30.10.07

Nós e a Copa

O "Financial Times", um dos jornais mais respeitados do mundo - principalmente do mundo dos negócios -, meteu o dedo na ferida: uma Copa do Mundo no Brasil pode ser sinônimo de caos. O motivo, segundo o "FT", é a falta de segurança e de infra-estrutura brasileiras para comportar um evento do tipo.

"Dezoito cidades em todo o Brasil se esforçam para estar entre as 12 que sediarão os jogos. Nenhuma delas tem um estádio que faça jus à tarefa", crava a matéria, que continua: "Má combinação: Reputação do Brasil para jogadores estrelares é corroída por infra-estrutura precária e corrupção".

O "Financial Times" estaria certo? Em parte, sim. E a realização dos Jogos Panamericanos do Rio foi um exemplo. O Exército teve de ficar com tanques de guerra nas ruas para garantir a segurança de um evento muito menor que uma Copa do Mundo. E aconteceu ainda um outro problema: o Estado teve de bancar a maior parte dos custos, reformando ginásios (que hoje são elefantes brancos) com dinheiro que poderia ser investido na saúde e na educação precárias que temos em nosso País.

Mas o jornal também está errado quando foca o Brasil sob a ótica do estereótipo, típico entre os que habitam o "andar de cima" do globo terrestre. Para eles, somos simpáticos, "calientes", porém aborígines tropicais sem a menor noção do que é a civilização. Injustiça. E exemplo disso é o quanto as empresas sediadas no andar de cima crescem e lucram aqui, nesta nação não só bonita por natureza, mas próspera apesar de ainda desigual.

O Brasil teria plenas condições de sediar uma Copa do Mundo se o Estado fosse menos corrupto e a iniciativa privada menos egoísta. Infelizmente, ambas as coisas não acontecem. Mas não é só aqui que o problema existe. Lembremos que o Estado norte-americano financiou uma guerra bilionária contra o Iraque e nada conseguiu além de um fiasco bancado pelo povo em benefício da indústria bélica.

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28.10.07

Quanto valem os vereadores?

Vereadores de Americana ganham quase R$ 4 mil mensais, a grande maioria tem outros ganhos, há três assessores disponíveis para cada um e, agora, local de trabalho deles é um grandioso prédio que custa aos cofres públicos R$ 29 mil ao mês.

Isso é justo? O trabalho dos vereadores faz jus ao que a sociedade paga para mantê-los? Pois é a discussão O LIBERAL impresso deste domingo levanta. A reportagem perguntou aos próprios vereadores qual a opinião deles sobre haver ou não salário aos legisladores. E as respostas, claro, foram quase unânimes em defesa da remuneração.

As justificativas são questionáveis. Foi dito, por exemplo, que se não houvesse salários haveria dificuldade de uma pessoa sem fonte de renda concorrer a uma vaga de representante do povo e, então, se estaria prejudicando a democracia. Ora, então a representatividade já está comprometida, pois quase todos tem outras fontes de renda e não há ninguém representante da classe dos desempregados.

Mas há um dado que coloca em xeque o salários dos nobres políticos: o custo/benefício. Americana já teve legislaturas da Câmara que nada recebiam e, curiosamente, produzia debates muito mais interessantes e importantes para a cidade. Esta Câmara que aí está gerou como maior debate até então a comodidade dos próprios vereadores, com a transferência para o palacete que se quer até comprar.

Pela ótica do custo/benefício, então, o gasto não está compensando. Mas o debate fica para você, caro leitor.

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25.10.07

Estado não é empresa

Está deflagrada a guerra entre cidades da região. Sem pólvora nem violência física, mas colocando a população que paga impostos num perigoso "front", para ser alvejada por um mecanismo sórdito que tem virado moda na política econômica de municípios e estados.

Trata-se da guerra fiscal, assunto que é manchete do jornal O LIBERAL (impresso) desta quinta-feira e tema da coluna Painel, que este blogueiro escreve. O caso começou anteontem, quando o prefeito barbarense, José Maria de Araújo Jr. (PSDB), apresentou projeto à Câmara que concede várias isenções fiscais a empresas que se instalarem na cidade. Ontem, comissão da Câmara americanense reagiu, querendo aumentar os descontos de impostos que Americana já planeja para o setor empresarial.

O vereador (e empresário) Oswaldo Nogueira (ex-PT, hoje DEM), da tal comissão, disparou que a iniciativa barbarense torna o projeto que já tramita na Câmara de Americana (de isenções fiscais) "inócuo". Para ele, é preciso ser mais "agressivo". Ou seja, se o vizinho está dando mais, é preciso dar mais ainda. E escancara-se um leilão do qual saem vitoriosas as empresas que por aqui quiserem se instalar, e perde a população, que deixará de ter a contrapartida de tais empreendimentos em impostos que poderiam se transformar em serviços púbicos.

Eis uma situação em que governos fazem o jogo do capitalismo selvagem. Em vez de exercerem o papel de reguladores da economia, disputam entre si, usando como moeda a "coisa pública". Sem impostos, não há educação, saúde, transporte, saneamento. Nem estrutura para abrigar novas empresas, que atraem mão-de-obra de outras cidades e exigem do Poder Público a contrapartida dos serviços essenciais.

Vereadores e prefeitos deveriam pensar menos como empresários e mais como estadistas. Afinal, eles lidam com o dinheiro e, muito mais que isso, com a qualidade de vida da população.

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24.10.07

Vereador quer dieta nas escolas

A Câmara de Americana está para votar um projeto de lei que proíbe a venda de produtos industrializados em cantinas de escolas da cidade. Em vez deles, só poderão ser vendidos alimentos "nutritivos", caso o projeto seja aprovado.

A justificativa do autor, o vereador Davi Ramos (PCdoB), é reduzir a obesidade dos estudantes. Ele aponta estudo segundo o qual, desde 1997, o número de obesos na população brasileira tem subido de dois a três pontos percentuais a cada ano. A informação está publicada no LIBERAL impresso desta terça-feira.

A primeira dúvida que o projeto suscita é: que parâmetros serão usados para definir alimentos "nutritivos"? Se for apenas o diferencial de serem feitos em casa em vez de em uma indústria, já temos um problema. Padrões de higiene, por exemplo, são muito mais rígidos e fiscalizáveis em escalas industriais. Ademais, há muito sanduíche caseiro dito natural que é entopido de maioneses e, vez ou outra, com salmonela acompanhando.

Não vai poder batatinha Elma Chips, mas aquelas coxinhas caseiras, entopidas de colestorol, podem? Coca-Cola nem pensar, mas e se o aluno quiser um todinho, por exemplo? Precisará haver uma vaca em cada cantina para se tirar o leite na hora? Ora, afinal, qualquer leite que não seja tirado na hora é industrializado. Se for iogurte, então, terá de encomendar um dia antes...

Talvez a nutricionista do "Zorra Total" poderá ajudar a dizer o que "podchi" e o que "não podchi"...

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18.10.07

Pinte a Câmara você também

Após se mudar para um prédio cujo aluguel é R$ 29 mil mensais (quatro vezes mais que o anterior), pagos pelo meu e pelo seu dinheiro, caro leitor, a Câmara de Americana agora vai para o salão de beleza.

As primeiras ações resultantes da contratação de um agência de publicidade, cujo teto de gasto é R$ 80 mil (também pagos pelo meu e o seu dinheiro) até o final deste ano, serão pintura do muro do novo prédio e reprodução do brasão da Casa de Leis na fachada.

Quer dizer, às nossas custas, estão mudando o rótulo, mas sem alterar o conteúdo. Por isso, lanço aqui uma campanha para que nós, que elegemos e sustentamos os nobres vereadores, possamos opinar quanto aos cosméticos utilizados nessa maquiagem da "nova" Câmara.

E, inspirado no editorial que o doutor Jessyr Bianco publica no LIBERAL desta quinta-feira, deixo minha sugestão: um letreiro em neon bem na frente do novo prédio com a inscrição: "Não reeleja, pelo fim da carreira política". Agora, é com você, caro leitor. Deixe sua sugestão. Afinal, você também está pagando.

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13.10.07

A era mortal

Nunca o ser humano esteve tão consciente dos efeitos nefastos da poluição atmosférica herdada da revolução industrial (e isso não é sinônimo de ações na mesma proporção de tal consciência). Mas uma informação divulgada neste sábado joga mais uma pá de cal nas esperanças sobre a reversão do que já se revela no clima do planeta.

Um dia depois de levar junto com o ex-vice presidente dos EUA Al Gore o prêmio Nobel da Paz, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), da ONU (Organização das Nações Unidas), afirma que a Terra está entrando numa "nova época climática". Ora, mas que época? Uma época mortal.

Essa previsão mais que pessimista (O LIBERAL impresso deste domingo traz matéria completa) revela que o aumento do nível dos oceanos já é irreversível, assim como o derretimento de geleiras nos pólos. Ou seja, a vida no planeta está às portas de um período de duras respostas da natureza à sua ação exploradora, inconseqüente e imediatista da humanidade.

Devemos então apenas esperar a tragédia, relaxar e gozar já que o fim é inevitável, como já sugeriu a ministra Marta em relação ao apagão aéreo? Não. O relatório também diz que existe potencial econômico global para se tomarem medidas que minimizem tais efeitos. Sim, existem. Mas o potencial econômico global ainda está voltado, primordialmente, para mais produção, mais lucro e, conseqüemente, mais poluição.

Isso muda?

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9.10.07

O rolex de Huck

Aos 36 anos, Luciano Huck descobriu que no Brasil há assaltos a mão armada por causa de um relógio. E que a violência urbana é um problema sem controle na cidade de São Paulo, assim como em várias outras capitais ou não capitais pelo País.

O apresentador prodígio do "Caldeirão" que leva seu nome na emissora mais assistida (e que chega a pagar milhão mensal a cada um dos seus mais estrelares funcionários) escreveu artigo na "Folha de S.Paulo", semana passada. No texto, ele se vê na manchete do "Jornal Nacional", da mesma emissora em que trabalha, numa hipótese de ter sido assassinado no assalto.

"Escrevo este texto não para colocar a revolta de alguém que perdeu o rolex, mas a indignação de alguém que de alguma forma dirigiu sua vida e sua energia para ajudar a construir um cenário mais maduro, mais profissional, mais equilibrado e justo", diz Huck, numa auto-exaltação profissional.

Ora, seria a criação do fetiche Tiazinha, aquela jovem vestida de cinta liga, fio dental e chicote que ficava excitando adolescentes ao vivo, uma construção de um cenário "mais maduro, equilibrado e justo" para o Brasil? Ou será o global "Caldeirão" e sua ditadura da beleza e do consumismo um libelo contra a violência e a opressão?

"Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade", profetiza Huck, em outro trecho do artigo na "Folha". Agora? Só por que ele foi o assaltado? Não teria passado da hora, há muito tempo, e por culpa de uma elite (a mesma de que Huck faz parte) que sempre preferiu se isolar em condomínios fechados e carros blindados a enxergar a vida em sociedade? Aliás, o próprio Huck diz, no artigo: "Confesso que já andei de carro blindado."

"O lugar deles é na cadeia", brada Huck. Está certo, mas a cadeia no Brasil é um porão fétido que faz ladrões de relógio se tornarem cruéis homicidas. E ninguém do andar de cima se importa com isso, porque quase nunca gente fina é presa no Brasil e, quando é, tem cela especial. Fica na corregedoria da Polícia Federal até uma liminar garantir sua liberdade.

Em outro trecho, o apresentador se indigna ainda mais: "Alguém consegue explicar um assassino condenado que passa final de semana em casa!? Qual é a lógica disso? Ou um par de 'extraterrestres' fortemente armado desfilando pelos bairros nobres de São Paulo?" Ora, e como explicar o ex-diretor do Estadão, pertencente à elite que anda de carros blindados, ter sido condenado por assassinato mas continuar em liberdade e não só aos finais de semana, podendo desfilar diariamente pelos bairros nobres de São Paulo?

Por fim, Huck se entrega: "Estou à procura de um salvador da pátria." Quem sabe alguém que invente o super-rolex blindado contra ladrões. Ou uma supertiazinha que chicoteie a bandidagem que incomoda a doce vida dos Jardins paulistanos.

Eis a elite brasileira, que até nas horas de desespero só sabe enxergar seu próprio umbigo.
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Deboche da Câmara

O LIBERAL impresso desta terça informa que, até o final do ano, o "antigo" plenário da Câmara de Americana no Paço Municipal, a que o Legislativo tinha direito de uso gratuito, ficará ocioso. Isso porque o Executivo não mexerá no local após os vereadores mudarem-se para um novo prédio, muito maior e cujo aluguel é quatro vezes mais caro (R$ 29 mil mensais), deixando o imóvel que usavam para os gabinetes (que custava R$ 7 mil mensais) e abandonando também o plenário do Paço (gratuito, frisa-se).

Ocorre que o enorme novo prédio não tem espaço adequado para as sessões, que acontecem de forma desastradamente improvisada. Na semana passada, os vereadores se espremeram num cômodo do novo casarão, com bancadas encostadas umas nas outras e um barulho de "mercado de peixe". Aos espectadores, em vez das poltronas de antes se ofereceram cadeiras de plástico. Só no próximo ano, o novo prédio terá um plenário construído para os legisladores.

A contradição escancara o deboche com o dinheiro público. Enquanto o plenário que sempre foi gratuito aos vereadores fica às traças, improvisam-se as sessões em local inapropriado, que, ironicamente, custa caro ao bolso do contribuinte. E o mais irônico é que o eleitor nem reclama.
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8.10.07

Namoros e mamilos

Os sites mais acessados do Brasil publicam com destaque nesta tarde de segunda-feira o fim do namoro da atriz Priscila Fantin com o ator Duda Nagle e o fragrante do príncipe Harry lambendo o mamilo de um amigo.

Eis dois exemplos do estado febril do jornalismo de celebridades, que vai ganhando mais e mais espaço não apenas em sites, mas também em jornais impressos. A vida dos famosos cada vez mais interessa à mídia, mas será que é de interesse público?

Acerca do assunto, Carlos Alberto Di Franco (grande mestre de quem tive a sorte de ser aluno na Cásper Líbero), escreve hoje na página 2 do "Estadão" (impresso): "O culto da frivolidade indica inconsistência editorial".

Inconsistência que se agrava com jornais impressos querendo copiar a internet ou a televisão e todos deixando de lado o sabor da grande reportagem. E com uma sociedade em que, ainda, a leitura não é vista como necessidade, tampouco como prazer.

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5.10.07

Vida descartada

Uma mãe joga um bebê no ribeirão poluído, a criança é encontrada mas não resiste e morre. Foi em Minas Gerais, mas não é um caso isolado. Pelo Brasil, estão ficando comuns notícias de violência extrema contra recém-nascidos, atirados em rios, embalados em sacos plásticos, jogados em lixos pelas suas próprias mães.

Estaria a sociedade perdida por conta do materialismo moderno? Nem tanto. O materialismo é, sim, uma antítese do humanismo. E está cada vez mais presente no mundo de hoje. Mas não sejamos ingênuos e saudosistas acreditando que "antigamente era melhor". Só para lembrar, antigamente, em nome e Deus, se queimava gente viva em praça pública na Europa. Uma atitude tão violenta quanto lançar um bebê ao rio.

O que há de comum na sociedade de hoje e de ontem é a hipocrisia. O moralismo de antes matava com o aval do Estado. Hoje, ele ainda sobrevive, menos imperceptível, mas está firme e forte. Prova disso é a carência do controle de natalidade, condenado pela Igreja, disfarçado pelos governos. Sem ele, é impossível discutir qualidade de vida numa realidade extremamente competitiva como a que vivemos.

Trazer um filho ao mundo não é apenas uma coisa "bonitinha", "fofa", que as vovós adoram. É colocar mais um num planeta que não tem mais recursos sequer para os que aqui estão. Mais um que precisará de água, comida, oxigênio e, principalmente, acolhimento, carinho, amor. A sociedade deveria estar ciente dessa responsabilidade, mas não está. O Estado deveria se incumbir de gerar esse debate, mas pouco faz. Então, mais e mais bebês continuarão sendo feitos como numa brincadeira e jogados como algo que se pode descartar, seja num rio, seja na marginalidade.
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4.10.07

Cegueira na saúde

O que é mais escandaloso? Uma mulher ficar cega após peregrinar sete meses em consultas na saúde pública sem diagnóstico definitivo sobre seu problema? Ou a saúde pública se limitar a argumentar que, por ser diabética, essa mulher tem 25 vezes mais chances de ficar cega, sem explicar a acusação de que um médico não teria dilatado sua pupila porque "estava com pressa"?

A revelação sobre o caso foi feita ontem no LIBERAL impresso, inclusive com espaço para a resposta da Prefeitura de Americana. O jornal ficou dois dias trabalhando a reportagem para levantar a matéria, inclusive pedindo que o responsável pela Saúde da cidade falasse sobre ele. Só falou via nota da assessoria de imprensa. Após a publicação da matéria, uma outra resposta foi dada pelo Executivo, mas também através da frieza unilateral dos textos prontos via assessoria de imprensa. Hoje, a alegação é de que "o processo de encaminhamento da paciente foi realizado corretamente" no setor de Saúde.

O que ambas as "explicações" fazem crer é que, antes de se checar a grave denúncia de que um médico não teria dilatado a pupila da paciente porque estava com pressa, o Poder Público se antecipa na auto-defesa, inclusive criticando o jornal porque revelou um fato nada otimista para o setor. É como faz o DAE com a falta d’água, jogando a culpa na população, que gasta muito. Uma ode à impunidade.

Justamente por ser diabética e por sentir que vinha perdendo a capacidade de enxergar, a paciente procurou pelo atendimento médico. Infelizmente, acabou precisando da Saúde pública, e o que tem hoje em mãos é um laudo da Unicamp (para onde foi encaminhada tarde demais) dizendo que não há mais nada a fazer. Enquanto isso, o Poder Público sustenta a sua versão em percentuais de diabéticos que perdem a visão. Como na frieza das notas via assessoria, se apega à frieza dos números que justificam tudo, até a possível negligência.

Quanta escuridão.

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