31.3.08

Qual o problema do dossiê?

É cada vez mais escancarada a parcialidade da grande mídia e em todo período eleitoral esse problema fica agudo. O Rio se derrete em dengue num dos momenos mais absurdos da saúde pública brasileira, uma vergonha nacional, mas o foco das manchetes é um possível dossiê que estaria sendo feito pela Casa Civil sobre as contas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A mim, o alvo dos grandes jornais parece claro: atacar Dilma Rousseff, que Lula vem preparando como sua possível sucessora. Nada contra, muito menos a favor. Mas não consigo ver notícia nisso para tantas manchetes. Mesmo supondo que há um levantamento sendo feito sobre os gastos pessoais do ex-presidente, qual o problema? Sua passagem pelo Planalto deve ser esquecida? Um governo vigente não pode ter acesso a números do anterior? A população não tem o direito a essa informação?

Por que a grande mídia faz defesa prévia e se preocupa tanto com FHC, que esteve em todos os títulos do alto das capas dos jornalões na semana que passou? Seria porque, no apagar das luzes de seu governo, ele baixou por decreto a liberação do capital estrangeiro aos veículos de comunicação, muitos dos quais enfocardos em dívidas? Ou porque jorrou dinheiro do BNDES para grandes grupos midiáticos?

Talvez por isso, a mesma grande mídia tenha sido tão boazinha com ele durante seu governo, nunca investigando, por exemplo, onde foi parar a enxurrada de dinheiro que as inúmeras privatizações trouxeram ao País, mas parece que o gato comeu, ninguém sabe, ninguém viu.

Um dossiê que explicasse tudo isso seria até bem-vindo.

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30.3.08

Trilhos e gente

Pelos trihos que cortam a região e o Brasil, que deveriam estar em muito melhor estado e ser mais extensos, poderiam trafegar passageiros, evitando acidentes e congestionamentos nas ruas, poluindo menos, barateando o transporte coletivo.

Mas, passam apenas vagões velhos carregados de produtos que vazam e contaminam a linha férrea, incomodando quem trabalha ou mora nas redondezas. Pior: sobre os vagões, muitos jovens arriscam a vida "surfando".

O LIBERAL deste domingo aponta flagrantes de surfe de trem em pleno Centro de Americana. Três fotos na capa escancaram o problema. O jornal ainda conversou com uma vítima de tal prática, que perdeu as duas pernas.

Mais que imprudêcia por parte dos jovens e falta de segurança por parte dos responsáveis pela linha férrea, o fato revela também o abandono do transporte ferroviário, que deveria ter gente bem acomodada dentro dos vagões, nunca em cima deles.

27.3.08

Resumão

Que tal um resumão da semana para seu olhar crítico, caro leitor?

- Na terça, noticiamos em manchete que um policial militar de Sumaré matou um jovem apenas porque este esbarrou em seu copo de cerveja. É o segundo caso de homicídio envolvendo policial da região em apenas duas semanas;

- Na quarta, a manchete do LIBERAL revelou que o DAE de Americana corta, todo mês, mil ligações de água de imóveis da cidade, e o maior motivo é falta de pagamento. O mesmo DAE deu, apenas no ano passado, desconto de quase R$ 40 mil das taxas do Clube dos Cavaleiros por considerá-lo filantrópico;

- Nesta quinta, a manchete do jornal revela que o prefeito de Americana, Erich Hetzl Júnior, autorizou o gasto de R$ 39 mil à construção de um abrigo para a sucata do tomógrafo, já que a sala onde estão seus "restos mortais" será usada para um aparelho novo. O tomógrafo já deu prejuízo de R$ 210 mil aos cofres públicos e sua compra foi um dos maiores escândalos com o dinheiro do contribuinte americanense. Agora, o prefeito ainda permite que se faça um imóvel apenas para abrigar suas peças. Precisa?

Com a palavra, o nobre leitor.

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25.3.08

Policiar a polícia

Você confia na polícia? Acredita que a corporação desempenha o papel de proteger a sociedade?

Dois fatos recentes -além, é claro, de um legado de abusos de poder- inspiram à pergunta. O primeiro aconteceu na semana passada, quando um policial militar de Sumaré matou um travesti sem nada que configurasse legítima defesa. O segundo foi nesta semana, quando outro policial militar (também de Sumaré) matou um jovem apenas porque ele esbarrou na sua cerveja. E o legado de abusos de poder muitos já sentiram numa simples abordagem.

Pois é pensando nesses abusos que este blog toca no assunto. Você já foi abordado pela polícia? Achou que houve algum tipo de abuso de poder? Então, se quiser, relate aqui, escreva o que pensa sobre o assunto.

Claro que vale a ressalva de que há bons policiais, que arriscam a vida para cumprir sua missão. A idéia aqui está longe de generalizar. Porém, é preciso que a sociedade vigie a polícia para que a polícia vigie os bandidos.

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22.3.08

Pé no freio

A "Folha de S.Paulo" deste sábado revela que o governo federal estuda medidas para conter o crédito para a venda de veículos no País. Manchete do LIBERAL também deste sábado aponta que, só este ano, o setor vendeu 30% a mais na RPT (Região do Pólo Têxtil), formada por Americana, Santa Bárbara d'Oeste, Nova Odessa, Sumaré e Hortolândia, fenômeno que é generalizado no País.

Mês após mês, a venda de carro bate recordes no Brasil. E isso sinaliza não apenas o potencial que há no País para tal mercado como também a realização de um sonho das pessoas, de ter o primeiro carrinho zero quilômetro na garagem. Mais: as vendas aquecidas têm feito com que as montadoras tragam para cá projetos de carros sintonizados com o que há de mais moderno na Europa, acabando como velho estigma das "carroças" ditas por Collor.

Pois o governo Lula quer acabar com o sonho do carrinho zero financiado, diminuindo o número de prestações possíveis, canalizando o vigor das montadoras para a exportação. O motivo? O velho medo de que consumo excessivo gere inflação. Trata-se de um estrabismo sempre presente na história deste País. O fato de o povo comprar gera inflação, mas os juros nas alturas jorrando dinheiro público para o especulador estrangeiro lucrar não tem problema.

Depois, Lula diz que governa para o povo. Ora, conta outra.
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20.3.08

Mais presos soltos

Manchete do jornal O LIBERAL desta quinta-feira revela que neste ano mais presos serão liberados para a Páscoa na região. O aumento é de 14,7% em relação a 2007, o que significa que 2.835 detentos serão liberados no feriado contra 2.470 no ano passado.

O tema gera polêmicas, principalmente porque, sempre que se liberam presos para feriados como Páscoa, Dia das Mães, Natal e etc, muitos voltam a praticar crimes e sequer retornam às celas.

Juristas que defendem a liberação dizem que ela é necessária para a ressocialização do preso, ou seja, para que ele possa ter um contato com a sociedade e a família para as quais deverá voltar quando terminar a pena.

É verdade. Mas, na prática, não é bem assim.

O sistema carcerário brasileiro é uma escola do crime, com cadeias abarrotadas, onde o ócio e a violência prevalecem. Quer dizer: jogar um criminoso na cela significa jogá-lo em um mundo que o tornará ainda mais perigoso. Quer dizer também que, quando ele sair, muito provavelmente voltará a praticar crimes, talvez ainda piores.

Só isso já basta para concluir que soltá-lo temporariamente significa riscos à sociedade. Mas ainda há um outro problema: no Brasil, falta controle para que a polícia acompanhe os presos enquanto estão temporariamente soltos, diferente de alguns países que os monitoram com tecnologia que dificulta em muito fuga ou prática de crimes.

Enfim, antes de resolver o problema fora dos presídios é preciso resolvê-los dentro de cada cela.

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14.3.08

Direito de resposta

Os vereadores de Americana aprovaram nesta quinta-feira, sem discutir e em regime de urgência, o aumento de seus próprios salários em 25%, um índice muito acima de qualquer dissídio coletivo nas mais diversas categorias de trabalhadores.

É o segundo "presente" que esta legislatura dá para os americanenses. O primeiro foi a mudança de prédio, que custa, todo mês, R$ 29 mil de aluguel aos bolsos da população, quatro vezes mais que o prédio antigo. E nem plenário tem ainda.

A base para a alteração salarial é a Constituição Federal, que permite equiparação com os ganhos dos deputados. Por isso, a Câmara de Santa Bárbara já tem protocolado projeto aumentando em mais de 80% os salários dos políticos.

Mas você pode dar o troco aos vereadores, caro leitor. E à altura dessa votação em Americana e dá quase certa aprovação em Santa Bárbara. É simples: basta não reeleger quem votou para aumentar os próprios ganhos (tem lista completa e com foto de como votaram os vereadores de Americana no jornal O LIBERAL desta sexta).

Os novos valores só valem a partir da próxima legislatura, ou seja, só se beneficiará do novo - e gordo - salário quem se reeleger. E está em suas mãos essa escolha.

Eis o seu direito de resposta. Puramente democrático.

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13.3.08

Sexo, política, poder

Ao lado de sua esposa com cara de furiosa, o governador do Estado de Nova York, Eliot Spitzer, anunciou nesta quarta-feira sua renúncia do cargo após o jornal “The New Yort Times” ter revelado ligações do governador com prostituição.

O caso nos possibilita duas interpretações.

A primeira, que o exercício da política está sempre próximo do pecado (ainda mais com a nova lista divulgada por Bento 16) e não é só no Brasil. Também no País que se julga a maior nação de todos os tempos há escândalos, sempre sustentados pelo velho tripé que move a humanidade desde os primórdios da civilização: dinheiro, poder e sexo.

A segunda interpretação é a que diferencia o Brasil de outros países, que em geral estão no hemisfério norte. Por aqui, é muito difícil alguém renunciar apenas porque saiu com prostitutas ou até manteve ligações com rede de prostituição. Denúncias muito mais sérias, de agressão ao interesse público, já recaíram sobre congressistas brasileiros, mas eles ficaram firmes e fortes, alegando inocência e aproveitando as benesses do poder.

Nossos políticos, como diz a propaganda ufanista que até há pouco era exibida na TV, são brasileiros e não desistem nunca do mandato, a menos que a renúncia seja parte de um plano estratégico que possa livrá-los da cassação e lhes garantir direitos políticos para uma próxima eleição, um novo mandato e mais mordomias mantidas com o erário.

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12.3.08

O escracho da política

Dois vereadores da Câmara de Santa Bárbara d’Oeste protagonizaram nesta terça-feira um dos debates mais baixos da política regional. Até masculinidade e sanidade estiveram entre as apelações, durante o bate-boca.

“O senhor deveria ser homem para chegar na tribuna e dizer o que foi que eu disse, que seria mais fácil o diabo sair do inferno e vir aqui na Terra do que eu ser vice do prefeito Zé Maria”, disse Mercedes Roveri Grande, vereadora pelo PT.

“Se a senhora precisar de uma internação, eu providencio, porque acho que a senhora está louca”, disparou Laerte Antonio da Silva, do PSDB.

São frases que escancaram o esculacho de autoridades diante de seus representados. Um deboche de quem é eleito pelo povo, tem seus salários pagos pelo povo, representam o povo, mas utilizam uma sessão legislativa para disparar ofensas pessoais sem nenhum tipo de interesse público.

Fosse numa empresa privada uma briga desse nível entre dois funcionários, certamente ambos estariam demitidos. E até por justa causa, dada a gravidade das palavras. No poder público, deveria haver ainda mais rigor, pois quem banca tudo é o dinheiro suado dos impostos da população. Mas, bem ao contrário disso, tudo pode, tudo é aceito.

O presidente da Câmara apenas apelou a Deus, rogando que o Todo Poderoso acalmasse os nervos dos nobres vereadores, que não se sensibilizaram e, mesmo com o pedido aos céus, continuaram se ofendendo.

Eis um caso que está mais para um exorcismo. Não religioso, mas eleitoral. Nas urnas.

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11.3.08

Aviso

Caros companheiros de blogosfera,
As postagens anônimas estão se multiplicando e algumas delas têm expressões ofensivas, por isso são vetadas. Convido-os a valorizar o debate democrático em alto nível e cada qual assumindo suas posições. Jogar pedra através do anonimato também não ajuda na construção de um País melhor. O espaço aqui é aberto à diversidade de opiniões. E os tempos em que ter opinião poderia custar a vida acabaram.
Abraços,
Marcos

O que tarda após a falha

Reza o dito popular que certas coisas tardam mas não falham. Mas há outras que conseguem falhar e tardar.

Um exemplo é a novela sobre a ida da Cetesb à escola Heitor Penteado, que nesta segunda-feira teve um capítulo no sentido do desfecho: o governo recuou e decidiu não mais levar a agência ambiental ao tradicional colégio público de Americana. A informação é manchete do jornal O LIBERAL desta terça.

A decisão, anunciada pelo deputado federal Vanderlei Macris (que também tardou em olhar para o problema em vez de apenas concordar com o governo Serra) chegou tarde. Porque, apesar de todos os protestos, já se iniciaram as obras dentro da escola, limitando o espaço da biblioteca e extinguindo-se laboratórios. E ninguém ainda sabe se esses espaços serão recuperados após paredes quebradas e salas desvirtuadas. Nem o governo, que ontem apenas disse que está analisando o que será feito.

Mas não se trata apenas de tardar, porque, antes disso, também houve falha. Falha grave porque o governo do Estado desconsiderou documentos, de meses atrás, da Diretoria Regional de Ensino - que O LIBERAL revelou na última sexta-feira – alertando para prejuízos aos alunos com a ida da agência ambiental à escola. O governo passou por cima de tais documentos e determinou a ocupação de 16 salas de aula.

Agora que os documentos, que eram mantidos em sigilo, vieram a público, com reprodução em capa do jornal, vem o recuo e o cancelamento da mudança. Uma decisão que tarda após a falha cometida.

Se o jornal não revelasse tais documentos, haveria a mudança de estratégia? Ou a Cetesb seria instalada no Heitor, mesmo com os prejuízos anunciados meses atrás? A resposta é quase óbvia e fica para seu julgo, caro leitor.

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7.3.08

Auto-estima, Brasil!

A Espanha deportou, nesta quinta-feira, 20 brasileiros que desembarcaram em seu território. E não eram "fugitivos", tais quais os cubanos que tentam chegar a nado nas praias de Miami. Muito pelo contrário, havia no grupo, por exemplo, um pesquisador que apenas iria pegar um outro avião da Espanha para Portugal onde desenvolveria um estudo, mas acabou barrado e terá de voltar ao Brasil.

A deportação, que não é o primeiro caso, gerou uma crise diplomática com o governo brasileiro, que respondeu à altura: o Itamaraty mandou ofício à embaixada da Espanha dizendo que estuda medidas para tratar os espanhóis que aqui chegam da mesma maneira que os brasileiros vêm sendo tratados no País onde ainda se realizam touradas como forma de diversão (!).

Eis uma boa oportunidade para se discutir a "mãe gentil" que o Brasil sempre foi com estrangeiros. E não só por parte de governos, mas dos brasileiros em geral, que sempre acolhem de braços abertos os gringos, se esforçam para se comunicar em seus idiomas, preparam capirinhas e mais caipirinhas para agradar seus paladares com produtos típicos da Pindorama.

Não leitor, nada contra a hospitalidade, que deveria ser regra em todo o mundo. Mas, precisamos mostrar que temos amor próprio. Aqui é o nosso país, aqui se fala Português, aqui há cultura própria e qualidades, e as pessoas merecem ser tratadas com a mesma dignidade que se exige na Europa, nos Estados Unidos ou em qualquer outra nação. E, se não somos respeitados lá fora, não haveremos de tratar como rei quem nos trata como bobos da Corte.

Só quando exigirmos dignidade diante dos estrangeiros, eles começarão a perceber que o Brasil é um país, não apenas um "playground" para samba, suor e belos glúteos.

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6.3.08

Os ovos e a lei

O STF adiou a grande oportunidade de comprovar se seus membros estão mais para vestir toga ou batina. E se o Estado brasileiro é laico ou continua fincado em raízes dogmáticas da moral religiosa.

O histórico julgamento sobre a liberação ou não das pesquisas com células-tronco embrionárias teve dois momentos sublimes nesta quarta.

Ato um: a parte que representava a Igreja citou que o ser humano criminaliza quem quebra um ovo de tartaruga, mas está prestes a permitir que se destruam embriões humanos.

Ato dois: a parte que defende as pesquisas retrucou, dizendo que, se aqueles embriões (alvos das pesquisas) são vida à luz da lei, então o Estado lhes deve assegurar que nasçam e não permaneçam eternamente congelados em tubos de ensaio ou sejam lançados ao lixo, já que são embriões descartados por clínicas de fertilização, que não serão inseridos nunca em nenhum útero para que se tornem seres humanos.

Pena que, como a Justiça no Brasil é mais que lenta, não haveria de deixar de ser no julgamento histórico, que adiou os debates e a decisão sobre um processo que tramita há nada menso que três anos.

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Um nariz à Cetesb

Não é de hoje que o ar de Americana tem um odor nada agradável. Prova disso é ouvir de quem vem para cá de cidades maiores (e teoricamente mais poluídas) frases como: “Mas que ar horrível tem Americana!”

Nesta semana, era possível sentir o característico odor de Americana em vários pontos da cidade, principalmente durante a noite.

Por conta disso, ontem, a reportagem do jornal O LIBERAL perguntou à Cetesb se a agência ambiental estava sabendo do problema, se havia detectado a origem ou até autuado algum poluidor por conta do mau-cheiro.

A resposta se resumiu a uma frase: “Ninguém reclamou”.

Quer dizer, se ninguém reclamar do problema, nada se faz. Ou seja, o fiscalizador não é a agência ambiental, mas você, caro leitor. É você que tem de ligar, reclamar e cobrar que o órgão público faça seu trabalho de checar o odor que todos podem sentir, bastando inspirar e expirar, inspirar e expirar (exercício que conhecemos desde que nascemos).

Então, já que é assim, para ajudar a Cetesb, vamos lembrar aqui o telefone que você, leitor, tem de acionar caso se sinta prejudicado com o ar poluído da cidade: 0800-113560. Repetindo: 0800-113560.

Vamos ajudar a Cetesb a sentir o ar que respiramos. Afinal, todos pagamos pela existência da agência ambiental, que agora ameaça tirar 16 salas de escola da cidade.

5.3.08

Letras e números

"Se é para fechar o que não funciona no governo do Estado, podemos começar pela Cetesb. Se esse órgão funcionasse, o Quilombo não estaria cada dia com uma cor e o ar de Americana não seria tão poluído."

São palavras do professor Marcos Giongo, e, bem no momento em que escrevo esta postagem está difícil respirar o pesado ar da cidade, como esteve ontem, semanas, meses, anos atrás, assim como é possível voltar à época da minha infância numa retrospectiva da péssima atmosfera de Americana.

Giongo foi além, revelando que dez alunos saem da escola todos os dias porque não conseguem vaga, o que contraria a justificativa da ociosidade do Heitor, usada pelo governo estadual para determinar a ocupação de 16 salas do colégio pela Cetesb.

Na audiência pública da qual participaram mais de 300 pessoas no plenário improvisado da nova Câmara dos Vereadores (e da qual o governo do Estado se ausentou), nesta terça-feira, foi criticado o fato de a escola perder laboratórios e parte da biblioteca como adequação para receber a agência ambiental.

E Giongo fez um questionamento interessante: “Como os alunos irão adquirir o hábito de leitura se a biblioteca, que é um ambiente rico, está sendo reduzido?”.

A resposta é triste: quando o homem é segregado do mundo das letras, vira um simples número na sociedade. Um número a mais nos índices de desemprego, de desigualdade social, de violência, de analfabetismo, de miséria.

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4.3.08

Toga ou batina

O Supremo Tribunal Federal decide nesta semana se o Brasil poderá ou não fazer pesquisas com células-tronco embrionárias.

As tais células-tronco são oriundas de embriões descartados em clínicas de fertilidade, que jamais serão utilizados para gerar uma nova vida. Seu destino, portanto, seria o lixo ou o congelamento para a eternidade.

Apesar da inutilidade para a reprodução, a utilização dessas células pela medicina pode resultar na cura de várias doenças graves, já que as células-tronco têm a capacidade de se transformar em muitos tipos de tecido do corpo humano.

Entretanto, apesar de descartáveis para a formação de um novo ser -porém muito úteis na cura de doenças dos seres já existentes-, setores ligados à Igreja insistem que mexer com tais células é um “crime contra a vida” e, por isso, está-se questionando a Lei de Biossegurança, aprovada no Congresso.

Trata-se de uma clara interferência do dogma sobre a lei, da crença sobre o Estado laico.

Primeiro porque não há a mínima possibilidade de as tais células embrionárias que a pesquisa brasileira foca se tornarem uma vida. As células descartadas, como o próprio nome diz, têm finalidade reprodutiva descartada, ou seja, não podem gerar um bebê. Imaginar que o contrário é apenas exercício de fé, não de razão.

Segundo porque, mesmo que houvesse tal possibilidade, está no código civil brasileiro que um cidadão só começa a ter direitos a partir do momento em que nasce. Mover o Supremo Tribunal por conta de minúsculas partículas descartadas em tubos de ensaio é um tanto quanto absurdo, para dizer o mínimo.

E terceiro porque, na tentativa de se defenderem células que terão como destino o lixo, se está tirando a esperança de vidas já nascidas, vítimas de graves enfermidades, estas sim, defensáveis à luz da lei e do dogma.

Espera-se que o Supremo Tribunal mostre que utilizar toga é diferente de utilizar batina.

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1.3.08

Troféu Odorico: parciais

O Troféu Odorico Paraguaçu, que premiará o vereador de discurso mais exótico da região, continua. Na sexta-feira, o programa "Repórter 580", da rádio VOCÊ (AM 580) trouxe novos áudios das sessões das câmaras de Americana e Santa Bárbara (faremos isso todas as sextas, no quadro "As pérolas da política"), com direito a um "véve" (vive) de Paulo Sérgio Vieira Neves.

O resultado parcial de votações até agora é: em Americana, Paulo Sérgio lidera com 3 votos seguido de Maria de Lourdes Salvador dos Santos Ginetti com 1 e Cauê Macris com 1 também; em Santa Bárbara, Raimundo da Silva Sampaio lidera isolado com 4 votos.

As votações continuam.