Mau-trato e indignação
Tarde de sábado, um cão inofensivo passa no estacionamento de um centro de compras da região, não incomoda ninguém, mas chega o segurança, levanta-o pelo couro do pescoço e, segurando-o com apenas uma mão, começa a caminhar no sentido da rua, que está um tanto quanto longe. O cão chora, grita, tenta se livrar das mãos da pessoa que o maltrata, mas em vão.Vi essa cena e eu e minha esposa não conseguimos ficar indiferentes. Corremos atrás do segurança e lhe disparamos várias palavras, entre as quais o fato de aquela sua atitude ser crime, o que o assustou. Pedimos seu nome, ele relutou a falar, mas fui incisivo, ameaçando chamar seu superior e denunciar ali mesmo o que eu via. Ele, então, informou seu nome, o que me servirá para denunciá-lo por maus-tratos a animais.
Maltratar animal é crime e, sendo crime, é caso de polícia, que pode dar até cadeia. Mas, o que está lavrado no papel ainda permanece longe da realidade das ruas. E continuará distante da prática enquanto não nos indignarmos com o que vemos de errado, enquanto esperarmos que a solução venha das autoridades. Se a lei existe, somos nós que devemos fazê-la ser respeitada, cobrando inclusive das autoridades sua viabilização prática.
Nossa indiferença diante de casos do tipo é também conivência.
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