Tive a oportunidade de assistir a entrevista do técnico da Seleção Brasileira, Dunga, e seu auxiliar, Jorginho, no Arena Sportv nesta tarde (dia 31). E minha impressão a respeito do treinador da equipe brasileira não mudou em nada. Continuo achando que um pouco mais de educação e menos ironia caberiam muito bem a quem ocupa um cargo que, para o brasileiro, só não é mais importante que o de presidente da República. E olha que arrisco dizer que alguns até acham mais importante.
Durante pouco mais de uma hora, Dunga, que pelo que pude notar não foi arrastado para o estúdio, tampouco permaneceu ali sob a mira de armas, respondia a algumas perguntas mais incisivas com a grosseria que vem o caracterizando desde que assumiu o comando da Seleção Brasileira. Ficou claro que quem não aprova seu trabalho está mais para inimigo do que para crítico. Em determinado momento, o técnico da Seleção Brasileira não conteve um sorriso irônico enquanto um dos participantes ainda formulava a pergunta. Falta de educação.
Em outro momento, Dunga disse que não é rude. Só que alguns lhe fazem perguntas das quais não gosta e ele, o técnico, dá respostas que seus interlocutores não gostam. Ou seja, a política do "bateu-levou". Mas esse é o ser humano e cada um tem o direito de ser como é. Embora não esteja imune às críticas.
Como técnico e auxiliar da seleção, que é mesmo o que interessa, Dunga e Jorginho não me convencem. "Não se pode julgar apenas por um jogo. Não é porque o jogador não foi bem numa partida que vai se trocar tudo". Foi o que mais se ouviu. A cada questionamento sobre o baixo rendimento de alguns jogadores que teimam em convocar, a mesma resposta. Como se os tais que andam jogando mal só o tivessem feito contra o Equador. Os jogos contra a Bolívia e Colômbia - os empates sem gol e sem futebol do fim do ano passado - são ignorados.
Ainda pior são as frases feitas. Do tipo: "Com a bola tem de jogar, sem a bola tem de preencher espaços". Beleza, Dunga. Isso eu já sei. Vamos agora a algo mais profundo. O próprio Jorginho admite que ele e Dunga não são professores e se sustenta dizendo que "o negócio é entrar em campo e fazer acontecer". Vai nessa. Acredite mesmo nisso. Talvez seja por isso que a Seleção Brasileira seja um aglomerado de jogadores - já foi de bons jogadores - e não um time. E, talvez por isso, esteja ficando atrás de rivais e de outros, como Paraguai e Chile, que num passado não muito distante não faziam nem sombra para nosso time. É o fim.
Contratado a peso de ouro, sensação no começo da temporada, batendo recordes e liderando a artilharia do Campeonato Paulista. Sobram motivos para elogiar o centroavante Keirrison, do Palmeiras. Mas também não faltam motivos para criticá-lo. Nos dois jogos do Verdão pela Libertadores (derrotas para LDU e Colo Colo), o K9 pareceu sentir o peso da competição internacional.
Até aí, tudo bem. Mas acontece que Keirrison também anda falhando nos clássicos. Contra o Corinthians, parece ter ficado tão abobado com a presença de Ronaldo (de quem assumiu ser fã) em campo que se esqueceu de jogar bola. Teve chance de matar a partida quando o jogo estava 1 a 0 para o Palmeiras e falhou.
Neste sábado, contra o São Paulo, de novo K9 esteve apagado. Foi pouco produtivo no ataque e, quando teve a grande chance de igualar o marcador, aos 39min do segundo tempo, aproveitou mal o rebote da trave num chute de Cleiton Xavier. Chutou fraquinho, no meio do gol, facilitando a vida de Rogério Ceni.
Por enquanto, a torcida palmeirense ainda não está pegando no pé do seu centroavante, mas quem a conhece bem sabe que a paciência não costuma durar muito. Ou Keirrison começa a render também nos clássicos e jogos decisivos, ou os gols marcados contra Mogi, São Caetano, Real Potosí e outros do gênero, pouco valerão.
Rivalidade bem à parte (se é que todo mundo consegue fazer isso) é impossível deixar de se empolgar com o futebol de um camisa 10 baixinho e extremamente habilidoso, que costumeiramente desfila o seu repertório de dribles e gols pelos gramados espanhóis. Vez ou outra, ele também faz isso também com a camisa da sua seleção. É claro que me refiro a Lionel Messi. Quem assistiu a goleada da Argentina sobre a Venezuela, neste sábado (dia 28) pelas Eliminatórias da Copa do Mundo da África 2010, viu em campo aquele que, num futuro bem próximo, será eleito o melhor do mundo.
Sei que muitos gostam de Cristiano Ronaldo, outros preferem Kaká. Mas hoje, sem dúvida, Messi é quem joga o futebol mais bonito e eficiente no planeta. Aliás, o craque argentino – esse sim pode ser chamado de craque – consegue unir essas suas virtudes como poucos. É capaz de produzir jogadas de beleza rara (como Ronaldinho Gaúcho fazia há algum tempo), mas com uma eficiência que o nosso 10 (vai ser neste domingo, contra o Equador) anda devendo faz muito tempo.
Ontem, Messi, aos 46 e depois aos 48 minutos do segundo tempo, já com o jogo definido, arrancou duas vezes rumo à grande área, deixando uma fila de venezuelanos para trás. Duas jogadas dignas da assinatura de Maradona, seu técnico, que por sinal vibrou como um principiante no mundo da bola com as jogadas de seu pupilo. Por essa e por outras, ainda acho que essa Argentina vai se acertar nestas Eliminatórias e vai dar trabalho na Copa de 2010. Talento, los hermanos têm se sobra.
Santa hipocrisia, Batman! Chega a dar nojo algumas atitudes extracampo que persistem no futebol brasileiro. A mais recente delas envolve o gol de mão de Fabrício Carvalho, que valeu à Lusa o empate em 2 a 2 com o Mirassol na rodada de quarta-feira do Paulistão. Só o que não faltou depois do gol foi gente dando palpite, especialmente na imprensa, e defendendo severa punição ao atacante que usou de artifícios irregulares para mudar o resultado do jogo.
Tenha santa paciência. Sejamos honestos. Todo o burburinho só surgiu porque se trata da Lusa, um dos times mais prejudicados na história do futebol brasileiro. Não muito distante, no Brasileirão de 2008, a Portuguesa sofreu com dois gols irregulares em jogo com o Flamengo. Mas aí, como é o Flamengo, ninguém quer se indispor.
Se o problema é o tal gol de mão, por que então esses mesmos que se colocam na condição de justiceiros, e pregam punição a Fabrício Carvalho, não tiveram a mesma postura em relação a Adriano no gol de mão do Imperador, na ocasião jogador do São Paulo, na primeira semifinal do Paulistão 2008 contra o Palmeiras. Mais, porque não se sentem enjoados ao ver o gol de Túlio contra a Argentina – ao contrário, neste caso até valorizam a malandragem brasileira. E o que dizer então do gol de Maradona, em 1986, contra a Inglaterra. Até hoje veneram “El Diez” pela proeza.
Não defendo o gol de mão de Fabrício Carvalho ou qualquer outra atitude que seja contrária à regra do jogo. Só acho que se é para posar de homem justo, que seja com todos. Não só com os mais fracos.
Três meses depois de anunciar a bombástica contratação de Ronaldo, enfim o Corinthians fechou o patrocinador oficial para sua camisa. Para quem esperava uma novidade, uma surpresa. Na verdade, um antigo ex-parceiro do clube está de volta. A Batavo – do ramo de laticínios – volta a estampar sua marca no uniforme do Timão, ao menos até o final do ano.
A maior expectativa agora é saber quanto a empresa vai pagar. O valor ainda não foi divulgado, mas deve ser nas próximas horas. O Corinthians queria pelo menos R$ 20 milhões. Especula-se que não conseguiu esse montante, mas chegou perto. É esperar para ver.
O clube ainda procura patrocinadores para a manga da camisa e calções. Neste caso, Ronaldo vai embolsar 80% do valor recebido. Está no contrato do Fenômeno.
Já tem gente promovendo o duelo de domingo entre Ronaldo e Neymar no clássico entre Corinthians e São Paulo. E até entendo o desespero de parte da mídia que vive sedenta por um novo Diego, Robinho, Alexande Pato. Também concordo que o atacante santista de 17 anos tem muito mais talento que todos da sua idade e até que muitos outros mais experientes. Mas, na minha opinião, o duelo será entre Ronaldo e Kléber Pereira, o K100.
Explico. Primeiro sobre o duelo. Ronaldo e Kléber Pereira são jogadores mais que prontos, experimentados no mundo da bola e com uma afinidade com o gol que dá inveja a muitos cabeças de bagre que insistem em congestionar a grande área de muitos jogos po aí sem mostrar qualquer intimidade com a redonda.
Sobre o K100 é só uma brincadeira em referência à camisa que Kléber Pereira usou no jogo de volta com o Rio Branco-AC nesta quarta-feira (dia 18) pela Copa do Brasil - ele comemorou 100 jogos pelo time de Vila Belmiro. Se aponto um favorito no duelo? Até arrisco dizer que Ronaldo está em vantagem, até porque mesmo vindo de um longo período de inatividade vai estar com mais ritmo que o centroavante santista, que volta depois de contusão.
Vanderlei Luxemburgo, técnico do Palmeiras, já tem um problema - e dos grandes - para o clássico com o São Paulo pelo Paulistão 2009, programado para o dia 28 de março, antepenúltima rodada da primeira fase. O lateral Armero está fora da partida. Ele foi convocado para servir a seleção colombiana nas Eliminatórias da Copa do Mundo da África-2010. O lateral perderá ainda outros dois jogos do Paulistão e só deve voltar a tempo de reforçar o time para o confronto decisivo com o Sport, em Recife, pela Libertadores.
Pablo Armero, que chegou sob a desconfiança de muitos (entre os quais me incluo), já tem lugar cativo no time palmeirense. Havia dúvidas se ele conseguiria superar Leandro, que teve uma boa temporada em 2008. Hoje, menos de dois meses depois de a temporada começar, dá para dizer que tem torcedor que nem lembra mais do antigo titular. É verdade também que a concorrência pela lateral esquerda não é das mais difíceis. O tal de Jéfferson é ruim demais.
Não poderia ter sido tão perfeito. Ronaldo esteve pouco mais de 30 minutos em campo. Mostrou logo de cara que estava disposto com um dribe em cima Pierre. Depois, num chute de longa distância, acertou o travessão. Tudo isso com o placar desfavorável ao Corinthians. O Palmeiras vencia por 1 a 0.
Mas daí brilhou a estrela daquele que, não por acaso, recebeu o apelido de Fenômeno. Ronaldo estava bem posicionado (e contou com uma tremenda mancada do goleiro palmeirense Bruno) e só teve o trabalho de desviar de cabeça uma cobrança de escanteio e sentenciar o empate num jogo que parecia perdido.
Ronaldo mostrou, mais uma vez, que é diferenciado. Não só dentro de campo. Seus lances ofensivos e o gol falam por si só. Mas o Fenômeno mostrou sim que é diferenciado por toda a sua luta e garra de vencer. Depois da última lesão, jogando pelo Milan, em fevereiro de 2008, muitos o aposentaram. Outros garantiam que, se voltasse a jogar futebol, seria comum e, por isso mesmo, deixaria de jogar.
Nem um coisa, nem outra. Prevaleceu a esperança daqueles que sonhavam rever o Fenômeno em campo e brilhando. É verdade que ele ainda precisa perder mais uns quilinhos e ganhar ritmo de jogo. E quando isso acontecer, preparem-se rivais.
Sobre o roteiro do jogo, pensando melhor, ele até poderia ter sido perfeito sim se fosse o gol da vitória e não do empate. Mas quem está preocupado com três pontos nesta hora. O ressurgimento de Ronaldo vale muito mais que isso para o futebol brasileiro.
Foi mais fácil do que pensei. O São Paulo nem deu tempo para que o América de Cali percebesse o que o atingiu. Abriu logo 3 a 0 e, no fim, relaxou um pouco e sofreu o chamado "gol de honra" dos donos da casa - se é que há alguma honra em levar uma lavada como aquela em casa. No Tricolor, Washington e Borges (que na minha opinião formam a melhor dupla ofensiva disponível para Muricy Ramalho no momento) arrebentaram com a defesa do América. É claro, não se pode deixar de mencionar o lançamento perfeito de Jorge Wagner no primeiro gol, a regularidade de Hernanes no meio-de-campo, a segurança da defesa são-paulina e a noite inspirada de Rogério Ceni. Some tudo isso e você terá um time que enterrou a desconfiança que nasceu logo após o empate na estréia contra o Independiente Medellín, no Morumbi. É o São Paulo acordando na temporada 2009. Se cuida concorrência.
Estreia discreta de Ronaldo, quarta-feira, pelo Corinthians. Passes de lado, nada de arrancada ou de dribles sensacionais, tampouco gol. E nem poderia ser diferente. O cara só está recomeçando depois de pouco mais de um ano fora dos gramados. E vale lembrar que muitos nem acreditavam que ele voltaria a chutar uma bola profissionalmente.
Sempre disse a amigos e repeti aos ouvintes da rádio VOCÊ (AM 580) durante o programa Repórter 580, na quinta-feira (dia 5), que não tenho dúvidas de que se Ronaldo recuperar a boa forma física, o Fenômeno é o dono da camisa 9 da Seleção Brasileira. Tecnicamente, ele continua sendo o melhor atacante brasileiro em atividade.
Ronaldo só deu mancada ao tentar colocar um ponto final na polêmica da balada - que resultou na demissão do diretor de futebol Antonio Carlos Zago. O Fenômeno respondeu a quem pedia explicações questionando sobre "quem nunca chegou atrasado ou faltou ao serviço?", dando somente a esses o direito de atirar-lhe pedras. Seria legal, então, que Ronaldo também desse uma lista com os trabalhadores brasileiros que têm salário mensal igual ao dele. Aí, talvez deixassem de seguir seus passos tão de perto e o considerariam um cidadão comum.
A Internazionale – com um time misto, é verdade – levou uma surra da Sampdoria e foi eliminada nas semifinais da Copa da Itália. No jogo, um lance chamou a atenção: a trombada do atacante Mario Balotelli com a trave. Nem precisa dizer qual região deve ter ficado mais dolorida. As imagens falam por si. Minutos depois, Balotelli desmoronou no gramado e chegou a assustar os demais jogadores dos dois times. Mas não chegou a perder a consciência. Ele foi levado a um hospital e, mais tarde, disse estar melhor.
Luxemburgo papagaiou como só ele sabe fazer que o jogo contra o Colo Colo era uma decisão. Queria, acredito, criar todo um clima de pressão para cima dos chilenos e se aproveitar disso para vencer a primeira na Libertadores 2009. Mas fracassou. E feio. O Verdão deu um vexame daqueles inesquecíveis no Palestra Itália lotado nesta terça-feira (dia 3) à noite. Pobre coitado de quem pagou ingresso esperando ver o time rápido e organizado das nove vitória e um empate no Paulistão e das duas vitórias na Pré-Libertadores. O que sei viu em campo foi um amontadoado de gente de verde avançando feito boi bravo para cima do adversário e tentando, a todo custo, vencer a partida nos primeiros minutos.
Luxa quis por pressão sobre o adversário, mas o tiro saiu pela culatra. Seu jovem time ficou nervoso, errou demais e pagou muito caro. Agora? Sei não, amigo palestrino. Está certo que ainda restam quatro jogos pela frente. Mas quem não vence o Colo Colo em casa vai querer vencer fora? E o caldeirão da Ilha do Retiro, então? Pior que a derrota foi ouvir o Luxemburgo reclamar que todo mundo está detonando seu time por causa de duas derrotas. Acorda, Luxa! Você perdeu os dois jogos mais importantes até agora. E nem adianta reclamar da fama de só ganhar Paulistão e Brasileiro. Até porque, até agora, só ganhou isso mesmo, meu caro.
Ronaldinho Gaúcho foi eleito o 4º do mundo. Não, amigo. Não foi nenhuma eleição da Fifa, tampouco da IFFHS (Federação Internacional de História e Estatística do Futebol) sobre quem é o melhor do mundo. Na verdade, a eleição foi feita pelo tablóide britânico “The Sun” e apontou os dez jogadores de futebol mais feios do mundo. Ronaldinho só ficou atrás do irlandês Iain Dowie, do inglês Luke Chadwick e do holandês Dirk Kuyt. O que, cá entre nós, não é lá muita vantagem não. A lista do “The Sun”, contudo, cometeu uma falha imperdoável. Carlitos Tevez não está entre os “premiados”.
Para quem quer tirar a dúvida se os caras merecem ou não estar na lista do tablóide britânico, seguem algumas fotos. Pela ordem, e excluindo Ronaldinho, estão aí os outros nove “premiados”: Iain Dowie (1º), Luke Chadwick (2º), Dirk Kuyt (3º), Steve Ogrizovic (5º), Trifon Ivanov (6º), Robert Earnshaw (7º), Peter Beardsley (8º), Robert Prosinecki (9º) e David Hopkin (10º).
Na semana passada, Rivaldo, que um dia brilhou com a camisa da Seleção Brasileira, soltou os cachorros pra cima da boleirada do Mogi Mirim. Com campanha pífia no Paulistão 2009, o Sapão, que hoje tem Rivaldo como presidente, corre um sério risco de cair para a Série A-2. Entre outras coisas, o craque - que hoje joga no longínquo Uzbequistão - exigiu amor à camisa. E, é claro, um pouco mais de boa vontade dos jogadores. Parece até que a bronca começou a dar certo e o Mogi empatou em 1 a 1 com a Ponte Preta, em Campinas. Mas o assunto mesmo é Rivaldo e, por falar nele, vai aí um gol do Barcelona que foi assinalado na súmula para o argentino Saviola, mas que é 99,9% do brasileiro Rivaldo. A jogada vale mais que o gol.
Esse novo canal foi aberto para debater temas da atualidade – e outros nem tanto – de algo que desperta paixões, faz rir, chorar e tem a capacidade quase que inexplicável de separar torcidas e, ao mesmo tempo, unir uma nação. O esporte é assim. Simples e tão complexo. Acima de tudo, discutível.