Revelado pelo Rio Branco na década de 90, entre os vários bons volantes que o clube deu ao mundo da bola, Marcos Senna foi brilhante no fim de semana. Num daqueles lances geniais que o futebol nos reserva, fez o gol da vitória do Villarreal por 1 a 0 sobre o Betis, domingo, pelo Campeonato Espanhol. Mas não foi um gol qualquer. Foi o gol que o “Rei do Futebol” não conseguiu fazer. Do meio do campo, Senna, consciente, percebeu o goleiro Castro adiantado e fez um golaço que, mais do que a vitória, manteve o “Submarino Amarelo” (como o Villarreal é chamado) na briga pelo título da temporada 2007/2008 – embora o caneco pareça cada dia mais direcionado a Madrid. De qualquer forma, vale a pena ver o gol de Marcos Senna, hoje, naturalizado espanhol.
Em vez de “la mano de dios”, foi “a mão do imperador” o fator de desequilíbrio do clássico São Paulo x Palmeiras, domingo, no Morumbi, pela semifinal do Paulistão 2008. Todos os fatores levam a essa interpretação. O gol irregular de Adriano, logo aos 11min de jogo, mudou todo o panorama da partida. Por ter sido com a mão, mexeu ainda mais com os nervos palmeirenses. Tudo isso é fato.
Mas só isso – se é que da para dizer “só” para tudo isso – não é argumento suficiente para justificar o mau futebol do Palmeiras no clássico. Valdívia não jogou. Kleber não foi nem sombra do atacante decisivo do polêmico clássico da fase de classificação, em Ribeirão Preto. Gustavo então... Bom, esse nem é preciso dizer muita coisa. Sentiu, e muito, o peso da semifinal.
Além disso, o São Paulo não teve “só” o gol de mão. Teve também uma postura mais agressiva (no bom sentido da palavra) na marcação. Zé Luís, por exemplo, anulou o 10 chileno do Palmeiras. Hernanes, então, foi um monstro em campo. Some-se a isso o bom retorno de Alex Silva e, pelo menos, duas boas defesas de Rogério Ceni. O resultado só poderia ser a vitória do Tricolor.
A situação é reversível, desde que o Palmeiras volte a jogar o futebol das últimas rodadas da fase de classificação. E o que garantiu a sobrevida palmeirense foi o gol de pênalti de Alex Mineiro. Gol que dá esperança ao Palmeiras e que evita que o São Paulo entre exageradamente desatento à partida decisiva. Promessa, então, de mais um grande jogo.
Outro detalhe da primeira semifinal foi a péssima arbitragem de Paulo César de Oliveira e sua dupla de assistentes. PC errou feio ao validar o gol de Adriano (mal assessorado pela bandeirinha, que estava ali justamente para fiscalizar lances como aquele), ao dar o cartão amarelo a Richarlyson (foi rigoroso demais) e ao não expulsar Pierre. Foi mal tanto técnica como disciplinarmente. E, como prêmio, pode apitar a final do Paulistão. Ridícula decisão da FPF.
Quanto à outra semifinal, a Ponte fez o básico. Venceu em casa e por 1 a 0 o Guará. Pode parecer pouco, mas deve ser o suficiente. O surpreendente Guará neste Paulistão tem jogado melhor fora do que dentro de casa. E, caso isso se repita no sábado, crescem as chances da Macaca chegar à decisão. E você torcer? Acredita que o São Paulo já se garantiu ou o Palmeiras ainda pode reverter o quadro? E na semifinal caipira o que dá? Opine.
De a lógica nas semifinais do Paulistão. E antes que passe pela cabeça de algum corintiano me apedrejar, eu explico. São Paulo e Ponte Preta chegaram na última rodada do campeonato dependendo só de seus resultados para se classificar. O Corinthians, não. Para piorar, o Timão sequer fez a sua parte. Pisou na bola – e feio – contra o Noroeste, em Bauru. A verdade, nua e crua, é que as esperanças corintianas alicerçadas em solo arenoso. E, se serve como consolo, é bom dizer que o que de fato importa ao alvinegro na temporada é voltar à elite do futebol nacional. E ponto final. Bom, mas vejamos a situação dos que restaram. Na semifinal caipira, o Guará vai encarar a Ponte e, salvo tenha um surto repentino de queda de rendimento, deve passar pela Macaca. A melhor notícia referente a essa semifinal é que os jogos serão no Interior – um em Campinas e outro em Guaratinguetá, evitando o fiasco que se anunciava com duas partidas na Capital. A outra semifinal, por sua vez, tem ares de final. Palmeiras e São Paulo chegam a ela embalados. O Verdão um pouco mais que o Tricolor, é verdade. Mas, como supostamente diria Jardel, “clássico é clássico e vice-versa”. E a batalha já começou fora de campo. O Palmeiras não aceita jogar duas partidas no Morumbi, casa do São Paulo. Por sua vez, o São Paulo bate o pé e quer que o regulamento seja mantido. Só que o regulamento não diz que os dois jogos têm de ser no Morumbi. Diz apenas que a Federação Paulista é quem decide. Para apimentar ainda mais o clássico, o Tricolor tem de administrar dois problemas. O primeiro é o jogo contra o Audax Italiano, no Chile, quinta-feira, pela Libertadores. O outro, e até entendo que maior, é a ausência de Borges, suspenso, na primeira partida contra o alviverde. Agora, independente de onde for e dos possíveis desfalques, esse tem tudo para ser um jogão de bola. E, mais que isso, pode ser uma espécie de prévia do título estadual. Ou alguém duvida? E você torcedor, o que acha? Dá Guará ou Ponte? Palmeiras ou São Paulo? Dois jogos no Morumbi ou não? Opine.
Quatro jogos de suspensão. Essa foi a pena imposta ao meia tcheco David Jarolim, do Hamburgo, pela agressão pouco comum ao rival Markus Schuler, do Arminia Bielefeld. A agressão aconteceu no empate em 1 a 1 entre as equipes, sábado (dia 29), pelo Campeonato Alemão. Após uma rápida discussão, Jarolim apertou o órgão genital de Schuler que, de imediato, caiu no chão. A repercussão foi tanta que o meia tcheco prometeu deixar a Alemanha na próxima temporada. O agressor disse que apenas se defendeu de xingamentos. Mas não tinha outro jeito, não? Veja as imagens da mais que dolorosa agressão.
O tenista russo Mikhail Youzhny, número 11 do mundo, deu um show à parte no Masters Series de Miami. Em jogo valendo vaga nas oitavas-de-final, ele foi protagonista de dois momentos incríveis. No primeiro, em uma troca de bola com o espanhol Nicolas Almagro (25º do ranking da ATP), Youzhny apelou a um lance acrobático para evitar um ponto do adversário que, em seguida, errou. Em outro momento, em desvantagem no placar do set (5 a 4), mas em vantagem no desempate do game, Youzhny errou um lance simples para um tenista profissional. Irado, passou a agredir a própria cabeça com a raquete. Resultado: um corte e a necessidade de atendimento médico. Até Almagro, já com um sorriso no rosto, foi conversar com o russo para saber o que passava por sua cabeça. No fim, Youzhny voltou ao jogo e venceu por 2 a 1 [7-6(7-4), 3-6 e 7-6(8-6)].
Esse novo canal foi aberto para debater temas da atualidade – e outros nem tanto – de algo que desperta paixões, faz rir, chorar e tem a capacidade quase que inexplicável de separar torcidas e, ao mesmo tempo, unir uma nação. O esporte é assim. Simples e tão complexo. Acima de tudo, discutível.