27.8.08

O que você daria a Americana?

Publicamos hoje no LIBERAL um suplemento de 32 páginas, todas dedicadas aos 133 anos de Americana. Todo ano, meses antes desta data de aniversário, colocamos os neurônios de molho para pensar numa forma criativa de redescobrir a cidade e, desta vez, nos inspiramos nos quatro elementos da natureza (terra, água, fogo e ar) para focar a cidade.

Através da terra, mostramos desde a ocupação da cidade até o desafio de vencer os espaços que vão se tornando raros num município bastante urbanizado; a malha viária que precisa se expandir; a infra-estrutura privilegiada diante de municípios do mesmo porte nos quesitos educação e saúde, por exemplo.

Na água, está o próprio desafio de sobreviver recuperando represa e mananciais, fazendo a orla das praias novamente atrair lazer aos americanenses e possibilidades turísticas; sobreviver cuidando deste elemento vital e sabendo represar, capta e distribuir água, assim como tratar o esgoto para devolver água limpa à natureza.

O fogo que permitiu ao homem a transformação da matéria-prima em produtos é, no suplemento, a pujaça econômica da princesa que ainda é tecelã e hoje bem mais diversificada; os desafios da nova era da Região do Pólo Têxtil; a modernização das empresas numa economia competitiva.

E o ar, a tradição de voar desde a construção de um aeroporto, os inesquecíveis campeonatos de pára-quedismo e a formação de pilotos locais; a ousadia de crescer para cima com o maior número de prédios da RPT e a necessidade de respirar melhor, vencendo a velha poluição atmosférica.

Numa época em que o meio ambiente está em alta na pauta mundial, pensamos ser esta uma abordagem pertinente, relacionando a cidade que amamos aos elementos vitais da natureza. Aqui no blog, queremos a sua opinião sobre Americana. O que você daria de presente à cidade neste aniversário de 133 anos?

Foto Cleiber Ribeiro / O LIBERAL

22.8.08

Horário gratuito para quê?

Em pleno horário tido por "nobre", uma pausa para a democracia. Democracia? Teoricamente, sim, pois o "horário eleitoral gratuito" (que na verdade só é gratuito para os candidatos, pois custa dinheiro aos meios de comunicação e paciência à sociedade) foi criado (ao menos em tese) para haver um espaço de propostas ao grande público.

O problema é que não se mostra proposta alguma. Ou frases do tipo "Por mais saúde, educação, segurança e habitação, vote fulano de tal" seria algum tipo de proposta? Nem promessa dá para dizer que é, pois se trata apenas de uma frase jogada, sem o mínimo de lógica e contextualização, sem respeito ao eleitor, que tem o direito de saber como se vai colocar em prática uma promessa.

Ouvir ou assistir ao que dizem os candidatos em todo o País (e na região isso fica muito evidente) é um exercício de niilismo político. Não se constata nada que justifique uma decisão do eleitor. Nada de novo além de uma nova melodia das musiquinhas feitas para "colar" no cérebro e dos cenários menos amadores, que buscam criar bons rótulos (não interessa o "conteúdo").

Penso que o horário eleitoral não serve para nada além de um exercício de humor, para os otimistas, ou de desrespeito, para os céticos. Humor por conta das trapalhadas que se falam; desrespeito porque se trata o eleitor como um idiota em potencial, que não necessita de explicação para nada, apenas de frases de efeito (e às vezes, de muito defeito).

E você, o que acha (e)leitor?

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21.8.08

Empurrando com a barriga

Faz nada menos que seis anos que o tratamento de esgoto de Americana se arrasta em problemas. A Estação de Tratamento Carioba, que já foi pioneira na região, não dá conta da demanda e trata apenas 65% do esgoto coletado, despejando o restante in natura no Rio Piracicaba.

Mas há algo mais grave do que isso. Desde 2004, o DAE vem se comprometendo com o Ministério Público em solucionar a questão, assinando acordos para readequar a estação, porém não os cumpre. Em vez disso, sempre fica pedindo adiamento de prazos dizendo que, se for dado mais algum tempo, o prometido será cumprido.

Um novo pedido desse tipo acaba de ser feito. O DAE acaba de pedir mais três anos para solucionar o problema, arrastando-o para o penúltimo ano de gestão do próximo prefeito.

O curioso é que, questionado ontem pela repórter Aline Macário, do LIBERAL, sobre quanto custarão as adequações prometidas, o diretor do DAE disse que é difícil fazer tais cálculos. Ora, se não se sabe quanto vai custar um serviço necessário há seis anos, difícil é acreditar que o serviço será algum dia feito.

Enquanto isso, as cidades vizinhas vão implantando sistemas modernos de tratamento de esgoto, como o de Nova Odessa e Sumaré, que tratarão com eficácia de 100%, ou como Santa Bárbara, que está até emprestando o serviço para Americana.

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20.8.08

Ironias da política

Algumas incoerências da política seriam cômicas, não fossem quase trágicas para os cofres públicos. Nesta semana, duas dessas incoerências ficaram evidentes, uma em Nova Odessa, outra em Americana.

Um dos casos aconteceu anteontem, quando o presidente da Comissão de Inquérito criada para investigar desvios na Saúde Pública de Nova Odessa, José Mário Moraes, disse ser insignificante o valor desviado, que passa dos R$ 200 mil.

A comissão que ele preside, criada justamente por causa do desvio, negou-se a contratar uma empresa de auditoria para chegar ao número exato dele. Ou seja, desviou-se do caminho do desvio, para azar do erário.

Outro caso aconteceu ontem, em Americana. O presidente da Câmara dos Vereadores, Marco Antonio Alves Jorge, voltou a propor que a Prefeitura dê terrenos públicos em troca do aluguel de 29 mil reais que nós, cidadãos americanenses, pagamos pelo palacete ocupado pelos legisladores, muito maior que o necessário, diga-se.

A ironia, nesse caso, é que o governo defendido por Alves Jorge (do qual ele fez parte por longa data) alega não ter áreas para atrair indústrias à cidade. Mas, pelo visto, tem para dar em troca de um prédio enorme e caro que abriga confortavelmente apenas 13 vereadores.

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17.8.08

Diego, Daiane e Jade somos nós

Sim, o Brasil foi longe na ginástica olímpica, é preciso dizer isso. Mas os erros de três dos nossos maiores atletas nas Olimpíadas de Pequim (Diego Hypólito, Daine dos Santos e Jade Barbosa) expõem um País com enorme potencial para chegar ao topo, porém com insegurança na "hora H".

Diego era favorito ao ouro, estava a poucos minutos dele, mas falhou nos momentos finais, caindo ao chão. Jade, também com qualidade para brigar pelas primeiras posições, mostrou a insegurança brasileira na própria instabilidade emocional, quando se derrita em lágrimas medrosas a cada tropeço, como se fosse um carma a acompanhar sua vida (ou a vida de todos nós). Daiane, que já encantou o mundo, encarna um Brasil alegórico, mas ainda longe de fazer bonito.

Não, não devemos criticá-los. Longe disso. Diego, Jade e Daiane são nossa própria face em Pequim, revelam um Brasil que pode chegar lá, tem atributos para isso, mas ainda falta um tanto de determinação, auto-controle, confiança. César Cielo é exceção, que se explica: sua escola não é o Brasil, mas os Estados Unidos, onde ele se formou como grande nadador. Seu choro é um lindo choro de vencedor.

imagem: Alaor Filho / Divulgação COB

12.8.08

Dois pesos, duas medidas

Neste final de semana passei em frente a um posto de combustíveis na Avenida Brasil e quase não consegui ver o posto. Estava completamente tomado de pessoas bebendo cerveja, fumando cigarros, ouvindo músicas em volume alto.

Pensei na lei municipal que proíbe venda de bebidas e alimentos em farmácias e me veio a dúvida: o que é pior, uma farmácia vender cerveja para quem compra para beber em casa ou um posto de combustível, cheio de gasolina, álcool e diesel (produtos inflamáveis) no subsolo, não só vender cerveja e afins como servir de bar a céu aberto, repleto de fumantes colocando em risco a vida até da vizinhança?

Se farmácia só pode vender remédio, posto não pode ser bar. Mas, a Prefeitura já informou que fará blitze nas drogarias (O LIBERAL de sábado informa isso), enquanto faz vistas grossas nos postos.

Incoerente, você não acha?

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5.8.08

Por que a China?

As redes de TV começam a entrar ao vivo de Pequim para noticiar os jogos olímpicos que estão para começar. E o cenário de fundo é um céu cinza, um país esfumaçado pela poluição que coloca o mundo em xeque.

A China ainda usa carvão para gerar energia, queimando-o em enormes usinas e poluindo como nenhuma outra nação. É o maior agressor do meio ambiente no mundo e o fato já preocupa atletas, porque isso pode prejudicar seu desempenho.

Mas não é só isso: a China não é um país democrático, viola os direitos humanos com seu modelo que mescla ditadura política e mercado liberal. Fica evidente isso nas várias formas de censura imposta pelo país sobre dados das próprias olimpíadas via Internet.

E se nem os direitos humanos se fazem valer, claro que a China também é um país que desrespeita os direitos dos animais. A antiga "tradição" de se comer cachorro ou maus-tratos dos mais diversos podem ilustrar tal situacão.

Diante do que se descreve, pergunta-se: por que fazer uma olimpíada num país que maltrata o ser humano e a natureza? Justamente as olimpíadas, cuja origem é na pátria da democracia, a Grécia, espelho até hoje da humanidade no que diz respeito ao pensamento filosófico e humanístico?

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1.8.08

Pistas 'big brother'

Toda vez que passo pela SP-304, está lá um radar escondido, bem na baixada onde os carros pegam embalo para enfrentar a ladeira onde o viaduto corta a Avenida Bandeirantes. Nesta semana, vi um do mesmo tipo na Anhanguera. E me vem a pergunta: isso educa algum motorista?

Penso que não. Primeiro, porque a maioria dos multados sequer sabe que foi multado no momento em que está cometendo o erro. Segundo, porque vai saber depois de algumas semanas de forma fria e impessoal, pelo correio (se o correio não estiver em greve). Terceiro, porque se trata de uma pegadinha com claro objetivo: papar multa.

Não se pode negar que a tecnologia trouxe muitos avanços na segurança do trânsito. Câmeras, radares e outros aparelhos facilitam a fiscalização e punição de quem comete infrações que colocam a vida de terceiros em risco. Mas esconder radar atrás de muretas de concreto bem na descida onde os carros pegam um breve embalo é sacanagem.

Tenho saudade de quando os policiais rodoviários paravam os motoristas e davam um belo discurso sobre os perigos de dirigir acima da velocidade. Era impossível esquecer esses discursos. Com ou sem multa, valiam muito mais que a frieza meercantilista do radar invisível.

E você, leitor, o que acha?

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