30.11.08

Saramago, Deus e polêmica

O escritor português José Saramago, prêmio Nobel de literatura, deu uma polêmica entrevista à "Folha de S.Paulo" (publicada na edição de sábado), em que diz: "Por que precisamos de Deus? Nós o vimos? A Bíblia demorou 2000 anos para ser escrita e foi redigida por homens. É cheia de maus conselhos, como incestos, matanças". Ao falar de religião, Saramago vai além: "O sonho da Igreja é transformar todos em eunucos".

Ao fim da entrevista, feita diante de uma platéia de 300 pessoas em São Paulo, uma mulher que assistia levantou e disse ao escritor: "Em nome de todos os brasileiros, obrigada por existir".

Considerando que, desde o início da civilização, a humanidade mata mais por Deus que por qualquer outro motivo, as palavras de Saramago são lastreadas por razão.

A polêmica está aberta à sua opinião, leitor.

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Novidade: ouça comentário

Novidade aqui no Blogna, agora você pode ouvir comentários que faço na rádio VOCÊ (AM 580), no início da manhã e no programa "Repórter 580", que começa ao meio-dia. Este gravei para esta segunda-feira.

Clique abaixo, ouça e deixe sua opinião.


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Cidade verde?

Não quero em hipótese alguma ser o chato estraga-festa, mas uma cidade com problema crônico de poluição atmosférica (tendo um ar de odor horrível), um ribeirão fétido cortando-a ao meio, tratamento de esgoto sucateado (com constantes despejos de esgoto in natura no mesmo rio onde capta água para abastecimento) e uma coleta seletiva que está minguando pode ser modelo ambiental?

De duas, uma: ou as regras desse troféu não foram tão rígidas e se escolheram as cidades "menos piores", ou a organização do Selo Verde não conhece bem Americana. Você, o que acha, leitor?

29.11.08

Afago ou medo?

A Prefeitura de Sumaré resolveu fazer plantão, com funcionários 24 horas a serviço de negociação com invasores de terra que acampam em frente ao Paço. Engraçado que o tratamento com quem paga imposto não chega a tamanho luxo, já que falta atendimento adequado na Saúde, não há água disponível para todos.

De duas, uma: ou a administração gosta mais de invasores que de pagadores de impostos, ou está fazendo uma média com medo de o Paço ser invadido. Você, o que acha?

Foto: Paulo A. Tibério / O LIBERAL

28.11.08

Qual capa para a revista?

Qual capa escolher para a revista O LIBERAL Casa, que circulou nesta semana gratuitamente para os assinantes do jornal e também está à venda nas bancas?

Duas possibilidades foram produzidas pelos setores de edição, paginação e arte do jornal. E, a partir delas, foi um dia inteiro de argumentos dos mais diversos a favor de uma ou de outra. A discussão envolveu funcionários de vários setores do grupo até a decisão final.

Aqui no Blogna, além de conhecer a segunda opção, que acabou vencida, você pode dizer qual preferiria.

26.11.08

Buracos sem explicação

Matéria do jornal O LIBERAL desta quarta-feira aponta que é crítico o estado do asfalto em bairros excluídos das obras de recapeamento da Prefeitura de Americana. Quatro bairros ficaram de fora do recapeamento prometido pela administração e outros 12 tiveram o trabalho suspenso após obras apenas parciais. Para piorar, com as chuvas o problema vem aumentando em todos eles.

A Prefeitura alega que falta dinheiro para atender a todos. Ontem, em entrevista à repórter Aline Macário, o secretário de Obras e Serviços Urbanos, Gelson Ginetti, disse que já investiu R$ 5 milhões no recapeamento da cidade e só não investe mais porque não tem mais dinheiro.

A justificativa, feita em tom de crítica ao Grupo O Liberal, que vem cobrando atitude da Prefeitura para tapar os buracos nas ruas, não cola. Se vale a Prefeitura dizer que está deixando ruas esburacadas porque o dinheiro não deu para fazer o serviço completo de recapeamento, vale também o contribuinte pagar apenas parte do IPTU e dizer que faltou dinheiro para o restante. Você pode fazer isso?

Foto: Fernando Sanches / O LIBERAL

20.11.08

Dignidade aos afro-descendentes

Hoje é Dia da Consciência Negra, mas a data, que poderia servir para uma reflexão a respeito da necessária igualdade racial no Brasil, às vezes gera ainda mais racismo.

Ontem, ouvi uma pessoa dizer que, para ela, não deveria haver feriado em lugar algum (aqui na região, só há em Hortolândia e Sumaré). O motivo alegado por ela é que, já que há o dia da consciência negra, deveria então haver o dia da consciência branca. E foi além: disse que é descendente de italianos e esse povo, que chegou ao Brasil tanto quanto os escravos, não tem dia de consciência.

Eis uma manifestação racista, comum de ser ouvida e que merece uma profunda reflexão.

Primeiro, porque é muito diferente a forma como chegaram aqui os imigrantes italianos ou norte-americanos e como chegaram os negros. Americanos e italianos vieram por livre e espontânea vontade, em busca de um novo mundo diferente da Europa em guerra ou dos Estados Unidos em batalha interna (caso da Secessão).

Já os negros africanos foram retirados de seus países à força, arrancados de suas casas para trabalhar de graça para povos da raça branca. Sofreram, foram açoitados, humilhados e se transformaram em propriedade de homens que nunca foram melhores que eles, mas se julgavam seus donos.

Eis a diferença que torna desnecessário um dia para uma suposta "consciência branca" ou para alguma consciência sobre os imigrantes italianos. Uma diferença que faz mais que necessária a luta pela igualdade racial, já que, mesmo com o fim da escravidão, os negros foram jogados no mundo sem chances de ser alguém na vida, com muito menos oportunidades que os brancos.

Hoje, portanto, não é um dia para se pensar em negros contra brancos. É dia para se refletir o quanto a Europa e as Américas devem em dignidade aos afro-descententes.

19.11.08

Diesel, privilégios e contradições

Sempre me intrigou a limitação do uso do diesel em automóveis no Brasil. Não o que é proibido, mas o que acaba liberado nas brechas da lei.

Na Europa, os mais modernos veículos têm opções de motores com esse combustível, como o recém-lançado VW Golf Geração 6 (muito à frente do nosso, diga-se), que ganhou uma motorização 1.4T a diesel muito mais eficiente e econômica que a 1.6 feita por aqui e menos poluente que a gasolina.

Tudo bem que o Brasil inventou o motor a álcool e agora o flex, duas genialidades da engenharia automotiva -e também melhores para a natureza do que a queima do diesel, um combustível derivado do petróleo. Mas não é isso que me intriga, o que me intriga é saber que a nossa lei, que só permite veículo utilitário rodar com diesel, é, na verdade, uma piada, na prática.

E basta olhar a cidade de Americana em junho para se ter a certeza disso. Caminhonetes imensas cuja utilidade da caçamba se resume a caixas de som irritantes e engradados de cerveja (para o motorista, inclusive) rodam a diesel, combustível mais vantajoso e proibido para carros de passeio, uma discrepância, para dizer o mínimo. Aliás, mais uma entre as tantas que há por aqui.

Você, o que acha, caro leitor?

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18.11.08

Sem obras e sem crédito

Gelson Ginetti, secretário de Obras, diz que as obras que estavam em andamento em Americana pararam por causa do novo prefeito. Já Orestes Camargo Neves, de Governo e Comunicação, alega que é porque chegaram as chuvas.

De duas, uma: ou Diego ou São Pedro tem a ver com a paralisação das obras prometidas pela atual administração. E mais: ou os secretários se entendem ou a administração deixa de ser uma só. O que você acha?

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13.11.08

Pobre país rico

Um estudo divulgado ontem é um verdadeiro deboche a quem tem descontado em seu holirite uma gorda quantia de impostso para os cofres governamentais, dinheiro que deveria voltar em serviços públicos como saúde, educação, saneamento, infra-estrutura etc, mas emagrece demais no caminho de volta.

O estudo é do Ipea, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, e mostra que os gastos do governo brasileiro com o pagamento de juros é 8 vezes e meia o dinheiro investido em educação. Sim, isso, mesmo, o Brasil gasta 8 vezes e meia mais em juros para a especulação financeira do que em educação.

São nada menos que R$ 1,68 trilhão com juros, enquanto com educação o investimento ficou em apenas 149,9 bilhões. Ou seja, a decisão de torrar dinheiro público para dar lucro a especulador foi oito vezes e meia mais prioridade para o governo brasileiro do que educar seu povo para que chegue o tão esperado futuro ao país que é sempre “do futuro”.

E não se trata de culpar este ou aquele governo. Os números são de sete anos, entre 2000 e 2007. Ou seja, englobam o governo Fernando Henrique e o de Lula, o mesmo Lula que, quando era oposição, fazia pesadas críticas à gastança de FHC com os juros nas alturas.

Mas não é só isso. O gasto com juros também supera de longe o que foi empregado em saúde, que somou R$ 310,9 bilhões.

O próprio Ipea faz uma análise crítica diante da constatação, dizendo que o gasto com juros é improdutivo, pois não gera emprego e tampouco contribui para ampliar o rendimento dos trabalhadores e também colabora para a concentração de renda.

Depois dizem que o Brasil é um país pobre. Haja pobreza para bancar tanto desperdício...

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12.11.08

R$ 8 bilhões às montadoras

Como conseguir dinheiro? Eis um tema que norteia a vida de muitos (senão todos). E nesta semana já houve pelo menos dois exemplos interessantes.

Um deles bem próximo de nós, onde o prefeito eleito Diego De Nadai, acreditando que conseguir dinheiro não é nada fácil, foi garimpar emendas ao orçamento junto a deputados da capital federal. E conseguiu, ao menos em promessas, quase R$ 4 milhões para projetos de seu governo. Um sinal de que, para se conseguir ter mais dinheiro para suas administrações públicas hoje em dia, os prefeitos precisam literalmente sair dos gabinetes e lutar.

Outro exemplo aconteceu no eixo Brasília-São Paulo, só que aí foi um exemplo de que conseguir dinheiro pode não ser tão difícil assim. Começou com o governo federal, que liberou R$ 4 bilhões em crédito oriundo de banco público para montadoras de veículos superarem a crise mundial. Depois, foi a vez do governo paulista, que liberou outros R$ 4 bilhões, também oriundos de banco público, para socorro às mesmas empresas: as montadoras de veículos.

É tanto dinheiro injetado em um só setor que, ontem à noite, a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea, admitia que os recursos serão suficientes para ficar tudo sob céu de brigadeiro. Justo a Anfavea que vive chorando e reclamando da situação. Pudera, são R$ 8 bilhões que caíram do céu em apenas uma semana como linhas de crédito para se continuarem os financiamentos intermináveis nas compras de veículos.

A pergunta é: precisa injetar tanto dinheiro em multinacionais que têm como único propósito lucrar aqui no Brasil? Não seria melhor investir R$ 8 bilhões em Saúde e Educação, por exemplo? Ou em outros setores produtivos com mais compromisso com o Brasil do que montadoras que produzem por aqui carros inferiores porém mais caros que os que produzem na Europa, por exemplo?

O governo acha que não, pois pensa ser o setor automobilístico crucial para o desenvolvimento do País. Mas, há quem discorde do governo, pois a venda de tanto carro como vinha ocorrendo está, na verdade, entupindo as ruas e fazendo as pessoas se endividarem cada vez mais.

Afinal, é fácil ou difícil ganhar dinheiro? Depende. Se for um prefeito de Americana, é preciso gastar sola de sapato. Já uma montadora de veículo estrangeira não precisa sequer de uma cantada de pneu.

E você, o que pensa de tudo isso, caro leitor?

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6.11.08

Obama, nós e o mundo

O jornal O LIBERAL desta quinta-feira revela a expectativa da eleição de Barack Obama para o Brasil. Mais que isso: para a RPT (Região do Pólo Têxtil), onde estão Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa, Sumaré e Hortolândia. E o que a reportagem levantou caminha no sentido do otimismo.

Para lideranças do setor têxtil, Obama representa uma oportunidade de os Estados Unidos diminuírem as barreiras ao mundo, o que pode facilitar a venda dos produtos têxteis brasileiros no poderoso mercado americano. É uma esperança para o setor mais importante da economia da região.

No seu discurso, na quarta, em Chicago, Obama cita reconciliação com várias nações, dando uma indireta às trombadas que George Bush deu até na ONU, fazendo dos Estados Unidos um dos países mais odiados do globo. Obama também falou em energias alternativas e o setor sulcroalcooleiro brasileiro aposta que isso pode significar uma maior abertura ao etanol feito por aqui.

Mas Obama acaba de ser eleito, só vai assumir em janeiro e tudo ainda são expectativas. De qualquer forma, já significam uma grande mudança, ao menos conceitual, após oito anos da terrível era Bush, em que o mundo era visto como um quintal de um governo que se baseou em dois grandes (e graves) desprezos: ao meio ambiente e à paz.

De fato, Obama já representa um momento histórico sem precedentes para os Estados Unidos e para o mundo. É o primeiro negro a assumir o posto de homem mais poderoso do planeta, disposto a olhar não apenas para o próprio umbigo, mas para nada menos que o próprio planeta.

É uma evolução inegável. Que pode ser entendida perfeitamente na histórica luta contra o racismo, por exemplo. Martin Luther King disse que tinha um sonho, o sonho de ver o fim do preconceito. Obama sustentou sua campanha em uma palavra: chance, chance que virou realidade. Ou seja, os Estados Unidos evoluíram do sonho para a chance e da chance para os fatos.

God bless Obama!

5.11.08

Nas Palavras Dele

POR GENILSON BRANDÃO
De Washinton, D.C.

Retórica política nunca me impressionou. Sempre me deixou com um ar de dúvida e ceticismo. Não mais. Ontem à noite, Barack Hussein Obama emocionou o país com seu discurso de vitória num palco ao ar livre em Grand Park, Chicago.

Obama falou de forma emotiva, mas firme, sobre o que acabava de acontecer. O presidente eleito reconheceu que sua candidatura e eleição eram vistas como desafios impossíveis. Mas disse que o povo americano havia reconhecido que o desafio maior é o futuro dos EUA. Obama prometeu governar o país não só para aqueles que haviam votado nele, mas para aqueles que disse que ainda precisava ter o voto de confiança. Reconheceu que só a coletividade faz a união e pediu para que o povo considerasse isso. Evocou as palavras de Lincoln: "We are not enemies, but friends — though passion may have strained it must not break our bonds of affection." (Somos amigos, não inimigos — a paixão pode ter afetado nossa amizade, mas ela não deve romper nossos laços de afeição).

Historicamente, Obama contextualizou parte de seu discurso de vitória com a narrativa de Ann Nixon Cooper, uma senhora de 106 anos que mora em Atlanta. Disse que Ann havia nascido logo no final da escravidão nos EUA, numa era em que o voto não era um direito dela pelo fato de ela ser uma mulher e de ser uma negra. Disse que, em mais de um século de vida, Ann já viu muita coisa, boa e ruim, e o que ela e ele puderam experenciar nessa eleição foi transformador. Obama disse que se em 100 anos pudemos conseguir tudo isso, imagine só o que o futuro aguarda.

Imaginar que num país onde há 143 anos atrás Obama poderia ter sido propriedade de alguém como um escravo, contemplar o que aconteceu nessa eleição é realmente fabuloso.

PS Meu querido amigo Genilson Brandão (que está na foto acima) é jornalista, brasileiro de Americana, e está gentilmente escrevendo de Washington, onde mora e trabalha, para o Blogna, passando a visão de um americanense presente num momento histórico.

Só na América

POR GENILSON BRANDÃO
De Washington, D.C.

Washington, D.C, a capital americana e minha cidade adotiva, é 95% democrata. Aqui, o apoio à Obama é inquestionável. Não conheço ninguém que diz que ter votado para McCain. Mas, considerando o modelo arcaico de colégios eleitorais em que o voto popular não necessariamente indica vitória, reservo meu otimismo para não sofrer o desapontamento que sofri em 2004 com a reeleição de Bush.

Porém, o que aconteceu hoje aqui é algo maravilhoso, inspirador, e histórico. Ao contrário do Brasil, aqui, o dever cívico de votar não é compulsório — vota se quiser. E vota se tiver tempo pois dia de eleição, não é dia de feriado. Então, ver multidões de pessoas em filas que serpenteavam por metros e mais metros durante o dia todo hoje, aguardando até 5 horas para poder votar para presidente chegou a emocionar. Jovens, velhos, brancos e pretos todos votaram e mandaram a mensagem de que 8 anos de Bush já chega. Eles querem mudanças!

Na Internet, na TV, nos bares e restaurantes, a conversa gira em torno das eleições. Não dá pra escapar o fervor e o entusiasmo. Aliás, não fosse o alcance da Internet, essa eleição não teria sido o tremendo movimento e sucesso democrático que foi. O maior número de doações para uma campanha presidencial na história dos EUA aconteceu graças à Internet. A Web certamente mudou completamente as regras do jogo político na terra do Tio Sam.

Me emociona muito a real possibilidade de um candidato como Barack Obama se tornar presidente dos EUA, um país de uma complexa história racial e saber que a polarização dessa e de outras diferenças ideológicas está prestes a diminuir é algo absolutamente incrível. Tudo indica que Obama será anunciado o vitorioso daqui a algumas horas. E o mundo aguarda . . . Obama!

PS Genilson Brandão, que está na foto, é brasileiro de Americana, jornalista de sucesso nos EUA e grande amigo. É uma honra ter sua colaboração aqui no Blogna. (MB)

Obama é sim

Sim, o mundo torceu por Obama. Eu também torci. Um negro ascendendo ao poder máximo da mais rica, influente e poderosa nação do mundo. Um significado histórico.

Sim, pode ser que Obama fruste tudo o que se sonhou na "chance" que sua candidatura representou (até porque não se devem esperar revoluções de qualquer presidente norte-americano), mas sua eleição continuará sendo inesquecível, ainda mais após a trágica passagem de George Walker Bush, que jogou bombas sobre as cabeças de tantos inocentes e manchou a própria imagem norte-americana diante do mundo.

Sim, Obama herda um país que, além de malvisto após a Era Bush, está atravessando uma crise econômica só comparável ao trágico 1929. Mas Obama traz um poder simbólico diante de tantas muralhas que há dentro da própria "América": a muralha do preconceito (principalmente o racial, mas também a xenofobia típica dos EUA diante de latinos, por exemplo, ou outros tipos de preconceito, como o sexual etc), a muralha da intolerância, do puritanismo segregacionista.

Obama, portanto, significa um "sim", uma possibilidade e, portanto, uma esperança.

PS A partir da manhã desta quarta, Genilson Brandão, querido amigo jornalista brasileiro que mora nos EUA, assume algumas postagens do Blogna para comentar as eleições norte-americanas. Bem-vindo, pois, Genilson!

2.11.08

Você conhece gente de bem?

O LIBERAL impresso estréia hoje uma série de matérias que se chama “Gente de Bem”. São reportagens que focam pessoas que se doam, de alguma forma, para melhorar o mundo, ajudando crianças, velhos, doentes, o meio ambiente, os animais.

A série começa com três personagens: um contabilista que é voluntário numa entidade que cuida de soropositivos, uma família que ajuda carentes distribuindo alimentos coletados na cidade e uma senhora que dedica sua vida a acolher animais abandonados.

“Gente de Bem” é uma tentativa de nadar contra a corrente diante de uma mídia que cada vez mais explora desgraças e abusa do sensacionalismo para ganhar audiência. Uma forma de mostrar que há bons exemplos a serem seguidos e, para isso, precisam merecer a atenção do jornalismo. É uma série interativa, pois, aqui no Blogna, abrimos espaço para você nos sugerir personagens.

Você, caro leitor, conhece gente de bem? Pois divida conosco e nos ajude a mostrar que há muita gente lutando por um planeta melhor, mais justo, mais fraterno, que respeite a vida na sua formamais diversa.

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