Manchete de quarta-feira deste LIBERAL preocupa. Revela uma informação aparentemente positiva, a queda de 27,8% nos furtos de veículos em Americana. Mas, a informação vem junto de outra bem pior: os roubos aumentaram 45,4% no mesmo período, o primeiro trimestre deste ano em comparação com 2007.
Furtos acontecem sem ameaça ou violência contra o dono do bem levado pelo bandido. Já os roubos trazem não apenas ameaça, como também violência. Acontecem em geral com o criminoso armado e disposto a fazer algumas barbaridades com a vítima, como deixá-la no porta-malas por horas em tenebrosos seqüestros-relâmpago.
Autoridades de Americana não conseguem coibir furtos e roubos de veículos, eis um fato inegável. O problema é velho e acarreta seguros 30% mais caros aqui do que em uma cidade como Limeira, por exemplo. Após os números divulgados ontem, constata-se que a situação se agravou, pois cresce o pior tipo de crime contra o patrimônio sobre rodas, cometido com a vítima correndo riscos.
Coibir os desmanches através de investigação, atuar de forma preventiva, fiscalizando por meio de blitze policiais a frota de veículos que está nas ruas, são algumas das ações que coíbem o problema. Entretanto, são feitas ainda de forma insuficiente, pois o crime anda compensando no que tange aos veículos (e não só eles). É preciso que as autoridades fechem o cerco para que esse crime não mais compense, pois só assim se conseguirá vencer o problema.
Claro que há, em contrapartida, a iniciativa dos próprios motoristas. Se nenhum deles comprasse peças usadas sem nota, o roubo e furto de veículos seriam praticamente inviáveis, considerando que a maioria dos carros levados vai para desmanches, onde são picados para suas peças serem vendidas. Uma nação não se constrói apenas com a ação do Estado, mas principalmente com a iniciativa de cada um. No Brasil, ainda faltam as duas coisas.