27.10.08

Só radar vale?

Essa cena é mais que comum. Radar escondido na SP-304, à espera do motorista com alguns quilômetro por hora a mais para ser fotografado e receber, em sua casa, uma multa via correios. Prática errada? Nem tanto, pois avisa-se na rodovia que a velocidade é controlada por radares, ou seja, eles podem estar em qualquer lugar. A incoerência está em outro ponto: é a única fiscalização existente na estrada.

Matéria do jornal O LIBERAL do último sábado aponta que a SP-304 não tem outro tipo de fiscalização além dos espiões eletrônicos. Ou seja, não tem, por exemplo, como evitar que outra carreta com carga muito mais alta do que o permitido trombe numa passarela (como aconteceu na semana passada), causando uma tragédia. Aí, o radar passa a ser imoral, pois quem administra a rodovia apenas utiliza o "big brother", achando que isso basta para o bom trânsito.

É preciso ir além das multas eletrônicas para se ter um motorista mais consciente e um tráfego menos assassino. Você não acha, caro leitor?

foto Marcelo Rocha / O LIBERAL

20.10.08

O fracasso da polícia e do País

Uma reportagem do "Fantástico" de ontem e um artigo na "Folha de S. Paulo" de hoje lançam luz nas trevas do sensacionalismo que o seqüestro em Santo André vem recebendo da mídia. E não deixam dúvidas quanto ao fracasso da operação da polícia, despreparada técnica e emocionalmente para lidar com situações do tipo. Abaixo, alguns dos pontos abordados no "Fantástico" e na "Folha".

Por que não se atirou no rapaz? Em vários momentos (quando apareceu no vitrô do banheiro e na janela da sala), era possível abater o seqüestrador e libertar as jovens, ilesas, explicou um especialista da Swat (polícia de elite norte-americana) ouvido pelo "Fantástico". Mas, a polícia paulista diz que era um jovem abalado emocionalmente e, então, preferiu-se tentar a negociação. Abalada emocionalmente parecia estar a polícia, para ter compaixão com um criminoso que estava fazendo duas inocentes sofrerem.

Por que se esperarem quatro dias? O mesmo especialista ouvido pela Rede Globo diz que, no caso de um seqüestro passional, quanto mais se demora a negociação, mais se corre risco de o seqüestrador se desequilibrar, já que o caso é diferente de alguém que seqüestra por dinheiro, por exemplo. A Swat dá 24 horas para acabar com casos do tipo. Depois, é invasão (planejada, claro).

Por que se deixou uma menor voltar para o cativeiro, após libertada? Esse é o ponto mais absurdo de todos, que contraria a própria lei (o ECA) e se resume na frase do especialista da Swat, que nasceu no Brasil: "Tenho vergonha de ser brasileiro".

Por que a entrada tão mal feita no apartamento? Aqui, se explicam os tiros dados nas seqüestradas, um dos quais acabou matando Eloá. A polícia explodiu a porta, mas se viu diante de móveis colocados pelo seqüestrador e, até conseguir passar por eles, deu tempo de Lindemberg atingir as duas vítimas com tiros. Erro crasso, que seria corrigido se a polícia tivesse uma simples câmera de fibra ótima, que pudesse enxergar por baixo da porta, lembra o texto publicado hoje na "Folha", escrito por José Padilha (diretor de "Tropa de Elite" e "Ônibus 147") e Rodrigo Pimentel (ex-capitão do Bope). Ou se houvesse uma invasão simultânea, pela porta e janelas. Mas, a escada que a polícia tinha era pequena demais, um escárnio.

Por que se poupa bandido neste País? Lindemberg, que por quatro dias foi poupado da mira das armas da polícia, continua poupado pelo Estado brasileiro, em cela separada para não apanhar dos outros presos. Mais: ainda não sabe da morte da ex-namorada (que ele matou, lembremos). Diz sua advogada que ele está chocado e arrependido e não foi dada a notícia para que ele não fique ainda pior. O rapaz está sem comer e, se for avisado da morte, pode continuar sem se alimentar. Pobrezinho do moço...

imagem sxc

19.10.08

O monstro no cólo da lei

Escrevi na coluna dominical "Contextualidade", no LIBERAL impresso de hoje, sobre o trágico fim do seqüestro em Santo André e aqui quero abrir o tema para interação com você, leitor (sua opinião é sempre bem-vinda). Penso que o caso já escancarou uma polícia desastrada, uma mídia sensacionalista e ainda vai escancarar uma lei que afaga bandidos no Brasil.

A Polícia Militar teve quatro dias para fazer alguma coisa. Nesse tempo, Lindemberg apareceu por várias vezes em janelas do apartamento, podendo ser atingido na cabeça por atiradores de elite. Por que não se fez isso? Diz o comandante da operação que, se o fizesse, a polícia seria acusada de não tentar o caminho da negociação até o fim. Pois o fim foi trágico para as vítimas e o melhor possível para o criminoso, que saiu ileso (e está preso separado dos outros detentos, protegido deles). Agora, quando uma das garotas já está morta, a polícia está sendo acusada de despreparada, como tasca a "Veja" na capa desta semana, com toda a razão.

Durante todo o tempo, as TVs fizeram do caso um programão para aumentar o ibope. Tudo pareceu um circo em que o protagonista era um jovem bandido desequilibrado, que de anômimo passou a estrela em rede nacional, como bem lembrou o professor de Ética Jornalística (do qual tive a honra de ser aluno na Cásper) Carlos Alberto Di Franco, ao analisar o caso. Os programas policialescos, principalmente na Record, chegaram a dar nojo e mostrar o quanto a mídia é descompromissada com o interesse público.

Agora, Lindemberg está no cólo da Constituição de 88, feita logo após o regime militar (quando se prendiam e torturavam inocentes), portanto recheada de artifícios que permitem a defesa de criminosos: atenuantes para réus primários, caso de Lindembeg, direito a todos os tipos de recursos, teto máximo de 30 anos de prisão, diminuição de tempo de cadeia no caso de bom comportamente. Enfim, Lindemberg está sob a égide de uma legislação que vê o criminoso como alguém que sempre merece uma segunda chance. Chance que Eloá não teve para, aos 15 anos, poder viver.

Lindemberg pode ser condenado a 40 anos de cadeia. Quando se condena alguém a mais de 30, pode-se pedir outro julgamento, já que não se pode prender ninguém no Brasil por mais de 30 anos. O fato de ser réu primário facilita na defesa e, com um bom advogado, usará isso ao seu favor. A alegação do crime passional também pode lhe ser benéfica, pois dirá o advogado que o coitadinho estava desesperado por ser deixado pela namorada (lembremos que vivemos num país machista). Após preso, se ele se comportar bem, pode ter a pena reduzida, ganhar saídas para ver a família no Natal, Dia das Mães, logo ganha um regime semi-aberto e tchau, cadeia. Ou seja, não se assuste se o réu acabar preso por uns dez anos, no máximo.

Que me desculpem as entidades que defendem os direitos humanos e os cristãos de plantão, mas torço para que a "lei" do cárcere, feita e executada à risca pelos próprios presos, faça Lindemberg pagar, verdadeiramente, pela monstruosidade que fez diante de um País inteiro como testemunha de sua culpa.

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18.10.08

Votos e poderes

Enquanto candidato a prefeito de Americana, Diego De Nadai utilizava o argumento de que deputados eleitos pela cidade deveriam cumprir seus mandatos e não se candidatarem a prefeito no meio deles, pois, se eleitos, a cidade perderia um representante na Assembléia Legislativa.

É um argumento plausível, mas, após vitorioso, Diego acaba de colocar o vereador mais votado da cidade, Luciano Correa, como secretário de Desenvolvimento Econômico, fazendo com que ele nem inicie o mandato para qual foi eleito.

Correa foi escolhido por mais de 4 mil eleitores para ser vereador, mas ele ficará em outro poder, na Prefeitura. É correto isso para quem confiou seu voto nele? A palavra é sua, (e)leitor.

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17.10.08

Polícia contra polícia

Não bastasse o fato de o Estado estar cada vez menos cumprindo com seu dever de garantir a segurança pública (e obrigando as prefeituras a investir em suas guardas para evitar o caos), ainda somos obrigados a assistir a cenas horrendas como o ocorrido nesta quinta-feira: polícias Civil e Militar guerreando entre si em plena Capital do Estado mais rico da federação.

É difícil achar adjetivo que qualifique o fato. Pois enquanto a criminalidade e a impunidade encontram cada vez mais espaço, as polícias, que existem justamente para coibir o crime, brigam entre si, num sinal claro de inabilidade do governo em zelar por um tema tão sensível à opinião pública.

O que aconteceu nesta quinta é digno de nojo: uma enorme frota de viaturas, muitos soldados e até a cavalaria da polícia concentrados num único lugar onde o inimigo não era o bandido, mas a própria polícia. Pior: bombas de gás lançadas como se o "outro lado" fossem baderneiros, mas era a própria polícia!!! Tudo para proteger o palácio do governador Serra. Mas, e nós, governador, quem protege???

Os bandidos devem estar morrendo de rir. Você não acha, caro leitor?

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14.10.08

Marta, que vergonha!

Desesperada porque dificilmente vencerá o prefeito Gilberto Kassab em São Paulo, Marta Suplicy parte para a ignorância, como diz o velho jargão. A campanha da petista pergunta, na TV e no rádio, se o eleitor conhece Kassab, se ele é casado e tem filhos, insinuando algo sobre sua opção sexual.

Ora, ora, justo Marta Suplicy, cuja carreira política tem um legado de defesa dos homossexuais e, por conta disso, possui um enorme reconhecimento entre movimentos gays pelo País todo. Justo Marta, autora de um democrático projeto de união civil entre pessoas do mesmo sexo, que engatinha há anos por conta do moralismo da maioria dos parlamentares brasileiros.

Marta não precisa perder dessa maneira. Poderia terminar a campanha com dignidade e, mais que isso, respeitando seus próprios princípios. Mas, infelizmente, a luta pelo poder mais que transforma as pessoas: deforma-as.

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13.10.08

Segurança cara

O LIBERAL deste domingo revelou que o Poder Público de Americana gasta, por ano, quase R$ 1 milhão com segurança privada para zelar pelos prédios da Prefeitura, Câmara e Fusame. Dinheiro retirado dos impostos que você paga, dos quais também é retirada uma parte para a manutenção de uma Guarda Municipal que existe justamente (segundo a Constituição Federal) para zelar pelo patrimônio público.

Eis uma visível contradição. A segurança pública é obrigação do governo do Estado, mas os municípios têm de fazer boa parte dela através da guardas, já que o Estado não cumpre com sua obrigação. Então, a guarda acaba cobrindo a falha da polícia estadual e acaba-se gastando uma quantia considerável para pagar uma empresa de segurança privada para fazer aquilo que seria obrigação da Guarda.

O que você acha disso, caro leitor?

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11.10.08

Vereador e escola

Matéria publicada no jornal O LIBERAL deste sábado aponta que houve queda na escolaridade dos vereadores que assumirão a próxima legislatura nas cinco cidades da RPT (Região do Pólo Têxtil), que são Americana, Santa Bárbara, Nova Odessa, Sumaré e Hortolândia.

A questão da escolaridade para agentes políticos é polêmica. Há quem diga que não deve ser obrigatória, pois o vereador é representante legítimo do povo e exigir escolaridade mínima seria impedir a plena democracia. Entretanto, há um outro lado da moeda: escolaridade é também sinônimo de conhecimento e, para liderar, é preciso conhecer, dizem os que defendem um grau mínimo de ensino formal para representantes no poder.

Você, caro leitor, o que acha?

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6.10.08

O que achou dos eleitos?

Diego de Nadai (PSDB) em Americana, Mário Heins (PDT) em Santa Bárbara, José Antonio Bacchim (PT) em Sumaré, Manoel Samartin (PDT) em Nova Odessa, Ângelo Perugini (PT) em Hortolândia.

O que você achou dos eleitos nas cinco cidades da RPT (Região do Pólo Têxtil)?

Charge: Carlos Reis / O LIBERAL