Jornalismo e canudo
Pesquisa do instituto Sensus encomendada pela Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) aponta que 74,3% dos brasileiros defendem a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. O levantamento ouviu 2 mil pessoas e vem a calhar, justamente no momento em que o Supremo Tribunal Federal está prestes a jugar o mérito de uma ação que quer acabar com a obrigatoriedade da formação universitária para o exercício da profissão.Dizem os que defendem o fim da obrigatoriedade que o direito de expressão num jornal, por exemplo, não deve ser exclusivo de quem tem formação em jornalismo e, portanto, todos têm o direito de fazer reportagens em veículos de comunicação. Já os que defendem o diploma como obrigatório alegam que há espaços na mídia para quem não é jornalista, como nas seções de cartas e artigos, e que o espaço dedicado às notícias requerem conhecimento técnico, que, em tese, se ensina em faculdades.
Este jornalista, defensor do diploma, faz uma analogia. Digamos que, inspirado pela nobre ação de salvar vidas, eu queira dar uma de médico. Ora, salvar vidas, como a liberdade de expressão, é um direito de todos! Então, posso ser médico, certo? Não, da mesma forma que um médico não deveria se meter a escrever uma reportagem sobre, por exemplo, política ou economia. Portanto, há uma diferença entre liberdade de expressão e o ofício do jornalismo, assim como há entre o nobre ato de salvar vidas e a prática da medicina.
Penso que, numa época em que a internet entope nossas vidas de deformações em vez de informações, lutar pelo diploma (que profissionalizou os jornais em todo o País) e, mais que isso, pela melhoria urgente das faculdades de jornalismo, deveria ser uma bandeira da sociedade. E você, o que acha?
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