31.12.07

Novo ano

Ainda há tempo para se pensar em ano novo, em uma nova forma de se viver e conviver nesta bela esfera azul, que nos acolhe e nos suporta até nas mais agressivas formas de demonstrarmos nossa ingratidão.

Feliz ano novo!

28.12.07

Viva a diferença!

O homem já foi à lua, já dividiu o átomo, está prestes a ir a Marte, já criou uma estação espacial habitada constantemente por astronautas, mas ainda não aprendeu a aceitar a diversidade que habita sua própria alma.

Apesar do crescimento da democracia pelo mundo, as diferenças ainda são massacradas. O Oriente Médio é um calderão onde esse fenômeno é mais agudo. Misturam-se ali o machismo, o fanatismo religioso e a tirania. Isso sem falar, claro, na homofobia (lá, homossexuais chegam a ser enforcados).

A morte de Benazir Butho, uma mulher que, bem ou mal, resolveu desafiar os padrões do seu país, apenas escancara o barril de pólvora sobre o qual aquela região está, há muito tempo, não só com a conivência mas também por culpa do Ocidente (EUA e Europa, principalmente, que sempre olharam para ali como uma terra de malucos fanáticos, porém interessante por conta do petróleo).

George Walker Bush, o júnior, revelando-se ao mundo o maior desconhecedor da diversidade humana, tentou impor a democracia (que memorável paradoxo!) ao Iraque, piorando o que já era ruim. Fez isso derrubando e enforcando o ditator que outrora era patrocinado pelo papai Bush, quando presidente dos EUA (que memorável hipocrisia!).

Dois mil anos atrás, os diferentes eram queimados vivos pela instituição que diz seguir um homem cujo maior legado é a mensagem "Amai-vos uns aos outros". Outras instituições que também dizem segui-lo hoje extorquem seus fiéis como numa bolsa de valores da fé. E também odeiam as diferenças, impondo um padrão de comportamento alienante e preconceituoso para se estar entre os "salvos".

Em pleno 2007 e às raias de 2008, a humanidade ainda sufoca o que mais destaca nossa espécie diante dos outros bichos: a diversidade, que está nos gens e se escancara nos infinitos tipos de rostos, se estendendo para as múltiplas formas de personalidades e inteligências. As diferenças que inspiram a criatividade e, ainda que trancada em porões pelos que se intitulam "normais", são fundamentais para apontar o caminho da evolução, da justiça, do saber. Como apontaram os "loucos" Da Vinci, Darwin, Einsten...

Que a diferença sobreviva no meio de nós!

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27.12.07

Portas da 'desesperança'

É justo soltar criminosos presos para passar dias festivos com as suas famílias e colocar em risco as famílias das pessoas que não são criminosas? O tema é polêmico e, neste final de ano, mais uma vez os fatos ocorridos com o chamado "indulto" levantam dúvidas sobre sua real eficácia na ressocialização dos detentos.

Acabo de ler em sites, nesta quinta, que um beneficiado em São Paulo é acusado de estuprar uma moça de 19 anos no período em que foi premiado com a liberdade. Na quarta, o "Jornal Nacional" mostrou dois casos de homicídio, praticados por um preso de Brasília solto para se "ressocializar". O indivídulo é condenado a 90 anos de prisão, justamente por ter matado uma pessoa, crime que voltou a praticar agora que foi temporariamente liberto: matou um com um tiro, outro esfaqueado.

Ainda em Brasília, de 154 adolescentes infratores presos em sistema socioeducativo e liberados para passar o Natal com a família, nada menos que 67 não voltaram para o cárcere. O problema também acontece com os adultos presos e não só na capital federal (onde os criminosos não se concentram apenas nas cadeias, mas também nos palácios), mas em todo o País.

Voltemos à pergunta inicial: o indulto é importante para quê e para quem? Teoricamente, seria uma forma de, aos poucos, integrar ao convívio social o condenado que já cumpriu parte da sua pena e teve bons comportamentos na cela. Mas, na prática, essa teoria não funciona. Faltam critérios para se escolherem os beneficiados, assim como falta acompanhamento deles, nas ruas.

Aliás, o próprio sistema carcerário brasilileiro, na prática, é um caos, uma escola do crime e não um local de punição para ressocialização. Presídios são superlotados, insalubres, portas de entrada fácil de drogas e armas, calabouço de violências das mais diversas, inclusive praticadas pela própria força policial, templos do ócio.

O problema, portanto, não está apenas da porta para fora, mas também (e principalmente) da porta para dentro.

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26.12.07

Um caso xuxesco

Que Xuxa é uma criação da mídia que mercantilizou a infância na TV, é quase óbvio dizer. Seu programa sempre se serviu à venda de produtos, à ditadura do modismo consumista e, para piorar o processo já daninho, ao "ensinamento" da grafia errada de palavras. Novidade é a criatura se voltar contra o criador.

O caso aconteceu nesta semana. Xuxa ficou revoltada porque a "vênus platinada", incomodada com a queda no Ibope, lhe tirou o programa matutino feito para os "súditos" baixinhos. Então, ela resolveu soltar o verbo contra a TV dos Marinho. Disse que não é apenas o seu programa que caiu no Ibope, mas toda a programação da Globo, inclusive a novela das nove, que sempre foi o carro-chefe da emissora em audiência.

Em plena guerra travada entre a Globo e a TV do bispo Macedo, que sobe degraus na audiência com um misto de qualidade e facilidade gerada pela receita dos dízimos, eis uma saia justa daquelas provocada pela lourinha que mora em castelo encantado e acredita em duendes. E um sinal de que ela não causa só estragos no mundo infantil.

É uma interessante ironia do destino. A emissora que deu a vida à "apresentadora", "atriz", "cantora" e "rainha" agora é apedrejada pela "majestade" que inventou (e lhe repete condolências à exaustão). Uma prova de que o crime não compensa. Nunca compensa.

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24.12.07

O Masp e o pé-de-cabra

Meses atrás participei com meu amigo Alexandre Bassora da Semana de Turismo do Unisal. Fomos debater com alunos e professores sobre o turismo na mídia, eu discorrendo acerca da mídia jornalística, e ele sobre a publicitária.

Bassora apresentou propagandas interessantíssimas envolvendo o turismo. Entre elas, uma campanha publicitária feita pelo Masp, que trazia montagens fotográficas do museu inserido em paisagens internacionais, como a Torre Eiffel, com o seguinte dizer: "Se o Masp fosse em Paris você iria". Noutra, o Coliseu, ao lado do qual era inserido o belo museu paulistano, e a mensagem: "Se o Masp fosse em Roma você iria".

Eu estava no litoral dias atrás quando, ao comprar a "Folha" numa banca, deparei com a manchete sobre o furto de duas peças das mais valiosas do Masp, uma de Portinari, outra de Picasso. O título dava ênfase à ferramenta usada no furto: um pé-de-cabra, artefato arcaico que, décadas atrás, já servia para arrombar portas de casas.

Pois o pé-de-cabra, junto a um macaco hidráulico (algo nada inovador, também) ainda serve para arrombar o mais importante museu brasileiro, que não tem alarme, nem segurança armada, sequer câmeras que captam imagens noturnas com aproximação, tampouco seguro de seu acervo. Isso apesar de estar cravado na avenida cujo metro quadrado é o mais caro da América Latina.

A crise do Masp (que chegou a ficar sem luz no início do ano) está, portanto, mais que escancarada. E, pior, por um pé-de-cabra. O belo prédio traçado por Lina Bo Bardi, dentro do qual há o mais importante acervo de arte ocidental na América Latina, passa cada vez mais despercebido por brasileiros e brasileiras que acham muito mais cultural ser fotografado ao lado da pirâmide de vidro que passou a fazer parte da paisagem do Louvre. Afinal, é Paris. Ou com a estátua da liberdade ao fundo, nos "isteites".

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15.12.07

Uma pausa

Fernando Pessoa escreveu que "Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu". Era época das grandes navegações e um novo mundo estava sendo "descoberto" pelos europeus.

As coisas mudaram, já se conhecem todos os continentes, mas o mar continua misterioso, mágico e, a despeito das tantas agressões humanas, ainda espelha o céu.

Pois vou ao mar em mais um final de ano, para recompor as energias após meses e meses de trabalho. Neste período, nosso editor de Internet, Ricardo Pieralini, fará a mediação dos comentários no Blogna e volto à blogosfera após o dia 24, quando regresso. Ao jornal, retorno dia 30.

A todos um ótimo Natal e que, além dos presentes, das comidas e das bebidas, seja lembrado o sentido da data: a esperança de que o amor pode nos guiar a vários portos seguros. Independente de dogmas ou até aos que não crêem em nada além do material, a mensagem é válida: "Amai-vos uns aos outros".

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13.12.07

CPMF e caras-de-pau

Consolidou-se nesta madrugada de quinta-feira uma inversão histórica de papéis entre os principais partidos políticos brasileiros, algo que escancara a total falta de lógica em seus pensamentos. Tucanos e democratas brincaram de petistas sectários e o governo petista bancou a "direia" que o partido da estrela tanto criticava. E a CPMF caiu, na maior derrota de Lula diante do Legislativo.

Uso o verbo "brincar" porque foi exatamente o que se fez com o Brasil. Não se estava ali pensando no País, mas nos interesses políticos de cada político. Os governistas quando eram oposição fuzilavam a CPMF e a oposição que sempre foi governo simplesmente a criou. Difícil imaginar que mudaram de idéia tão rápida e completamente, apenas porque trocaram de posição no tabuleiro do poder.

Agora, os brasileiros deixam de pagar um imposto a partir de 2008, mas continua com a maior carga tributária do mundo nas costas. O País deixa de arrecadar R$ 40 bilhões e claro que outra forma de tirar esse valor da população será inventada. Entretanto, para os protagonistas deste episódio dantesco da história política nacional, isso não importa. Importa, sim, o pleito do ano que vem e como esse resultado poderá influenciá-lo.

Foi engraçado foi ver tucanos e ex-pefelês bradando que os R$ 40 milhões seriam usados para enriquecer banqueiros internacionais. Ora, a política de juros altos foi criada por ninguém menos que eles próprios, que criaram até o Proer para socorrer bancos com dinheiro público. Quanta hipocrisia... Do outro lado, o governo tentava explicar que o dinheiro fará falta à Administração, preocupação inédita para um PT que sempre quis atirar pedra na vidraça do poder, sem se preocupar com governabilidade.

A alternância de poder sempre foi oxigênio para a democracia. Mas, no Brasil, está se revelando também uma oportunidade de assistirmos a uma peça tragicômica em Brasília, que poderia se chamar "Os caras-de-pau".

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11.12.07

O limite da paciência

A política brasileira se perde num paiol de bobagens, lembrando as letras revoltadas do RPM. Assuntos que deveriam ser de interesse ficam engavetados, enquanto picuinhas parecem ser intermináveis.

Exemplo? Já passaram do limite da paciência as discussões sobre a CPMF, mas o caso parece não ter fim.

A oposição bate o pé contra a prorrogação do imposto, parte dela tentando ganhar mais um pouquinho em cargos e outras benesses do Executivo. O governo abre as torneiras da indecente compra de votos, prática das mais comuns neste País tropical "abençoado por Deus", mas não consegue garantir os votos suficientes. E já se fala em deixar a votação para o próximo ano.

Ninguém merece isso! Há meses se arrasta essa novela e ainda está-se prevendo que ela continue após o "adeus ano velho, feliz ano novo". Não que não seja importante discutir um imposto que foi criado com um "P" de provisório e acabou ficando permanente. Mas a forma como tudo acontece deixa claro que não se está discutindo o futuro do País. O que estão em jogo são interesses partidários.

A carga tributária no Brasil (da qual a CPMF é apenas uma pontinha de agulha) é indecente e precisa ser revista há muito tempo. Alguém fala nisso? Ninguém, nem governo, nem oposição. Alguém sobe nas tribunas para dizer que é necessária uma reforma tributária que envolva todos e não apenas um tributo, reforma sem a qual o País perderá competitividade internacional? Alguém cita que essa reforma deve ainda ajudar a distribuir renda? Alguém lembra que a CPMF é o único imposto que coloca em xeque os sonegadores, por isso tem tanta resistência por parte da elite?

Ninguém fala, e por um motivo simples. Os políticos não estão discutindo o problema dos impostos brasileiros nessa queda de braço da CPMF. Estão, sim, olhando para as eleições do próximo ano. Olhando, portanto, para eles próprios. O PT, que criticava a CPMF quando era oposição, agora não quer viver sem ela, pois é governo. O PSDB, com integrantes que participaram da criação do imposto, agora posa de moralista, querendo derrubá-lo e passar a imagem de que é contra taxações abusivas, como se os pedágios paulistas não o fossem.

Por isso e por todos os outros vícios do poder no Brasil, a saída, como já disse Jessyr Bianco num editorial recente do LIBERAL, é acabar com todo e qualquer tipo de reeleição, seja no Executivo, seja no Legislativo. Seria uma forma de obrigar o político a pensar num mandato de cada vez. E não passar uma legislatura utilizando o dinheiro público em campanha para emendar a próxima.

Mais triste de tudo é ver que, a despeito de manchetes e mais manchetes de jornais sobre a novela da CPMF, a população continua calma como um mar sem vento, que não leva embarcação para lugar algum. E o Brasil flutua, como uma nau à deriva.

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7.12.07

De novo, nós e os bichos

Nos comentários da penúltima postagem, fui rotulado por um colega de blogosfera como integrante do "plantel dos ateístas" porque ousei comparar macacos com homens, estes "criaturas de Deus", incomparáveis com quaisquer outros seres criados sabe-se lá por quem (tomando-se por base o comentário postado pelo leitor).

Pois hoje O LIBERAL traz uma informação que me faz voltar à comparação entre homens e animais (conceito errado este, pois o homem é também um animal, cujas origens são tão comprovadamente selvagens quanto os bichos que continuam selvagens).

O LIBERAL de hoje traz matéria sobre cães que foram abandonados e espancados por seres humanos, em Santa Bárbara d'Oeste. O carrasco autor da proeza não se contentou apenas com isso. Além de abandoná-los, amarrou-os a uma árvore, deixando-os privados de comida e água por vários dias.

Gostaria de saber, sinceramente, onde está a grandeza humana num ato como este, tão comum aqui e em qualquer parte do mundo. Onde está a diferença "superior" e até "divina" da nossa espécie em relação aos outros animais?

Uma diferença é inegável: o homem consegue ser sádico ao torturar e matar, enquanto que o animal mata apenas para sobreviver. Ou será que os animais foram criados para o exercício da nossa maldade e este "ateísta" não consegue enxergar isso?

Bom final de semana a todos! E viva a vida, a vida diversa. Todo tipo de vida!

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6.12.07

Mães precoces

Mães com até 20 anos de idade são responsáveis por nada menos que 20% dos nascimentos de bebês no Brasil. É o que aponta uma pesquisa divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira e significa que, de cada 5 bebês nascidos, um foi gerado por mãe muito jovem.

Convenhamos, é cedo para uma mulher ter um bebê antes dos 20 anos, ainda mais no mundo de hoje, com um mercado de trabalho cada vez mais exigente e onde educar um filho é cada vez mais uma atividade complexa - e cara. Mais: num planeta que não mais consegue comportar o número de seres humanos e suas ações exploradoras junto aos bens naturais.

"É um índice alto. Todas as medidas educativas parecem ter efeito parcial sobre a população dessa faixa etária", opinou Wagner Silveira, supervisor do IBGE de São Paulo. Ou seja, todas as iniciativas no sentido do controle da natalidade não estão surtindo o efeito desejado.

Mães precoces são quase sinônimos de seres que não terão direito à formação adequada e correm o risco de ser marginalizados. São também o resultado do sexo desprotegido, que pode gerar outros resultados muito piores que uma gravidez.

A sociedade -e não só os governos - deveria se preocupar com isso. Entenda-se por sociedade cada indivíduo e cada organização de indivíduos, como igrejas, por exemplo, muitas delas ainda com um pensamento medieval de que quanto mais filhos, melhor. Melhor para quem?

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4.12.07

Público, privado e filantrópico

A edição impressa de sábado do LIBERAL revelou, através de reportagem investigativa de Leslie Cia Silveira e Aline Macário, que o DAE de Americana deu um desconto de 88,7% em tarifas de água e esgoto do Clube dos Cavaleiros de Americana. O valor, que era de mais de R$ 40 mil segundo documentos obtidos pelo LIBERAL, caiu para pouco mais de R$ 4 mil. O motivo é a alegação de que o clube é uma entidade filantrópica.

Para enquandrar-se como tal, o CCA apresentou seu próprio estatuto, em que se auto-intitula filantrópico. Questionados pela reportagem do LIBERAL, nem o clube, nem o DAE apresentaram outro tipo de documentação, como uma certidão emitida por órgáos públicos (do município, Estado ou União) comprovando a alegada filantropia.

Nesta segunda, o promotor Sérgio Claro Buonamici abriu inquérito para investigar o DAE, considerando o desconto grave por enquadrar-se em possível ato de improbidade. A autarquia diz que se baseou numa lei municipal, que não obriga outra comprovação além do estatuto da entidade que pleiteia desconto por ser filantrópica. Diz ainda o DAE que não tem poder de fiscalizar.

Já o promotor não se apega à lei municipal, mas à legislação federal, que considera improbidade dar desconto em tarifas públicas a entidades que não tenham comprovação de filantropia emitida por órgão público (e não o próprio estatuto apenas, portanto).

As alegações do DAE beiram o deboche. Ora, se a lei municipal não obriga certificação, a lei federal enquadra descontos do tipo como improbidade administrativa. E se basta o próprio estatuto para conseguir descontos nas tarifas de água e esgoto, então liberou geral no DAE de Americana. Que nos locupletemos todos, pois, e possamos usufruir também do que foi dado ao CCA.

O LIBERAL questionou também o prefeito. Como sempre, terceirizou a resposta. Disse que isso é com o jurídico do DAE. Temos em Americana, portanto, uma versão "light" do presidente Lula, que também adora se eximir de responsabilidades. Mas Lula, ao menos, pune os companheiros envolvidos em denúncias graves.

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Coisas de primatas

Um estudo da revista "Current Biology" traz uma informação incrível: os chimpanzés de cinco anos de idade conseguem aprender a contar de um a nove e, pasmem, têm melhor memória fotográfica que estudantes universitários (humanos, claro).

O experimento era assim: mostravam-se números de um a nove numa tela. Depois, os números eram substituídos por uma casinha em branco e os participantes tinham de marcar na tela, sensível ao toque dos dedos, qual número aparecia, e em que ordem.

Pois os chimpanzés conseguiram memorizar a maioria dos números, mesmo que ficassem por pouco tempo aparecendo. Já os universitários conseguiram memorizar menos, e erravam ainda mais quando os números ficavam por pouco tempo em exposição.

Pois agora este jornalista blogueiro faz uma pergunta que transcende o experimento curioso: é mais inteligente o bicho que vive em harmonia com a natureza ou o que inventou a bomba atômica e está fazendo o planeta arder numa estufa de poluição?

Parece que até a ciência já não tem tanta certeza assim. E, enquanto a dúvida parece pertinente, os humanos no Brasil ficam grudados na televisão madrugada afora vendo as mocinhas semi-despidas do Silvio Santos oferecerem prêmios em dinheiro para quem consegue memorizar... desenhinhos!!! Uma fantasia de racionalidade!

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