
Genilson Brandão deixou uma frase em comentário no artigo sobre o aborto que me chama a atenção para um tema que vai além do aborto e, por isso, abro uma nova postagem. "Tenha um ótimo Dia da Independência", disse ele. Mas, antes de mais nada, tratarei de apresentá-lo.
Genilson é um jornalista americanense tal qual este blogueiro. Fizemos cursinho juntos sonhando com a faculdade em São Paulo e com um jornalismo pluralista e a serviço do interesse público. Eu acabei indo para São Paulo me graduar e ele encontrou a chance de se formar não aqui no Brasil, mas nos Estados Unidos, onde mora até hoje e exerce a profissão de jornalista. Voltei para trabalhar em Americana e meu amigo continua nos EUA.
Feita a apresentação, voltemos à frase, incomum para nós brasileiros porém corriqueira para os norte-americanos quando se aproxima o 4 de Julho. Lá, o dia da independência é a apoteose do amor ao ideal de nação; aqui, das estradas entopidas rumo à praia.
Sim, leitor, o ufanismo norte-americano chega a ser exagerado e, muitas vezes, pensa-se por lá que o resto do mundo só existe para servi-los. Mas, o desprezo que há por aqui pela história e pelo conceito coletivo de país também incomoda.
Pero Vaz Caminha, quando escreveu o primeiro documento descrevendo o que seria o Brasil ao rei de Portugal, apontou: "A terra em si é de muito bons ares frescos e temperados. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo". Caminha disse isso há mais de 500 anos e, hoje, fica uma pergunta: aprendeu-se a plantar, colher e dividir nesta terra onde tudo dá? Aprendeu-se a valorizar um quase continente de terra onde a natureza foi extremamente generosa?
Um ótimo Dia da Independência a todos!
imagem sxc