palmeirense há longíquos dez anos, ainda na campanha do título de 1999 da Libertadores. E justamente foi chamado de "Santo". Não só pelos pênaltis que defendeu contra o Sport (o que já bastaria) mas pelo conjunto da obra. O goleiro pentacampeão com a Seleção Brasileira de 2002 foi perfeito durante o segundo confronto com os pernambucanos. Só não impediu o gol que levou a partida para os pênaltis porque a dramática disputa da marca da cal era necessária para consagrar o camisa 12. Mais uma vez, é claro.
O Palmeiras, então, avançou às quartas-de-final. Assim como o São Paulo. Agora, resta a Cruzeiro e Grêmio carimbarem seus passaportes e manterem vivas as chances de vermos outra final brasileira na principal competição sul-americana.
Sabe aquela sensação de que você já viveu aquele momento, aquela situação. Então, a torcida do Barcelona sabe bem o que é isso. O gol de Iniesta, aos 47 minutos do segundo tempo, que garantiu o empate em 1 a 1 com o Chelsea e a dramática classificação do Barcelona à decisão da Liga dos Campeões 2008/2009 foi incrível. Mas não foi a primeira vez que o time catalão provocou tal emoção em sua torcida.
Dezoito anos atrás, outro gol marcou a história do Barça. Foi de Bakero, contra o Kaiserlautern, na Alemanha. No jogo de ida, o Barça venceu por 2 a 0 no Camp Nou. Na volta, perdia o jogo de 3 a 0 e, consequentemente, a classificação.
Foi aí que surgiu Bakero. Aos 45 minutos do segundo tempo, de cabeça ele marcou o gol que garantiu o avanço dos espanhóis. Para quem gosta, estão aí os dois vídeos.
Que coisa de louco essa Liga dos Campeões. Não dá para perder um segundo sequer dos jogos decisivos. Chelsea e Barcelona mostraram bem isso. Primeiro, logo no começo, um golaço do ganês Essien. Uma pancada de fora da área. Depois, um jogo todo cheio de alternativas, de jogadas bem trabalhadas, de chances de gol e muita, muita polêmica. Como os três pênaltis reclamados pelo time londrino (dos quais, sinceramente, marcaria o primeiro deles, numa disputa de Daniel Alves e Malouda). Além de tudo, ainda teve o desespero de Michael Ballack que quase - quase mesmo - pegou o árbitro pelo pescoço para reclamar de um pênalti que teria sido cometido por Eto'o. E esse, com certeza, não foi. Mas o ponto alto foi mesmo o gol de Iniesta. Nos acréscimos, já aos 47 minutos do segundo tempo (que teve 50 minutos). Acho que àquela altura do campeonato, nem Pepe Guardiola acreditava mais. Mas o Barça 2009 é realmente diferente. Não desiste, persiste, e é premiado por isso. Agora é a vez de encarar o Manchester United de Cristiano Ronaldo. Cá para nós, nesta disputa sou mais o marrento Lionel Messi do que o gajo melhor do mundo escolhido pela Fifa. Dia 27, em Roma. Um jogaço.
Esse novo canal foi aberto para debater temas da atualidade – e outros nem tanto – de algo que desperta paixões, faz rir, chorar e tem a capacidade quase que inexplicável de separar torcidas e, ao mesmo tempo, unir uma nação. O esporte é assim. Simples e tão complexo. Acima de tudo, discutível.