Nós e a Copa
O "Financial Times", um dos jornais mais respeitados do mundo - principalmente do mundo dos negócios -, meteu o dedo na ferida: uma Copa do Mundo no Brasil pode ser sinônimo de caos. O motivo, segundo o "FT", é a falta de segurança e de infra-estrutura brasileiras para comportar um evento do tipo."Dezoito cidades em todo o Brasil se esforçam para estar entre as 12 que sediarão os jogos. Nenhuma delas tem um estádio que faça jus à tarefa", crava a matéria, que continua: "Má combinação: Reputação do Brasil para jogadores estrelares é corroída por infra-estrutura precária e corrupção".
O "Financial Times" estaria certo? Em parte, sim. E a realização dos Jogos Panamericanos do Rio foi um exemplo. O Exército teve de ficar com tanques de guerra nas ruas para garantir a segurança de um evento muito menor que uma Copa do Mundo. E aconteceu ainda um outro problema: o Estado teve de bancar a maior parte dos custos, reformando ginásios (que hoje são elefantes brancos) com dinheiro que poderia ser investido na saúde e na educação precárias que temos em nosso País.
Mas o jornal também está errado quando foca o Brasil sob a ótica do estereótipo, típico entre os que habitam o "andar de cima" do globo terrestre. Para eles, somos simpáticos, "calientes", porém aborígines tropicais sem a menor noção do que é a civilização. Injustiça. E exemplo disso é o quanto as empresas sediadas no andar de cima crescem e lucram aqui, nesta nação não só bonita por natureza, mas próspera apesar de ainda desigual.
O Brasil teria plenas condições de sediar uma Copa do Mundo se o Estado fosse menos corrupto e a iniciativa privada menos egoísta. Infelizmente, ambas as coisas não acontecem. Mas não é só aqui que o problema existe. Lembremos que o Estado norte-americano financiou uma guerra bilionária contra o Iraque e nada conseguiu além de um fiasco bancado pelo povo em benefício da indústria bélica.
imagem sxc












