31.1.08

Para o ralo

Se já eram de se estranhar dois meses para rever um desconto de quase R$ 40 mil em conta de água do Clube dos Cavaleiros de Americana, o DAE conseguiu ir além: prorrogou a análise por mais 30 dias, conforme revela o jornal O LIBERAL desta quinta-feira.

O caso se arrasta desde novembro do ano passado, quando O LIBERAL revelou o desconto, de 88,7%, com a justificativa de que o clube seria filantrópico. O jornal também revelou, na ocasião, que nenhum título de filantropia fora apresentado para tal benefício, apenas o próprio estatuto do clube.

Em dezembro, quase um mês depois da denúncia, o prefeito Erich Hetzl Jr. constituiu uma comissão para reavaliar o desconto, mas, quase dois meses depois de formada, a comissão se reuniu uma única vez - e já teve pedido de prorrogação atendido pelo DAE nesta semana.

Na semana passada, antes da prorrogação, questionei o prefeito sobre a demora na decisão da comissão, quando ele foi entrevistado pela rádio VOCÊ (AM 580). Sua resposta foi de que ele que seria enérgico na cobrança por ação rápida. Apenas retórica, pois, se ele já achava muito ter de esperar por dois meses, terá agora de esperar por três.

Trata-se de uma prova de que o dinheiro público sempre pode esperar. E, mais que isso, trata-se de uma afronta à igualdade com que se deve tratar os cidadãos.

Atrasos no pagamento de contas muito menores que a do Clube dos Cavaleiros são punidos energicamente com o corte no fornecimento de água, e tudo é muito rápido. Já uma simples análise sobre a dita filantropia do clube não tem pressa.

O povo espera, assim como espera há muito tempo que o DAE melhore seus serviços, ineficientes quanto ao fornecimento de água para toda a cidade e quanto ao tratamento de esgoto, que vez ou outra jorra contaminando mananciais.

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30.1.08

Pedágio no Heitor?

Professores do Heitor Penteado dizem que a cessão de 16 salas da escola para a Cetesb, conforme determina decreto do governador Serra, irá afetar a biblioteca da escola. E vão além: com a chegada da instituição, os livros terão como único local vago uma quadra esportiva.

A informação, destaque da edição desta quarta do jornal O LIBERAL, é estarrecedora. Porque biblioteca é espaço sagrado da educação e educação é função principal de um prédio escolar. Por mais que o Estado negue que a transferência causará problemas aos alunos, já que o prédio do Heitor estaria “ocioso”, há que se considerarem as palavras de quem trabalha no dia-a-dia da escola. E elas são bem desanimadoras.

A ida da Cetesb para o Heitor gera muitas interrogações.

A primeira delas é: como o governo mais rico da federação não tem dinheiro para manter na poluída Americana a agência ambiental em prédio próprio, considerando que já usufrui do dinheiro da Prefeitura para ocupar outros prédios que utiliza, como das delegacias?

A segunda: como a escola pública mais tradicional da região, cravada no coração de Americana, consegue ficar ociosa num País faminto de educação?

A terceira: quanto mais despencará o nível de uma escola que já foi motivo de orgulho para quem nela estudava e hoje gera medo e descontentamento?

A quarta: a sociedade não reagirá diante da destruição gradativa de um dos maiores símbolos da educação americanense?

Para fechar: será que a dinastia tucana em São Paulo só sabe impor qualidade quando cobra pedágio? Seria o caso de instalar pedágios nas escolas públicas paulistas para que elas sejam "as melhores do País", como o governo enche o peito para falar das estradas privatizadas?

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29.1.08

Bizarrice humana

O gênio dos gênios Leonardo Da Vinci disse no século 15: "Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais e, neste dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade". Pois em pleno século 21 ainda estamos distantes, muito distantes, dessas evoluídas palavras.

A matança de gatos em Sumaré, denunciada nesta segunda-feira e que estampa a foto principal da capa do jornal O LIBERAL desta terça, é um exemplo. Foram oito felinos envenenados, conforme consta em exames preliminares. O motivo seria o fato de um deles ter atacado uma galinha da vizinhança.

Não é o primeiro, tampouco será o último caso de crime cometido contra seres indefesos. Não apenas cometido como também impune. Brutalidades em escala bem maior acontecem a cada minuto em todas as partes do planeta, resultados da prepotência de homens e mulheres diante da diversidade de vida que a vã ignorância humana pensa ter sido criada apenas para seu prazer e suas bizarrices.

Evoluções até houve desde que Da Vinci, mestre da vanguarda, sinalizou o caminho. Mas ainda rastejamos em direção à coexistência com a natureza, que já dá sinais de que não mais nos suporta, depois de tantos estragos que nela fizemos.

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28.1.08

Ignorância congestionada

Dois assuntos bastante contemporâneos estão em discussão no LIBERAL impresso deste domingo: educação e transporte. Sem o primeiro não se pensa e sem o segundo não se locomove. São, portanto, fundamentais para todos nós.

Sobre educação, o jornal questiona: o que há com ela? Escolas públicas são cada vez mais sucateadas por um governo que, de Paulo Maluf (que chamou as professoras de mal casadas quando elas questionavam os baixos salários) até a dinastia tucana (que inventou de aprovar todo mundo, mesmo os semi-analfabetos), não dá a devida atenção ao assunto. Ou seja, no Estado mais rico da federação, a ingorância é item de série para o Palácio dos Bandeirantes. Mas o problema não está a penas nas públicas.

Escolas privadas visam mais a aprovação do seus formandos no vestibular do que a formação de um aluno crítico que enfrente mais que uma prova de múltipla escolha, um aluno que saiba enfrentar a vida real. No caso de faculdades particulares, a situação virou uma festa que mais se parece com consórcios de diplomas, gerador de uma enxurrada de profissionais que não encontrarão respaldo no mercado de trabalho.

Sobre transporte, uma previsão preocupante: se os índices recentes se repetirem ano após ano, em dez anos Americana terá um carro por habitante, o que significa o caos total no sistema viário. Não haverá ruas suficientes, como já não está havendo em alguns horários de pico. Com um agravante: a poluição atmosférica multiplicar-se-á.

E aqui perguntamos: o que falta para se planejar um transporte coletivo que não seja apenas para atender (e mal) as necessidades de quem não tem carro, mas um transporte que vise atrair os mais abastados, para deixarem seus carros na garagem alguns dias da semana? Resposta: falta projeto do Poder Público e falta consciência da população, então fecha-se o ciclo vicioso.

E o futuro aponta para a ignorância congestionada.

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24.1.08

Naia vira Febenzinha

Em abril de 2005, Americana se mostrava pioneira na região em fazer o dever de casa em relação aos seus menores infratores. Em vez de enviá-los às celas insalubres da Febem (hoje, Fundação Casa), a cidade passava a ter um núcleo para ressocializar os jovens, o Naia.

Pois o que era um sonho realizado acaba de virar pesadelo. O LIBERAL desta quinta-feira revela que o Naia não é mais um núcleo de Americana, mas regional, pois passará a receber menores que cometerem infrações em outras cidades também. Tudo porque o governo estadual decidiu que assim será, quebrando o acordo firmado junto a autoridades municipais em 2005.

O Naia nasceu para ser de Americana e, mais que isso, é mantido com o dinheiro do povo de Americana. São mais de R$ 30 mil mensais investidos ali pela Prefeitura. Ao regionalizá-lo, o governo do Estado o transforma numa Febenzinha, traindo a cidade, tal qual fez no caso do Centro de Detenção Provisória, transformado em presídio para detentos de alta periculosidade mesmo à revelia do prefeito e da cidade. Isso mesmo tendo a Prefeitura doado o terreno para o Estado.

É mais que hora de tar um tapa na mesa, prefeito. Americana já paga vários prédios utilizados pelo governo estadual, além de ceder funcionários para serviços que não são de obrigação municipal, mas de incumbência do Palácio dos Bandeirantes. Se não é para ter Naia como foi combinado e prometido à cidade, melhor que não se tenha nada.

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22.1.08

Modismo hasteado

Sem querer dar uma de brazuca muito menos ter ataque de Policarpo Quaresma, mas de onde esse tal Josh Parsons tirou a idéia de classificar a beleza das bandeiras? E ainda utilizando conceitos tão bobos como combinação de cores ou presença de frases?

Podemos não ter a bandeira mais bonita do mundo e isso não importa, mas onde estaria, então, a beleza da bandeira japonesa, um círculo vermelho no meio de um pano branco? Josh a considera a terceira mais bela do mundo. E a de Gâmbia, três faixas sobrepostas, uma vermelha, outra azul, outra verde (na imagem deste "post")? Pois o cara a considera a mais bonita de todas.

Bandeiras são muito mais que adereços, simbolizam uma nação, sua história, suas riquezas, suas lutas. Está certo que a frase positivista "ordem e progresso" não tem muito a ver com a realidade brasileira, mas que brasileiro não acha lindo ver sua bandeira tremulando, ao som do hino, quando levamos mais um título na Copa do Mundo, uma medalha de ouro num jogo olímpico ou mesmo (este para os mais conscientes) uma troca de presidente da República, quando a democracia (pela qual muitos deram suas vidas) se renova?

Ou ainda: que norte-americano não fica emocionado quando vê sua bandeira listrada e estrelada no topo das maiores conquistas? Algum deles está preocupado com o design da flâmula?

Ora, Josh, quanta imaginação para nada...

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Céu de brigadeiro...

A economia dos EUA vive uma turbulência que pode até virar coisa pior. E eis que, em meio aos solavancos, o governo (mesmo sendo presidido pelo folclórico George Walker Júnior) decide baixar os juros visando acalmar os mercados. Baixar para 3,50%, na maior queda do índice desde 1984.

Já a economia brasileira anda em "céu de brigadeiro", garante o governo (claro que, guardadas as devidas proporções entre a pátria tupiniquim e a maior economia do mundo). Tem reservas como nunca teve, está em crescimento sustentável e não deve ser contaminada por ondas de crises mundiais. Mesmo assim, já se fala em aumentar os juros para "se proteger". Aumentar além dos já estratosféricos 11,25% (e isso pode acontecer nesta quarta-feira).

Ainda bem que estamos "bem melhores" que os amigos do andar de cima...

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18.1.08

Lobo em pele de ministro

A nomeação de Edson Lobão para o Ministério das Minas e Energia é a gozação do governo Lula com o povo brasileiro.

Quando seu nome foi cogitado nas negociatas com o PMDB, Lobão disse numa entrevista à "Folha de S.Paulo" que estava "lendo sobre energia" (certamente para tentar entender minimamente sobre a pasta que lhe caiu no cólo e só é fundamental para o desenvolvimento do País).

Hoje, na mesma "Folha", Lobão diz que irá consultar sempre a ex-titular da pasta (que hoje é ministra-chefe da Casa Civil), Dilma Rousseff, para tomar decisões. Ora, se precisa consultar sempre a Dilma (que entende -e muito- de estratégia energética), para que, então, colocar Lobão num cargo do primeira escalão, com alto salário? Ora, resposta óbvia, já dita pelo presidente Lula nesta semana: Lobão terá carta branca para nomear seus "súditos" de confiança na pasta, pagos com nosso dinheiro, caro contribuinte. Cargos no Planalto em troca de apoio peemedebista no Congresso.

E que não venham os megafones de ocasião dizer que o problema é de agora, que é do PT. No Brasil, sempre foi assim e é assim com o PT também (cuja máscara desmoronou ao assumir o poder). Só para lembrar, Fernando Henrique Cardoso tinha Renan Calheiros como ministro da Justiça, resultado das mesmas negociatas com o mesmo PMDB.

Eis a metástase da política brasileira.

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17.1.08

Na lei de mercado, deu o tráfico

Matéria do LIBERAL desta quinta-feira, feita pelo repórter Anderson Barbosa da Silva, revela que, em três anos, o envolvimento de adolescentes com o crime cresceu mais de 500%, ou quase sete vezes.

Curiosamente -seria melhor dizer, ironicamente-, a notícia chega no ano em que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), criado justamente para proteger o menor de idade –até esse termo passou a ser visto com reservas após o estatuto-, completa 18 anos de existência.

Claro que, teoricamente, o estatuto foi um avanço. O problema é que ficou no “teoricamente”. Há nele muitas leis avançadas, mas a prática ainda é outra. Bem outra. O ECA proíbe, por exemplo, o trabalho a menores de 16 anos. Ótimo, desde que houvesse escola e encaminhamento profissional para esse jovem, mas não há.

Então, proibido de trabalhar e sem escola (ou, com péssima escola apenas para “cumprir tabela” e sem ter nenhum futuro) e esperança, o “trabalho” que está sobrando no mercado é o de auxiliar de traficante. Dá mais dinheiro que ser honesto e os números comprovam que está empregando cada vez mais.

Dessa forma, o ECA, que está ficando maior de idade em 2008, morrerá de velho sem sequer ter nascido, na prática. E o futuro do País, as crianças e os adolescentes, vão sendo lançados, junto com a nação, ao ralo.

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14.1.08

BBB cai no Ibope

A primeira notícia que chama a atenção deste jornalista blogueiro nesta segunda-feira é positiva. O "Big Brother Brasil 8" registrou apenas 27 pontos no Ibope no último domingo, 9 pontos a menos que no mesmo período de 2007, segundo dados do próprio Ibope. É uma queda e tanto.

Não é só isso. Até a última quinta-feira, o Ministério da Justiça havia recebido 14 reclamações de telespectadores. Entre as maiores queixas, está o consumo excessivo de bebida alcoólica por parte dos participantes nas festinhas também recheadas de amassos e conversas fiadas.

Depois de oito edições, parece que os telespectadores andam mais seletivos para um modelo repetitivo, viciado e de competição duvidosa entre os que disputam o prêmio milionário.

Aliás, a própria Globo parece estar enfrentando uma nova postura do "respeitável público", com índices de audiência em queda para vários programas, entre eles o jurássico "Fantástico" (que o genial José Simão já chamou de "Cansástico"). A crise chegou a ponto de derrubar, após décadas de Globo, Glória Maria e seu carioquês assobiado.

Oxalá tudo isso signifique um público mais crítico e exigente, em busca de maior criatividade na telinha mágica. Depois de tantas interferências da TV dos Marinho contra a democracia e a diversidade cultural brasileiras, trata-se de uma justa "vingança" da população.

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10.1.08

A saúde, o público e o privado

À "Fã do Blog", que me honra com a cobrança por mais postagens, e aos companheiros em geral da blogosfera, explico: iniciamos nesta semana uma nova programação na rádio Você (AM-580), do Grupo O Liberal de Comunicação, potencializando o jornalismo. E, além de acompanhar passo a passo a mudança, estou fazendo comentários diários por lá no programa "Repórter 580", que começa ao meio-dia (e me habituando a eles). Somando isso aos afazeres do jornal, explica-se minha ausência de alguns dias no Blogna. Mas, cá estou, vamos discutir.

E, claro, vamos recomeçar com uma polêmica lançada no LIBERAL desta quarta-feira pelo secretário de Negócios Jurídicos da Prefeitura de Americana, Dárcio José Novo. Em entrevista à repórter Aline Macário, ele disse que faltam médicos na saúde pública de Americana porque os próprios médicos não cumprem suas cargas horárias.

Deu seguimento no assunto o prefeito de Santa Bárbara d'Oeste, José Maria de Araújo Júnior, entrevistado pela rádio Você também nesta quarta. Zé Maria citou a matéria do jornal com Dárcio, complementando que o problema da saúde vai além do setor público, mas também afeta, por exemplo, convênios, onde há filas, demora e falhas na qualidade.

Não se está aqui compactuando com a citação do problema no setor privado para justificar o problema do setor público. Mas é fato que a saúde não é só deficitária no sistema estatal brasileiro. Quem nunca esperou em filas ou foi mal atendido num plantão de convênio particular que atire suas pedras neste blogueiro, que já foi vítima de atendimento ruim, em um sábado, utilizando um convênio médico.

O problema, ao meu ver, não é pontual, mas geral. A saúde no Brasil se ancora em dois pilares viciados: visa o lucro a qualquer custo no setor privado e cai no descaso no setor público. Um exemplo? Na maioria das agendas de médicos, consulta particular tem para o dia seguinte, no convênio para dois meses e no setor público para três, quatro, cinco meses ou mais.

Passou da hora de se discutir essa disparidade. Porque vivemos num País onde ainda se morre de dengue praticamente na calçada em frente ao hospital que faz a mais avançada cirurgia cardíaca do mundo. E ainda se morre nos corredores de hospitais insalubres, enquanto muitos médicos levam vida de milionário.

A medicina é, sim, uma profissão belíssima, mas desde que voltada para a vida do rico e do pobre, porque qualquer vida tem valor independente da conta bancária. Isso deve estar acima de qualquer questão.

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3.1.08

Ao crime, as bênçãos

Kaká ameaça processar a "G Magazine" apenas porque a revista deve citar seu nome na próxima edição, ao publicar ensaio de um sósia do jogador. Mas, o mesmo Kaká deixou o troféu que recebeu de melhor jogador do mundo num templo da Igreja Renascer, cujos "donos" cumprem pena de prisão nos Estados Unidos por terem entrado naquele país com quase R$ 100 mil (em dólares) não declarados.

Não há justificativa para o possível processo à revista. Já para o troféu ter ido para a Renascer, a explicação é que Kaká está atribuindo a conquista a Deus e, como já deu o recado em várias camisetas, o jogador "pertence a Jesus".

Os "donos" da Renascer são acusados pelo Ministério Público de São Paulo de cometer os crimes de lavagem de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica. Por isso, já há um pedido de prisão preventiva aqui no Brasil também, além de bloqueio de bens e quebra do sigilo bancário dos fundadores da igreja, Estevam Hernandes Filho e Sônia Haddad Moraes Hernandes. A revista "G Magazine", até então, não cometeu nenhum crime publicando conteúdo para leitores homossexuais ou simpatizantes.

Entretantdo, entre o que (apesar de "imoral", segundo seus conceitos religiosos) é legítimo diante das leis e o que é criminoso segundo o Ministério Público paulista e a justiça americana, o jogador homenageia o crime e ameaça a revista, imaginando talvez que a absolvição dos céus é automática a qualquer pessoa que diga pregar o "santo nome". E a condenação, idem, aos que não se enquadram nos dogmas.

É a Inquisição presente em pleno século 21, não mais nas praças públicas onde se queimava gente viva, mas dentro de cada fiel hipnotizado pelo fanatismo, agora evangélico. Felizmente, há exceções, como o também jogador (e heterossexual) David Beckham, que disse recentemente ser um motivo de orgulho o fato de ele ter sido eleito um "ícone gay".

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BBB, imbecil e genial

Qual a explicação para um programa tão repetitivo e nada surpreendente chegar à oitava edição? Confesso que chegarei ao final deste texto sem sequer ensaiar uma resposta, mas não dá para não lamentar que, mais uma vez, seremos reféns de Pedro Bial (um excelente repórter que abandonou o jornalismo) liderando mais um Big Brother Brasil.

Os personagens já estão divulgados em tudo quanto é site. E são tão parecidos com os de sempre, escolhidos a dedo para formarem a novelinha com ar de real (ou alguém acredita ainda que o BBB seja uma prova de capacidade e talento?). Agora, serão semanas intermináveis em que a pauta da mídia se volta para o programa global, até que uma, duas ou três celebridades sejam formadas para comerciais ou programas de TV e ensaios nus em revistas especializadas.

Nada contra o nu nem os comerciais de TV, mas tudo contra uma superprodução alienadora, que pressupõe ser o espectador um imbecil em potencial, pronto para pagar (pagar, literalmente) para ver e "participar" de um pastelão copiado de outro país, montado há oito anos por aqui e com o recheio de sempre.

Claro que não há apenas idiotas nesse processo. As operadoras de telefonia, junto com a Globo, riem sem parar após o término de um BBB. O motivo? Os milhões de pessoas que ligam desesperadamente para votar em Fulano ou Cicrano, a cada paredão, engordando absurdamente as contas das empresas "discípulas" de Graham Bell, parceiras do Plim-Plim na empreitada.

O BBB tem seu lado genial: é uma nova forma de tirar dinheiro do telespectador, transcendendo a tradicional propaganda televisiva. E pelo oitavo ano, de vooooooooooolta!

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