
Escrevi na coluna dominical "Contextualidade", no LIBERAL impresso de hoje, sobre o trágico fim do seqüestro em Santo André e aqui quero abrir o tema para interação com você, leitor (sua opinião é sempre bem-vinda). Penso que o caso já escancarou uma polícia desastrada, uma mídia sensacionalista e ainda vai escancarar uma lei que afaga bandidos no Brasil.
A Polícia Militar teve quatro dias para fazer alguma coisa. Nesse tempo, Lindemberg apareceu por várias vezes em janelas do apartamento, podendo ser atingido na cabeça por atiradores de elite. Por que não se fez isso? Diz o comandante da operação que, se o fizesse, a polícia seria acusada de não tentar o caminho da negociação até o fim. Pois o fim foi trágico para as vítimas e o melhor possível para o criminoso, que saiu ileso (e está preso separado dos outros detentos, protegido deles). Agora, quando uma das garotas já está morta, a polícia está sendo acusada de despreparada, como tasca a "Veja" na capa desta semana, com toda a razão.
Durante todo o tempo, as TVs fizeram do caso um programão para aumentar o ibope. Tudo pareceu um circo em que o protagonista era um jovem bandido desequilibrado, que de anômimo passou a estrela em rede nacional, como bem lembrou o professor de Ética Jornalística (do qual tive a honra de ser aluno na Cásper) Carlos Alberto Di Franco, ao analisar o caso. Os programas policialescos, principalmente na Record, chegaram a dar nojo e mostrar o quanto a mídia é descompromissada com o interesse público.
Agora, Lindemberg está no cólo da Constituição de 88, feita logo após o regime militar (quando se prendiam e torturavam inocentes), portanto recheada de artifícios que permitem a defesa de criminosos: atenuantes para réus primários, caso de Lindembeg, direito a todos os tipos de recursos, teto máximo de 30 anos de prisão, diminuição de tempo de cadeia no caso de bom comportamente. Enfim, Lindemberg está sob a égide de uma legislação que vê o criminoso como alguém que sempre merece uma segunda chance. Chance que Eloá não teve para, aos 15 anos, poder viver.
Lindemberg pode ser condenado a 40 anos de cadeia. Quando se condena alguém a mais de 30, pode-se pedir outro julgamento, já que não se pode prender ninguém no Brasil por mais de 30 anos. O fato de ser réu primário facilita na defesa e, com um bom advogado, usará isso ao seu favor. A alegação do crime passional também pode lhe ser benéfica, pois dirá o advogado que o coitadinho estava desesperado por ser deixado pela namorada (lembremos que vivemos num país machista). Após preso, se ele se comportar bem, pode ter a pena reduzida, ganhar saídas para ver a família no Natal, Dia das Mães, logo ganha um regime semi-aberto e tchau, cadeia. Ou seja, não se assuste se o réu acabar preso por uns dez anos, no máximo.
Que me desculpem as entidades que defendem os direitos humanos e os cristãos de plantão, mas torço para que a "lei" do cárcere, feita e executada à risca pelos próprios presos, faça Lindemberg pagar, verdadeiramente, pela monstruosidade que fez diante de um País inteiro como testemunha de sua culpa.
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