29.7.09

A barbárie dos homens

Sobre o crime bárbaro ocorrido em Sumaré, em que um pai matou o próprio filho de 5 anos, ligou para a família para avisar sobre o que fez e fugiu em seguida. Abaixo, no áudio que fiz para a rádio VOCÊ (AM 580).

ÁUDIO: BARBARIE.mp3

28.7.09

Não é Hollywood, é Americana

O secretário de Transportes de Americana, Flávio Biondo, deve estar de brincadeira. Depois de inventar faixa de pedestre colorida, ele deu de pintar o espaço das minirrotatórias com com palavras em inglês. "Stop four", escreve o secretário, com dinheiro público e numa língua que nenhum brasileiro é obrigado a saber.

É para se aparecer? Ou para fingir que estamos em Hollywood, numa Americana quase cinematográfica, que doa ruas para empresas e onde a polícia acaba de apreender um guarda-chuva calibre 38 (parece coisa do Pinguim, do Batman, mas é verdade, está no LIBERAL desta terça). Mais detalhes sobre o "stop four" no áudio abaixo, que fiz para a rádio VOCÊ (AM 580).

ÁUDIO: INACREDITAVEL.mp3

imagem sxc

25.7.09

Morre-se, sim

A tal gripe suína, que de suína nunca teve nada, está servindo para cair a ficha da humanidade para uma coisa óbvia, mas que, apesar disso, passa despercebida: nós morremos. Sim, morremos. Todos os dias, seres humanos morrem. E pior: de todas as idades. Velhos morrem mais, claro, mas também morrem jovens e adultos.

A constatação é um contraste com a arrogância com a qual a humanidade se veste, muitas vezes se achando dona do mundo e da verdade, complicando tanto uma vida que é bem mais simples do que se pensa e do que se faz, bastando vivê-la sem preconceitos, sem moralismos, sem limitações desnecessárias.

Mas a gripe também nos ajuda a enxergar um outro lado da questão, não apenas a morte, mas quem morre. No Brasil, morre-se muito mais por causa da violência, da fome, da exclusão social. Morre-se de tiro e de estômago vazio, mas como quem morre está nas periferias dos fatos, passa-se despercebido. Ou seja, quando quem morre está longe, tudo bem.

Já com a gripe, o vírus está perto, está em toda parte, circula pelas rodas sociais dos que pautam a mídia. Então, a sociedade se apavora, como se a morte não fosse uma velha realidade e como se a vida não fosse cruelmente um exercício de desigualdade.

ÁUDIO: MORTES.mp3

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23.7.09

Chegou o tal precedente

Demorou pouco para aparecer uma coisa que todo mundo sabia que ia aparecer, o tal precedente. Pois apareceu. E, tal qual fez com a empresa Neotextil, a Prefeitura de Americana agora quer fazer com uma segunda empresa, a Primor, doando ruas em troca de empregos e alguns servicinhos que já são da obrigação da própria Prefeitura.

É o que revela a edição de hoje do LIBERAL. A Prefeitura de Americana prepara um outro projeto de lei para ceder ruas à iniciativa privada, desta vez uma travessa que fica entre as dependências da tinturaria Primor, próxima ao Viaduto Centenário. As justificativas são as mesmas de sempre: empregos. Até no número é igual: 60 empregos, que nunca podem ser comprovados, pois não se pode obrigar empresa nenhuma a manter ou abrir vagas. Além dos empregos, desta vez fala-se que a Primor vai fazer melhorias na Rua Carioba, coisa para que você, ouvinte, já paga com seus impostos e deveria ser feito pela Prefeitura.

A pergunta que fica é: qual será a próxima empresa a querer rua? Aliás, nem mais ameaçar de sair da cidade precisa, porque a Neotextil havia ameaçado, mas a Primor nem pode, pois em 2007 pediu a travessa, mas lhe foi negado e ela continuou na cidade.

A situação revela que a gestão Diego tem um único plano para manter empresas na cidade: doar o patrimônio público, atropelando leis e esmagando o direito de ir e vir. Assim, a cidade chega logo à condição de lanternina em atração de investimentos na região, uma cidade onde a arrecadação cai, o lazer não existe e as ruas são a única moeda para segurar empresário. Uma cidade fora de contexto.

22.7.09

"A boa" quer posar de "casta"

A atriz global Juliana Paes processou o humorista José Simão e conseguiu liminar na Justiça que o impede de citar o nome dela em seus criativos textos na "Folha de S. Paulo" e internet. Caso cite, a multa será de R$ 10 mil cada vez que o nome da beldade aparecer no texto.

O motivo alegado pela atriz é que Simão ofendeu sua honra, principalmente porque, ao compará-la com a personagem da carnavalesca novela das nove, diz que a atriz não é casta.

Ora, mas que contradição.

Juliana Paes se ofende por ser tida por “não casta”, mas recentemente foi protagonista de um comercial de TV em que era “a boa” da cerveja, um objeto sexual de machos beberrões divulgado aos quatro cantos do país. Pior, ela não só era “a boa” como era tida por algo fácil, que é só chamar para chegar até a mesa. “Chama a boa!”, dizia o comercial, para o qual a atriz cobrou até cachê, sem reclamar de nada.

Sua postura, portanto, chega a ser hipócrita. Porque, entre ser chamada de não casta e ser objeto sexual de cervejeiros, é muito melhor a primeira opção. Fugir das amarras da castidade e do moralismo "castrador" foi uma vitória da sociedade moderna. Já ser objeto sexual de beberrões é algo que minimiza a condição da mulher na sociedade.

imagem: reprodução do comercial da cerveja antarctica em impresso

21.7.09

O HIV não tem preconceito

O LIBERAL do último domingo aponta que a mortalidade por Aids voltou a crescer na região, contrariando os bons ventos trazidos pelos coquetéis antirretrovirais. E acende-se o farol amarelo. O coquetel, que em muito contribuiu para a queda na mortalidade dos soropositivos, não é a cura, está longe de ser, ao contrário do que muitos supõem ao relaxar na necessária proteção (leia-se camisinha!).

Outro dado preocupante da reportagem é o fato de as mulheres casadas serem hoje grande alvo da doença, o que desmistifica o errado conceito de que a Aids seria uma "peste gay" ou uma doença ligada apenas a um suposto "grupo de risco". O que existe, na verdade, é conduta de risco (leia-se sexo desprotegido, por exemplo).

O HIV não tem preconceito, contamina todos os que não se cuidam.

imagem sxc

Reconectando...

Caros, perdoem-me a demora nas postagens. Semana passada estive dois dias em Sampa acertando minha matrícula para pós-graduação. Voltarei aos bancos de faculdade, na mesma Cásper Líbero onde me formei, para uma especialização em Comunicação Jornalística. Estarei por lá ao menos uma vez por semana, o que será muito bom, pois aquele "quiliombo de zumbis", nas palavras de Caetano, sempre tem muito a ensinar.

Aproveitei a estada em terras da Paulicéia para rever o mestre Carlos Alberto Di Franco e passar umas interessantes horas na "Folha de S.Paulo", naquele prédio que já é um patrimônio da história do jornalismo, na Barão de Limeira, centrão velho da querida Sampa. Juliana Laurino, grande profissional, fez as honras da casa dos Frias.

De volta ao blog, as postagens recomeçam.

11.7.09

Os assassinos continuam livres

Uma conversa entre um jovem e uma jovem num bairro tido por tranquilo, numa cidade que já foi considerada também tranquila em termos de marginalidade. Chegam os criminosos, abordam os dois, levam as vítimas consigo, roubam e, não contentes, estupram uma a garota, de apenas 19 anos.

O bairro em questão é a Vila Medon, curiosamente perto da Delegacia Seccional da cidade e da sede do Poder Executivo. A cidade, Americana, que era considerada pelas autoridades pouco violenta, mas a tranquilidade hoje se resume ao fato de ser pacata para a diversão, porém perigosa para quem aqui mora.

Não dá para não sentir revolta diante do caso, noticiado nas páginas do LIBERAL deste domingo. Até porque o estupro é um crime abominável, inaceitável, revoltante e bárbaro. Não combina com qualquer traço de civilidade e não deve ser aceito em hipótese alguma pela sociedade, que deveria reagir, cobrando das autoridades mais segurança para exercer o direito de conversar no portão de casa com um amigo.

A polícia pode dizer que os bandidos estão presos, mas não basta. A menina já foi marcada por um trauma para o resto de sua vida, fruto não só de uma sociedade violenta, mas de uma segurança pública ineficaz, que nos faz viver trancados em nossas casas, enquanto os bandidos estão soltos pelas ruas, quando não comandando a criminalidade de dentro das celas.

Os assassinos estão livres, nós não estamos, já disse Renato Russo. Nada mudou e, cada vez mais, vemos que eles não estão apenas livres nas ruas, mas também nos palácios que comandam o futuro da nação. Que país seria esse?

ÁUDIO: ESTUPRO.mp3

imagem sxc

7.7.09

O "pedófilo" virou anjo. E a mídia virou sapo

Parecia uma rede mundial de televisão, com grande parte da espécie humana assistindo a um único programa: o funeral no estilo show de Michael Jackson, que aconteceu ontem à tarde, no horário de Brasília. E também se escancarava uma das mais antigas companheiras da humanidade, muito presente no mundo da mídia: a hipocrisia.

O Michael Jackson que está sendo divulgado há quase duas semanas por jornais, revistas, sites, rádios e canais de TV é um talentoso cantor, o reio do pop, que revolucionou a arte e os costumes, o pai generoso que faz a filha chorar de saudade ao falar dele, o homem que sonhou um mundo melhor. Ora, quanta diferença do que a mesma mídia fazia antes da morte do ídolo.

Desde a década de 90, o que se falava sobre Michael Jackson se resumia à sua vida pessoal. Aliás, sua vida sexual. Todas as manchetes eram sobre as especulações de que ele teria relações com crianças, especulações que, mesmo nunca comprovadas, foram ganhando cada vez mais o destaque de jornais, revistas, programas de TV, rádios e sites. Os mesmos que hoje lhe jogam flores antes lhe atiravam pedras – e das mais pesadas.

Jackson foi o maior dos alvos do mundo da mídia. A mídia que o estampou como um pedófilo e hoje lhe coroa como o maior dos artistas que o mundo já produziu. Aliás, tal contradição retrata a própria contradição da humanidade, que adora uma fofoca sobre a vida alheia e costuma dar valor às coisas só quando perdem.

Agora, todos querem ouvir as músicas de Jacko, querem ler sobre seu talento, querem chorar sua morte e lamentar tamanha perda. Antes, porém, o Jackson que lhes interessava era o comedor de criancinhas, mesmo que apenas em boatos, que eram espalhados pelos que hoje derramam lágrimas.

Numa de suas músicas, Jackson diz “Cure o mundo, faça dele um lugar melhor, para você e para mim”. Sua morte mostrou que o desafio é mais que pertinente.

ÁUDIO: CONTRADICAO.mp3

Charge de Carlos Reis / O LIBERAL

4.7.09

Algazarra na Brasil, cidade sem noite

Um médico que tentava passar pela Avenida Brasil após trabalhar em um parto acabou agredido na algazarra que toma conta da via. E a noite da cidade, mais uma vez, se mostra uma aberração. Boate não tem, mas se improvisa na rua; bares são poucos, mas se bebem nos postos de combustíveis; zoneamento trava a exploração do setor de serviços noturnos, mas quem não pode pegar pista acaba se divertindo em vias públicas, ocupando-as perigosamente.

É preciso discutir, urgentemente, a regulamentação da noite, permitindo que funcionem casas devidamente adaptadas, inclusive com isolamento acústico. E impedindo que as ruas virem palco de aglomerações, algazarra e até agressões. Vai-se esperar alguém morrer para se tomar uma atitude?

ÁUDIO: ALGAZARRA.mp3

2.7.09

Mais perdão de dívidas em Americana

Revela edição do LIBERAL desta sexta-feira que vem aí mais um perdão a devedores em Americana. O prefeito Diego De Nadai (PSDB) pretende protocolar hoje na Câmara projeto de lei que dá a cooperativas de saúde um presente: quase R$ 30 milhões em perdão de débitos com ISSQN. Isso porque o prefeito quer fazer retroagir uma lei que acabou com a bitributação que havia no setor, o que dá margens para questionamentos.

Retroagindo a lei e acariciando quem não pagou quando deveria pagar, o que dizer a quem pagou? Que foram otários? E a preocupação com a arrecadação da cidade, não conta? Ora, R$ 30 milhões é metade do que deve gerar de impostos em um ano a empresa que ganhou duas ruas para aqui ficar. Ou seja, vale doar ruas por R$ 60 milhões ao ano, mas jogam-se R$ 30 milhões no lixo, sem mais nem menos?

Já é o segundo perdão da administração Diego a inadimplentes. O primeiro, já aprovado pela Câmara, foi com caloteiros do DAE, com débitos de até R$ 500 cada e que somam R$ 2 milhões. Agora, os vereadores novamente vão votar a benevolência do Executivo com quem deve aos minguados cofres municipais. Não será novidade se aprovarem sem sequer analisar a propositura.

ÁUDIO: MAISPERDAO.mp3