24.9.08

Jornalismo e canudo

Pesquisa do instituto Sensus encomendada pela Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) aponta que 74,3% dos brasileiros defendem a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. O levantamento ouviu 2 mil pessoas e vem a calhar, justamente no momento em que o Supremo Tribunal Federal está prestes a jugar o mérito de uma ação que quer acabar com a obrigatoriedade da formação universitária para o exercício da profissão.

Dizem os que defendem o fim da obrigatoriedade que o direito de expressão num jornal, por exemplo, não deve ser exclusivo de quem tem formação em jornalismo e, portanto, todos têm o direito de fazer reportagens em veículos de comunicação. Já os que defendem o diploma como obrigatório alegam que há espaços na mídia para quem não é jornalista, como nas seções de cartas e artigos, e que o espaço dedicado às notícias requerem conhecimento técnico, que, em tese, se ensina em faculdades.

Este jornalista, defensor do diploma, faz uma analogia. Digamos que, inspirado pela nobre ação de salvar vidas, eu queira dar uma de médico. Ora, salvar vidas, como a liberdade de expressão, é um direito de todos! Então, posso ser médico, certo? Não, da mesma forma que um médico não deveria se meter a escrever uma reportagem sobre, por exemplo, política ou economia. Portanto, há uma diferença entre liberdade de expressão e o ofício do jornalismo, assim como há entre o nobre ato de salvar vidas e a prática da medicina.

Penso que, numa época em que a internet entope nossas vidas de deformações em vez de informações, lutar pelo diploma (que profissionalizou os jornais em todo o País) e, mais que isso, pela melhoria urgente das faculdades de jornalismo, deveria ser uma bandeira da sociedade. E você, o que acha?

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16.9.08

Cruel abandono

Talvez acreditando na idéia de que o que os olhos não vêem o coração não sente, muitos donos de cães despejam suas ninhadas em canis que abrigam animais abandonados para se livrarem do "problema" sem vê-los morrer.

Matéria do LIBERAL desta terça aborda o assunto e aponta que nada menos de 100% dos filhotes abandonados na associação que cuida de cães e gatos na Avenida Bandeirantes morreram nos últimos meses.

Isso porque os bichinhos abandonados muitas vezes sequer abriram os olhos, precisam ser amamentados pela mãe, assim como receber dela todos os cuidados. Abandoná-los sem as mães, portanto (como acontece), é condená-los à morte. E a uma morte cruel: por inanição.

Maltratar animais é crime, assim como é obrigação dos proprietários zelar pelos bichos que estão sob sua tutela. Está na Constituição, pena que não existe na prática, porque as autoridades brasileiras ainda sequer aprenderam a olhar para o ser humano como dotado de direitos, imagine-se quanto aos animais...

E você, o que acha disso?

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13.9.08

Água em colapso

É preocupante, para dizer o mínimo, a manchete de sexta-feira do jornal O LIBERAL ("Lencol freático pode secar em dez anos, alerta estudo"). Mais ainda a continuação dela na edição deste sábado ("DAE tem de abaixar bombas em poços"). Sinais claros (em estudo e na vida prática) do colapso hídrico de Americana (fenômeno que podemos estender à região).

Engraçado é que o diretor do DAE diz, na reportagem deste sábado, que algo tem de ser feito "ugentemente". Ora, mas, em quatro anos de sua gestão, o que foi feito? Vejamos, pois: o DAE jogou esgoto in natura nos rios inúmeras vezes porque disse não ter dinheiro sequer para colocar alarmes nas estações elevatórias, alvos constantes de vandalismo (mas havia dinheiro suficiente para deixar de arrecadar com descontos duvidosos); também não investiu na estação de tratamento de esgoto sucateada, sequer cumprido o que prometera junto ao Ministério Público; o DAE não investiu na troca de rede de água, que gera um desperdício enorme nas quebras constantes sob o asfalto;

São alguns exemplos de que o "urgente" do discurso passa longe da prática. E, enquanto apenas se fala em vez de fazer, a cidade literalmente vai "secando" até que seja tarde demais para se tomar alguma atitude. E você, o que acha disso?

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11.9.08

A multimídia

Estive hoje de manhã na Faculdade de Jornalismo da PUC Campinas participando como palestrante do 1º Encontro de Editores, em que estiveram o editor de Internacional do Estadão e os editores-chefes da RAC (Campinas) e do jornal mundial Metro.

O tema abordado foi "Experiências e Tendências Editorais" e a faculdade conseguiu formar uma mesa bastante eclética para o debate junto a alunos de todos os anos do período da manhã: jornalismo com foco local/regional, nacional e internacional.

Um tema comum a todos foi a multimídia, ou seja, a coexistência dos meios impresso e eletrônico. Assim como se discutiu no último Congresso da ANJ, realizado recentemente, os editores presentes na PUC concordam que uma plataforma multimídia em que interagem jornal impresso e meios eletrônicos, como Internet e rádio, é a melhor receita que se tem para vencer os desafios da comunicação de hoje.

Apontei que a credibilidade da informação é o grande desafio de qualquer meio de comunicação e o diferencial (ou seja, a personalidade) será a peça-chave para a sobrevivência, por exemplo, do impresso.

E você, o que acha?

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10.9.08

A era da especulação

Há quem diga que não estamos mais na era contemporânea e sim na era da comunicação, já que à nossa volta está uma parafernália multimídia, em que os mais diversos meios tentam passar algum tipo de mensagem, disputando nossa percepção de cidadão capitalista-consumista. Mas eu diria que, mais que isso, vivemos a era da especulação.

Digo baseado em várias eleições trabalhando como jornalista (uma como repórter, duas como editor aqui no LIBERAL). Nunca, em pleitos anteriores, vi tanto boato e, em contrapartida, tão pouca informação acerca da corrida aos cargos públicos. Um sinal de que a Internet, se por um lado democratiza a informação, por outro ajuda a desmoronar alguns dos pilares básicos do jornalismo, principalmente a premissa da apuração da informação.

Os blogs são a vedete dessa onda, boa parte deles espalhando achismos sem nenhuma base técnica, tampouco jornalística. Não se checa a informação passada, não se aponta a fonte dela, não se ouve a parte atacada (ou, alvo da boataria), não se mostram dados numéricos, ou seja, não se informa e, em vez disso, deforma-se. Apenas veicula-se a opinião "soberana" do blogueiro, com uma falsa idéia de que é democrática, só porque quem lê pode colocar comentários abaixo.

A tecnologia deveria aprimorar o velho e bom hábito de, antes de se achar capaz de passar uma informação ao público, ser capaz de checá-la. Senão, a Internet vira apenas uma versão virtual de uma rodinha de comadres fofoqueiras.

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7.9.08

A carne e o aquecimento

"As pessoas deveriam considerar comer menos carne como uma forma de combater o aquecimento global, segundo o principal cientista climático da ONU (Organização das Nações Unidas), Rajendra Pachauri". É o que diz matéria publicada neste domingo no portal Uol.

Já discutimos o assunto aqui no blog. É polêmico, porque nascemos numa sociedade em que o consumo da carne faz parte da cultura de gerações. Mas, o alerta é verídico. Veja-se por que: "Números da ONU sugerem que a produção de carne lança mais gases do efeito estufa na atmosfera do que o setor do transporte", completa a reportagem do Uol.
Um dos fatores é o gás metano que os rebanhos emitem e a ONU ainda está calculando os gases emitidos em todo o processo da carne para alimento, mas há outro ainda pior: o desmatamento feito para pastagens para as vastas plantações de grãos que vão alimentar o gado. Grãos que poderiam alimentar diretamente o ser humano, num aproveitamento infinitamente melhor da energia produzida.

Já adotei tal dieta antes mesmo de a ONU admitir, tardiamente, que a indústria da carne é uma das mais daninhas ao ecossistema. Há mais de quatro anos, não sei o que é morder fibras animais e descobri que a natureza nos presenteia com sabores maravilhosos que brotam da terra. Ou seja, não precisamos fazer verter sangue com dor para saborearmos um bom prato. E a natureza ainda agradeceria...

E você, o que acha?

PS O link da matéria do uol: http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2008/09/07/ult4909u5467.jhtm

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4.9.08

Apesar de vocês...

Câmaras, Assembléias Legislativas, Congresso e Senado deveriam estar envergonhados. Porque se começou a cumprir, através de decisão do Supremo Tribunal Federal, o que deveria ter saído não dos tribunais, mas dos plenários onde trabalham senadores, deputados e vereadores: o início de um bem-vindo fim do nepotismo (nome dado ao emprego de parentes).

O fenômeno inédito na história do Brasil pôde ser visto até aqui em Americana, onde o prefeito Erich Hetzl Júnior, ao ver que não tinha mais como argumentar a presença de parentescos do alto escalão em cargos de confiança, resolveu aderir às demissões.

Já no Congresso Nacional, pelo menos 30 parentes de deputados foram demitidos. E um fato escabroso teve fim quando o deputado Pedro Fernandes (do PTB do MA) se viu obrigado a demitiu mulher, filho, um irmão e a sobrinha. O salário do deputado com o dos seus parentes somava uma renda anual de R$ 536.220,23! Tudo às custas do seu dinheiro, caro contribuinte.

A iniciativa de proibir a contratação de parentes deveria ter partido das próprias casas legislativas porque nelas se elaboram, discutem e votam leis. Mas, acabou só acontecendo depois que a alta corte do Judiciário decidiu proibir o nepotismo em todas as instâncias públicas. Ponto para a Justiça, vergonha para os tantos representantes do povo eleitos a cada quatro anos. Pena que eles, geralmente, não tem vergonha.

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3.9.08

Cortina de polêmica

Há quem diga que o direito do fumante inexiste a partir do momento em que seu vício está prejudicando a saúde de quem não quer inalar a fumaça do seu cigarro. Outros alegam que o fumante tem direito a um espaço reservado em estabelecimentos como casas noturnas para poder exercer seu hábito (ou, vício).

A dualidade de opiniões explicitada acima ficou ainda mais polêmica após uma iniciativa do governador José Serra de proibir o fumo mesmo em estabelecimentos privados, como bares, restaurantes, choperias e afins. A medida valeria para todo o Estado e quem desrespeitasse poderia correr o risco de perder o alvará.

O que você acha dessa medida? Trata-se da defesa da saúde dos não-fumantes? Ou é uma ação que tira a liberdade individual de cada um?

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Pimenta nos olhos do Brasil

O Brasil é mesmo um País único. Tanto em privilégios naturais quanto em absurdos nas esferas de poder. Ontem, mais um capítulo da interminável novela chamada Impunidade (que já tem mais de 500 anos em cartaz) pôde se assistido no País.

O ex-diretor do Estadão, Antonio Marcos Pimenta Neves, teve sua pena de 19 anos de prisão diminuída para 15. Até aí, menos mal, já que seus advogados haviam pedido a anulação da pena. O problema é que, mesmo tendo sido condenado em 2006, Pimenta Neves nunca foi preso, mesmo continuando condenado, conforme a decisão de agora.

O ex-todo-poderoso de um dos maiores jornais do País aguarda em liberdade a decisão sobre um recurso especial para a anulação do julgamento porque ele foi condenado, pelo Tribunal do Júri, a mais de 18 anos de pena.

Trata-se de um deboche aos homens e mulheres deste País que nunca puxaram o gatilho na direção de um outro ser humano. Pimenta Neves matou a ex-namorada a tiros no ano 2000, confessou o crime, foi condenado em júri popular e, como qualquer homicida confesso (e condenado!), deveria estar atrás das grades. Mas, como é abastado e influente, conhecido nos meandros do poder, mantém-se livre, uma prova de que, como disse o general de Gaule, esse Brasil não é sério. Nem um pouco sério...

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