 |
Matéria do jornalista Reginaldo Gonçalves na edição desta terça-feira do LIBERAL mostra que as autoridades políticas de Americana nada prepararam para homenagear dois americanenses que se destacaram nos Jogos Pan-Americanos do Rio. Nem o ouro de Flávio Saretta, tampouco a não menos valiosa prata de Ana Flávia Sgobin, que levam o nome da cidade pelo mundo, mereceram agilidade dos mesmos políticos que, há menos de um mês, se acotovelavam em busca de espaço no palanque durante a passagem da tocha do Pan por Americana. Agora, até o Palmeiras - acreditem! - decidiu (e anunciou) que homenageará Saretta, torcedor do clube alviverde. A classe política americanense, no entanto, ignora o feito. Seria pura displicência ou uma maneira de evitar um constrangimento maior? Especialmente para os vereadores que, tempos atrás, se prontificaram a, junto com Saretta, impulsionar a modalidade na cidade. De prático, até hoje, os tais políticos nada fizeram. Ou estou enganado?
Quando vi o noticiário sobre a entrega à Fifa da apresentação brasileira sobre sua candidatura a sediar a Copa do Mundo de 2014, algo de imediato me intrigou. Junto consigo, Ricardo Teixeira, presidente da CBF, levou à Suíça dois "embaixadores" da Copa. Um mais do que compreensível. Romário merece, afinal nos deu o tetracampeonato mundial em 1994. Agora, o outro é quase inacreditável. Até onde sei, Paulo Coelho não tem ligação nenhuma com o futebol. Se bobear, nunca chutou uma bola na vida. E, mesmo assim, em detrimento a figuras importantes no cenário esportivo nacional, foi levado a tira colo. Fazer o que, eu nem imagino. Mas, vindo de uma figura como Ricardo Teixeira, que chegou a praticamente descartar São Paulo para receber jogos da Copa (e depois voltou atrás), pode se esperar de tudo. Tudo continua como sempre. Um grande circo.
Não poderia terminar de forma melhor a edição 2007 dos Jogos Pan-Americanos, no Rio. Primeiro, a seleção masculina de basquete subiu ao lugar mais alto do pódio ao bater, de forma inconstestável, Porto Rico na decisão. Depois, coube a Flávio Saretta - que deveria ter jogado no sábado, mas, por uma doce surpresa do destino teve a partida final transferida para este domingo - encerrar o evento de forma perfeita: com ouro. Mesmo longe da torcida - que ele próprio reconheceu ter sido de grande importância até chegar à decisão -, Saretta foi perfeito. Superou o chileno Adrian Garcia pela quarta vez em confrontos entre os dois e, logo em seu primeiro Pan, encheu de orgulho o Brasil e, em especial, Americana. Obrigado, Saretta. E, é claro, parabéns ao melhor tenista do Brasil na atualidade.
Alguns bloggers estavam com problemas na postagem de comentários. Tudo foi resolvido e, agora, os comentários podem ser feitos sem maiores transtornos. Obrigado pela paciência.
No Brasil tem sido assim. Quase nunca se pune quem, de fato, estraga o futebol. Dirigentes suspeitos, arbitragens falhas, violência provocada por bandidos travestidos de torcedores. A esses problemas, ninguém consegue resolver. Mas punir jogadores que se provam inocentes, isso se faz. Não sou botafoguense, nem tenho procuração para defender Dodô. Mas basta ter um pouco de bom senso para saber que o atacante não se dopou propositadamente. A punição imposta pelo STJD, de 120 dias de suspensão, foi dura demais. Especialmente para um tribunal que pouco pune arbitragens ruins que, bem mais do que um remédio para emagrecer, prejudicam sensivelmente o futebol. Quer exemplos? Quem é que já se esqueceu do que Márcio Rezende de Freitas fez em 1995 e em 2005? Pergunte a qualquer santista ou colorado e ele saberá. Em 95, o Santos foi prejudicado na decisão do Brasileiro. Dez anos depois foi a vez do Internacional sentir o duro golpe. E praticamente nada foi feito. Talvez porque não desse tanto ibope. Punir Dodô, dá. E muito. Mesmo sendo uma punição injusta. Prova disso é que fecharam o laboratório que produzia o suplemento consumido pelos jogadores botafoguenses. Faltou bom senso do STJD. No mínimo.
Depois de muito tempo, uma narração de Galvão Bueno conseguiu mexer comigo. Despertou em mim o riso. Era a final dos 800 metros para mulheres dos Jogos Pan-Americanos do Rio. Cheguei à frente da TV praticamente na metade da prova, com as atletas todas emboladas e a pergunta foi inevitável: cadê a brasileira? Ricardo Pieralini, editor de Internet do LIBERAL, logo me indicou a atleta com a cabeça raspada como a candidata do Brasil ao pódio. A expectativa era pelos 200 metros finais, distância na qual Josiane Tito tinha apresentado um sprint arrasador no dia anterior. Todos esperavam que ela o repetisse na final. Não aconteceu. Logo, todos que estavam à frente da TV perceberam que a brasileira havia ficado para trás. O tal sprint não veio. Todos perceberam, menos Galvão. O locutor continuou, eufórico, narrando a briga da brasileira pela medalha de ouro e, quando cruzaram a linha de chegada, chegou a narrar a prata para o Brasil. Fração de segundos depois, percebendo a besteira, pediu desculpas ao telespectador e se justificou dizendo que a torcida era grande por uma medalha para o Brasil. Não precisa se desculpar não, Galvão. Nós adoramos a mancada.
Mais uma vez se fala na saída de Alberto Dualib da presidência do Corinthians. Novamente é definido um Dia D para que o mandatário mor do Timão seja deposto. E, mais uma vez, creio pouco nisso. Forças políticas que dominam o clube do Parque São Jorge têm sustentado fielmente Dualib no poder por muitos anos, mesmo em meio a crises como a atual. Além disso, sacar o presidente corintiano do poder (que seguiu a linha de Mustafá Contursi no maior rival, o Palmeiras), no qual se perpetua há mais de uma década, é apenas o primeiro passo para sair do atoleiro. Não é possível crer que, como num passe de mágica, tão logo Dualib deixe o poder o time voltará a vencer. Hoje, o Corinthians precisa bem mais do que isso. Precisa de um time todo praticamente. Afinal, com exceção ao goleiro Felipe e ao meia atacante Willian, poucos dos que restam vestiriam a camisa corintiana em tempos áureos do futebol alvinegro. Sobre a zona de rebaixamento, há muito campeonato pela frente e tempo para se salvar. Só fica um alerta: é melhor não usar o telefone para isso. Sabe como é, pode estar grampeado.
Bernardinho, quem diria, parece ter metido os pés pelas mãos ao cortar o levantador Ricardinho dos Jogos Pan-Americanos do Rio, sob a alegação de que o jogador está “exausto”. Ricardinho nega, se diz traído e vai além: afirma que suspeitava da possibilidade de corte quando, dois dias antes das finais da Liga Mundial, debateu com a comissão técnica assuntos de importância para o grupo como treinamentos e premiação. Não me importa quem está dizendo a verdade ou quem tem razão. Lamentável, no caso, é que quem perde com isso é o Brasil. Não que a simples ausência de Ricardinho possa nos tirar a medalha de ouro – até porque, dos adversários que estão pelo caminho, se jogar sério o Brasil só deve ter dificuldades (e ainda assim nem muitas) contra os Estados Unidos. Me preocupa a extensão da ferida aberta pela saída de Ricardinho. Afinal de contas, competições mais difíceis e importantes virão por aí e não se pode abrir mão do melhor levantador do mundo (eleito na Liga Mundial) por picuinhas. O ego é capaz de ruir as estruturas mais sólidas. Tomara, não seja este o caso.
Um passeio. Assim foi a vitória da seleção brasileira de handebol feminino sobre Cuba na manhã deste sábado. Modalidade que tem tido um salto de qualidade no País, o handebol precisa ser visto com mais carinho pelas autoridades esportivas. Em Americana, por exemplo, é incontestável a qualidade das equipes - tanto masculina quanto feminina - mesmo com baixos investimentos financeiros. Quem sabe se com um pouco mais de incentivo revelações de Americana, em breve, não possam estar vestindo a amarelinha.
A norte-americana Angie Akers, 31 anos, atleta do vôlei de praia, modelo e socióloga por formação fez questão de descrever em seu blog pessoal um retrato devastador do Rio de Janeiro, sede do Pan-Americano. Em resumo, a filha de “Tio Sam” definiu o Rio como uma cidade onde só há favelas e na qual, em rios negros, porcos e outros animais bebem água suja. Descreveu a paisagem como miserável e relatou se tratar do lugar mais pobre que já viu. Moradora da acanhada Redondo Beach, na Califórnia, cidade com 63 mil habitantes (segundo o censo de 2000), de fato, Angie talvez não tenha visto nada igual. É incontestável que há favelas, poluição (a Lagoa Rodrigo de Freitas quase não pôde receber competições do Pan em razão da sujeira) e um nível de violência exacerbado no Rio de Janeiro. Contudo, achei que quem carregasse no peito a insígnia de um país acostumado a impor a paz pela guerra e a sujeitar seres humanos à miséria provocada pelos conflitos aos quais dá origem, já tivesse visto situação semelhante em outros lugares. Miséria maior que a financeira, cara Angie, só a de espírito. E nisso, os EUA já são medalhistas de ouro há anos. Bom, de qualquer forma, basta de Angie. Sua dupla no vôlei de praia já está mesmo eliminada e pode voltar para casa. Para alívio dela. E nosso também.
Cada um a seu modo, Rio Branco e União Barbarense deixam seus torcedores (aqueles que ainda resistem bravamente), com o decorrer dos dias, menos esperançosos em dias melhores. Pelos lados do Estádio Décio Vitta, a não ser que algo de muito estrondoso venha sendo trabalhado na surdina, o silêncio sobre o futuro do clube - que em 2008 disputará a Segunda Divisão do futebol paulista - parece um prenúncio de que não se deve esperar lá muita coisa boa. Por sinal, notícia boa do Tigre é raridade neste século. No União, a diretoria ensaiou uma parceria, alardeou um acordo com um grupo português e, de concreto, até agora nada. Assim, sem grandes perspectivas, o time se aventura na Copa Federação, que leva do nada a lugar nenhum praticamente todos os seus competidores.
A americanense Ana Flávia Sgobin e o barbarense César Cielo encheram de orgulho a região logo na primeira semana dos Jogos Pan-Americanos. Ambos são talentos reconhecidos mundialmente. Cielo treina nos Estados Unidos e compete em todo o mundo. As pedaladas de Ana Flávia também já correram o planeta. São exemplos claros de que o talento, aliado a uma boa estrutura, é capaz de formar grandes campeões. E olha que no caso da americanense do bicicross a estrutura oferecida nem sempre foi das melhores. E mesmo assim, ela continua brilhando.
Alguém, um dia, disse que futebol e religião não se discute? Bom, religião eu não sei... Mas futebol, isso se discute sim. Assim como tudo que acontece no mundo do esporte. E é para isso que esse novo canal foi aberto. Para debater temas da atualidade – e outros nem tanto – de algo que desperta paixões, faz rir, chorar e tem a capacidade quase que inexplicável de separar torcidas e, ao mesmo tempo, unir uma nação. O esporte é assim. Simples e tão complexo. Acima de tudo, discutível. Marcadores: blog, sobre
Cristian Eduardo Barbosa, 33 anos, jornalista graduado pela Unimep [Universidade Metodista de Piracicaba], nasceu em Limeira-SP, mas escolheu Americana para viver. Sua vida profissional inclui passagens por duas emissoras de rádio e três de TV. No LIBERAL está há 12 anos. Em 1995, foi contratado como repórter da editoria de Esportes e, em 1998 e 1999, assumiu a edição do caderno. Ainda no LIBERAL foi repórter de cobertura política e, mais tarde, editor do caderno de Cidades, antes de retornar à editoria de Esportes, em julho de 2004. Aos domingos, assina a coluna “Na Geral”. Marcadores: autor, sobre
|
|
|