30.9.09

PEC e 'boquinha'

Mal a PEC dos Vereadores saiu do forno e já tem suplemente em Santa Bárbara correndo atrás da boquinha, conforme revela a edição impressa do LIBERAL desta quarta-feira. Viva a gastança do dinheiro público em nome da "representatividade" democrática!

ÁUDIO: BOQUINHA.mp3

26.9.09

O dia em que tia Rita me ligou

Estava conversando sobre casos engraçados da profissão com amigos jornalistas. Eu era foquinha de LIBERAL, acabara de entrar no jornal e recebi uma pauta para falar da ligação da cantora Rita Lee com Americana (ela passou muitos momentos da infância na cidade).

Entrevistei sua prima, Marina Jones, levantei fotos antigas e histórias e, em paralelo, fui atrás da própria Rita (ela estava já na fase de dar entrevista via e-mail).

A redação do LIBERAL tinha um só computador com e-mail, bem diferente da parafernália tecnológica de hoje. E era aquele e-mail lento. Mandei várias perguntas a ela depois do contato com sua assessoria. Mas as respostas não vinham. Então, eu mandava novamente. Até que um dia, eu chego ao jornal e o Zelão, motorista, que estava na mesa da secretária (ela não voltara do almoço), me diz: "Marcos, pega a ligação aí, é a Rita Lee para você". Eu: "Zelão, conta outra, piada agora não, acabei de chegar".

Atendi ironicamente. "Fala, Rita!". Ao ouvir o outro lado da linha, gelei: "É Marcos? Aqui é Rita, você está tentando uma entrevista comigo e não para de entopir minha caixa de e-mails, cara! Já respondi tuas perguntas, não chegou? Me dá outro endereço para passar novamente, mas para de mandar as perguntas". Era ela mesma, o Zelão estava certo. Foi o único dia em que a Rita Lee, da qual sou muito fã, ligou para mim.

Os colegas lembraram um outro caso que também aconteceu no LIBERAL, esse envolvendo uma querida e competentíssima amiga que está hoje brilhando na "Folha de S.Paulo" (quando eu conversar com ela, pergunto se ela permite que eu a revele aqui). Ela era secretária, ainda estudava Jornalismo, quando atendeu o telefone com um cara se dizendo o Ney Latorraca. Ela responde: "Ah, e aqui é a Vera Fisher!". Só que o cara era o Ney, mesmo, retornando à ligação da reportagem de Cultura.

Também por essas, amo o jornalismo.

imagem Divulgação

24.9.09

Gente hipócrita

Num país onde homens preferem morrer de câncer de próstata a se submeter a um simples exame clínico, claro que o tabu haveria de nortear mentes e corações.

Pois mais um exemplo surge: propaganda de sandálias na TV, em que uma vovó fala de sexo com a netinha, acabou "censurada" pelos telespectadores, que ficaram indignados com a velhinha falando na "coisa feia" que todo (ou quase todo) mundo faz, mas finge não fazer, na santidade hipócrita que aceita a violência mas não entende uma das mais belas manifestações do prazer da vida.

Eu adorei a propaganda, pois além de criativa, é verdadeira. Quem não quiser ver aqui no blog, é só não apertar o play. Assim como quem não quiser fazer sexo, é só se abster.

23.9.09

Valor de ruas e de políticos

Cessão de mais uma rua a empresa privada vai à votação na Câmara de Americana, nesta quinta-feira. E, desta vez, com direito a preço estipulado pelo líder do governo. Ironicamente, quer o vereador que o dinheiro seja usado para pinturas de trânsito. Então, estão doando ruas para pintar mais "Stop Four" pelo chão?!

ÁUDIO: RUAS.mp3

22.9.09

Jornalistas e leitores

Acompanhei ontem à tarde quase três horas de sabatina do ombudsman da "Folha de S.Paulo", Carlos Eduardo Lins da Silva, no Teatro Folha, em Sampa.

Entre as muitas análises sobre o jornalismo impresso de hoje, Carlos Eduardo cravou: "Os jornalistas são arrogantes, prepotentes e não querem ouvir críticas". Disse ainda que a pressa, a preguiça e a ignorância são grandes defeitos dos profissionais de mídia. Mas, ele tem certeza de que o jornal impresso sobreviverá à internet.

Você concorda, caro leitor? Na sua opinião, como os jornais poderiam se aproximar mais dos leitores, atendendo às suas necessidades?

Na foto, que fiz de meu celular (perdoem a falta de qualidade), da esquerda para a direita: Marcelo Coelho, colunista e membro do Conselho Editorial da "Folha" (grande pessoa, de quem tive o privilégio de ser aluno na Cásper); Verónica Goyzueta, correspondente do jornal espanhol "ABC" no Brasil; Carlos Eduardo; Eleonora Gosman, correspondente do jornal argentino "Clarin" no Brasil e Eugênio Bucci, professor da USP e colunista de "O Estado de S.Paulo".

21.9.09

Pimenta em nossos olhos

Há quase dez anos, Antonio Marcos Pimenta Neves, então diretor de um dos jornais de maior prestígio do Brasil, "O Estado de S. Paulo", matava a tiros a ex-namorada, Sandra Gomide.

Ele confessou o crime e, em 2006, foi condenado em júri popular. Logo em seguida, conseguiu na Justiça o direito de aguardar o julgamento de um recurso em liberdade.

Até agora, entretanto, está livre. quase dez anos depois de ter tirado a vida de um ser humano.

Pimenta nos olhos do Brasil é refresco.

imagem sxc

18.9.09

Crime expõe falência da segurança

Crime à luz do dia na Avenida Brasil expõe a falência da segurança pública em Americana e região.

ÁUDIO: CRIME.mp3

17.9.09

Emprego e empreguismo

No mercado de trabalho, crescem as vagas formais. No poder público, cresce o empreguismo.

ÁUDIO: EMPREGOS.mp3

16.9.09

O perigoso projeto em urgência

ÁUDIO: PROJETO.mp3

15.9.09

Demissões e exclusividade

O LIBERAL traz hoje como manchete a determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo que obrigou a Prefeitura de Americana a demitir todos os funcionários comissionados (em cargos de confiança), que somam 447, em Americana.

O jornal conseguiu falar, com exclusividade, com o prefeito, Diego De Nadai, e a secretária de Saúde, Diva Spirandelli. Eles afirmam que haverá reflexos negativos para o atendimento da população, principalmente na Saúde.

Nas postagens abaixo, confira as entrevistas que fiz com a secretária e o prefeito, incluvise com áudio.

Opinião:
A demissão abrupta, sem tempo para o prefeito se adequar ao que o juiz considera "inconstitucional" (à luz das leis paulistas) incorre num erro grave, o de atingir o atendimento à população. A cidade acaba de ter um surto de gripe A num Ciep e, hoje, está sem comando da equipe que cuida de pandemias -e este é só um exemplo do quanto a Saúde está comprometida sem os cargos de comando.

O número de comissionados em Americana estava dentro do limite que reza uma lei municipal, portanto qualquer mudança nas regras deveria ser feita em tempo suficiente para que não houvesse prejuízo aos americanenses.

Claro que cargos comissionados são muitas vezes usados politicamente (nós já denunciamos exemplos, como o apadrinhamento nas regionais) e o concurso público é o melhor caminho para se contratar tecnicamente. Mas, mudar as regras na canetada é tão ruim quando as contratações meramente políticas. O Judiciário precisa parar de brincar de Executivo.

Hoje, o maior atingido pela decisão do TJ é a população de Americana. E isso é imoral.

Diego fala sobre as demissões

O prefeito de Americana, Diego De Nadai (PSDB), falou com exclusividade com O LIBERAL ontem à tarde sobre a determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo de se demitirem 447 funcionários de confiança na administração direta. Para Diego, a liminar cria uma situação "insustentável do ponto de vista administrativo". E a população será atingida por isso.

Diego me recebeu em seu gabinete. Ele estava agitado, entre uma e outra reunião com secretários e com os vereadores governistas. Na sala de espera, jornalistas de redes de televisão, de jornais e de rádios o aguardavam na esperança de que houvesse uma coletiva, que não aconteceu.

No LIBERAL impresso de hoje, publica-se a entrevista exclusiva. Na rádio VOCÊ (AM 580), áudios e todo o desenrolar do caso. E, abaixo, ouça o prefeito, clicando em "Diego".

ÁUDIO: DIEGO.mp3

"Impactos severos" na Saúde

Conversei ontem com a secretária de Saúde de Americana, Diva Spirandelli, sobre os efeitos esperados na Saúde com a liminar que mandou demitir 447 funcionários comissionados na administração direta.

Diva estava entre os secretários presentes no Paço no entra-e-sai de ontem diante da decisão judicial e conversou comigo no gabinete do prefeito. Ela fala em efeitos "severos" no atendimento à população. Ouça clicando em "Diva", abaixo:

ÁUDIO: DIVA.mp3

14.9.09

Medo e desejo

“Passamos nossas vidas a ocultar nossos desejos. Por isso há tanto medo no mundo”. A frase faz parte do texto “O Mágico dos Medos”, do livro “Aprendendo a se Comunicar”, de Jacques Salomé. Quem diz a frase é uma criança que consegue desvendar o segredo do tal mágico. “Por detrás de cada medo há um desejo. E há sempre um desejo debaixo de cada medo, por menor ou mais terrificante que ele seja. Fique sabendo que há sempre um desejo”, crava a criança.

Pois não há? Pense-se no maior sonho, aquele escondido por anos ou décadas e que faz sentir frio na barriga só de pensar em falar sobre ele. Pronto, o frio na barriga já revela o medo do desafio para conseguir realizá-lo (ou o próprio medo de falar sobre o assunto). Agora, pense-se nos medos, naqueles capazes de tirar o sono. Não será difícil descobrir desejos ocultados pela criação deles.

Um certo dia, um homem foi até o Mágico dos Medos, conta o texto de Jacques Salomé, dizendo ter medo de seus desejos. Foi quando o mágico lhe perguntou qual seria o desejo. E ele respondeu: o de não morrer nunca. Então, o mágico voltou a lhe perguntar, desta vez qual seria o medo. E a resposta: o medo de não lhe sobrar tempo de viver toda a vida.

Pois eis uma contradição interessante. A morte, para muitos, é uma assombração, mas, imagine-se o quão chato seria viver eternamente. Aqui, entramos em Freud, que revelou ter o homem dois desejos controversos dentro de si: pela vida e pela morte, o que explicaria até a atração (notória, por sinal) quando há um acidente de trânsito com “um corpo estendido no chão”. Quem chega à roda de gente em volta do acidente geralmente tem medo do que vai ver, mas o desejo é gritante, tanto que o curioso nem pensa em se afastar enquanto não dá de cara com a cena sangrenta.

Enfrentar desafios é também um medo constante. E um desejo latente dos que fazem o mundo “respirar” pensamentos novos. Imagine o que seria de nós sem Da Vinci, Darwin, Einsten, gênios que, sob a égide do desejo de descobrir, enfrentaram o medo de quebrar tradições muitas vezes mantidas sob o calor de fogueiras capazes de consumir humanos vivos.

Somos complexos, apesar de o mundo maquinicista e ainda turvo pelo transe dos dominadores de cérebros passar a falsa ideia de que tudo é simples, bastando pagar e pegar das prateleiras. Não, não é fácil. Mas é mágica, entre a tragédia e a glória, a vida. Tão longa que muitos a empurram com a lerdeza do tédio; tão curta que muitas vezes todos os desejos cabem numa taça de vinho, que por sua vez pode até ajudar a tirar o medo para tornar tais desejos inesquecíveis (e talvez únicos) momentos de uma sublime realidade.

imagem sxc

10.9.09

Visita universitária

Da esquerda para a direita, Marcela Casagrande, eu, Fernanda Siqueira, Maria Fernanda Zanotin, Sarah Brito e Beatrice Trochmann Stopa. Elas são alunas do primeiro ano de Jornalismo da PUC Campinas que estão fazendo um trabalho focando O LIBERAL. Estiveram ontem na empresa e até foram convidadas a falar no estúdio multimídia da nova redação, de onde é gerada a programação da Rádio Você (AM 580). Ao vivo!

9.9.09

A foto bem sacada

A foto do dia é de Paulo Tibério. Muito bom enquadrar a faixa "lava rápido" ao fundo da enxurrada que "engole" uma ponte da Avenida Brasil, em Americana.

Subserviência

Divina Bertalia (PDT) clama no deserto, dando parecer contrário à votação de um projeto que doa mais uma rua para empresa privada em Americana. Como uma andorinha não faz Verão, o projeto vai passar. E a Câmara confirma seu papel de despachante de luxo do alcaide. Como já fez dando um quadrilátero a uma outra empresa, liberando 20 novos cargos de confiança (sem nem saber para que, especificamente, serão), aprovando perdão de dívidas a caloteiros do DAE ou à cooperada da saúde. Etc etc etc...

ÁUDIO: SUBSERVIENCIA.mp3

8.9.09

Tempo tempo tempo tempo

Artigo que fiz na página 3 do LIBERAL de hoje, uma reflexão sobre o tempo e a vida:

Sábado passado, durante a aula na pós-graduação que estou fazendo, de volta às carteiras da Cásper Líbero, a professora (doutora Liana Gottlieb, excelente) nos passa um interessante exercício. Após uma análise criteriosa de como o tempo é trabalhado no filme “Náufrago”, ela pede que escrevamos a primeira frase que nos vem à cabeça contendo a palavra “tempo”. Todos escrevem. Em seguida, pede que troquemos “tempo” pela palavra “vida”. Surgiram expressões óbvias, mas curiosas, como “acabou o tempo, acabou a vida”; “o tempo passa, a vida passa”.

Discutimos o quanto as duas palavras estão intrinsecamente ligadas e, apesar disso, pouco nos damos conta. Deixamos o tempo passar sem perceber que a vida está passando com ele. Cada dia a mais para o relógio é um dia a menos para viver. A aula termina com outro exercício desafiador: preenchermos um relatório de como usamos o tempo em nosso dia, relatando tudo o que fazemos desde que acordamos até a hora em que vamos dormir.

O tempo tem tudo a ver com a comunicação (minha especialização é em Comunicação Jornalística). Uma redação de jornal (aliás, um jornal inteiro), por exemplo, é escrava do tempo e cada minuto perdido compromete o resultado final. Em época de informação na Internet, quando os sites são atualizados muitas vezes em questão de segundos, a loucura se multiplica. Por isso é necessário saber administrar o tempo, sem sofrimento, já que o enfrentar não é apenas uma questão profissional, mas inerente à nossa própria existência. Vive-se melhor quanto mais se aproveita cada momento.

Caetano Veloso tem uma música lindíssima envolvendo o tema, “Oração ao tempo”, cujo refrão é tão direto quanto genialmente repetitivo: “Tempo tempo tempo tempo”. Ele diz, na música: “Vou te fazer um pedido. Compositor de destinos. Tambor de todos os ritmos. Que sejas ainda mais vivo. No som de meu estribilho. Peço-te o prazer legítimo. E o movimento preciso. Tempo tempo tempo tempo”.

“Movimento preciso”, interessante isso. Preciso, ou seja, exato, nem mais nem menos. Que significa, para mim (um fã de Caetano que adora tentar interpretar suas letras), não querer se antecipar ao tempo e deixar tudo acontecer no melhor ritmo, assim como saber perceber quando é a hora, o momento que, se desperdiçado, talvez nunca mais volte.

O motivo da necessária precisão? Caetano explica, enigmático: “E quando eu tiver saído. Para fora do teu círculo. Tempo tempo tempo tempo. Não serei nem terás sido.”

imagem sxc

5.9.09

Bravo, Vanusa! Em áudio

ÁUDIO: VANUSA.mp3

Vanusa, salve, salve!!!

Criticaram a semana toda Vanusa pelo hino "embriagado" cantado na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Chegaram a falar que seriam uma "vergonha para o país" as letras trocadas, a melodia destruída. Mas, há uma outra forma de enxergar o fato.

Ao se enrolar para executar a melodia da "terra adorada", Vanusa conseguiu deixar deputados perplexos, quase da mesma forma como eles fazem com o eleitor e ao transformarem as instituições da democracia em casas da piada pronta (emprestando um jargão do gênio José Simão).

Bravo, Vanusa!

2.9.09

Brasil sai melhor da crise

Crava manchete do Estadão desta terça que o Brasil passa pela crise. Mais: sai dela melhor do que entrou.

Surpreendente, a começar pelo fato de ser o Estadão, historicamente antipetista, quem noticia isso. Mais ainda diante de tudo o que a imprensa em geral previu de ruim para o momento.

E ainda mais ao lembrarmos que o comandante do barco, na tempestade, é o sapo barbudo que espantaria empresários do país.

ÁUDIO: FIMCRISE.mp3

1.9.09

Circo para educar

A Secretaria de Educação de Americana está contratando um circo para realizar espetáculos a 12 mil alunos da rede municipal, como revela O LIBERAL desta terça-feira.

O gasto para tal contratação, feita sem licitação, é de R$ 80 mil e a proposta é aproveitar a visão humanística do espetáculo circense para contribuir com o processo educativo.

Exótica a ideia e desconheço precedentes. Mas, policio-me para não a tratar com preconceitos, por isso deixo o juízo de valor 100% ao leitor. Já o gasto sem licitação é outro ponto, sempre ruim para o poder público.

Pré-sal e o país da pequenez

O pré-sal seria um desafio para o Brasil pensar grande. Seria, pois, a considerar o anúncio das regras de exploração reservas de petróleo, feito ontem pelo governo federal, percebe-se que a pequenez da política continua tão viva quanto mais aguçada que nunca.

Lula quase elevou Dilma, sua candidata, à condição de "mãe do petróleo", enquanto a oposição tentava achar um jeitinho de tirar sua casquinha, nem que fosse ameaçando emperrar a votação das tais regras no Congresso. Quanto pensamento pequeno!

ÁUDIO: PRESAL.mp3

Foto: Divulgação / Wilson Dias / Agência Brasil