28.2.08

Manifestai-vos

Pelo menos 300 pessoas tomaram nesta quarta-feira à noite a entrada da escola estadual Heitor Penteado, em Americana, para protestar contra a ocupação de 16 salas de aula pela Cetesb, em curso por decisão tomada pelo governo do Estado.

E eis que surge uma notícia boa na semana.

Não que a mudança da Cetesb para o Heitor, que o Estado justifica dizendo que não pode pagar aluguel para a agência ambiental ficar em outro prédio, seja boa. Muito pelo contrário. O Heitor nasceu escola e deveria continuar sendo escola -e escola de qualidade.

A notícia boa é a mobilização. É a sociedade se posicionar e exercer seu direito à manifestação não como ser passivo que tudo aceita, mas como agente da história, que exige seus direitos.

Nos anos 60 e 70, muita gente morreu apenas porque tentou exercer o direito de expressar opinião, que foi ceifado pela ditadura militar. Muitos morreram pela liberdade que se tem hoje. E, hoje, quando a manifestação pública é livre, muita gente se esquece que tem esse direito. E muitos governantes se aproveitam da passividade típica do brasileiro para enfiar-lhe goela abaixo decisões que estão longe do interesse público.

O Heitor lotado de manifestantes ontem foi um sinal de que sociedade pode e deve mostrar que está viva e não aceita toda e qualquer decisão de cima para baixo.

Que seja exemplo para outros manifestos, não só em frente a escolas, mas também em prefeituras e câmaras, onde há muito a se questionar e muito a se indignar.

Foto: Cleiber Ribeiro

27.2.08

Roubo de útero

Dorcelina Ferreira da Paixão Justo entrou num hospital público para fazer uma operação simples no períneo e acabou saindo da sala de cirurgia sem útero. O caso aconteceu em Goiás, mas poderia ter acontecido em qualquer lugar deste Brasil onde a saúde é uma tragédia que, fosse ficção, beiraria a comédia.

"O anestesista perguntou se eu estava sentindo dor e falei que estava puxando alguma coisa. Aí, ouvi a voz do médico falando que 'é porque estou tirando seu útero'. Então, respondi: 'Tirando meu útero? Mas não estou aqui para isso'", diz Dorcelina.

A polícia e uma sindicância interna do hospital vão apurar o caso. Mas, alguém acredita que haverá punição? Claro que não. Porque a impunidade é uma regra antiga do Brasil e punição a quem precisa ser punido é exceção. Mais: não se trata de um caso isolado, mas endêmico. Erros médicos sequer são comprovados num país onde boa parte dos homens de branco é corporativista e não "entrega" o companheiro de profissão.

"Se ele (o médico) chegasse, me cumprimentasse e falasse alguma coisa ou o nome que tivesse visto lá (no prontuário médico), eu ia falar que não sou essa pessoa. Dava tempo de evitar o erro né?", diz Dorcelina.

Eis uma pobre cozinheira dando lição para doutores. Lição de que a medicina trata de seres humanos. E está desumanizada.

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24.2.08

Violência, medo, impunidade

O LIBERAL impresso deste domingo traz matéria especial relatando o trauma de pessoas que passaram horas nas mãos de bandidos, em seus próprios carros, em suas próprias casas, amarrados, sob a mira de armas de fogo, humilhados.

A reportagem escancara a insegurança da sociedade diante da escalada da violência, em que criminosos cada vez se sentem mais à vontade e impunes para invadir a propriedade alheia e colocar vidas inocentes numa roleta russa.

Outra reportagem do jornal explica, em parte, esse problema. Nos fóruns de Americana, Santa Bárbara d'Oeste, Nova Odessa e Sumaré, acumulam-se mais de 250 mil processos. Pilhas de papéis que escancaram a demora da Justiça brasileira em condenar quem precisa de punição. Um convite a se imaginar que o crime compensa. Um exemplo disso aconteceu dias atrás, quando um pedreio homicida da região foi condenado, dez anos depois do crime.

Pior que tudo isso é saber que, em alguns casos, nem a condenação é sinal de punição. Pimenta Neves, o ex-diretor do "Estadão", continua livre mesmo após um júri lhe sentenciar culpado pelo assassinato da ex-namorada.

Diante da situação, este blog abre espaço para você relatar se já sofreu nas mãos de bandidos e o que sente como cidadão pagador de impostos diante do problema. Se não foi vítima da criminalidade, opine mesmo assim, sobre as saídas que a sociedade deve encontrar.

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22.2.08

Troféu Odorico Paraguaçu

Diante de tantas pérolas emitidas nas sessões das câmaras de Americana e Santa Bárbara d'Oeste nesta semana, o âncora do programa "Repórter 580", da rádio VOCÊ, João Turquiai, lançou o Troféu Odorico Paraguaçu, em homenagem ao saudoso personagem de Dias Gomes, encarnado por Paulo Gracindo. Odorico retrata a política de ontem, de hoje e sabe-se lá até quando no Brasil.

Ele ficou imortalizado por seus discursos rebuscados, cheios de neologismos popularescos, além de uma habilidade peculiar de buscar holofotes, "inclusivemente" (como dizia o próprio) em uma inauguração de cemitério que nunca conseguia, apesar de torcer muito para acontecer uma morte na sua Sucupira.

Todos os leitores deste blog, do jornal impresso e do site do LIBERAL e ouvintes da rádio VOCÊ estão convidados a ser jurados do prêmio e as votações podem ser via e-mail (redacao@liberal.com.br), telefone (3471-0301) e, claro, aqui no próprio blog, na área aberta aos comentários.

Os candidatos a receber a honraria são, a princípio, os políticos da região, que estão em pleno ano eleitoral e, evidentemente, usurão a retória à exaustão para conseguir eleitores. Então, vamos deixar de entretantos e ir logo aos finalmente. Esteja "àvontademente" para dizer quem, na sua opinião, merece a premiação.

21.2.08

Educação faz mal à saúde

Na quarta-feira, foi a notícia sobre o caso da escola em Americana em que não há luz em salas de aula, nem energia elétrica para possibilitar merenda melhor que biscoitos.

Nesta quinta, sobre um caso ainda mais grave, em Santa Bárbara d’Oeste: uma garotinha de apenas dez anos foi atingida por um ventilador, que caiu do teto de uma classe, lhe cortou o rosto e arrancou um dente.

Nos doze pontos dados (estampados em foto de capa do LIBERAL), uma cicatriz que pode ficar pelo resto da vida cravada na menina. E uma marca que nos faz refletir sobre o quão abandonada está a educação brasileira, com salas de aula onde não há luz, onde ventiladores despencam e onde ensino de verdade é cada vez mais raro.

Sim, leitor, pode ter sido um acidente. Mas é curioso o fato de a Prefeitura de Santa Bárbara ter trocado todos os ventiladores da escola no dia seguinte ao fato (que aconteceu na segunda-feira e só foi levado a público ontem). Por que no dia seguinte e não antes? Por que depois de acontecer o pior e não em tempo de evitá-lo?

Perguntas que nos levam a crer que a educação sempre pode esperar. Esperar no escuro, esperar que tudo despenque sobre as cabeças dos alunos, até que alguém, quem sabe, possa tomar alguma atitude. Esperar que, um dia, quem sabe o Brasil descubra que a única saída é investir no saber, com qualidade, com dignidade.

Do jeito que está, os alunos estão passando de estudantes a vítimas. E logo, quem sabe, pode ser necessária uma placa nas salas de aula com os dizeres: o Ministério e as secretarias de Educação advertem que estudar pode fazer mal à saúde.

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20.2.08

Educação no escuro

Não há mais dúvida de que a educação é a grande luz para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Mas, em pleno século 21 (na era da cibernética), em plena cidade de Americana (onde os índices de analfabetismos são baixíssimos), em pleno Estado de São Paulo (o mais rico do País), falta energia elétrica em salas de aula.

É o que constatou a reportagem do LIBERAL em matéria publicada na edição desta quarta-feira. No bairro Jardim América, uma escola estadual está sem luz desde o final do ano passado, o que deixou pais de alunos revoltados com a situação. O Estado admite que há o problema e diz que hoje deve fazer alguma coisa no sentido de resolvê-lo.

Mas, enquanto isso, nas classes onde já está havendo aulas, não há iluminação suficiente para que as crianças possam ler e escrever. E, como não há energia, os alunos estão tendo de consumir alimentos que não precisem de refrigeração, como biscoitos. Sim, biscoitos!

Trata-se de um deboche com a sociedade que paga cada vez mais impostos mas tem cada vez menos retorno do governo. Deboche tal qual utilizar o espaço que já teve a mais importante escola da região, o Heitor Penteado, para abrigar a Cetesb, com a justificativa de que as salas são ociosas e não há dinheiro para pagar o aluguel do prédio da agência ambiental.

E assim caminha o Brasil, na escuridão. O Brasil que, antes de ser país, já era considerado uma terra em que se plantando tudo dá. Sim, tudo dá neste maravilhoso chão tropical. Porém, até as plantas precisam de luz para evoluir. Imaginem-se os estudantes.

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Sofismas e polícia

A polícia militar tem uma explicação para o tráfico de drogas que acontece, em plena luz do dia, em vários pontos da região, conforme flagrou O LIBERAL na edição de domingo: a culpa é dos viciados.

Foi o que disse o comandante da corporação em Americana na rádio VOCÊ, segunda-feira. Ele até fez uma comparação: assim como quem compra peça roubada financia o roubo de carros, quem compra droga financia o tráfico.

Em parte, é verdade. Mas, só em parte.

Primeiro, porque quem compra peça roubada não tem um vínculo de dependência química que o escraviza a comprar tal produto, como têm os dependentes de drogas, que não são santos, não, mas também são vítimas. Parar de comprar peça roubada não exige desintoxicação em clínicas por anos a fio, basta parar e pronto.

Mas o problema está em outra questão: independente de teorias sobre quais os maiores fatores que influenciam o tráfico, cabe à polícia combatê-lo. É função de policiais coibirem o crime, tenham ele quaisquer causas.

Até porque, se não houvesse usuário, não haveria droga; se não houvesse comprador de peça roubada, não haveria furto e roubo de carro. E se não houvesse crime, nem precisaria haver polícia.

O caso é complexo e, da mesma forma que um dependente de droga precisa de tratamento psicológico, o tráfico de droga e outros tipos de crime precisam de um tratamento policial. Com menos teorias e mais prática.

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17.2.08

Vai farinha, não vai esperança

"Vai crack ou farinha?", pergunta um adolescente aos repórteres do LIBERAL, disfarçados de possíveis clientes num dos tantos pontos de tráfico de Americana e região. A reportagem especial está na edição impressa deste domingo e revela que, até à luz do dia, comprar droga na região é quase tão fácil quanto adquirir um produto de supermercado.

Pior que isso: as prateleiras vivas em que se expõe o entorpecente aos compradores são menores de idade, que afogam seu futuro no mundo do crime logo cedo, servindo aos traficantes. A matéria revela ainda que o problema não está apenas em pontos específicos, como bairros periféricos, mas disseminado pelas cidades.

A impunidade, a crise de valores de um mundo cada vez mais materialista e a falta de investimento público no futuro dos jovens são fatores do crescimento do tráfico e da participação de menores como coadjuvantes dessa ferida aberta. Na sociedade onde vai crack, vai farinha, vai para o ralo a esperança.

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15.2.08

Sufocamento não é tortura

Pegue um "suspeito", amarre suas pernas e pendure-o de cabeça para baixo. Sob ele, coloque um tanque cheio d'água. Desça-o até que a água chegue ao seu pescoço, com sua cabeça submersa. Faça isso repetidamente, tomando cuidado para que ele não morra, mas o deixando embaixo d'água tempo suficiente para que se sinta em afogamento, prestes morrer asfixiado.

Seria isso tortura? Não, diz George Walker Bush, presidente do país que usa tal procedimento para conseguir confissões de supostos terroristas. Walker Bush deu a declaração nesta madrugada de sexta-feira, porque o Congresso americano votará um projeto que proíbe a prática, chamada de "sufocamento". O presidente americano vai além: se o projeto passar no Legislativo, ele veta.

O currículo de Bush à frente do mais temido exército do mundo o descredencia para separar tortura de não tortura e o fim melancólico de sua passagem belicista e poluidora pela Casa Branca escancara isso. Resta saber como prensará o próximo presidente americano, seja Obama, Hillary ou MacCain, diante de um grave atentado aos direitos civis e à democracia, bem no país que se acha a maior democracia do mundo mas cuja legislação (!) permite essa prática medieval.

Qual seria o parâmetro para considerar alguém "suspeito de terrorismo"? Não ter pele nem olhos claros? Ter nariz aquilino? Não ter nascido na América do Norte?

Em Londres, um brasileiro foi suspeito de terrorismo sem sê-lo. Era suspeito apenas pelo fato de não ter a tez típica do Velho Mundo. E acabou morto, não por afogamento, mas executado numa estação de metrô. Foi apenas um em tantos outros casos que escancaram a paranóia que deve agradar muito Osama Bin Laden. Este, um terrorista confesso, Bush não consegue pegar. Apesar de ter sido seu parceiro em outros tempos.

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13.2.08

Triste resposta

Este cão foi fotografado por Paulo Tibério nesta quarta-feira após O LIBERAL receber denúncia de uma dona de casa de Americana. Ela disse que o animal apareceu ferido em sua casa e sua atitude foi procurar o Núcleo de Zoonoses da cidade, porém seu pedido não teria sido atendido, pois lhe teriam dito que não poderiam buscar o animal e salvá-lo.

A matéria sobre o caso está no LIBERAL impresso desta quarta.

A assessoria de imprensa da Prefeitura nega que o contato tenha sido feito, mas a dona de casa diz que insistiu na tentativa de salvar o cão, que voltou para a rua, provavelmente para agonizar com uma parte de seu corpo praticamente mutilada.

Parece uma ironia do destino. No mês passado, diante do polêmico recolhimento de cinco cães saudáveis, que eram tratados e vacinados por comerciantes nas ruas do Centro de Americana, mas foram denunciados como "incômodos" a alguns humanos que por ali passavam, perguntei: fosse uma denúncia de maus-tratos aos animais, haveria a ação do Poder Público?

A resposta parece ter chegado. Triste resposta.

12.2.08

A praça é de quem?

Americana já tem 30 praças públicas "adotadas" por empresas privadas e pretende, até o final do ano, ter 55. Uso as aspas por considerar que não se trata exatamente de adoção, mas de uma troca: a empresa cuida da praça e a Prefeitura lhe concede espaços para propagandas, algumas até iluminadas à noite, nos quatro cantos da praça.

As praças adotadas melhoraram, isso é fato. Estão mais bonitas, com melhor estrutura, mas algumas questões se fazem necessárias:

- O nome da empresa que adota a praça fica em evidência, em vários pontos do espaço público. Não se trata, pois, de poluição visual?

- Seria, entretanto, essa "poluição" válida, considerando os benefícios que o Poder Público não fazia nas praças?

- A Prefeitura economiza R$ 8 mil por praça, anualmente, permitindo a adoção. Para onde está sendo canalizada a economia em benefício da população, já que não houve diminuição dos impostos que pagamos, nem enxugamento de servidores? A pergunta é válida mesmo após se ler a matéria que O LIBERAL publica nesta terça, em que a Prefeitura diz que outros pontos da cidade serão atendidos com a economia, porém não especifica.

- Façamos uma comparação antes da derradeira pergunta. Se uma empresa decidir veicular seu nome num outdoor na Avenida Brasil, a via mais nobre da cidade, gastará em torno de R$ 1 mil ao mês, ou R$ 12 mil por ano. Adotando uma praça, tem seu nome divulgado não apenas em uma exposição (caso do outdoor), mas em várias, por R$ 666,6 mensais. Quem lucra, portanto? A população, as empresas, ou ambas?

O debate está aberto.

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10.2.08

Auto-destruição escancarada

Não há lógica alguma que justifique o vandalismo, tema abordado em manchete do LIBERAL impresso deste domingo.

Se quem o faz quer atingir governos, não consegue, pois o dinheiro que custeia o conserto dos bens quebrados sai dos bolsos da população (inclusive dos vândalos), não dos governantes.

Se é alguma forma de protesto, para passar algum recado, também não resolve, pois o único recado possível de ser passado com o vandalismo é a de que a sociedade que o pratica ainda não conheceu plenamente a civilização.

Esse fenômeno que não existe só aqui, mas está espalhado pelo mundo, expõe uma bizarra auto-destruição que habita o ser humano.

Qual a sua opinião, caro leitor?

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8.2.08

Deu na 'Folha'

Manchete de capa da "Folha" desta sexta: "SP gasta R$ 108 milhões com cartões". Na página interna, o jornal diz que o governo Serra é menos transparente que o governo federal nos gastos pessoais de funcionários ligados ao alto escalão.

De duas, uma: ou o fato de Paulo Henrique Amorin ter descoberto antes (e noticiado em seu blog) forçou o jornal a publicar o fato (faz lembrar o imperdível "O informante") ou a "Folha" estava investigando o caso e soltaria a matéria após todo o trabalho de checagem.

De qualquer forma, a sociedade ganhou, pois a gastança do dinheiro público deve ser investigada em todas as esferas do poder, independente do partido ou do político que esteja exercendo o mandato. E eis uma prova de que a mídia é tão importante quanto sua democratização e a vigilância constante da sociedade sobre ela.

imagem: reprodução

7.2.08

Fio do novelo

Começou com Matilde Ribeiro, que perdeu o cargo na pasta da Igualdade Racial. E parece ser apenas a ponta do novelo. Os cartões corporativos, que permitem gastos pessoais de funcionários ligados ao alto escalão do governo federal, estão dando o que falar.

Matilde gastou com os tais cartões, em apenas um ano, 171 mil reais em aluguel de carro e alimentação. Os seguranças do presidente Lula e de seus parentes, em São Bernardo do Campo, teriam gasto também, em três anos, 149 mil reais com equipamentos de academia e materiais de construção.

Mas o jornalista Paulo Henrique Amorin acaba de colocar pimenta vermelha na discussão. Em seu blog "Conversa Afiada", diz que o governo Serra gastou, no ano passado, R$ 108 milhões com a mesma prática do governo federal. Mais: que a "Folha de S. Paulo" teria os dados mas, estranhamente, não os publicou.

O buraco parece ser mais embaixo...

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3.2.08

O túmulo do Carnaval

Diferente do ano passado, este ano estou em Americana durante o Carnaval. E entristece o cenário de cidade deserta, enquanto a animação momesca ecoa aos quatro cantos do País. Entristece mais porque Americana já teve Carnaval e eu era dos que assistiam, ainda criança, aos desfiles de rua de Bananeira e Salvação. E, desde adolescente, não perdia uma das cinco noites animadas do Rio Branco.

Não, não vou fazer aqui o papel de jogar pedra no Poder Público, que pode ser fácil mas, neste caso, não seria justo. Americana é a única cidade da região em que a Prefeitura banca um desfile de rua. Ouvi, inclusive, de um grande amigo de muitos carnavais, que estava animada a festa na Fernando de Camargo. Mas, ainda está longe do que era, pois falta gente engajada neste evento que já agitou muito mais a cidade.

Também não serei aquele saudosista chato e hipócrita, que fica perguntando "O que fizeram com o Carnaval, que hoje se resume a sexo, bebedeira e perdeu a inocência saudável de antigamente?" Não, não, não!!! Carnaval nunca foi sinal de inocência ou moralismo e, se parecia mais recatado antes, só parecia. Desde que surgiu, sempre foi sinônimo de sensualidade, exaltação da alegria, liberdade. Por isso, as pessoas gostam tanto. Os mitológicos Dionísio e Baco, companheiros antigos da folia, que nos digam...

Estou aqui reclamando não do Carnaval, que é Carnaval quando marchinha, quando samba-enredo, quando axé ou qualquer outra forma de festa popular que se adapta aos tempos, reunindo o rico, o pobre, o remediado, todos voltados para um só fim: a alegria. Estou reclamando, sim, da falta de Carnaval, do marasmo de uma cidade que tem estrutura, tem legado, mas não tem mais pessoas interessadas em ficar por aqui e confraternizar sob o reinado de Momo.

Uma cidade que conseguiu se transformar em "country" mesmo sem ter uma cabeça de gado sequer em seu território, mas não teve a capacidade de evoluir no espetáculo que consagra o Brasil nos quatro cantos do mundo.

Em termos de folia, somos a cara da quarta-feira de cinzas.

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