31.7.07

Rótulos ambientais

O LIBERAL impresso desta terça-feira revela que Americana vai insistir na adoção de sacolinhas de supermercado ditas ecológicas -dando inclusive selo de "Amigo do Meio Ambiente" para estabelecimentos que as usarem-, mesmo após o governo do Estado ter constatado que não são ecológicas.

Segundo o Palácio dos Bandeirantes, as sacolinhas -feitas com um componente chamado oxi-biodegradável- não são biodegradáveis. Isso porque o plástico que as compõe, apesar de se partir mais fácil em pedaços pequenos, continua poluindo o meio ambiente -e de forma até pior, pois os pequenos pedaços têm maior poder de contaminação.

Já a Secretaria de Meio Ambiente de Americana diz que a nova sacola é melhor, mas não aponta nenhum estudo científico para sustentar sua posição. Eis um risco de se estar jogando a sujeira debaixo do tapete, em nome de rótulos falsamente ambientais.

Quer-se tomar uma atitude verdadeiramente ambiental nos supermercados? Voltemos ao velho e bom saco de papelão -que a Europa usa até hoje-, em vez dessas barulhentas e frágeis sacolinhas derivadas de petróleo.
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28.7.07

As caixas-pretas

A revista "Veja" que chegou às bancas neste final de semana faz revelações sobre o conteúdo das caixa-pretas do Airbus da TAM que se chocou contra prédio ao lado de Congonhas, matando quase 200 pessoas. A revista informa que houve falha humana.

Segundo a "Veja", que se utiliza de informações não confirmadas oficialmente porque estariam ainda sob sigilo na Aeronáutica, o piloto errou ao deixar o manete da turbina esquerda em posição de aceleração, quando deveria ficar em "marcha lenta", porque o reverso desta turbina estava quebrado e travado propositadamente pela companhia aérea.

Indiretamente, portanto, o reverso quebrado influenciou no acidente, segundo a revista, já que, por causa disso, o manete deveria ficar em outra posição durante a frenagem, após o pouso. Também o fato de a pista de Congonhas ser pequena e sem área de escape fez com que o caso acabasse em tantas mortes, impossibilitando espaço maior para o avião parar.

Não coincidentemente, a Airbus divulgou nesta semana uma nota sobre o uso correto dos tais manetes em casos de reverso sem funcionamento para pilotos do mundo todo.

A reportagem da "Veja" inspira algumas conclusões. Primeiro, que se Congonhas não fosse um aeroporto operando no limite da segurança, muitas vidas (senão todas) poderiam ser poupadas, mesmo com o problema do manete. Segundo, se a TAM consertasse o reverso em vez da "gambiarra" de travá-lo até a próxima manutenção, certamente o avião frearia normalmente. Terceiro, que a grande culpa pode acabar no piloto que morreu e não pode mais se defender. Para tudo continuar como está.

26.7.07

Sua majestade, o cifrão

As empresas aéreas mutiplicaram sua lucratividade com o uso intensivo do Aeroporto de Congonhas, informa a "Folha de S.Paulo" desta quarta-feira. No ano passado, a TAM teve um salto de 174% em seus lucros, enquanto a Gol, de 62%. Congonhas dá até duas vezes mais rentabilidade às empresas do que outros aeroportos, completa a reportagem.

Quer explicação melhor que essa para a mais recente tragédia, em que 199 morreram em São Paulo, e para o caos aéreo que assola o País? Eis a mais pura e genuína prática do capitalismo selvagem, que rege tudo conforme a ótica do lucro, até quando vidas são colocadas em risco.

O governo? Ora, lembremos Guido Mantega, que chegou a dizer que o caos aéreo era resultado do crescimento econômico do País. Faltou completar: crescimento sem planejamento, problema, aliás, crônico nas terras invadidas por Cabral. Nem planejamento, tampouco controle por parte do Estado, que tem nas mãos a batuta para "regular" o sistema, mas toca no ritmo da selvageria do mercado.

O problema, então, é do PT recém-convertido ao mais cruel dos capitalismos? Sim, mas não só. Veja-se o que o tucanato fez com as estradas de São Paulo, Estado que conseguiu um feito bizarro: cruzá-lo de carro, pagando todos os pedágios, é mais caro que de avião. Veja-se o que sucessivos governos fizeram com Congonhas, deixando a metrópole "engolir" o aeroporto, muitas vezes irregularmente (através do famoso "jeitinho brasileiro"). Veja-se a quebradeira da economia de Americana com o tecido asiático, que aqui chegou (e chega) porque, desde Collor, todos os governos se negaram a proteger seu próprio País no que tange a comércio internacional.

A tragédia da TAM vai sair dos noticiários, assim como os problemas de Congonhas. E o capitalismo selvagem voltará a reinar absoluto. Não apenas nos check-ins, mas em muitos lugares deste Brasil, il, il, embebedado pelo Pan, com narração de Galvão Bueno.
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22.7.07

"Eu não viajarei ao Brasil"

Marc Baumgartner, controlador de vôo em Genebra (na Suíça), presidente da Ifatca (sigla em Inglês para Federação Internacional de Associações de Controladores de Tráfego Aéreo) desde 2002, entidade que representa 50 mil controladores de vôo em 130 países, escreve na "Folha de S.Paulo" de sábado: "O público viajante (no Brasil) está sendo iludido e colocado em risco de segurança desnecessário".

O artido de Baumgartner está no espaço do "não" em "Tendências / Debates" do jornal, que pergunta: "É seguro voar no Brasil?". Ele diz: "O principal problema é a falta de fiscalização. A agência regulatória, que deveria exercer as funções de fiscalização, responde também pela prestação dos serviços e pela investigação de acidentes". Em outro trecho: "Os que tentaram indicar as inadequações do sistema foram presos". Para arrematar: "Eu não viajarei ao Brasil e recomendo aos meus amigos que tampouco o façam".

Para o País donde surgiu um Santos Dummont, dito "pai da aviação", e onde uma Varig já fez inveja a gigantes do mercado mundial, tamanha sua qualidade, é deprimente ver que, quando as viagens aéreas se popularizam, o País mostra uma estrtura capenga e extremamente perigosa.
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19.7.07

Tragédia escancarada

O "Jornal Nacional", da Rede Globo, dá um tremendo furo de reportagem, na noite desta quinta-feira: o Airbus da TAM que se acidentou na terça já havia apresentado problemas no reversor da turbina direita. A falha apareceu na sexta-feira, 13, mas a aeronave continuou sendo utilizada, sem nenhum conserto. Teve dificuldades de pousar em Congonhas na segunda, mas continuou sendo utilizada sem nenhum conserto. Até que explodiu matando quase 200 seres humanos .

Ruy Amparo, vice presidente técnico da TAM, admitiu diante das câmeras do "JN" que a empresa sabia, sim, da falha, antes do acidente. Mas, -diz ele- o manual da Airbus preconiza que a aeronave pode voar com tal problema por até dez dias, a menos que tenha de pousar numa "pista contaminada". O que seria pista contaminada, pergunta o repórter. Ele responde: com muita chuva, por exemplo.

Façamos um exercício de raciocínio. O reversor da turbina tem a função de parar o avião. A pista de Congonhas é curta e perigosa. Na noite do acidente, chovia. O avião tocou o chão sem um dos reversores. Ou seja, um aeroporto problemático, tempo ruim e uma aeronave com defeito no freio prestes a tocar o solo a 180 km/h. Qual combinação -criminosamente permitida- seria melhor para uma tragédia?

Façamos, agora, um exercício de cidadania. Como? Primeiro, não deixando o legado dessa tragédia se perder no tempo, porque ela é resultado de um modelo em que o dinheiro ganho pelas empresas aéreas vale mais que vidas (as agências do governo são pífias). Segundo, cobrando de todas as maneiras possíveis punição exemplar dos responsáveis (seria estupidez dizer que não há responsáveis). Terceiro, usando o poder de consumidor (empresas aéreas só existem porque há quem as escolha para voar).

Para fechar, uma analogia pertinente: você esperaria dez dias para ir a uma oficina se o freio de seu carro apresentasse problemas (por menores que fossem), quatro dias antes de uma viagem ao litoral? Esperaria se, na véspera, tivesse de derrapar para parar num semáforo? Colocaria sua família dentro dele?

A TAM esperou. E embarcou 186 pessoas para uma viagem sem volta.

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17.7.07

Tragédia anunciada

Uma tragédia como a que ocorreu na noite desta terça em São Paulo estava mais que anunciada. O próprio Aeroporto de Congonhas é um convite a um acidente aéreo. Esmagado pela metrópole, rodeado de residências, superlotado de aeronaves, com espaço reduzido para pousos e decolagens, enfim, caótico.

Soma-se a isso a negligência que é cultural no Brasil. A pista do aeroporto tinha problemas que não eram de hoje. Um avião escorregou, outro, mais outro, até que a Justiça mandou consertá-la. Ficou 70 dias em obras, foi reaberta recentemente, porém ainda sem ranhuras que ajudam "segurar" as aeronaves.

Um dia antes da tragédia, mais uma evidência de que algo ainda poderia estar errado: uma aeronave derrapou na pista "nova". Mesmo assim, não se mexeu uma palha, até que o pior aconteceu.

Ainda não se sabe o motivo. Pode nem ser a pista. Mas é inegável que Congonhas é um fator negativo para a segurança do transporte aéreo. Aliás, o Brasil está "sem teto" nesse assunto, colocando em risco milhares de vidas, diariamente.

A tragédia é inesquecível. Inevitável, nem tanto.

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Abismo assustador

Estudo realizado pela Boston Consulting Group revela números assustadores sobre o abismo social brasileiro. Segundo o levantamento, 0,7% da população brasileira tem em suas mãos metade do PIB (Produto Interno Bruto) do País.

Trocando em miúdos, significa que apenas 130 mil pessoas detêm 50% de tudo o que o Brasil produz de riqueza. E, para 189,87 milhões (isso mesmo, leitor, milhões) sobra a luta pelas migalhas da outra metade do bolo.

Impossível haver qualquer tipo de justiça com tamanha disparidade. Impossível haver desenvolvimento sustentável. Impossível haver uma nação. Se 0,7% tem direito a metade dos bens de um universo de 190 milhões, sepulta-se qualquer esperança.

Simplesmente porque a desigualdade é a raiz dos maiores problemas de uma sociedade. Ela é mãe da marginalização, avó da violência e, infelizmente, a cara do Brasil. Somos, vergonhosamente, o País mais desigual do mundo. Onde há medicina de última ageração e falta saneamento básico. Onde extremos convivem já num evidente clima de conflito. Onde a violência urbana mata mais que a guerra de muitos países.

É preciso diminuir esse abismo. Mas quem aceitará perder um pouquinho individualmente para o coletivo ganhar? Quem conseguirá enxergar além dos muros da falsa proteção dos condomínios fechados? Quem conseguirá entender que, um dia, os garotos descalços que pedem nos semáforos cansarão de pedir? Terão uma arma de uso exclusivo do exército apontado para a cabeça de um bem nascido.
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16.7.07

Aos de vontade, a vitória

Não sou nem de longe a pessoa certa para fazer comentários sobre futebol. Tampouco acompanho as partidas de meu time, exceto quando as finais se aproximam. Mas, peço licença ao leitor para tecer algumas palavras sobre a vitória de ontem da seleção brasileira sobre a Argentina.

O Brasil entrou em campo com um time praticamente sem estrelas, ao contrário do adversário, em que elas brilhavam até no banco de reservas. Restava aos que vestiam a camisa amarela a tradição da mesma, que tem seu peso em qualquer jogo. E restava, principalmente, algo que o fato de ser estrela não garante: a vontade de vencer.

Foi mais bonito ver essa seleção nova de Dunga ganhar um título do que se fossem as velhas celebridades do futebol brasileiro, que desfrutam de todos os sabores da Europa e, quando são convocadas a vestirem a camisa da seleção, quase o fazem por caridade -muitas vezes sem nenhuma vontade, diga-se.

Também foi bonito ver que, no futebol, as previsões inexistem. Antes do jogo, li uma matéria na "Folha de S.Paulo" que me chamou a atenção, cujo título era "Brasil pega a Argentina e quer perder de pouco". Ora, quem perdeu foi o "jornalismo" messiânico e inverídico. A seleção tão criticada queria era ganhar. E fez por merecer.
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14.7.07

As vaias são para todos

Seriam R$ 400 milhões, definidos há cinco anos, que se tornaram R$ 3,7 bilhões hoje. Eis o que nós brasileiros pagamos para a realização dos Jogos Panamericanos no Rio de Janeiro.

São R$ 3,7 bilhões para alguns dias em que os entusiastas "cidade maravilhosa" vão se achar nas nuvens. Depois, sobrarão os elefantes brancos, quadras, piscinas, estádios e afins erguidos para nada. Aconteceu isso com a Grécia ao sediar as Olimpíadas. O detalhe é que a Grécia é a Grécia, enquanto o Brasil é o Brasil.

Já na cerimônia de abertura do Pan do Rio, uma ironia do destino: quem mais jorrou verba (pública, claro) para a realização do evento, o presidente Lula, foi vaiado, junto com as delegações dos Estados Unidos e Venezuela.

Coisa típica do Brasil, onde os problemas são todos canalizados para um estádio de futebol, onde, ali sim, o torcedor exige que o juiz não roube e que seu time produza. Aquele Maracanã lotado era a cara do Brasil, extravagante e inoportuno, um povo que aceita ser enganado e humilhado quietinho no dia-a-dia, mas no estádio vira macho. E bem mal educado.

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11.7.07

O batalhão e minha casa

Está na manchete do LIBERAL impresso desta quarta-feira: um homem tentou assaltar um policial em plena escadaria do Batalhão da Polícia Militar, no Centro de Americana. Acabou preso, depois de rolar escada abaixo com o PM.

É um caso típico do "seria cômico, não fosse trágico".

Seria cômico o fato de um profissional treinado para dar segurança a toda uma comunidade ser alvo de ladrão - e bem na escadaria do batalhão da Polícia Militar, o lugar que presumidamente é o mais seguro de uma cidade. Mas é trágico, justamente porque quem trabalha para coibir a violência é vítima dela. E bem no lugar que deveria ser o mais temido pelos bandidos, já que é o "quartel general" da segurança.

O caso virou manchete por uma questão: se aconteceu no batalhão da PM, o que será da minha pobre casa, em frente da qual, de vez em quando, passa uma viatura, e sem muito tempo para me proteger?

9.7.07

Celebritismo e jornalismo

Pegou moda no jornalismo impresso e on-line a "cobertura" constante do mundo das celebridades. Virou até uma editoria em alguns dos principais sites do País a inscrição "celebridade". Clica-se ali e dá-lhe fofoca da vida de famosos e seus comportamentos, da mesa do café da manhã à cama.

Parece mais uma onda que, utilizada de forma exagerada, ofusca a missão verdadeira do jornalismo: investigar os poderes, defender o interesse público e prestar serviços, enfim, informar com o compromisso de ajudar a formar e possibilitar o transformar de uma sociedade. O fenômeno também revela a falta de criatividade dos meios em conseguir publicar o que é importante de forma interessante.

Aliás, esse é o grande dilema das redações, hoje. Como equilibrar o importante com o interessante? Como fazer com que temas políticos, por exemplo, que precisam ser revelados pelas páginas da mídia, sejam saborosos aos olhos do leitor? Ou, como fazer a cobertura verdadeiramente cultural ter o mesmo interese do novo namoro do ex-Big Brother?

As respostas para isso com certeza não passam pela concessão. Deixar-se seduzir pelo modelo mais fácil -ou seja, ceder ao celebritismo imaginando que, assim, não se vai perder leitor- é matar o doente para curar a doença. Necessário é repensar o modelo informativo, sair das manchetes declaratórias (aquelas que se baseiam apenas no que falou um político, fácil de fazer, difícil de engolir), buscar nos fatos o que realmente interfere na vida dos leitores e investigar, investigar, investigar.

Mais que isso: é preciso humanizar as folhas de jornais e telas de sites. "Um bom jornal é uma nação conversando consigo mesma", já disse Arthur Miller. Esse diálogo tem de ser franco, honesto, transparente. Não pode ser um anzol de sensacionalismos para fisgar leitor a qualquer custo.

Um exemplo caseiro para ilustrar o tema. Semana retrasada uma repórter e um fotógrafo do LIBERAL ficaram manhã e tarde navegando e encalhando em 15 quilômetros das águas poluídas do Ribeirão Quilombo para contar ao leitor quantos despejos de esgoto se viam ali. Seria muito mais fícil, rápido e barato fazer a matéria da redação, apenas ligando ao setor de fiscalização e perguntando se havia denúncias sobre despejos no ribeirão. Mas fugiria à raiz do jornalismo: o repórter como testemunha ocular dos fatos. Prova disso é que a matéria acabou forçando o setor de fiscalização a fiscalizar, de fato. E a matéria teve grande repercussão na opinião pública.

Outro exemplo, citado sempre pelo mestre Carlos Alberto Di Franco, meu ex-professor de Cásper Líbero. Uma das melhores edições de "O Globo" foi publicada quando o editor-chefe do jornal, cansado do jornalismo burocrático, colocou toda a reportagem numa Kombi e mandou os jornalistas às ruas do Rio, para buscarem notícias novas e trazerem à redação. Foi sucesso de público.

Ou seja, há leitores para bom jornalismo. Mas os jornais precisam, antes de tudo, acreditar na inteligência deles. Depois, apostar nela.

7.7.07

Um legado da tocha

Como era de se esperar, a passagem da tocha do Pan por Americana acendeu o apetite dos políticos para tirar uma casquinha diante das pessoas e câmeras presentes. Chegou ao ponto de o primeiro atleta a carregar a chama, o jogador Macedo, ter dificuldades em pegá-la, tamanha a aglomeração de "representantes do povo" na hora da foto.

Exceto a merecida emoção de atletas que tiveram seu dia de glória - diferente dos outros dias em que amargam a escassez de incentivos -, o sábado da tocha se resumiu a um deprimente desfile político, nada diferente de outras cidades no itinerário do fogo do Pan, diga-se.

Americana acorda a mesma no domingo, com as qualidades e defeitos de antes da tocha. E quase teve de pagar mais de R$ 20 mil por duas horas sediando o evento (matérias do LIBERAL e da "Folha de S.Paulo" denunciaram o "pedágio" cobrado às cidades, e a Prefeitura de Americana só aceitou pagar R$ 5 mil).

A tocha se foi, o fogo passou. Ao menos serviu para se perceber que o jogo da política ainda está longe de merecer torcida.

Imagem: Paulo Tibério / O LIBERAL

6.7.07

Bicho homem

Estranho o bicho humano. Adora sentir-se dominador das outras espécies. Ter a posse de uma vida o faz sentir-se Deus, pois tem nas mãos o poder total sobre um outro ser "inferior".

Tão dominador esse bicho dito homem, porém tão inconstante. De repente, a brincadeira de ser Deus acaba e o bicho humano resolve abandonar as "suas" criaturas. Na rua, e de preferência bem longe de casa para não conseguir voltar. Seja porque o cãozinho que era tão pequenino cresceu, ou porque teve uma atitude indigna para quem deveria ser um mero escravo. E acabou a graça.

Cruel? Sim, mas sempre há algo pior a se revelar na vida humanóide. Como a bomba detonada nesta semana numa associação em Americana que cuida dos cães e gatos que os humanos abandonam diariamente pelas ruas (o caso foi revelado pelo LIBERAL desta quinta-feira). Ou seja, não bastasse o fato de se despejarem os bichos nas ruas, ainda se aterrorizam as boas almas que se dispõem a cuidar deles.

Bicho estranho esse humano. Ora capaz de tanta crueldade, ora de tanta solidariedade. Capaz de ser o algoz que faz a Terra arder e o ativista que arrisca a vida para salvar bebês focas, alvos de matança estúpida no pólo sul para utilização da pele em casacos de humanas madames.

Bicho estranho, muito estranho. Sobre o qual já disse Arnaldo Antunes: "Hentre hos hanimais hestranhos, heu hescolho o omem".
Será que um dia seremos menos estranhos e mais integrados a este globo tão diverso? Aliás, será que o mundo teria tempo para nossa adaptação a ele?

Bom final de semana, companheiros da blogosfera.
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4.7.07

Tiros em Americana

Tiros bem em avenida da região central da cidade. Cena típica de Rio de Janeiro, onde o crime diz a hora em que o comércio deve abrir ou fechar. Só que não é o Rio, mas a pacata Americana, aquela que se orgulhava dos baixíssimos índices de violência.

O motivo? Furto de carro, o crime que domina por aqui e gera outros tipos de violência, como uma perseguição da qual saem balas com poder de atingir inocentes que sequer sabem o que está acontecendo. Onde há crime, seja ele qual for, há violência em potencial.

Portanto, se Americana e região não combaterem veementemente o furto e roubo de carros, dias piores virão. E o combate não é apenas dar "batida" em qualquer um que passa pela rua. Atacar esse tipo de crime significa começar olhando para o próprio umbigo, acabando com vícios dentro das próprias forças policiais. Afinal, os criminosos aparentam estar bem mais "produtivos".

3.7.07

Das obrigações

Não é de hoje que os canos fétidos voltados para o Ribeirão Quilombo estão lá, vindos de casas ou indústrias. Também não é de hoje que existe órgão fiscalizador instituído pelo Estado para apurar e autuar despejos irregulares.

Porém, só depois de o tema ser abordado pelo jornal em uma reportagem especial que revelou 65 despejos, a fiscalização foi acionada. E ainda com um "puxão de orelha" do Ministério Público, que determinou à Cetesb que idenfitique o esgoto denunciado.

Ora, é preciso lembrar que a Cetesb existe justamente para tal tarefa, independente do que diz o jornal ou do que determina o promotor. O órgão é público, portanto pago com nosso suado imposto, e sua função é identificar e punir agressões ao meio ambiente. É nada mais, nada menos que isso que se espera.

Foto Paulo A. Tibério / O LIBERAL

1.7.07

Um dia no Quilombo

A reportagem do LIBERAL passou manhã e tarde da última sexta-feira navegando pelo Ribeirão Quilombo. Foram 15 quilômetros percorridos a barco, que encalhou diversas vezes, e a pauta contou com a participação do pessoal do Barco Escola. No trecho, entre Sumaré e Americana, a repórter Leslie Cia Silveira e o fotógrafo Paulo Tibério encontraram 65 despejos de esgoto de indústrias e casas, além de entulhos dos mais diversos.

Ali, está o legado da nossa miséria, como diaria Brás Cubas, personagem do genial Machado de Assis. Um manancial que agoniza graças à ação criminosa de empresários e cidadãos, além da conivência da fiscalização inócua, uma sociedade que não consegue compreender que zelar pelos bens naturais é garantir a existência das próximas gerações. A matéria estampa manchete da edição impressa do jornal deste domingo (reproduzida aqui). O julgamento do que o jornal testemunhou nesta reportagem especial fica para o leitor.